terça-feira, 29 de agosto de 2017

Combate ao trabalho escravo e infantil morre de inanição no Brasil que os coxinhas exigiram de volta


RISCO AO COMBATE DO TRABALHO INFANTIL

Corte radical no orçamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vai prejudicar ações em todo o País.

O corte no orçamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), anunciado no mês de julho pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, está provocando polêmica e apreensão em órgãos ligados aos Direitos Humanos, mais especificamente à fiscalização do trabalho infantil e escravo. Nesta área, o contingenciamento é de 70% das verbas previstas no Orçamento de 2017, enquanto o setor administrativo não poderá usar 30% do valor orçado.

Na segunda-feira, dia 21 de agosto, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) e Legislação Participativa do Senado promoveu uma audiência pública para debater o corte orçamentário e a inviabilização do combate ao trabalho escravo, infantil e outras violações de direitos. Durante o encontro, André Roston, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, admitiu que os recursos para o combate ao trabalho escravo neste ano acabaram. 

A diretora do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Vera Jatobá, participou da audiência do CDH e diz que, em algumas unidades, as ações já foram reduzidas. “Uma operação custa em média R$ 60 mil, dependendo do local, pois envolve gastos com deslocamento, alimentação e hospedagem. O combate ao trabalho escravo e ao uso de mão de obra infantil, principalmente no campo, dependem de flagrantes e, por isso, o custo logístico é maior. No entanto, tirar uma única pessoa, seja criança ou adulto, de uma situação degradante não tem preço”, sustenta.

Segundo ela, o senador Paulo Paim se comprometeu a solicitar uma audiência com o ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira para tratar do tema e pedir soluções para o corte orçamentário da pasta. “Além disso, vai encaminhar um documento ao Ministério do Trabalho requisitando mais transparência com os recursos da fiscalização no combate ao trabalho escravo e infantil”, conta. 

Para o Sinait, o contingenciamento, ao inviabilizar a fiscalização, fere não só a Constituição Federal como também o compromisso com a Convenção 81 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, em seu artigo 11, garante condições dignas de trabalho aos auditores fiscais. Além disso, se o corte promover a paralisação, feriria, ainda, a Convenção 105, sobre a abolição do trabalho escravo, e a Convenção 182, que trata das piores formas de trabalho infantil. Por isso, o Sindicato encaminhou uma denúncia à OIT. “Estamos buscando alternativas junto a organismos internacionais para garantir que o orçamento seja assegurado e a fiscalização mantida”, afirma Vera.

Situação alarmante
Quem também está preocupada com a situação é a Fundação Abrinq, organização que promove a defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Segundo a gerente executiva da instituição, Denise Maria Cesario, a atual conjuntura pode colocar em risco os avanços conquistados. “Historicamente, o País vem registrando uma queda gradual e contínua no trabalho infantil. Em 2013, o PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios registrava 3.187.838 pessoas entre cinco e 17 anos ocupadas no Brasil. Já em 2015, havia 2.671.893 crianças e adolescentes nesta condição”, enumera.

Segundo Denise, esta redução é resultado de uma política de enfrentamento que traz a reboque uma política de combate. “Com estratégias efetivas, o Brasil se tornou referência para muitos outros países. Agora, corremos o risco de desmantelamento de todo o processo. A população mais vulnerável acaba sendo penalizada por este quadro de corrupção que parece não ter fim. A situação é alarmante”, finaliza.


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domingo, 27 de agosto de 2017

Traição de Doria e delação de Funaro. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Doria vai trair Alckmin e sair candidato à Presidência em 2018? O prefeito de São Paulo nega, mas, segundo os analistas políticos essa hipótese não deve ser descartada. É o que escreve no Estadão Vera Magalhães (Opostos e descombinados). A jornalista diz em seu texto: “A “guerra fria” (sic) travada nos bastidores do PSDB entre Geraldo Alckmin e João Doria Jr pela candidatura à Presidência em 2018 está cada dia mais difícil de disfarçar com juras de lealdade e vídeos cordiais. (...) O tom com que aliados do governador se referem à movimentação do prefeito já não tem a condescendência de quem vê um filho rebelde ameaçar deixar o ninho , mas a de quem assiste a um ex-pupilo dar passos indisfarçados para superar o criador (sic). Numa reação à sanha do ex-afilhado, Alckmin passou a propagar que na eleição do ano que vem o principal atributo será experiência”. Adiante ela afirma: “Os movimentos de ambos, em tudo opostos e “descombinados”, MOSTRAM QUE A DISPUTA PODE ATÉ NÃO SE CONCRETIZAR MAIS ADIANTE (destaque meu), mas, hoje, está a todo vapor no interior do já conturbado ninho tucano”. Será que Doria vai mesmo trair Alckmin? A VER!

Outro fato que poderá ser uma BOMBA nesse início de setembro. Refiro-me ao acordo de delação de Funaro. A FOLHA noticiou: “Funaro assina acordo de delação e dará caminho para PMDB (sic)”. Este é o medo do governo. Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão, comenta a delação: “Como Funaro era “operador” do PMDB na Caixa, Temer volta ao centro das atenções – e das tensões políticas que tanto refletem na economia – poucas semanas depois do desgastante julgamento na Câmara para se livrar (por ora) da denúncia da PGR por corrupção passiva. (...) Funaro, dono de informações privilegiadas de quem participou de tudo isso por dentro, travou uma espécie de corrida de obstáculos contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha para ver quem conquistaria primeiro o acordo de delação e suas benesses. Nos dois casos, o alvo central foi Temer. (...) Além do próprio Temer, é o seu governo quem entra no foco com a delação de Funaro, porque o PMDB da Câmara inclui Cunha, os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves, que está preso, e Geddel Vieira Lima, em prisão domiciliar. (...) É com base nesse grupo [ou quadrilha?] e nesses nomes que Janot sonha e trabalha há meses com a possibilidade de apresentar duas novas denúncias contra Temer: por organização criminosa e obstrução da Justiça. Depois de Joeley Batista, da JBS, Funaro tende a ser mais um algoz de Temer e mais um troféu para Janot nos seus derradeiros dias na PGR”.

O Estadão noticiou: “No início do mês [agosto], Temer disse que não temia novas delações”. Não é bem o que afirma Eliane Cantanhêde. Para a jornalista, o presidente está muito preocupado com a delação de Funaro. O que irá acontecer com essa nova BOMBA? Será que a Câmara vai inocentá-lo mais uma vez? A CONFERIR!

No artigo “A condenação de Lula” escrito em julho, escrevi: “Desconheço as cinco denúncias contra Lula. Uma coisa constatei: Essa do tríplex é fraca. O ex-presidente provou que o tríplex do Guarujá não era dele, mesmo assim foi condenado a 9 ano e 6 meses pelo juiz Sérgio Moro. (...) Em primeiro lugar, a própria sentença do juiz Moro reconhece, como revela o Estadão, que não houve posse do tríplex por Lula. Ou seja, ele realmente não é o dono. Apesar disto, segundo a sentença, Lula é culpado!” Além dessa condenação sem prova, existe outra decisão de Moro, que se tornou polêmica. Kennedy Alencar, em seu Blog (25/8), revelou, no texto ”Tramitação veloz de recurso de Lula é indício de perseguição”, revelou: ”A tramitação recorde do recurso do ex-presidente Lula na segunda Instância reforça a argumentação da defesa do petista de que ele sofre perseguição do Poder Judiciário. (...) Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, o recurso de Lula teve tramitação recorde no âmbito da Lava Jato. Foi a que chegou mais rápido ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, com sede em Porto Alegre. Demorou 42 dias desde a sentença do juiz federal Sérgio Moro sobre o processo do apartamento no Guarujá. (...) Essa tramitação veloz é uma evidência (sic) de parcialidade na análise do caso Lula na comparação com outros processos da Lava Jato. É RUIM PARA A IMAGEM DO JUDICIÁRIO E TAMBÉM DA OPERAÇÃO (destaque meu). Lula representa uma parcela importante do eleitorado. Tem direito a um julgamento imparcial. Tudo o que fugir à normalidade na análise desse recurso reforçará a narrativa de perseguição política e jurídica para tirar Lula do páreo eleitoral de 2018”. Janio de Freitas: “Titulo na FOLHA (25ago): “Recurso de Lula foi o que mais rápido chegou à 2ª instância”. É uma informação que já contém a explicação, o histórico e o motivo (sic) do juiz Sergio Moro”. Sem comentário...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ao vencedor, as batatas: flexibilização trabalhista começa a render os frutos merecidos a trabalhadores que apoiaram o golpe. Quem não apoiou colherá os frutos do mesmo jeito.



Hoje, pela primeira vez, conheci concretamente as consequências da reforma trabalhista. Fui ao salão fazer as unhas e encontro manicures e cabeleireiros deprimidos. Durante esta semana todos tiveram seus contratos de trabalho interrompidos. Estão devolvendo ao dono do salão os 50% da multa sobre o FGTS. Isso para garantir que poderão continuar a trabalhar no salão como microempreendedores individuais (MEI). Não terão carteira assinada, direito a férias ou décimo terceiro salário. Vão recolher sua própria previdência. O que vi além da depressão? Absolutamente nada. Apatia, apenas apatia.

GISELE CITTADINO, no Facebook


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Jornalista defende "rastreamento" dos investidores em empresa de Dória Jr. para mensurar seu possivel envolvimento com especuladores e contraventores imobiliários


Avisei em novembro: Doria não é exemplo aos prefeitos da região

DANIEL LIMA - 22/08/2017 

Antes de tudo e acima de qualquer coisa que possa cheirar à perseguição, que muitos confundem com conhecimento, vou reproduzir os primeiros parágrafos do artigo que escrevi em 25 de novembro do ano passado. Em seguida, trato do assunto de hoje. Vamos ao que produzi sob o título “Que nossos prefeitos não sigam mau exemplo de Doria”: 

- O recém-eleito prefeito paulistano João Doria não serve de bom exemplo aos vencedores de outubro nas eleições na Província do Grande ABC caso o assunto em discussão seja mobilidade urbana – mais precisamente mercado imobiliário. O prostíbulo de negócios imobiliários na região, quase todos impunes, poderá ficar ainda pior se João Doria for o referencial. Os acenos preliminares são afrontosos nesse sentido horroroso. O legado de Fernando Haddad poderá ser dizimado, mas providencialmente dissimulado por marqueteiros especializados em embromação. Não estaria longe o dia em que o ainda prefeito de São Paulo seria reconhecido como gerenciador sério e que possivelmente só foi apeado do cargo por conta da demonização do PT nas últimas eleições. Haddad botou o dedo na ferida das roubalheiras imobiliárias juntamente com o Ministério Público Estadual. A Máfia do ISS é a prova disso. João Doria, empreendedor comprometido até a medula com o capitalismo sem pesos e contrapesos, está a dar refresco aos potenciais contraventores -- os bandidos imobiliários, que caracterizo aqueles que querem levar vantagem a qualquer custo. Principalmente ao asfixiarem ainda mais a mobilidade urbana. Talvez fosse interessante um rastreamento rigoroso dos investidores ao longo dos tempos na empresa de João Doria para entender até que nível sobressaíram os volumes de dinheiro de empreiteiros e mercadores imobiliários. 

Reportagem do Estadão 

Reproduzidos os parágrafos que considero importantes (embora não descarte outros do mesmo artigo na sequência) corro os olhos a uma reportagem publicada hoje pelo Estadão sob o título “À Justiça, ex-secretário põe sob suspeita concessão de licenças ambientais em SP”. Nada melhor que reproduzir os parágrafos mais importantes da matéria: 

- No mesmo dia em que foi confirmada a demissão do secretário Gilberto Natalini, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, ainda sob seu comando, relatou à Justiça de São Paulo uma série de irregularidades envolvendo licenças ambientais de obras na capital, que vão da falta de pagamento de taxas por construtores à pressão e ameaça a servidores por empresas de consultoria que cuidam dos processos de liberação de empreendimentos. A Justiça já encaminhou as informações ao Ministério Público, e a Prefeitura investiga a denúncia. 

Agora, CapitalSocial 

Faço um cavalo de pau editorial e volto ao que escrevi em novembro do ano passado – e que tem tudo a ver com as informações de hoje do Estadão: 

- A principal agressão de João Doria ao sistema de responsabilidade social a ser legado de Fernando Haddad é o desmonte da Controladoria-Geral do Município (CGM), organismo de fiscalização que alguns prefeitos eleitos na região em outubro último já anunciaram pretender agregar ao organograma oficial, embora não se saibam muitos detalhes. A CGM da Capital vai deixar de contar com o status de secretaria para virar departamento da futura Secretaria de Justiça. Num microartigo publicado na edição de hoje do jornal Estadão o colaborador Marco Antonio Teixeira, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas, expressa bem o significado dessa mudança (...): “Subordinada a uma secretaria municipal, a Controladoria-Geral do Município perde poder. Como é que um órgão de segundo escalão pode ter autonomia para fiscalizar um órgão de primeiro escalão? A agilidade que a CGM tem até o presente momento, de se mover sem nenhum tipo de barreira, seria perdida para encontrar no mínimo duas barreiras: a do secretário e do próprio prefeito. Ou seja, ela poderia perder autoridade. Se durante alguma apuração, a CGM tiver necessidade de convocar algum funcionário de outra secretaria, ela terá de obter antes a autorização de uma hierarquia superior, uma vez que ela tem de se reportar ao secretário ao qual está vinculada. Hoje ela se reporta diretamente ao prefeito. Mesmo assim, pela natureza de sua atividade, a CGM não deve tanta satisfação ao prefeito quanto às demais secretarias. Seria possível que o secretário de governo, como consequência dos trabalhos da Controladoria, ser investigado e acabar deixando o cargo, como aconteceu na gestão Haddad, se o órgão não tivesse tanta autonomia?” – escreveu o especialista Marco Antonio Teixeira. 

Estadão de volta

Agora, para que o entendimento seja completo nesse processo mais que escancarado de fragilização de mecanismos de controle do poder pantagruélico do mercado imobiliário comandado por um baronato aparentemente intocável como as empreiteiras flagradas pela Operação Lava Jato, leiam o que o Estadão publicou há três dias: 

- A gestão João Doria (PSDB) trocou nesta quinta-feira, 17, a controladora-geral do Município, Laura Mendes, responsável pelo órgão da Prefeitura que tem o objetivo de apurar e corrigir irregularidades administrativas e combater a corrupção. Em seu lugar, assumirá Guilherme Mendes, atual ouvidor de São Paulo. “Estamos fazendo mudanças administrativas e precisamos de uma Controladoria mais alinhada com as diretrizes do prefeito”, disse o secretário municipal de Justiça, Anderson Pomini. Criada como órgão independente na gestão Fernando Haddad (PT), a Controladoria-Geral do Município (CGM) é atualmente subordinada à Justiça. Segundo técnicos da área, Laura vinha enfrentando atritos. A avaliação é que havia conseguido manter a independência, mas ao custo de confrontos frequentes. Teria pesado para o desgaste suas negativas de compartilhar informações tidas como sigilosas por parte do órgão, a cobrança para que a gestão cumprisse a Lei de Acesso à Informação (LAI, que obriga a transparência de dados) e a fiscalização e a divulgação das doações recebidas pelo prefeito. 

Mais Estadão 

- Pomini nega. Ele afirma que pedia informações à CGM porque sua pasta é o órgão recursal dos processos abertos pela controladoria. “Assim, tinha de solicitar informações, o que fazia por ofício.” Diz ainda que a dificuldade em respeitar a LAI é decorrente do volume de pedidos feitos por meio da lei. E afirma ter sido a secretaria -- não a CGM -- quem organizou a divulgação das doações. A atual gestão já tornou público o resultado de 18 auditorias conduzidas pela CGM, todas referentes a contratos assinados por Haddad. A gestão anterior havia publicado 49 relatórios de auditorias, todos referentes à própria administração. Atualmente, estão em andamento as investigações da chamada Máfia da Cidade Limpa, esquema de propina revelado pela Rádio CBN. Em meio à crise financeira, o órgão tem ainda recebido menos recursos. Entre janeiro e julho foram executados R$ 6 milhões do orçamento de R$ 32,5 milhões. No ano passado, até julho, haviam sido R$ 10 milhões.

Mais CapitalSocial

Completo este artigo com outros trechos do artigo que escrevi no final do ano passado, em alerta aos prefeitos eleitos: 

- Aqui os bandidos imobiliários deitam e rolam faz muito tempo porque jamais houve um prefeito sequer que tenha tido a coragem e a independência de introduzir algo semelhante ao que Fernando Haddad acrescentou ao gerenciamento público. E não acredito que entre os sete titulares dos paços municipais no ano que vem alguém tenha tutano para travestir-se de Haddad. As ações de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo no campo da mobilidade urbana, especificamente do mercado imobiliário, não se restringiram a pegar os mafiosos do ISS (que ainda vivem a vida boa da impunidade, já que não existe uma Operação Andaime, espécie de Lava Jato, para acelerar o ritmo de condenações) já que se expandiram na área de auditorias de contratos firmados por secretarias municipais e subprefeituras. O balanço financeiro mais recente das operações da Controladoria-Geral do Município sob a liderança de Fernando Haddad aponta que só com a revisão de contratos houve economia de R$ 58 milhões no mesmo período. Foram emitidas 185 ordens de serviço de auditorias, sendo que 134 já foram homologadas. As apurações já abrangeram 25 das 29 secretarias, 28 das 32 subprefeituras e 14 das 18 unidades da Administração Direta.  Agora me respondam: com o desmonte mais que ensaiado de João Doria, o que restará desse trabalho todo e que mensagem o novo prefeito de São Paulo vai repassar como padrão de atuação aos demais titulares de paços municipais do País, especialmente de região tão próxima que o rebocou como liderança a ser seguida nas disputas de segundo turno? 

Mais Capital Social 

- Tenho todo o direito e o dever de colocar a gestão de João Doria na marca da penalidade máxima quando o assunto é o mercado imobiliário. Tomara que outros agentes informativos e analíticos também o façam. Que a Capital do Estado não repita a vergonhosa omissão generalizada da mídia regional. Aqui os mercadores imobiliários deitam e rolam porque sabem que podem controlar os cordéis de distanciamento da Imprensa. As tratativas nada republicanas com servidores públicos são homologações de negócios escusos porque o ambiente gerado ao longo dos tempos assim o determinou. Ao que tudo indica a São Paulo de João Doria voltará a ser a Capital de Gilberto Kassab. 


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Artigo: Temer contra Alckmin. Por Jasson de Oliveira Andrade



Temer mostra mais uma faceta: é vingativo. Ele tenta jogar Dória contra Alckmin para se vingar dos votos dos tucanos paulistas, alinhados ao governador, que votaram a favor da denúncia do procurador-geral Janot. Da bancada de São Paulo, 11 votaram pelo prosseguimento do processo e apenas uma deputada foi contra. Eis como votaram os tucanos paulistas: Bruna Furlan, SIM. Os outros votaram NÃO: “Carlos Sampaio, Eduardo Cury, Izaque Silva, João Paulo Papa, Lobbe Neto, Mara Gabrilli, Miguel Haddad, Ricardo Trípoli, Silvio Torres, Vanderlei Macris e Vitor Lippi.  O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Trípoli, além de votar contra o presidente, ainda orientou a bancada a votar pelo prosseguimento da denúncia!

Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão, comentou: “Quando Temer “abriu a porta” para Doria entrar (sic) no PMDB, também estava abrindo para o PMDB entrar na campanha (sic)  de Doria”. Trocando em miúdo: Temer, ao convidar Doria a se filiar ao PMDB, estava pondo em prática sua vingança, ou seja, jogando o prefeito de São Paulo contra Alckmin. Mais. Segundo a jornalista, incentivou o partido a entrar na campanha de Doria, como candidato a Presidência, enfrentando, ou melhor dizendo, traindo Alckmin…

O Estadão (16/8), na reportagem sob o título “Alckmin e Doria medem forças (sic) em diretórios de SP – Governador e prefeito querem seus aliados em postos-chave da máquina partidária tucana”, o jornal publicou uma foto dos dois juntos, com essa legenda: “BASE. Alckmin e Doria têm pretensões eleitorais em 2018”. Apesar de afirmar publicamente que não irá trair o seu criador, tudo indica, pela sua movimentação política em vários Estados, essa promessa não será mantida. Na matéria, o Estadão revela: “Com a decisão da Executiva Nacional do PSDB de antecipar as convenções municipais e estaduais do partido, aliados do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria buscam correligionários afinado com seus projetos eleitorais (sic) para ocupar postos-chave na máquina partidária. (…) Os dois grupos querem blindar prefeito e governador, ambos cotados para disputar (sic) o Palácio do Planalto em 2018, contra eventual “fogo amigo” em ano eleitoral”.

Não apenas o PMDB (leia-se Temer) deseja atrair Doria. O DEM está também na jogada. O Painel da Folha (15/8) noticiou: “O pastor Silas Malafaia enviou mensagem a Doria [prefeito de São Paulo] estimulando-o a trocar o PSDB pelo DEM. O prefeito teria respondido que está “analisando”. A ver!

O convite de Temer ao Doria para se filiar ao PMDB parece que está estimulando o prefeito de São Paulo a trair Alckmin, repetindo o que ele fez com Dilma. Conseguirá a sua vingança? Como sempre digo: A conferir!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

GAZETA GUAÇUANA, 22/08/2017

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mudar PMDB para MDB não resolverá o problema do partido. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

Em 1966, filiei-me ao MDB de Mogi Guaçu. O líder era o Carlos Nelson Bueno, que se elegeu deputado estadual por esse partido. Eu, além de filiado, me elegi Delegado dessa sigla. Tive uma participação nas lutas políticas em nossa cidade, redigindo boletins em defesa do MDB. Posteriormente, Carlos Nelson se elegeu deputado federal, também por esse partido. Em 1979, o MDB era bem votado e a ARENA, partido da Ditadura, estava em baixa. Por este motivo, o presidente João Figueiredo resolveu extinguir os dois partidos. Participei da Sessão que apreciou essa proposta do presidente, juntamente com o então vereador Wilson Alves Ferreira, falecido em 27/4/2015. No meu livro “Defensores da Ditadura Militar Estão na Contramão da História”, à página 209, relatei: “Em vista disto [baixa popularidade da ARENA], o presidente João Figueiredo, em novembro de 1979, resolveu extinguir os dois partidos. O MDB resistiu . Os arenistas eram a favor. Convidado pelo deputado federal Carlos Nelson (MDB), o então vereador Wilson Alves Ferreira (MDB) e eu estivemos em Brasília. Assistimos essa histórica sessão. O tempo esteve “quente”. Havia duas assistências, uma hostilizando a outra. O “Clube do João”, como era conhecido os partidário do presidente, provavelmente militares à paisana, provocavam os emedebistas. Houve atritos e gases lacrimogêneos. (...) No final, realmente o MDB e a Arena foram extintos”. Com a extinção do MDB, filiamos ao PMDB, criado com o acréscimo do “P”. Agora, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá, após o partido se afundar na corrupção, quer tirar o “P”, voltando a ser MDB. Resolverá o problema? Logicamente, NÃO. É o que veremos.

Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, analisou essa estapafúrdia ideia de Jucá. Vamos transcrever o seu texto, sob o título “Tira o P, fica o resto”: “O PMDB teve uma ideia para tirar o nome da lama: aposentar o P da sigla. Parece piada, mas a proposta foi discutida a sério nesta quarta-feira [16/8]. O presidente do partido, Romero Jucá, associou a mudança a planos grandiosos. “Queremos realmente ganhar as ruas”, declarou. (...) Antes que alguém perguntasse, o senador disse que a troca de nome seria mera maquiagem. “Quero rebater críticas de que o PMDB estaria mudando de nome para se esconder. Não é verdade”, apressou-se. (...) Sem a letra inicial, o partido voltaria a se chamar MDB. Esta era a sigla do Movimento Democrático Brasileiro, criado em 1966 para fazer oposição à ditadura. Nos anos de chumbo, a legenda abrigou figuras como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Eram políticos honrados (sic), que não têm culpa pelo que está aí. (...) Conversei com dois fundadores do MDB sobre o plano de reciclar a sigla histórica. O deputado Jarbas Vasconcelos, 74, expressou sua opinião em poucas palavras: ´”É uma ideia irrelevante. O que melhora a imagem de um partido não é mudar o nome, e sim o seu comportamento”. (...) O ex-senador Pedro Simon, 87, pareceu mais preocupado. Ele ainda sonha em reviver o velho MDB, mas não quer ver as três letras misturadas aos escândalos de hoje. “Fazer isso agora vai parecer malandragem”, resumiu. (...) Para o político gaúcho, a ideia deveria ser guardada para outro momento. “Mudar o nome sem ter um projeto não significa nada. Qual é a bandeira nova? Vão tirar uma tabuleta e botar outra?”, questionou. (...) Simon não acredita em renovação enquanto o partido continuar nas mãos de personagens notórios. “O Jucá é um cara meio comprometido, né? Ele representa o que está aí, disse, numa referência elegante à multidão de colegas na mira da Lava Jato. (...) O ex-senador se limitou a citar o atual presidente da sigla, alvo de nove inquéritos no Supremo. Mas poderia ter mencionado Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Geddel Viera Lima, Jader Barbalho...” Entre eles pode-se ainda citar o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho. Não descarto Baleia Rossi, que, como presidente do partido em São Paulo, bagunçou a sigla. Em Mogi Guaçu, cada ano, muda sua direção!

Eu me honro em ter pertencido ao MDB. No entanto, me envergonho de ser do PMDB. Por favor, presidente Jucá, esqueça da sigla antiga, que hoje pertence à História, com seus nomes ilustres e honrados: Ulysses Guimarães e Tancredo Neves!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Maduro realizou as eleições mais democráticas da história da Venezuela


As eleições são um jogo de cartas marcadas. Por meio do poder econômico, os capitalistas garantem seu controle sobre o Estado burguês apesar do inconveniente das eleições. O processo eleitoral serve de fachada democrática para o regime burguês, fornecendo uma ilusão de que os eleitores exercem algum controle sobre o Estado. Mas o poder econômico apenas ainda não é suficiente para garantir a vitória permanente e indefinida da direita nas eleições. A burguesia controla também as regras do jogo.

Mesmo com todas essas precauções, em momentos de crise como o atual o regime ainda escapa do controle de seus donos.

Na França, a burguesia teve que sacrificar seus dois principais partidos para colocar um desconhecido na presidência e derrotar uma candidatura da extrema-direita. Nos EUA, Donald Trump tomou de assalto a candidatura do Partido Republicano contra a vontade do aparato partidário e dos principais setores do imperialismo. E depois derrotou a candidata do establishment, Hillary Clinton, que só conseguiu ser a candidata do Partido Democrático graças a um golpe contra Bernie Sanders. No Reino Unido, os trabalhadores impuseram um representante próprio para liderar o partido da esquerda oficial do regime, assombrando os capitalistas. No Brasil, a direita só conseguiu se livrar do PT dando um golpe de Estado.

O golpe no Brasil
No Brasil, as eleições para o Executivo tendem a colocar os programas políticos e a ideologia dos candidatos em maior evidência do que nas eleições parlamentares. Por isso a burguesia pode perder o controle mais facilmente nesse tipo de eleição. Foi o que aconteceu depois que o PT continuou ganhando as eleições a partir de 2006. Depois de chegar à presidência para cumprir um mandato em 2002 por um acordo, o PT continuou vencendo as eleições presidenciais se tornando um intruso cada vez mais incômodo dentro do Estado burguês brasileiro. É por isso que agora se fala em parlamentarismo, ignorando-se o resultado do plebiscito sobre a forma de governo de 1993.

Com pressa para aplicar o programa neoliberal, o imperialismo teve que impulsionar um golpe de Estado no Brasil. Eleitoralmente, a direita tornou-se inviável, apesar de toda a manipulação, de toda a campanha da imprensa golpista, de todas as regras favoráveis aos conservadores. Agora, no marco do golpe de Estado perpetrado pelos entreguistas, os usurpadores estão discutindo uma reforma política para consolidar o golpe.

A reforma é parte de uma política de destruição do PT que consiste em perseguir seus principais quadros e atacar todas as organizações da classe trabalhadora que tenham relação com o partido. Apesar de todos os ataques ao PT, a reforma vem como mais uma garantia para a direita de que a classe trabalhadora será totalmente excluída do poder. Esse é o objetivo por trás da destruição do PT (e do resto da pequena esquerda restante como um brinde). A impopularidade da direita chega ao ponto de terem que prender o candidato em quem o povo quer votar: Lula.

As eleições, portanto, precisam ser contornadas nesse momento de crise porque o programa do imperialismo para os países atrasados é absolutamente impopular. Não pode haver a menor brecha para uma escolha genuinamente popular. A direita teleguiada quer acabar com os direitos trabalhistas, com os serviços públicos para os trabalhadores, roubar as aposentadorias e roubar as riquezas do país. Esse é o programa do imperialismo para todos os países atrasados e para os trabalhadores do mundo inteiro. Para realizar a manutenção do capitalismo falido, é preciso fazer com que a população pague caro pela crise. É difícil eleger alguém com esse programa.

A Constituinte na Venezuela
A Venezuela é alvo desse mesmo golpe, dirigido contra a América Latina de conjunto. Enquanto a imprensa burguesa cinicamente finge que o Brasil continua sob uma normalidade democrática, acusa, também cinicamente, Nicolás Maduro de ser um “ditador”. Uma inversão da realidade propagandeada à exaustão nos jornais, rádios e canais de TV da burguesia. Toda essa imprensa defende o programa dos golpistas contra os trabalhadores e por isso ataca quem impede ou pode atrapalhar a aplicação desse programa.

O Brasil, com um presidente golpista não eleito e com um Congresso discutindo como mudar as regras eleitorais de forma mais favorável à direita e desfavorável à esquerda, seria uma democracia. Uma democracia em que você termina sem aposentadoria, sem direitos trabalhista, ganhando mal e sem estabilidade no emprego, caso tenha a sorte de ter um emprego. Na Venezuela, onde o presidente foi eleito e acabam de ser realizadas eleições constituintes, o governo seria “ditatorial”.

A verdade sobre a Venezuela é justamente o contrário desse retrato feito pela imprensa golpista que apoia o assalto à aposentadoria e o congelamento de gastos públicos. O presidente Nicolás Maduro realizou as eleições mais democráticas que já aconteceram no país. A imprensa que o acusa de ser um “ditador” quer justamente que um ditador entre no lugar de Maduro para promover a catástrofe neoliberal contra os venezuelanos.

Composição da Assembleia Constituinte
Nenhuma eleição anterior foi tão democrática quanto a da Assembleia Constituinte. A Assembleia é composta por mais de 500 membros. Entre eles, 364 são representantes de determinados territórios, como costuma acontecer nas eleições parlamentares. Outros 173 membros são representantes de determinados setores da sociedade venezuelana. Esses 173 constituintes são divididos por setor da seguinte maneira: 5 empresários, 8 camponeses e pescadores, 5 portadores de deficiência, 24 estudantes, 79 trabalhadores, 24 representantes de comunidades e conselhos comunais e 28 aposentados e aposentadas. Outros 8 deputados ainda serão eleitos entre as comunidades indígenas.

Com tal composição, a Assembleia Constituinte da Venezuela tem uma participação popular efetiva muito maior do que a participação que resulta de eleições mais tradicionais comandadas pela burguesia. Enquanto o Congresso brasileiro conspira para excluir os trabalhadores totalmente do Estado, a Constituinte garante pelo menos 79 vagas para os trabalhadores na Venezuela. Enquanto os indígenas precisam implorar para serem ouvidos em Brasília, na Constituinte venezuelana eles elegerão 8 deputados de acordo com seus métodos tradicionais. Isso jamais seria possível dentro das regras mais usuais das eleições burguesas.

O regime venezuelano continua sendo um regime burguês, e o governo continua sendo um governo nacionalista burguês, que se apoia na burguesia nacional e nos trabalhadores. Porém, dentro dos marcos de um regime burguês, as eleições para a Assembleia Constituinte foram as mais democráticas da região. Maduro, que o jornal golpista Folha de S. Paulo passou a chamar de “ditador”, é o presidente mais democrático da América do Sul neste momento.

Como a Constituinte é efetivamente popular, a direita golpista boicotou as eleições e procurou impedir a população de votar. Um candidato chavista foi assassinado uma semana antes da votação. A população teve que enfrentar a ameaça de violência da direita golpista para poder exercer seu direito ao voto. Apesar desses obstáculos, as eleições foram um sucesso.

O sucesso eleitoral de Maduro
As eleições na Venezuela não são obrigatórias, e não tiveram participação da oposição, que resolveu boicotar e sabotar o processo eleitoral. Mesmo assim, 40% do eleitorado foi à urnas, 8 milhões de pessoas manifestaram seu apoio a Maduro. Um apoio maior ainda do que nas eleições de 2013, quando Maduro derrotou a direita com 7,5 milhões de votos. Um dos melhores resultados eleitorais da história do chavismo.

Desde que começou a se reunir a Assembleia Constituinte já tomou decisões importantes em defesa da Venezuela sob a ameaça de um golpe e sob a ameaça externa de uma “intervenção militar” dos EUA. Nicolás Maduro colocou seu cargo à disposição e foi ratificado pela Assembleia na presidência. Os deputados também votaram medidas para preparar a defesa do país contra o imperialismo e contra a especulação e a sabotagem econômica.

A maior democratização do Estado na Venezuela fortalece os trabalhadores e a população em geral contra a direita golpista. Os golpistas querem suprimir os direitos da população. A Constituinte pretende inscrever os programas sociais na própria Constituição. A direita, como o caso do Brasil mostra, precisa excluir o povo das decisões do Estado completamente. A Constituinte tem participação popular em uma proporção bastante grande.

Quando os jornais que apoiaram o golpe no Brasil chamam Maduro de “ditador” estão falsificando a realidade. E essa falsificação serve ao objetivo do imperialismo de substituir Maduro por um, aí sim, ditador. Um Pinochet capaz de impor uma série de retrocessos contra os trabalhadores e de entregar o petróleo para os monopólios estrangeiros.


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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Temer colhe o que plantou. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O que Temer diz de manhã, ele recua na parte da tarde. Esta atitude, logicamente, o desmoraliza: quem vai acreditar na palavra dele? É o que aconteceu com o anuncio do aumento do IMPOSTO DE RENDA. De manhã do dia 8/8, anunciou o aumento. À tarde voltou atrás. É o que diz o Estadão (9/8). O jornal informou que o recuo se deveu à forte reação de deputados da base aliada do governo e do empresariado. O Estadão revelou ainda: “Em nota, no início da noite [7/8], porém, o Palácio do Planalto afirmou que não encaminhará ao Legislativo proposta de elevação do Imposto de Renda. “A Presidência da República não encaminhará proposta de elevação do Imposto de Renda ao Congresso Nacional”. Era a confirmação oficial do recuo. Uma vergonha! O jornalista Kennedy Alencar, no texto sob o título “Congresso leva Temer a recuar de aumento de tributo”, comentou: “A dura reação do Congresso à ideia de aumentar tributos levou o presidente Michel Temer a recuar da possibilidade de criar uma alíquota de 35% para o Imposto de Renda das Pessoas Físicas, ideia em estudo pela equipe econômica [Meirelles]. O Palácio do Planalto divulgou nota enterrando (sic) a ideia. (...) O recuo aconteceu porque é mais importante manter o apoio da Câmara a fim de enfrentar eventuais novas denúncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e porque o Congresso barraria a elevação do IRPJ. (...) O governo subiu o preço dos combustíveis justamente porque não precisava de autorização (sic) dos parlamentares. A pouco mais de um ano das eleições, deputados e senadores resistem a elevar tributos”. Sobre o déficit fiscal, Kennedy analisa: “Com um rombo maior nas contas públicas, a conta fica para todo conjunto da sociedade, o que penaliza mais os mais pobres (sic)”. À respeito do aumento, a COLUNA DO ESTADÃO revela: “PMDB DIZ QUE NÃO VOTA AUMENTO DE IMPOSTO – Michel Temer enfrentará resistência no seu próprio partido se decidir por aumentar impostos para enfrentar a crise fiscal”.

Temer, como já escrevi, manteve seu mandato COMPRANDO deputados. Até o Zorra Total ironizou essa compra, como publiquei no artigo anterior. Agora o presidente está colhendo o que plantou. O mesmo Estadão, na edição de 10/8, revelou: “Centrão vincula análise da Previdência a cargos - integrantes do grupo partidário ameaçam (sic) paralisar trâmite ou derrotar a pauta econômica do governo; líderes COBRAM (destaque meu) redistribuição de postos nas mãos de “infiéis” [principalmente do PSDB]”. Em declaração ao jornal, Arthur Lira disse: “Decidimos não votar a reforma da Previdência. Só retomaremos o diálogo quando o governo resolver quem é base e quem é oposição”. Já Marcos Montes (MG) afirmou: “Não tem clima para votar. Quem foi fiel precisa ser prestigiado [com cargos e verbas]”. O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia DEM-RJ), que dias atrás disse que o governo já tinha deputados suficientes para aprovar a reforma até outubro, agora declarou à imprensa que “não é fácil” votar a Reforma da Previdência. Trocando em miúdo: Temer está colhendo o que plantou. Como comprou os votos para salvar a própria pele, agora também vai precisar dar cargos e verbas aos parlamentares. Quem acostumou mal os deputados foi Temer!

A FOLHA, no Editorial “A pauta se apequena”, também abordou o fisiologismo do Centrão: “Eis que o famigerado centrão (sic), como é conhecido o bloco de partidos sem nitidez ideológica capaz de se alinhar a qualquer governo, rebela-se (sic) em nome de principio que regem as coalizões do presidencialismo nacional. (...) As siglas que se mantiveram majoritariamente fiéis ao presidente – PP, PR, PSD e outros – julgam-se no direito de obter MINISTÉRIOS E CARGOS (destaque meu) hoje ocupados pelo PSDB e por outros recalcitrantes. (...) Amesquinha-se, inevitavelmente, a pauta legislativa. Recrudescem as ameaças de boicote a votações e os lobbies por vantagens setoriais Á CUSTA DO ERÁRIO (destaque meu)”. Deu no Painel da FOLHA: “Aliados de Temer calculam que, hoje [14/8], governo só deve contar com 150 votos a favor da Previdência”. Para 308, faltam: 158! Muito difícil, mas o governo poderá aprovar a Reforma. No entanto, terá que comprar muitos parlamentares! E quem é culpado por essa situação? Repito: Temer que colhe o que plantou!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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domingo, 13 de agosto de 2017

A direita quer um Pinochet na Venezuela



Há quase duas décadas, a Venezuela está sob uma contínua campanha golpista. Desde 1998, quando Hugo Chávez venceu as eleições presidenciais, a direita trabalha para derrubar o chavismo por fora das eleições. Naquela eleição, os dois principais partidos até então abriram mão de seus candidatos para apoiar um terceiro candidato, no esforço de tentar derrotar Chávez. Nada adiantou, o ex-militar rebelado que tinha tentado dar um golpe de estado em 1992, reagindo à catástrofe neoliberal que assolava seu país, era popular demais naquele momento para ser parado por manobras eleitorais da direita.

A eleição de Chávez era uma reação a uma catástrofe neoliberal provocada na Venezuela pela direita, que deixou o regime político em crise. Nessas circunstâncias, não conseguiram impedir sua vitória. Sem capacidade de voltar ao poder por meio das eleições, a direita começou sua campanha golpista. Em 2002, chegaram a tirar Chávez do poder por quase 48 horas. Tomaram o Palácio de Miraflores, sede do governo, e até anunciaram um novo governo. A reação popular, no entanto, foi avassaladora. As ruas de Caracas foram tomadas, e não havia consenso nas Forças Armadas de que Chávez deveria ser derrubado. O presidente foi reconduzido ao seu cargo, e o golpe fracassado custou caro para a direita.

A tentativa fracassada de golpe levou a um expurgo no exército. Desse modo, a direita começou a perder o controle sobre as instituições estatais. A partir daí, a direita foi contida por um certo tempo, procurando se mobilizar contra Chávez durante as eleições, com apoio de toda a imprensa burguesa. Até a morte de Hugo Chávez e a eleição, em 2013, de Nicolás Maduro. Desse momento em diante a direita passou a realizar protestos violentos e atentados terroristas para desestabilizar o governo, enquanto o país era sabotado economicamente e, novamente, o governo era atacado diariamente pela imprensa burguesa.

O último capítulo dessa história de golpismo da direita foi a tentativa de impedir a realização das eleições constituintes, no dia 30 de julho. Maduro convocou uma Assembleia Constituinte mais democrática do que qualquer Parlamento já eleito no país, com representantes de setores de trabalhadores e populares, e a direita resolveu boicotar o processo eleitoral, com a esperança de que a participação fosse baixa e permitisse uma tentativa imediata de tomar o poder à força, mais uma vez.

A manobra da direita foi um fracasso. Apesar das ameaças dos golpistas, que chegaram a matar um candidato constituinte e que queimam pessoas no meio da rua por terem “cara de chavista”, mais de 8 milhões de eleitores participaram da votação. Todos esses votos foram de apoio a Maduro, diante do boicote da direita. São mais de 40% do eleitorado, em eleições que não são obrigatórias, e representam um aumento do apoio eleitoral a Maduro em relação às eleições de 2013, quando derrotou a candidatura dos coxinhas com 7,6 milhões de votos.

Diante disso, a tendência da direita venezuelana é recorrer a métodos cada vez mais violentos, com uma frequência cada vez maior. Com o apoio do imperialismo, a direita está a ponto de arrastar a Venezuela para uma guerra civil, com a conivência de todos os governos capachos dos EUA na região, como por exemplo o governo golpista que usurpou a presidência no Brasil.

A violência da direita venezuelana contra o povo, como da direita de toda a América Latina, é uma tradição. Em 1989, durante o caracaço, uma revolta popular que explodiu em todo o país, a direita esmagou o povo. Segundo os dados oficiais da época, 276 pessoas foram assassinadas pela Guarda Nacional e pelo exército, que saíram às ruas para conter a situação. Estimativas extraoficiais chegam a até 3 mil desaparecidos. A direita promoveu um gigantesco massacre contra a população naquele dia, 27 de fevereiro de 1989.

Esse é o perigo que a direita representa para os trabalhadores venezuelanos. A direita do caracaço no governo terá que promover um massacre de proporções catastróficas para impor na Venezuela os retrocessos que o imperialismo planeja para o conjunto dos países atrasados. Na resistência ao golpe e à violência da direita ao longo das últimas décadas, os trabalhadores venezuelanos nos bairros populares se armaram para se defender e defender seus direitos.

Portanto, para que a direita aplique contra o povo venezuelano a hecatombe neoliberal, a repressão terá que ser muito dura. A vitória da direita significaria uma gigantesca carnificina. Enquanto faz campanha pela “democracia” contra Maduro, é isso que a propaganda imperialista, reproduzida na imprensa burguesa e golpista do Brasil, está defendendo de fato. Em nome da “democracia” estão prontos a apoiar um conjunto de atrocidades. Querem colocar um Pinochet na Venezuela, com chances de ser mais sanguinário que o próprio Pinochet original, diante das circunstâncias. Essa campanha cínica é, desde já, cúmplice de um potencial genocídio político.


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Recentementa a capa de alguns jornais brasileiros informava que Trump "considera 'opção militar' na Venezuela".
Se a desculpa for 'violação dos direitos humanos' ou 'a fome do povo', os malditos Estados Unidos tiveram várias oportunidades de 'usar opção militar' ANTES da ascensão do chavismo ao poder na Venezuela.
Os malditos americanos não fizeram nada em relação ao massacre do 'Caracazo' e nunca se incomodaram pelo fato de que até 1999 havia 85% da população na miséria vivendo abaixo do nivel de pobreza.
Se sou o governo legitimo venezuelano, eu distribuiria armas pros pobres, não para combater o invasor estrangeiro, mas para combater o inimigo interno, aquela porcentagem ínfima da populaçao que detem a maioria esmagadora da riqueza do pais, e seus papagaios de classe-média também: "Saiam dos barrios e vão fazer sua auto defesa. Se os gringos invadirem, a gente vai morrer, mas os vermes gusanos não ficarão pra usufruir das migalhas que os gringos lhe darão por seu colaboracionismo"
Seria o equivalente a armar a população do Capão Redondo ou alguma outra quebrada e mandá-los dar um rolezinho por Higienópolis.

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Permanência de Temer beneficiará Lula e o PT. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


  

Na Câmara dos Deputados, Temer ganhou, mas perdeu. A afirmativa poderá parecer contraditória. No entanto, não é: o presidente realmente perdeu, como vou demonstrar.

Em entrevista ao Estadão (5/8), Temer chama de “ridículo jurídico” a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República. No entanto, na votação da denúncia, os deputados que votaram “SIM” disseram que assim votavam pela Economia ou que não estavam inocentando o presidente, visto que, após o fim de seu mandato, o processo continuará. Poucos defenderam Temer, dizendo que o processo era inepto. Uma minoria insignificante. Para mim, sem dúvida, essa manifestação majoritária foi uma derrota do presidente: os que votaram com ele mostraram-se envergonhados, mesmo recebendo verbas e cargos! Bernardo Mello Franco, em artigo na FOLHA, afirma que Temer se contentou com o apoio dos que não têm nenhuma vergonha. “Ele tem sido elogiado por tipos folclóricos (sic) como Wladimir Costa, que o define como o “maior estadista do Brasil”. No fim de semana, o deputado apareceu com o nome do presidente tatuado no ombro. Essa nem os bajuladores do palácio ousariam imitar”. Flávia Tavares, na revista Época, revelou: “A tatuagem custou R$ 1.200 a Wlad, mas a fidelidade dele para salvar Temer saiu por quase R$ R$ 5 milhões em emendas”. A revista na Seção “Personagem da Semana”, publicou a foto dele com esses dizeres: TEMER NO OMBRO E NO BOLSO – Há momentos em que sobram aos governos fracos (sic) apenas aliados de ocasião, aqueles que topam tudo em troca de algo. Michel Temer encontrou o seu”. Voto caro. Não para o bolso do presidente e sim para o País. Como costuma dizer Boris Casoy: É UMA VERGONHA!

O programa “Zorra Total” ironizou a compra de votos por Temer. É o que comenta o jornalista Maurício Stycer, no seu Blog, sob o título “Indignado com a crise, “Zorra” vê o presidente comprando votos de deputados”. Ele noticia: “Na imaginação do “Zorra” [TV Globo], antes de o presidente da Câmara dar início à votação que decidiria se a denúncia contra o presidente seria julgada pela Justiça, o próprio chefe da Nação falou aos deputados. E disse, pontuando suas frases com o dedo [Temer fala com as mãos]: “Olá, nobres deputados. Eu poderia estar roubando, eu poderia estar conspirando, eu poderia até estar carregando uma mala com R$ 500 mil. Mas não. Eu estou aqui comprando o seu voto. Vai uma emenda aí?” E enquanto os deputados corriam em direção à mesa, o presidente lançou emendas aos parlamentares como quem distribui comida aos esfomeados”. SEM COMENTÁRIO!

Os jornais noticiaram: Governo exonera aliados de “infiéis”. Se eles perderam os cargos, na prática foram beneficiados com essas demissões. A maioria da população, 75% segundo as pesquisas, queria a cassação de Temer.

Se Temer perdeu ganhando, o PT, que aparentemente foi derrotado, na realidade saiu beneficiado. É o que dizem os analistas políticos. Eliane Cantanhêde, em artigo ao Estadão (4/8), sob o título “Entre mortos e feridos”, escreve: “O PT se dividiu quanto à estratégia de dar ou não quórum, mas aproveitou bem a exposição em horário nobre, votou em bloco com a oposição pela continuação do processo contra Temer no Supremo e condenou a reforma da Previdência”. Além do mais, acrescento eu, chamou o governo de corrupto. Fábio Wanderley Reis, em entrevista ao UOL, afirma que com mais de 80% de rejeição e o desgaste adicional que o processo sobre denúncia na Câmara o envolveu, “é difícil imaginar que Temer se recupere e que recupere as condições de administração. (...) Do ponto de vista eleitoral, isso é vantajoso para o PT”. Para o professor Michel Zaidan Filho, essa hipótese do “sangramento de Temer” é um cenário mais favorável a Lula do que a entrada do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, por meio de eleições indiretas. Para o cientista político Vitor Marchetti, a permanência de Temer ajudaria o PT a encontrar um discurso” (...) Dá mais possibilidade para o PT se posicionar como uma oposição mais dura, demarcada”, acrescentando: “A oposição a Temer não saiu às ruas, seja pela direita, esquerda ou centro. Muita gente vai tentar surfar nessa crise, e não está claro quem vai conseguir fazer isso”. Para mim, aqueles que não saíram às ruas por decepção política, provavelmente, em 2018, anularão o voto. Caso isso ocorra, quem se beneficiará será, realmente, o PT.

Será que o Lula e o PT vão mesmo se beneficiarem dessa situação ( manutenção de Temer no Poder )? A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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