quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Marin e Maluf passam Natal na cadeia. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Maluf e Marin iniciaram politicamente na Ditadura Militar. É o que veremos a seguir.

Sobre Maluf, Gilberto Dimenstein, em seu livro “As armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa”, à página 117, conta que o atual deputado iniciou-se na política através de Yolanda Costa e Silva, esposa do segundo ditador, Costa e Silva. Segundo o jornalista, “não era segredo que ela [Yolanda] tinha extrema simpatia por um empresário chamado Paulo Maluf, que conheceu quando morava em São Paulo e o marido era comandante do II Exército. E também não é segredo que Dona Yolanda não apenas aplaudiu como influenciou para que Maluf entrasse na vida pública num alto cargo na Caixa Econômica Federal. (...) Mas, aqui, a fofoca vai um pouco mais longe. A simpatia do casal teria origem em dívidas de jogo. Costa e Silva gostava muito de jogar – e, claro, muitas vezes perdia. As dívidas seriam quitadas discretamente pelo prestimoso empresário. Sem contar as finas jóias presenteadas a Dona Yolanda”. Foi assim, segundo esses boatos, que Maluf entrou na política. Se não é verdade, é bem provável.

Leandro Colon, em artigo à FOLHA (25/12), sob o título “Irmãos siameses” na ditadura, Maluf e Marin passam Natal na cadeia”, o jornalista revela a trajetória política dos dois na Ditadura Militar. Eis o que revelou Colon: “Marin promete que será fiel a Maluf”, informa o título da página 4 da FOLHA de 12 de maio de 1982, uma quarta-feira. Na véspera, José Maria Marin, então vice-governador de São Paulo, rasgara elogios a Paulo Maluf, o governador. (...) Dias depois, Maluf deixaria o cargo para disputar e conquistar vaga na Câmara dos Deputados. Marin o substituiria no governo até 1983. (...) Naquele maio de 82, a dupla do PDS trocou afagos públicos. Marin declarou sua “lealdade total e fidelidade a este grande estadista que é Paulo Maluf”. Maluf soube retribuir à altura. Falou em “amizade e lealdade, integridade e competência”. (...) “Não encontro um exemplo onde o governador e seu vice tenham se dado COMO IRMÃOS GÊMEOS, COMO IRMÃOS SIAMESES, como eu sempre me dei com José Maria Marin”, disse. (...) Segundo as palavras de Maluf, a relação entre os dois deveria, na época, “se constituir, na verdade, como um exemplo para a classe política, QUE FAZ POLÍTICA COM ÉTICA E COM HONESTIDADE aqui no Estado de São Paulo”. A reportagem conta que Maluf e Marin então “abraçaram-se demoradamente e choraram”. (...) Quase 36 anos depois, os “irmãos siameses” da ditadura estão condenados e presos. Maluf passou a noite de Natal no presídio da Papuda, em Brasília, e Marin dormiu em uma cela de um presídio federal dos EUA. (...) Hoje deputado, Maluf começou a cumprir pena por lavagem de dinheiro em esquema de desvio de verba durante sua gestão como prefeito de São Paulo, entre 93 e 96. (...) Ex-presidente da CBF, Marin acaba de ser considerado culpado por um tribunal de Nova York pelos crimes de organização criminosa, fraude financeira e lavagem de dinheiro em contratos de direitos do futebol. (...) A prisão deles é um irônico e coincidente registro da história, carregado de um alerta: o caso Maluf escancara a lentidão [não para Lula, que foi a jato] e o de Marin, punido nos EUA, expõe a incapacidade das autoridade brasileiras em investigar nossos cartolas”.

Um fato gravíssimo não foi comentado por Colon. Marin, na ditadura, quando era deputado estadual, “dedou” Herzog. Graças a essa denúncia, o jornalista foi preso, torturado e assassinado. Em 2/6/2015, quando da prisão de Marin, escrevi um artigo (“Marin e o assassinato de Herzog”), no qual escrevi: “Se o presente dele é comprometedor, o seu passado político o condena”. Agora, com a sua prisão e provável condenação se fez Justiça: Marin hoje está pagando, indiretamente, o seu “crime” de dedurar Herzog!

MARUN PISOU NA BOLA – Marun começou mal como ministro. Ao tentar comprar votos a favor da Reforma da Previdência, ele pisou na bola. Procurou governadores do nordeste, oferecendo empréstimos oficiais, principalmente da Caixa Federal, em troca do voto dos deputados desses Estados. A iniciativa foi considerada uma CHANTAGEM. A economista Miriam Leitão, da TV Globo, escreveu: “Usar os bancos públicos politicamente é uma forma de PEDALADA – A Lei de Responsabilidade Fiscal veda (sic) o uso político dos bancos públicos. Mas o ministro Carlos Marun declarou que vai usar os financiamentos da Caixa como moeda de troca [em favor da Reforma da Previdência] com os governadores em dificuldade”. Já Bernardo Mello Franco comentou: “Líder do centrão na Constituinte, o deputado Roberto Cardoso Alves deixou uma máximo para a história: “É dando que se recebe”. Era uma releitura picareta da oração de São Francisco de Assis. Em vez de pregar a generosidade, o peemedebista defendia as barganhas em troca de votos no Congresso. (...) Três décadas depois, a frase continua a pautar as relações entre o Planalto e o Legislativo. O velho Robertão está morto, mas O FISIOLOGISMO TEM NOVO PORTA-VOZ: é Carlos Marun, recém-promovido a ministro da Secretaria de Governo. (...) Condicionar os repasses a votos no Congresso tem outro nome. É o velho “toma lá, dá cá”, que tipos como Robertão e Marun não têm vergonha alguma de defender”. O Estadão, jornal governista, em Editorial “O pitbull”, condenou: “Se o governo não quer que a agressividade de Carlos Marun produza efeitos contrários ao esperado, É O CASO DE EXIGIR QUE O “PITBULL” SE COMPORTE CIVILIZADAMENTE. (...) Em carta pública dirigida ao presidente Michel Temer, os governadores do Nordeste já admitem processar (sic) o ministro da Secretaria do Governo por suas ações [pedalada, segundo Miriam Leitão]. É com atitudes como a de Marun que os inimigos da reforma [da Previdência] prosperam”. Até um jornal governista reconhece que Marun pisou na bola!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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