sábado, 25 de novembro de 2017

Quadrilhão do PMDB rouba o Rio. Artigo de Jasson de Olliveira Andrade


De todos os acusados de corrupção o que está em situação pior é o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, que se encontra preso. Para comemorar um ano da prisão dele, houve uma comemoração. O Estadão noticiou: “Manifestantes fizeram um ato ontem [17/11], no Rio para “comemorar” um ano de prisão do ex-governador Sérgio Cabral, condenado por três vezes na Lava Jato um total de 72 anos (sic) de prisão”. O mesmo jornal noticia: “Penas de até 300 (sic) anos ameaçam Cabral”. Fato inédito no Brasil!

Já o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi condenado a mais de 14 anos por corrupção e se encontra preso...

Agora outros políticos cariocas, todos do PMDB, também foram presos por 24 horas: deputado Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio; o líder do governo, deputado Edson Albertassi e o deputado Paulo Melo. Eles são acusados de formação de quadrilha (sic), lavagem de dinheiro e recebimento de propina de empresas de transporte urbano.

Ao comentar essas prisões na Assembleia do Rio, Eliane Cantanhêde, no artigo “O Rio de Janeiro chora”, comenta: “A Lava Jato explodiu esquemas em vários Estados do País, inclusive no DF, mas nada tão AVASSALADOR quanto no Rio, pela abrangência, pelos valores (sic) e pela diversidade de órgãos, partidos, personagens. Onde o MP, PF e a Justiça mexem, há escândalos. Nada escapa. (...) O símbolo disso é o ex-governador Sérgio Cabral, que se arvorava até candidato à Presidência da República, enquanto dilapidava o patrimônio público e vivia como magnata com sua mulher, Adriana Ancelmo. Só faltou um apartamento com R$ 61 milhões em dinheiro vivo. (...) Não escapam nem os secretários de Cabral, nem mesmo Sérgio Côrtes, da Saúde. Da Saúde!!! (...) Os desmandos no Rio, que continua lindo, não se resumem ao Executivo. O presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, foi preso com dois outros deputados estaduais e é a ponta de um iceberg. Dá para imaginar as falcatruas na Alerj? E na família Picciani? São três filhos: Leonardo, ministro de Dilma e de Temer, Rafael, deputado estadual, e Felipe, empresário, que também foi preso. (...) É também do Rio o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, um outro peixe graúdo a cair na rede da Lava Jato na Baía da Guanabara e agora passando um tempo [mais de 14 anos de prisão] em Curitiba. Mas grandes, médios e pequenos empresários brilham nesse cardume”. Cantanhêde termina assim o seu texto: “Só falta o Cristo Redentor chorar.”

Bernardo Mello Franco, no artigo “O Rio capturado pelo crime”, publicado na FOLHA, escreve: “No filme “Tropa de Elite 2”, o personagem Coronel Nascimento sobe à tribuna do Palácio Tiradentes e diz que a maioria dos deputados estaduais do Rio deveria estar na cadeia. A vida imitou a arte e nesta quinta-feira [16/11], quando a Justiça Federal mandou prender toda a cúpula da Assembleia Legislativa. (...) O presidente da Casa. Jorge Picciani, foi o primeiro a se entregar à polícia. Também foram em cana o seu antecessor, Paulo Melo, e o atual líder do governo, Edson Albertassi. Todos pertencem ao PMDB de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, responsáveis pela falência (sic) do Estado. (...) Agora estão no xadrez [já saíram, mas podem voltar] que comandaram a Assembleia nos últimos 22 anos. Isso ajuda a explicar o grau de APODRECIMENTO da política fluminense, carcomida por máfias e milícias. A sensação é de que as instituições do Estado foram todas capturadas pelo crime [Quadrilhão do PMDB]. Não à toa, as investigações que pegaram Cabral e seus comparsas correm apenas na esfera federal. (...) A prisão de Picciani, acusado de receber R$ 83 milhões do cartel dos ônibus, joga luz sobre a corrupção nos transportes. O esquema já operava na década de 80, quando o governador Leonel Brizola ENCAMPOU as empresas do setor. A medida seria revertida por Moreira Franco (sic), que terminou seu mandato condecorando os chefes do jogo do bicho”.

Josias de Souza comenta o antecedente da libertação dos deputados cariocas: “Congelaram-se as investigações contra Michel Temer. Enfiaram-se no freezer também as denúncias contra os ministros palacianos Moreira Franco e Eliseu Padilha”. Sem comentário!

Mauricio Dias, na CartaCapital, também analisa essa situação: “A Operação Cadeia Velha, extensão da Lava Jato desencadeada no Rio de Janeiro, exterminou (sic) a vida política do PMDB fluminense. (...) Desaparecem, assim, Sérgio Cabral, ex-governador, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Fernado Pezão, atual governador, e o ex-prefeito carioca Eduardo Paes, que, provavelmente, lamenta o fim da possibilidade de disputar o governo do estado. (...) Sobra apenas um peemedebista carioca, Moreira Franco, ministro de Temer, sujeito a ser preso quando sair do poder”.

Será que a Operação Cadeia Velha vai acabar com o “Quadrilhão do PMDB” do Rio de Janeiro? Como sempre digo: A CONFERIR!

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo, quando o Tribunal Regional Federal do Rio decidiu, por unanimidade (5 a 0), o restabelecimento da prisão do presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Os três já se entregaram à Polícia Federal após a decisão do colegiado. A decisão final ficará com o Supremo. Vamos aguardar!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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