terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A voz muda das ruas



No período de 2013 a 2015 eu sabia de praticamente todos os aumentos de preços relevantes que ocorriam, fossem do tomate, do chuchu, do quiabo ou dos carros importados. E, claro, dos reajustes esporádicos dos combustíveis.
Nas escolas, nas ruas, nos campos e construções, o que eu mais escutava eram reclamações.
Chora Menino, Freguesia do Ó, Carandiru, Mandaqui, aqui
Vila Sônia, Vila Ema, Vila Alpina, Vila Carrão, Morumbi
Pari, o que se reclamava das coisas não tava no gibi.
A voz rouca das ruas não dava uma trégua.
Hoje em dia está bem melhor.
Você pode sair de casa tranquilamente, pegar uma fila, esperar seu busão, dar aquele rolê despreocupado.
Ninguém vai alugar teus ouvidos.
Você pode até fazer uma experiência.
Vá até uma banca de jornais perto de sua casa, de preferência daquelas que expõem as capas dos jornais.
Naquela época que citei, esses locais era o que havia de mais próximo de uma ágora de reclamações. 
Locais cuja densidade reclamográfica era dos mais altos do país.
Hoje em dia alguém pode até comentar: "Xi, vai aumentar a gasolina de novo..."
Mas não terá aquele tom de revolta, de inconformismo, nem de contrariedade aos quais estávamos acostumados.
Aos poucos, tudo foi sendo apaziguado. A calmaria voltou a dar o tom do convívio social. 
Você pode tomar sua cervejinha na padaria, a TV ligada no Datena ou no Jornal Nacional, e ninguém estará fazendo discurso sobre os preços na feira.

Eu era jornaleiro e escutava lamuria e revolta o tempo todo. Eu sou jornaleiro e não escuto mais lamuria nem revolta. Conclusão: pra mim tá bom.

Oh, não é isto a felicidade?

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