sábado, 11 de novembro de 2017

Tucanos vão descer do muro? - Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Os tucanos estão num dilema: saem ou permanecem no governo Temer, onde têm quatro Ministérios? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo no Estadão, defende o desembarque do partido. Os tucanos agora vão descer do muro? O PSDB está dividido. Uma parte, maioria, quer se afastar de Temer. Outra, minoria, mas que está no governo, OBVIAMENTE, é contra o desembarque, incluindo aí o senador Aécio Neves (PSDB–MG), presidente licenciado do partido. Analistas políticos analisam esse dilema, como veremos a seguir.

João Domingos, no texto “Temer não tem como segurar os tucanos”, analisa: “Dificilmente o presidente Michel Temer conseguirá segurar no cargo os ministros do PSDB. Não só por causa da pressão do “Centrão”, que quer o PSDB fora e tem mantido bom índice de fidelidade a Temer, mas também porque, se não fizer nada, Temer corre o risco de ser atropelado pelo desembarque tucano. (...) A rigor, Temer não precisa mais do PSDB, pois já se livrou das duas denúncias do ex-procurador Rodrigo Janot. Os votos do PSDB foram importantes para mandar as ações para o arquivo, mesmo que o partido não tenha lhe garantido nem a metade deles. Se Temer já não precisa mais do PSDB, o PSDB também não quer mais ser identificado com o governo do PMDB. Como disse FHC em artigo no ESTADO, os tucanos correm o risco de se tornarem coadjuvante na eleição presidencial se permanecerem no governo. (...) Agora que desistiu de aprovar a reforma da Previdência, e passou a tarefa a Rodrigo Maia, Temer sabe que tem condições de sobreviver até o fim do mandato só com a parceria dos partidos que se mantiveram fiéis e estão de olho nos ministérios dos tucanos (sic)”.

Kennedy Alencar, no artigo “Temer quer deixar para o PSDB ônus de eventual traição”, comentou: “Em relação à defesa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de desembarque do PSDB do governo em dezembro, aliados do presidente Michel Temer no Congresso argumentaram que o PSDB deveria romper imediatamente (sic). Esses aliados pressionam o presidente a retaliar, demitindo ministros tucanos. (...) No entanto, não interessa a Temer tomar a iniciativa de ruptura com o PSDB. Afastar ministros seria dar um pretexto para fortalecer a ala contrária ao governo. (...) A tendência do presidente é deixar o ônus da marca da eventual traição aos tucanos (sic), se a maioria do partido decidir tomar esse caminho em dezembro, como prega FHC. Mas uma ala do PSDB avalia que seria pior romper com o presidente a essa altura do campeonato depois de ter feito essa longa caminhada ao lado do peemedebista”.

Josias de Souza, no artigo “FHC não notou, mas PSDB já virou coadjuvante”, escreveu: “O habitat natural do PSDB sempre foi o muro (sic). Com Michel Temer, os tucanos finalmente desceram do muro. Só que de lados diferentes. Metade do partido queria a continuidade das denúncias contra Temer. A outra metade festejou o sepultamento das investigações na Câmara. De repente, Fernando Henrique Cardoso despertou: “É hora de juntar as facções internas e centrar fogo nos adversários externos”, disse ele, num artigo em que defendeu a saída do PSDB do governo Temer. (...) FHC voltou à carga: “Ou o PSDB desembarca do governo na Convenção de dezembro próximo, ou sua confusão com o peemedebismo dominante o tornará coadjuvante na briga sucessória”, escreveu FHC, adiando novamente (sic) o rompimento para o mês que vem. (...) É como se o tucanato imitasse um sujeito brigão que diz que vai quebrar a cara do outro, mas demora tanto tempo para levantar da cadeira que compromete a seriedade da cena. FHC ainda não se deu conta. Mas seu partido já virou coadjuvante de 2018. Para retornar ao centro do palco, precisa recuperar o discurso, o rumo e o senso do ridículo”.

Sabe quando os tucanos vão sair de cima do muro? NUNCA!

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo quando se noticiou: Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB, afastou da direção do partido Tasso Jereissati, presidente interino, indicando para o lugar dele Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo. Segundo Bernardo Mello Franco, “os aliados de Tasso definem sua degola como um “golpe” [mais um!] articulado com Michel Temer”. Se não é verdade, É BEM PROVÁVEL...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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