segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Segundo Funaro, Impeachment de Dilma foi comprado


O Impeachment de Dilma é polêmico. Para mim, houve uma trama entre Temer e Cunha, então presidente da Câmara dos deputados. Ele, segundo se propalava, conseguiu convencer vários parlamentares a votarem na iniciativa. Depois Cunha foi afastado da Presidência e posteriormente cassado. Hoje se encontra preso, condenado a mais de 15 anos de prisão. Sem a sua ajuda não haveria o Impeachment. Por este motivo, denomino a queda da ex-presidente como um Golpe Parlamentar. Com a delação de Funaro, ficou-se sabendo que Cunha COMPROU o Impeachment!

A FOLHA (15/10), na reportagem “Cunha pediu R$ 1 mi para impeachment, segundo Funaro”, noticiou: “O operador Lúcio Funaro afirmou em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República) que repassou R$ 1 milhão para o ex-deputado Eduardo Cunha “comprar” (sic) votos a favor do impeachment de Dilma Rousseff. (...) Funaro disse que recebeu uma mensagem de Cunha, então presidente da Câmara, dias antes da votação no plenário em 17 de abril de 2016. (...) “Ele me pergunta se eu tinha disponibilidade de dinheiro, que ele pudesse ter algum recurso disponível PARA COMPRAR ALGUM VOTO ALI FAVORÁVEL AO IMPEACHMENT (destaque meu). E eu falei que ele podia contar com até R$ 1 milhão e que eu liquidaria isso para ele em duas semanas no máximo”, disse. (...) A FOLHA teve acesso ao depoimento prestado por Funaro à PGR em agosto deste ano. Seu acordo de delação foi homologado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal). No depoimento, um procurador questiona: “Ele (Cunha) falou expressamente comprar votos?”. Funaro respondeu: “COMPRAR VOTOS” (destaque meu). O delator disse que o R$ 1 milhão acabou sendo repassado (sic). “Consolidou esse valor?”, perguntou a PGR. “Consolidei o valor”, disse o operador, preso na Papuda. (...) “Depois de uma semana de aprovado o impeachment, comecei a enviar o dinheiro para ele [Cunha] ir pagando os compromissos”, disse Funaro. O delator deu um exemplo de deputado “comprado” (sic) o nome de Anibal Gomes (PMDB-CE), que acabou faltando à sessão de votação do impeachment. (...) Em nota, Cunha repudiou as declarações do operador financeiro”. Aí fica a palavra de Funaro contra a de Cunha, desmentindo. No Painel do Leitor (FOLHA, 16-10), Eduardo Guiliani (São Paulo, SP), comentou: “Cunha sempre mentiu, consistentemente, desde o caso do dinheiro na Suiça, sendo assim, tudo o que Funaro disse deve ser verdade. A negação de Cunha, por inferência, é a maior prova da certeza”. Tudo indica que realmente Cunha recebeu dinheiro de Funaro para comprar deputados a favor do impeachment. No Estadão, na matéria “Pontos-Chave da Delação”, revela: “Papel de Cunha – Segundo Funaro, o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) funcionava como “banco de corrupção de políticos” (sic) e redistribuía o dinheiro recebido do esquema. “Todo mundo que precisava de recursos pedia para ele e ele cedia os recursos em troca ele mandava no mandato do cara. Era assim que funcionava”. Se alguém ainda tinha dúvidas à respeito, essa confissão do operador esclarece definitivamente o assunto: O IMPEACHMENT FOI COMPRADO...

Não é a primeira vez que os deputados são comprados. Fernando Henrique também comprou, como mostrou o jornalista Palmério Dória, no livro “O Príncipe da Privataria – a história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou (sic) sua reeleição”, publicado em 2013. Na Apresentação, o jornalista revela: “Da aprovação da reeleição, fala uma figura essencial na denúncia da trama urdida no Palácio do Planalto. É o Senhor X que, após quase duas décadas, mostra o rosto [revela o nome] e rompe o silêncio para contar, em detalhes, como comprovou a compra – R$ 200 mil por voto – de deputados para a aprovação da emenda da reeleição”. Em 2/6/2016, o Estadão revelou: “Em sua delação premiada, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), disse que líderes governistas “compraram votos” de “mais de 50 deputados’ para aprovar a emenda constitucional que instituiu a reeleição no País, em 1997. O ex-deputado também afirmou que o caso foi investigado na época, mas o governo [FHC] “teve força política suficiente para abafar tudo”. (...) O ex-deputado afirmou aos investigadores que o episódio envolvendo o governo do tucano “foi um dos momentos mais espúrios” que ele presenciou. Segundo o delator, houve uma disputa de propinas”. Esta delação de Pedro Corrêa confirma o livro de Palmério Dória!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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