sexta-feira, 21 de julho de 2017

Gasolina pela hora da morte



Radamés bateu panela. E usou camisa da CBF. Não faltou a nenhuma manifestação patriotica convocada pela Globo e pelo MBL. 

Ele tomou um porre no dia em que cassaram a Gilma:

- Isso aí! Pelo Brasil! Por Deus! Pelo tomate! Pela gasolina.

Um ano depois, desempregado, Radamés teve que vender o carro.

Camila, sua esposa, tenta encorajá-lo.

- Ainda bem que vendeu. Olha aí, a gasolina subiu de novo. Melhor andar de bicicleta.

Radamés teve que engolir o orgulho. Bicicleta lembrava Raddard e comunistas. Só comunista anda de bicicleta. Stalin deve ter inventado a bicicleta.

Surge uma vaga de emprego. Radamés prepara o curriculo e vai à luta. De bicicleta, pra economizar a grana do busão. E, afinal, dá uns 40 minutos só. Moleza.

Ao entrar na avenida daquele bairro de classe-média alta, Radamés é fechado por um SUV. O motorista xinga Radamés:

- Vai tomá no cu, pobre do caralho!

Radamés nem tem tempo de responder. Outra fechada e a queda. Radamés morre ao bater a cabeça.

O motorista do SUV, filho de algum bacana influente, alega que o ciclista foi imprudente e responsável pelo acidente. É condenado a pagar algumas cestas básicas.

A vaga que Radamés ia tentar era de frentista em posto de gasolina. No mesmo posto em que o proprietário distribuiu aos seus clientes adesivos da Gilma com as pernas abertas.

Aliás, é só fachada. O posto é lavagem de dinheiro e suas ligações chegariam, se houvesse investigação, a algum deputado da base governista estadual.

FIM

.

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