sábado, 30 de junho de 2018

Os fanáticos acusadores de Lula



Defender Lula não é um ato de fanatismo. Há boas razões para entender que o processo condenatório contra Lula não conseguiu, ao fim e ao cabo, demonstrar a sua culpabilidade. Muitos juristas renomados de diversas nacionalidades se pronunciaram nesse sentido. E o cidadão comum, aspectos jurídicos à parte, é capaz de perceber, pelo raciocínio puro e simples, que essa condenação não respeitou minimamente os direitos e garantias fundamentais inerentes ao Estado democrático de direito.

O filósofo francês René Descartes afirmou que o bom senso (razão) é a coisa mais bem distribuída entre os seres humanos. Todos o possuímos em igual medida. É claro que as paixões muitas vezes podem cegar as razões. E as paixões estão presentes na vida política. Mas as paixões em si mesmas não são suficientes para disseminar o fanatismo entre as pessoas. É possível defender uma concepção política com paixão sem que isso implique irracionalidade e fanatismo.

Se aceitarmos a afirmação de Descartes, podemos avançar na hipótese de que grande parte da defesa de Lula repousa simplesmente no bom senso. Acredito sinceramente que esse seja o caso. Quando Aécio Neves foi flagrado em gravação que o incriminava gravemente, sua popularidade virou pó. O homem que teve mais de 50 milhões de votos em 2014 havia morrido politicamente. Por quê? Bom senso. As pessoas de um modo geral possuem um senso de justiça que ultrapassa suas preferências políticas.

Com Lula ocorreu o oposto. Nem mesmo uma condenação abalou sua popularidade. Por quê? Em grande parte devido ao senso de justiça das pessoas e não ao fanatismo, pois havia e há boas razões para sustentar a inocência de Lula. Muitos que o defendem sequer são seus eleitores. São pessoas que se sentem no dever de defender a democracia e cujo senso de justiça ultrapassa seus interesses individuais.

E quanto aos seus acusadores? No caso dos seus adversários políticos, existe uma racionalidade instrumental em acusá-lo pois há óbvios ganhos políticos com a prisão de Lula e com seu afastamento da disputa presidencial em 2018. Embora questionáveis do ponto de vista da moralidade, não se pode dizer que são irracionais. E o resto da população que quer a prisão de Lula a despeito de provas ou de boas razões? Quanto a esses que defendem a prisão pela prisão, sem oferecer nenhuma argumentação razoável, só podemos concluir que são eles os verdadeiros fanáticos, pois desistiram da própria razão.

ULISSES FERRAZ, no Facebook

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