domingo, 18 de fevereiro de 2018

A polêmica intervenção no Rio de Janeiro. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Antes de entrar no assunto deste artigo, quero destacar um fato que não é comentado. O Exército já se encontrava policiando os morros cariocas. A diferença é que antes quem dirigia esses militares era o governador Luiz Fernando PEZÃO (MDB), CRIA de Sérgio Cabral, que se mostrou incompetente, FRACO. Hoje, com a intervenção, quem vai dirigir é o general Walter Sousa Braga Netto. Tomara que agora dê certo. O Rio merece!

A intervenção é polêmica, embora muitos a considere necessária. O ESTADÃO, jornal governista, portanto insuspeito, é contra. Em Editorial, sob o título “UMA INTERVENÇÃO INJUSTIFICÁVEL”, ele comenta a decisão de Temer: “Não há razão objetiva que justifique a intervenção federal, restrita à segurança do Rio de Janeiro, decretada pelo presidente Michel Temer. A situação daquele Estado no que diz respeito ao crime organizado e à violência urbana não se tornou calamitosa de um dia para o outro, a ponto de demandar uma medida tão drástica exatamente agora, a poucos dias da esperada votação da reforma da Previdência, que, por determinação constitucional, NÃO PODERÁ SER REALIZADA EM RAZAO DA INTERVENÇÃO. Temer garante que os efeitos do decreto serão suspensos apenas para a votação, mas essa manobra certamente receberá inúmeras contestações judiciais e são imensas as possibilidades de o feitiço voltar-se contra o feiticeiro. (...) Essa violência [no Rio] é intolerável, mas não será a intervenção federal que resolverá o problema. A segurança não é uma questão isolada, e sua degradação no caso do Rio é resultado de uma combinação de muitos fatores – IRRESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA, conivência com o crime organizado, CORRUPÇÃO GENERALIZADA, franqueamento do Estado a delinquentes de toda espécie e apatia social. Logo intervir só na segurança pública até 31 de dezembro deste ano, como estabelece o decreto, tocará apenas na superfície do problema. (...) Para ter eficácia, a intervenção deveria atingir todos os setores da administração do Estado, mas esse enorme ônus político o presidente Temer não parece disposto a assumir. (...) O fato é que, ao explorar um dos temas mais caros aos brasileiros – a segurança pública – e ao adotar um tom de comício na assinatura do decreto, dizendo que “nossos presídios não serão mais escritórios de bandidos nem nossas praças serão salões de festa do crime organizado”, o presidente dá margem a que se desconfie que, em ano eleitoral, o governante que pretendia ser reconhecido como reformista deixou-se seduzir por um atalho sombreado”. Já João Domingos tem outra hipótese. Em artigo no ESTADÃO, o jornalista afirma: “Temer convive hoje com uma ideia fixa, que é a de tentar provar ao Brasil que não se envolveu em irregularidades, mesmo que o teor da conversa dele com Joesley Batista deixa tanta gente com a pulga atrás da orelha. (...) Paralelamente, ele acredita que poderá começar a defender a sua honra, posta sob suspeita desde que foi divulgado o teor da conversa com o empresário Joesley Batista, e que um dos seus PRINCIPAIS ASSESSORES, o ex-deputado Rocha Loures (MDB-PR), foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil”. O professor Ignácio Cano, também no ESTADÃO, comenta: “Temer tem razão ao dizer que o crime organizado é uma metástase no Rio, MAS ESQUECE DE MENCIONAR QUE A METÁSTASE INFILTROU SETORES DO EXECUTIVO, DO LEGISLATIVO E DO JUDICIÁRIO E QUE O PARTIDO DELE, O MDB, TEM TIDO PAPEL DESTACADO NESTA INFILTRAÇÃO. Obviamente, os canhões do Exército são inócuos contra este crime, o verdadeiramente organizado”.

Vera Magalhães desconfia dessa medida. Ela escreveu no Estadão: “Temer passou a ser incentivado a disputar um novo mandato por aliados”. Para ela existe um porém: “O único cálculo que parece faltar é o aritmético mais básico: contra um impopularidade de mais de 70%, haja reviravolta para tornar essa candidatura viável. (...) Não parece ser um discurso de segurança surgido com a Quaresma para ressuscitar um político com esses índices”.

Temer será candidato à reeleição? A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu.

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