segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Permanência de Temer beneficiará Lula e o PT. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


  

Na Câmara dos Deputados, Temer ganhou, mas perdeu. A afirmativa poderá parecer contraditória. No entanto, não é: o presidente realmente perdeu, como vou demonstrar.

Em entrevista ao Estadão (5/8), Temer chama de “ridículo jurídico” a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República. No entanto, na votação da denúncia, os deputados que votaram “SIM” disseram que assim votavam pela Economia ou que não estavam inocentando o presidente, visto que, após o fim de seu mandato, o processo continuará. Poucos defenderam Temer, dizendo que o processo era inepto. Uma minoria insignificante. Para mim, sem dúvida, essa manifestação majoritária foi uma derrota do presidente: os que votaram com ele mostraram-se envergonhados, mesmo recebendo verbas e cargos! Bernardo Mello Franco, em artigo na FOLHA, afirma que Temer se contentou com o apoio dos que não têm nenhuma vergonha. “Ele tem sido elogiado por tipos folclóricos (sic) como Wladimir Costa, que o define como o “maior estadista do Brasil”. No fim de semana, o deputado apareceu com o nome do presidente tatuado no ombro. Essa nem os bajuladores do palácio ousariam imitar”. Flávia Tavares, na revista Época, revelou: “A tatuagem custou R$ 1.200 a Wlad, mas a fidelidade dele para salvar Temer saiu por quase R$ R$ 5 milhões em emendas”. A revista na Seção “Personagem da Semana”, publicou a foto dele com esses dizeres: TEMER NO OMBRO E NO BOLSO – Há momentos em que sobram aos governos fracos (sic) apenas aliados de ocasião, aqueles que topam tudo em troca de algo. Michel Temer encontrou o seu”. Voto caro. Não para o bolso do presidente e sim para o País. Como costuma dizer Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

O programa “Zorra Total” ironizou a compra de votos por Temer. É o que comenta o jornalista Maurício Stycer, no seu Blog, sob o título “Indignado com a crise, “Zorra” vê o presidente comprando votos de deputados”. Ele noticia: “Na imaginação do “Zorra” [TV Globo], antes de o presidente da Câmara dar início à votação que decidiria se a denúncia contra o presidente seria julgada pela Justiça, o próprio chefe da Nação falou aos deputados. E disse, pontuando suas frases com o dedo [Temer fala com as mãos]: “Olá, nobres deputados. Eu poderia estar roubando, eu poderia estar conspirando, eu poderia até estar carregando uma mala com R$ 500 mil. Mas não. Eu estou aqui comprando o seu voto. Vai uma emenda aí?” E enquanto os deputados corriam em direção à mesa, o presidente lançou emendas aos parlamentares como quem distribui comida aos esfomeados”. SEM COMENTÁRIO!

Os jornais noticiaram: Governo exonera aliados de “infiéis”. Se eles perderam os cargos, na prática foram beneficiados com essas demissões. A maioria da população, 75% segundo as pesquisas, queria a cassação de Temer.

Se Temer perdeu ganhando, o PT, que aparentemente foi derrotado, na realidade saiu beneficiado. É o que dizem os analistas políticos. Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão (4/8), sob o título “Entre mortos e feridos”, escreve: “O PT se dividiu quanto à estratégia de dar ou não quórum, mas aproveitou bem a exposição em horário nobre, votou em bloco com a oposição pela continuação do processo contra Temer no Supremo e condenou a reforma da Previdência”. Além do mais, acrescento eu, chamou o governo de corrupto. Fábio Wanderley Reis, em entrevista ao UOL, afirma que com mais de 80% de rejeição e o desgaste adicional que o processo sobre denúncia na Câmara o envolveu, “é difícil imaginar que Temer se recupere e que recupere as condições de administração. (...) Do ponto de vista eleitoral, isso é vantajoso para o PT”. Para o professor Michel Zaidan Filho, essa hipótese do “sangramento de Temer” é um cenário mais favorável a Lula do que a entrada do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, por meio de eleições indiretas. Para o cientista político Vitor Marchetti, a permanência de Temer ajudaria o PT a encontrar um discurso” (...) Dá mais possibilidade para o PT se posicionar como uma oposição mais dura, demarcada”, acrescentando: “A oposição a Temer não saiu às ruas, seja pela direita, esquerda ou centro. Muita gente vai tentar surfar nessa crise, e não está claro quem vai conseguir fazer isso”. Para mim, aqueles que não saíram às ruas por decepção política, provavelmente, em 2018, anularão o voto. Caso isso ocorra, quem se beneficiará será, realmente, o PT.

Será que o Lula e o PT vão mesmo se beneficiarem dessa situação ( manutenção de Temer no Poder )? A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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