quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Temer colhe o que plantou. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O que Temer diz de manhã, ele recua na parte da tarde. Esta atitude, logicamente, o desmoraliza: quem vai acreditar na palavra dele? É o que aconteceu com o anuncio do aumento do IMPOSTO DE RENDA. De manhã do dia 8/8, anunciou o aumento. À tarde voltou atrás. É o que diz o Estadão (9/8). O jornal informou que o recuo se deveu à forte reação de deputados da base aliada do governo e do empresariado. O Estadão revelou ainda: “Em nota, no início da noite [7/8], porém, o Palácio do Planalto afirmou que não encaminhará ao Legislativo proposta de elevação do Imposto de Renda. “A Presidência da República não encaminhará proposta de elevação do Imposto de Renda ao Congresso Nacional”. Era a confirmação oficial do recuo. Uma vergonha! O jornalista Kennedy Alencar, no texto sob o título “Congresso leva Temer a recuar de aumento de tributo”, comentou: “A dura reação do Congresso à ideia de aumentar tributos levou o presidente Michel Temer a recuar da possibilidade de criar uma alíquota de 35% para o Imposto de Renda das Pessoas Físicas, ideia em estudo pela equipe econômica [Meirelles]. O Palácio do Planalto divulgou nota enterrando (sic) a ideia. (...) O recuo aconteceu porque é mais importante manter o apoio da Câmara a fim de enfrentar eventuais novas denúncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e porque o Congresso barraria a elevação do IRPJ. (...) O governo subiu o preço dos combustíveis justamente porque não precisava de autorização (sic) dos parlamentares. A pouco mais de um ano das eleições, deputados e senadores resistem a elevar tributos”. Sobre o déficit fiscal, Kennedy analisa: “Com um rombo maior nas contas públicas, a conta fica para todo conjunto da sociedade, o que penaliza mais os mais pobres (sic)”. À respeito do aumento, a COLUNA DO ESTADÃO revela: “PMDB DIZ QUE NÃO VOTA AUMENTO DE IMPOSTO – Michel Temer enfrentará resistência no seu próprio partido se decidir por aumentar impostos para enfrentar a crise fiscal”.

Temer, como já escrevi, manteve seu mandato COMPRANDO deputados. Até o Zorra Total ironizou essa compra, como publiquei no artigo anterior. Agora o presidente está colhendo o que plantou. O mesmo Estadão, na edição de 10/8, revelou: “Centrão vincula análise da Previdência a cargos - integrantes do grupo partidário ameaçam (sic) paralisar trâmite ou derrotar a pauta econômica do governo; líderes COBRAM (destaque meu) redistribuição de postos nas mãos de “infiéis” [principalmente do PSDB]”. Em declaração ao jornal, Arthur Lira disse: “Decidimos não votar a reforma da Previdência. Só retomaremos o diálogo quando o governo resolver quem é base e quem é oposição”. Já Marcos Montes (MG) afirmou: “Não tem clima para votar. Quem foi fiel precisa ser prestigiado [com cargos e verbas]”. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia DEM-RJ), que dias atrás disse que o governo já tinha deputados suficientes para aprovar a reforma até outubro, agora declarou à imprensa que “não é fácil” votar a Reforma da Previdência. Trocando em miúdo: Temer está colhendo o que plantou. Como comprou os votos para salvar a própria pele, agora também vai precisar dar cargos e verbas aos parlamentares. Quem acostumou mal os deputados foi Temer!

A FOLHA, no Editorial “A pauta se apequena”, também abordou o fisiologismo do Centrão: “Eis que o famigerado centrão (sic), como é conhecido o bloco de partidos sem nitidez ideológica capaz de se alinhar a qualquer governo, rebela-se (sic) em nome de principio que regem as coalizões do presidencialismo nacional. (...) As siglas que se mantiveram majoritariamente fiéis ao presidente – PP, PR, PSD e outros – julgam-se no direito de obter MINISTÉRIOS E CARGOS (destaque meu) hoje ocupados pelo PSDB e por outros recalcitrantes. (...) Amesquinha-se, inevitavelmente, a pauta legislativa. Recrudescem as ameaças de boicote a votações e os lobbies por vantagens setoriais Á CUSTA DO ERÁRIO (destaque meu)”. Deu no Painel da FOLHA: “Aliados de Temer calculam que, hoje [14/8], governo só deve contar com 150 votos a favor da Previdência”. Para 308, faltam: 158! Muito difícil, mas o governo poderá aprovar a Reforma. No entanto, terá que comprar muitos parlamentares! E quem é culpado por essa situação? Repito: Temer que colhe o que plantou!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 13 de agosto de 2017

A direita quer um Pinochet na Venezuela



Há quase duas décadas, a Venezuela está sob uma contínua campanha golpista. Desde 1998, quando Hugo Chávez venceu as eleições presidenciais, a direita trabalha para derrubar o chavismo por fora das eleições. Naquela eleição, os dois principais partidos até então abriram mão de seus candidatos para apoiar um terceiro candidato, no esforço de tentar derrotar Chávez. Nada adiantou, o ex-militar rebelado que tinha tentado dar um golpe de estado em 1992, reagindo à catástrofe neoliberal que assolava seu país, era popular demais naquele momento para ser parado por manobras eleitorais da direita.

A eleição de Chávez era uma reação a uma catástrofe neoliberal provocada na Venezuela pela direita, que deixou o regime político em crise. Nessas circunstâncias, não conseguiram impedir sua vitória. Sem capacidade de voltar ao poder por meio das eleições, a direita começou sua campanha golpista. Em 2002, chegaram a tirar Chávez do poder por quase 48 horas. Tomaram o Palácio de Miraflores, sede do governo, e até anunciaram um novo governo. A reação popular, no entanto, foi avassaladora. As ruas de Caracas foram tomadas, e não havia consenso nas Forças Armadas de que Chávez deveria ser derrubado. O presidente foi reconduzido ao seu cargo, e o golpe fracassado custou caro para a direita.

A tentativa fracassada de golpe levou a um expurgo no exército. Desse modo, a direita começou a perder o controle sobre as instituições estatais. A partir daí, a direita foi contida por um certo tempo, procurando se mobilizar contra Chávez durante as eleições, com apoio de toda a imprensa burguesa. Até a morte de Hugo Chávez e a eleição, em 2013, de Nicolás Maduro. Desse momento em diante a direita passou a realizar protestos violentos e atentados terroristas para desestabilizar o governo, enquanto o país era sabotado economicamente e, novamente, o governo era atacado diariamente pela imprensa burguesa.

O último capítulo dessa história de golpismo da direita foi a tentativa de impedir a realização das eleições constituintes, no dia 30 de julho. Maduro convocou uma Assembleia Constituinte mais democrática do que qualquer Parlamento já eleito no país, com representantes de setores de trabalhadores e populares, e a direita resolveu boicotar o processo eleitoral, com a esperança de que a participação fosse baixa e permitisse uma tentativa imediata de tomar o poder à força, mais uma vez.

A manobra da direita foi um fracasso. Apesar das ameaças dos golpistas, que chegaram a matar um candidato constituinte e que queimam pessoas no meio da rua por terem “cara de chavista”, mais de 8 milhões de eleitores participaram da votação. Todos esses votos foram de apoio a Maduro, diante do boicote da direita. São mais de 40% do eleitorado, em eleições que não são obrigatórias, e representam um aumento do apoio eleitoral a Maduro em relação às eleições de 2013, quando derrotou a candidatura dos coxinhas com 7,6 milhões de votos.

Diante disso, a tendência da direita venezuelana é recorrer a métodos cada vez mais violentos, com uma frequência cada vez maior. Com o apoio do imperialismo, a direita está a ponto de arrastar a Venezuela para uma guerra civil, com a conivência de todos os governos capachos dos EUA na região, como por exemplo o governo golpista que usurpou a presidência no Brasil.

A violência da direita venezuelana contra o povo, como da direita de toda a América Latina, é uma tradição. Em 1989, durante o caracaço, uma revolta popular que explodiu em todo o país, a direita esmagou o povo. Segundo os dados oficiais da época, 276 pessoas foram assassinadas pela Guarda Nacional e pelo exército, que saíram às ruas para conter a situação. Estimativas extraoficiais chegam a até 3 mil desaparecidos. A direita promoveu um gigantesco massacre contra a população naquele dia, 27 de fevereiro de 1989.

Esse é o perigo que a direita representa para os trabalhadores venezuelanos. A direita do caracaço no governo terá que promover um massacre de proporções catastróficas para impor na Venezuela os retrocessos que o imperialismo planeja para o conjunto dos países atrasados. Na resistência ao golpe e à violência da direita ao longo das últimas décadas, os trabalhadores venezuelanos nos bairros populares se armaram para se defender e defender seus direitos.

Portanto, para que a direita aplique contra o povo venezuelano a hecatombe neoliberal, a repressão terá que ser muito dura. A vitória da direita significaria uma gigantesca carnificina. Enquanto faz campanha pela “democracia” contra Maduro, é isso que a propaganda imperialista, reproduzida na imprensa burguesa e golpista do Brasil, está defendendo de fato. Em nome da “democracia” estão prontos a apoiar um conjunto de atrocidades. Querem colocar um Pinochet na Venezuela, com chances de ser mais sanguinário que o próprio Pinochet original, diante das circunstâncias. Essa campanha cínica é, desde já, cúmplice de um potencial genocídio político.


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Recentementa a capa de alguns jornais brasileiros informava que Trump "considera 'opção militar' na Venezuela".
Se a desculpa for 'violação dos direitos humanos' ou 'a fome do povo', os malditos Estados Unidos tiveram várias oportunidades de 'usar opção militar' ANTES da ascensão do chavismo ao poder na Venezuela.
Os malditos americanos não fizeram nada em relação ao massacre do 'Caracazo' e nunca se incomodaram pelo fato de que até 1999 havia 85% da população na miséria vivendo abaixo do nivel de pobreza.
Se sou o governo legitimo venezuelano, eu distribuiria armas pros pobres, não para combater o invasor estrangeiro, mas para combater o inimigo interno, aquela porcentagem ínfima da populaçao que detem a maioria esmagadora da riqueza do pais, e seus papagaios de classe-média também: "Saiam dos barrios e vão fazer sua auto defesa. Se os gringos invadirem, a gente vai morrer, mas os vermes gusanos não ficarão pra usufruir das migalhas que os gringos lhe darão por seu colaboracionismo"
Seria o equivalente a armar a população do Capão Redondo ou alguma outra quebrada e mandá-los dar um rolezinho por Higienópolis.

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Permanência de Temer beneficiará Lula e o PT. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


  

Na Câmara dos Deputados, Temer ganhou, mas perdeu. A afirmativa poderá parecer contraditória. No entanto, não é: o presidente realmente perdeu, como vou demonstrar.

Em entrevista ao Estadão (5/8), Temer chama de “ridículo jurídico” a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República. No entanto, na votação da denúncia, os deputados que votaram “SIM” disseram que assim votavam pela Economia ou que não estavam inocentando o presidente, visto que, após o fim de seu mandato, o processo continuará. Poucos defenderam Temer, dizendo que o processo era inepto. Uma minoria insignificante. Para mim, sem dúvida, essa manifestação majoritária foi uma derrota do presidente: os que votaram com ele mostraram-se envergonhados, mesmo recebendo verbas e cargos! Bernardo Mello Franco, em artigo na FOLHA, afirma que Temer se contentou com o apoio dos que não têm nenhuma vergonha. “Ele tem sido elogiado por tipos folclóricos (sic) como Wladimir Costa, que o define como o “maior estadista do Brasil”. No fim de semana, o deputado apareceu com o nome do presidente tatuado no ombro. Essa nem os bajuladores do palácio ousariam imitar”. Flávia Tavares, na revista Época, revelou: “A tatuagem custou R$ 1.200 a Wlad, mas a fidelidade dele para salvar Temer saiu por quase R$ R$ 5 milhões em emendas”. A revista na Seção “Personagem da Semana”, publicou a foto dele com esses dizeres: TEMER NO OMBRO E NO BOLSO – Há momentos em que sobram aos governos fracos (sic) apenas aliados de ocasião, aqueles que topam tudo em troca de algo. Michel Temer encontrou o seu”. Voto caro. Não para o bolso do presidente e sim para o País. Como costuma dizer Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

O programa “Zorra Total” ironizou a compra de votos por Temer. É o que comenta o jornalista Maurício Stycer, no seu Blog, sob o título “Indignado com a crise, “Zorra” vê o presidente comprando votos de deputados”. Ele noticia: “Na imaginação do “Zorra” [TV Globo], antes de o presidente da Câmara dar início à votação que decidiria se a denúncia contra o presidente seria julgada pela Justiça, o próprio chefe da Nação falou aos deputados. E disse, pontuando suas frases com o dedo [Temer fala com as mãos]: “Olá, nobres deputados. Eu poderia estar roubando, eu poderia estar conspirando, eu poderia até estar carregando uma mala com R$ 500 mil. Mas não. Eu estou aqui comprando o seu voto. Vai uma emenda aí?” E enquanto os deputados corriam em direção à mesa, o presidente lançou emendas aos parlamentares como quem distribui comida aos esfomeados”. SEM COMENTÁRIO!

Os jornais noticiaram: Governo exonera aliados de “infiéis”. Se eles perderam os cargos, na prática foram beneficiados com essas demissões. A maioria da população, 75% segundo as pesquisas, queria a cassação de Temer.

Se Temer perdeu ganhando, o PT, que aparentemente foi derrotado, na realidade saiu beneficiado. É o que dizem os analistas políticos. Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão (4/8), sob o título “Entre mortos e feridos”, escreve: “O PT se dividiu quanto à estratégia de dar ou não quórum, mas aproveitou bem a exposição em horário nobre, votou em bloco com a oposição pela continuação do processo contra Temer no Supremo e condenou a reforma da Previdência”. Além do mais, acrescento eu, chamou o governo de corrupto. Fábio Wanderley Reis, em entrevista ao UOL, afirma que com mais de 80% de rejeição e o desgaste adicional que o processo sobre denúncia na Câmara o envolveu, “é difícil imaginar que Temer se recupere e que recupere as condições de administração. (...) Do ponto de vista eleitoral, isso é vantajoso para o PT”. Para o professor Michel Zaidan Filho, essa hipótese do “sangramento de Temer” é um cenário mais favorável a Lula do que a entrada do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, por meio de eleições indiretas. Para o cientista político Vitor Marchetti, a permanência de Temer ajudaria o PT a encontrar um discurso” (...) Dá mais possibilidade para o PT se posicionar como uma oposição mais dura, demarcada”, acrescentando: “A oposição a Temer não saiu às ruas, seja pela direita, esquerda ou centro. Muita gente vai tentar surfar nessa crise, e não está claro quem vai conseguir fazer isso”. Para mim, aqueles que não saíram às ruas por decepção política, provavelmente, em 2018, anularão o voto. Caso isso ocorra, quem se beneficiará será, realmente, o PT.

Será que o Lula e o PT vão mesmo se beneficiarem dessa situação ( manutenção de Temer no Poder )? A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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