segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mudar PMDB para MDB não resolverá o problema do partido. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Em 1966, filiei-me ao MDB de Mogi Guaçu. O líder era o Carlos Nelson Bueno, que se elegeu deputado estadual por esse partido. Eu, além de filiado, me elegi Delegado dessa sigla. Tive uma participação nas lutas políticas em nossa cidade, redigindo boletins em defesa do MDB. Posteriormente, Carlos Nelson se elegeu deputado federal, também por esse partido. Em 1979, o MDB era bem votado e a ARENA, partido da Ditadura, estava em baixa. Por este motivo, o presidente João Figueiredo resolveu extinguir os dois partidos. Participei da Sessão que apreciou essa proposta do presidente, juntamente com o então vereador Wilson Alves Ferreira, falecido em 27/4/2015. No meu livro “Defensores da Ditadura Militar Estão na Contramão da História”, à página 209, relatei: “Em vista disto [baixa popularidade da ARENA], o presidente João Figueiredo, em novembro de 1979, resolveu extinguir os dois partidos. O MDB resistiu . Os arenistas eram a favor. Convidado pelo deputado federal Carlos Nelson (MDB), o então vereador Wilson Alves Ferreira (MDB) e eu estivemos em Brasília. Assistimos essa histórica sessão. O tempo esteve “quente”. Havia duas assistências, uma hostilizando a outra. O “Clube do João”, como era conhecido os partidário do presidente, provavelmente militares à paisana, provocavam os emedebistas. Houve atritos e gases lacrimogêneos. (...) No final, realmente o MDB e a Arena foram extintos”. Com a extinção do MDB, filiamos ao PMDB, criado com o acréscimo do “P”. Agora, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá, após o partido se afundar na corrupção, quer tirar o “P”, voltando a ser MDB. Resolverá o problema? Logicamente, NÃO. É o que veremos.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, analisou essa estapafúrdia ideia de Jucá. Vamos transcrever o seu texto, sob o título “Tira o P, fica o resto”: “O PMDB teve uma ideia para tirar o nome da lama: aposentar o P da sigla. Parece piada, mas a proposta foi discutida a sério nesta quarta-feira [16/8]. O presidente do partido, Romero Jucá, associou a mudança a planos grandiosos. “Queremos realmente ganhar as ruas”, declarou. (...) Antes que alguém perguntasse, o senador disse que a troca de nome seria mera maquiagem. “Quero rebater críticas de que o PMDB estaria mudando de nome para se esconder. Não é verdade”, apressou-se. (...) Sem a letra inicial, o partido voltaria a se chamar MDB. Esta era a sigla do Movimento Democrático Brasileiro, criado em 1966 para fazer oposição à ditadura. Nos anos de chumbo, a legenda abrigou figuras como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Eram políticos honrados (sic), que não têm culpa pelo que está aí. (...) Conversei com dois fundadores do MDB sobre o plano de reciclar a sigla histórica. O deputado Jarbas Vasconcelos, 74, expressou sua opinião em poucas palavras: ´”É uma ideia irrelevante. O que melhora a imagem de um partido não é mudar o nome, e sim o seu comportamento”. (...) O ex-senador Pedro Simon, 87, pareceu mais preocupado. Ele ainda sonha em reviver o velho MDB, mas não quer ver as três letras misturadas aos escândalos de hoje. “Fazer isso agora vai parecer malandragem”, resumiu. (...) Para o político gaúcho, a ideia deveria ser guardada para outro momento. “Mudar o nome sem ter um projeto não significa nada. Qual é a bandeira nova? Vão tirar uma tabuleta e botar outra?”, questionou. (...) Simon não acredita em renovação enquanto o partido continuar nas mãos de personagens notórios. “O Jucá é um cara meio comprometido, né? Ele representa o que está aí, disse, numa referência elegante à multidão de colegas na mira da Lava Jato. (...) O ex-senador se limitou a citar o atual presidente da sigla, alvo de nove inquéritos no Supremo. Mas poderia ter mencionado Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Geddel Viera Lima, Jader Barbalho...” Entre eles pode-se ainda citar o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho. Não descarto Baleia Rossi, que, como presidente do partido em São Paulo, bagunçou a sigla. Em Mogi Guaçu, cada ano, muda sua direção!

Eu me honro em ter pertencido ao MDB. No entanto, me envergonho de ser do PMDB. Por favor, presidente Jucá, esqueça da sigla antiga, que hoje pertence à História, com seus nomes ilustres e honrados: Ulysses Guimarães e Tancredo Neves!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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