sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

"Uma tragédia": Grande coração humanista, delegado fica com pena de empresário que assassinou irmão na festa da firma



O empresário Matteo Petriccione Júnior, de 35 anos, dono de uma revendedora de veículos Mercedes-Benz em São Paulo, matou o irmão com três tiros no dia 23, após a festa da firma. Pela versão oficial, estava bêbado. Nunca teriam brigado e não tinham antecedentes criminais.

A polícia está perplexa. Inconformada. Es-tar-re-ci-da. Aspas para o delegado, hoje na Folha, lá no antepenúltimo parágrafo da página B6, após Matteo confessar o crime:

- É legal quando você fala da prisão de ladrão, mas um caso assim a gente fica triste, por ser uma grande tragédia. Pessoas de bem, trabalhadoras, e numa fração de segundos ocorre a desgraça. É até triste para nós, mas é um trabalho que precisa ser feito.

Fim das aspas do delegado. Que precisa ser consolado urgentemente, coitado: um empresário que vende carrões (filiado desde 2006 ao PMDB) matou o irmão. E - incrível - será julgado. Uma "pessoa de bem", que antes de executar o irmão por motivo fútil deu uma cabeçada na tia.

Uma cabeçadazinha na tia aqui, um assassinatozinho de irmão ali, coisa de empresários, né, seu delegado, redefinidos como trabalhadores, não coisa de "ladrão". Quase uma traquinagem.

(Todos os assassinos são iguais, deve pensar o policial, mas alguns são mais iguais que outros. Alguns vendem Mercedes.)

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Em 1994, quando Matteo Júnior ainda era um adolescente, o pai Matteo Petriccione foi preso em flagrante por revender um Mercedes e peças contrabandeados da Alemanha para o Brasil. Decerto mais um deslize?

Em 2017, um dos filhos está morto. Mas o irmão criminoso está "totalmente arrependido", diz o delegado: "Foi um momento. Agiu alcoolizado, talvez fora de si até, ambos estavam, e ele acabou efetuando os disparos".

A polícia (deprimida, filosoficamente inconsolável, talvez inconformada com esse Código Penal tão implacável, aparentemente com dúvidas hamletianas sobre o que fazer agora) ainda estuda se pedirá a prisão preventiva de Júnior.

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Agora imaginem como deve ser tratado na delegacia alguém que furte um Mercedes. Nas palavras do policial, "um ladrão".

ALCEU CASTILHO, no Facebook

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