sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A fidelidade canina de Marun a Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Todos governantes têm seus ardorosos defensores. São os líderes do governo. No entanto, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) conseguiu ultrapassar a todos. É o que vamos ver a seguir.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, sob o título “UM PITBULL NO PALÁCIO”, comentou a fidelidade do deputado Marun: “Diz o ditado que o melhor amigo do homem é o cachorro. Se o homem for filiado ao PMDB e estiver fugindo da polícia (sic), seu melhor amigo é o Carlos Marun. (...) O deputado despontou no baixo clero como cão de guarda de Eduardo Cunha. Fazia tudo o que o chefão da Câmara mandava. Chegou a organizar sua festa de aniversário, regada a uísque e como bolo de chantilly. (...) Quando o correntista suíço [Cunha] caiu em desgraça, Marun virou líder de sua tropa de choque. Rosnou para os adversários e tentou derrubar o presidente do Conselho de Ética, que se recusava a participar de um acordão. (...) As manobras fracassaram, mas ele não jogou a toalha. Foi o único deputado a discursar contra a cassação em plenário. Apesar de seus apelos, o peemedebista foi varrido do Congresso por 450 votos a 10. (...) Cunha perdeu o mandato, mas não perdeu o amigo. Para reafirmar sua fidelidade canina (sic), o deputado foi visitá-lo na cadeia. Depois soube-se que ele usou verba pública para bancar a viagem a Curitiba. A contragosto, teve que devolver o dinheiro aos cofres da Câmara. (...) Quando Michel Temer foi gravado no porões do Jaburu, Marun encontrou outro investigado para bajular. Passou a se comportar como dublê de deputado e porta-voz do Planalto. (...) Como prêmio por defender o indefensável (sic), virou relator da CPI da JBS. Mostrou os dentes para os procuradores da República e quase mordeu um delator da Lava Jato. O senador Randolfe Rodrigues o chamou de “lambe-botas” e “bate-pau”. (...) Marun nunca se esforçou para contestar os apelidos. Na noite em que a Câmara engavetou a última denúncia contra Temer, ele cantou e dançou em plenário para festejar a impunidade presidencial. (...) Agora o pitbull de Cunha deve ganhar um gabinete no palácio. Como não teria votos para se reeleger, ele distribuirá cargos e emendas a parlamentares que abanarem o rabo. Sua promoção a ministro é um retrato da fase final do governo Temer”.

Eliane Cantalhêde, no texto “SEMANA DE HORRORES”, também comentou o assunto: “Quando a Coluna do Estadão publicou, todo mundo achou absurdo, mas, sim, aliados confirmaram que a coordenação política do Planalto vai para... o deputado Carlos Marun, que liderou a tropa de choque contra a cassação do notório Eduardo Cunha e o presenteia com guloseimas na cadeia de Curitiba. (...) É assim que saem o tucano Antonio Imbassahy e o PSDB e entram (no coração, na alma e no BOLSO do governo) Marun e o Centrão”.

Leandro Colon, em artigo para a FOLHA, foi outro que analisou essa nomeação: “Outro movimento em curso [a favor de Reforma da Previdência] é a nomeação do “CÃO DE GUARDA” Carlos Marun (PMDB-MS) para articulação política. O amigo de Eduardo Cunha virou ministro de Temer menos pela biografia e mais pela FIDELIDADE ao Planalto e pelo trânsito entre deputados do baixo clero que não suportavam o seu antecessor, Antonio Imbassahy (PSDB-BA)”.

O escritor Nestor de Holanda escreveu uma obra, muito lida na década de 60, que deve ser o livro de cabeceira do deputado Carlos Marun: “O Puxa-Saquismo ao alcance de todos – Cartilha de Puxação Sem Mestres”!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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