sábado, 9 de setembro de 2017

Depoimento de Palocci, delação de Funaro, o dinheiro de Geddel e o discurso de Campos Machado. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

O início de setembro foi muito quente politicamente, com quatro “bombas”. É o que vamos ver.

Primeiramente tivemos o depoimento “bomba” de Palocci ao juiz Moro. Ele surpreendeu ao acusar Lula. Bernardo Mello Franco, no artigo “A paulada de Palocci”, publicado na FOLHA (7/9), constatou: “A paulada de Palocci atinge o ex-presidente num momento em que ele tentava trocar o papel de investigado pelo de candidato. O ensaio durou pouco. Um dia depois de encerrar a caravana no Nordeste, Lula volta a ser bombardeado pela Lava Jato. (...) As novas acusações ainda precisam ser comprovadas, mas já instalaram um clima de desânimo no petismo”. Foi mesmo uma “bomba”, cujo desfecho não se sabe!

Outra “bomba” é a delação de Funaro, que foi homologada pelo Supremo. Já é, portanto, uma realidade. O Procurador Janot pretende usá-la na nova denúncia contra o presidente Michel Temer. Como a delação encontra-se sob sigilo, nada se sabe a respeito a não ser que é gravíssima! A conferir.

Outra “bomba”, esta Estadual, mas com reflexo nas eleições de 2018, foi o discurso do deputado Campos Machado (PTB), na Assembleia Legislativa de São Paulo. No dia 5/9, ele fez essa grave acusação ao prefeito Doria (PSDB): “O senhor é um traidor. Vou repetir: o senhor é um traidor. E não existe nada pior no mundo do que a traição. O senhor traiu o governador [Alckmin] vergonhosamente”. À FOLHA, o deputado declarou: “Não fui duro, fui justo. Sei a dificuldade que Geraldo passou para conseguir emplacar o Doria, assisti telefonema meio ríspido entre ele e [o senador José] Serra e ele e Aloysio [Nunes, ministro], enfrentando [o ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso, que não queria o Doria”, acrescentando: “Pode mudar para qualquer partido, vai levar com ele a pecha de traidor”. Vamos ver no que vai dar essa “briga”.

Para mim, a maior “bomba”, que teve grande repercussão na mídia, foi o dinheiro encontrado em um apartamento emprestado para o Geddel Vieira Lima, que se encontra em prisão domiciliar. Este fato deve comprometer Temer. É o que escreve Janio de Freitas, na FOLHA: “Para quem em visita à Noruega pensa estar na Suécia, e, ao lado do presidente paraguaio, trata-o como governante de Portugal, uma confusão a mais seria apenas natural e inevitável. Não fosse, dessa vez, uma viagem de Michel Temer a respeito de si mesmo, ao acreditar que o afundamento de Joesley Batista extingue os efeitos judiciais e políticos do que tramaram no seu encontro noturno. A situação de Temer, na verdade, agravou-se muito. Além de inalterada, a já conhecida incriminação que Joesley lhe fez ganhou, entregue em malas e caixas, volumosa contribuição do seu parceiro Geddel Vieira Lima. (...) As gravações que Joesley traz não apagam a anterior, em que Temer lhe recomenda manter a compra do silêncio dos presos Lúcio Funaro e Eduardo Cunha. Nem elimina sua indicação, para representá-lo junto a Joesley, do “auxiliar de plena confiança” logo fotografado com a mala e meio milhão vindo do empresário. Temer continua denunciado, para ser processado quando termine o mandato. (...) As autorizações do juiz Vallisney de Souza Oliveira à Polícia Federal indicam disposição de esmiuçar a riqueza (sic) de Geddel, seus meios e fontes. Isso tem conexões com outro fator de agravamento para Temer: as revelações de Lúcio Funaro, intermediário de corrupção com ligações tanto a Geddel, em transações variadas, como a Temer, no mínimo em captações sob o nome do PMDB. A delação de Funaro homologada pelo Supremo foi um complemento homologado ao dia em que ficaram conhecidos o cofre e mais uma gravação de Joesley. A homologação encerra a esperar do procurador-geral Rodrigo Janot para liberar nova denúncia criminal contra Temer”. Segundo Janio, “situação de Temer agravou-se muito”, com os R$ 51 milhões de Geddel. Em 8/9, ele, Geddel, foi preso. Fará delação?

Do deputado Glauber Braga (RJ), líder do PSOL: “Primeiro o caso Loures, agora o apartamento de Geddel. Só falta o governo Temer institucionalizar o “Minha Mala, Minha Vida”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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