segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Porque Temer não será cassado. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Temer está otimista: ele não será cassado. Nessa segunda denúncia de Janot, o governo espera uma vitória mais tranquila do que aquela que conseguiu derrotar anteriormente. Por que? É o que vamos ver a seguir.

Vera Magalhães, em artigo no Estadão, sob o título “Segunda denúncia reabre muro das lamentações”, afirma: “Com a esperada chegada da segunda denúncia contra Michel Temer à Câmara, a Casa vai se transformar de novo no terreno fértil para chantagens, lamentações, recados e barganhas (sic) de toda natureza. Mas nada disso leva a crer que o presidente terá mais dificuldades para conseguir que os deputados arquivem a acusação do que teve da primeira vez. (...) Isso porque existe na Casa uma espécie de espírito de corpo contra o Ministério Público Federal e o instituto da delação premiada de maneira geral, e da J&F em particular.” Com essa situação, a jornalista conclui: “E Temer deve ir ficando, mesmo com picos de impopularidade”. Segundo pesquisa mensal de credibilidade do Ipsos, publicada no Estadão de 24/9, Michel Temer é desaprovado por 94%. Apenas 2% aprovam seu governo. Fato nunca ocorrido antes por um presidente!

Para se manter no governo, Temer “COMPRA” parlamentares. É o que diz Josias de Souza, em seu Blog. No seu texto (“Temer libera R$ 1.02 bilhão para parlamentares”), o jornalista constata: “Mal a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República chegou à Câmara e Michel Temer já reabriu (sic) os cofres. Mandou ladrilhar, com o patrocínio do déficit público, a trilha que leva ao funeral das novas acusações. O custo inicial do enterro (sic) será de R$ 1,02 bilhão. O dinheiro será usado para pagar emendas que os parlamentares enfiaram dentro do Orçamento da União. (...) A infantaria legislativa do governo celebra a novidade como um sinal de boa vontade. Mas os aliados de Temer ACHARAM POUCO (destaque meu). Realçam que o enterro agora será coletivo: além das acusações contra o presidente, terão de sepultar imputações dirigidas a dois ministros palacianos: Eliseu Padilha e Moreira Franco. Pior: o Planalto exige que a lápide desça sobre a cova tripla numa única votação”. Ao finalizar seu artigo Josias de Souza, diz: “Para evitar surpresas, Temer talvez tenha que enfiar a mão um pouco mais fundo no bolso do contribuinte”. Será? A ver!

Juliana Sofia escreveu um artigo à FOLHA, cujo título diz tudo: “Suspeitos de sonegação (sic), bancos privados tiveram lucro BILIONÁRIO (destaque meu)”. A FOLHA também revela: “Governo Temer privilegia pautas de conservadores e empresariado”. São esses que apoiam com entusiasmo o governo Temer e são recompensados... Enquanto a população pobre é prejudicada! São esses ricos sonegadores (empresariado, ruralistas e banqueiros) que ajudam na compra dos parlamentares, além dos R$ 1,2 bilhão do governo...

É por esse e outros motivos que Temer não será cassado.

“FORA TEMER” NO ROCK IN RIO – O Caderno 2 do Estadão (18/9) publicou: “Público e artistas gritam juntos contra políticos – “Fora, Temer ecoa em diferentes shows na Cidade do Rock, assim como discursos em defesa da Amazônia”. O mais surpreendente é que o JORNAL NACIONAL, da TV Globo, filmou milhares de jovens gritando “Fora Temer”. Essas manifestações demonstram que os artistas e os jovens não estão alienados!

Os protestos contra o Decreto sobre a Amazônia surtiram efeito: Temer o revogou. Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA ("Uma encrenca amazônica"), comentou: "Depois de um mês de protesto, Michel Temer desistiu de extinguir a reserva nacional de cobre. O episódio ilustra o funcionamento da usina de crise do Planalto. O governo fabrica encrencas para si próprio, tenta ignorar as reações negativas e só joga a toalha quando o degaste já está consumado". Ele explica o que ocorreu: "Diante do bombardeio, o presidente ensaiou suspender o decreto. Não colou. Depois editou um novo texto. Voltou a apanhar. Agora corria o risco de ver o Senado derrubar a medida. Restou a saída de revogá-la, já com o leite derramado". Seria burrice persistir no erro. Ainda bem: a Amazônia foi salva!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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