segunda-feira, 3 de julho de 2017

Denúncia de corrupção contra Temer: Várias opiniões. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A denúncia do Procurador Rodrigo Janot contra Temer, a primeira a um presidente da República no cargo, obteve enorme repercussão e também preocupação ao governo, tanto assim que ele desistiu de ir à reunião do G20, na Alemanha: preferiu ficar no País para se defender!

Jornalistas comentaram a denúncia. Josias de Souza, em seu Blog, comentou: “No seu primeiro pronunciamento como presidente denunciado por corrupção (sic), Michel Temer perdeu o último trunfo que lhe restava: a serenidade. Fora de si, deixou antever o que tem por dentro: raiva excessiva e razão escassa. Movido pelo excesso, atirou em Rodrigo Janot e acertou o próprio pé. Premido pela escassez, exagerou na meia verdade, privilegiando exatamente a metade que é mentirosa. (...) Temer estava irreconhecível. Perdeu a fita métrica que costumava trazer no lugar da língua. Expressando-se de forma desmedida (sic), chamou a denúncia de “ficção”, uma “trama de novela”. Disse que Janot fez um “trabalho trôpego”. Temer deixou de mencionar que é ele quem forneceu a matéria-prima que torna realidade inacreditável e transforma o noticiário num novelão policial (sic)”. Adiante Josias afirma: “O brasileiro perde muito ao não acreditar na fábula (sic) que o presidente construiu para lhe servir de refúgio. A plateia tem sempre a sensação de estar envolvida na narrativa presidencial é mais rica e divertida do que este materialismo chato em que a corrupção é sempre, inapelavelmente, corrupção. (...) A teoria conspiratória de Temer é sempre mais criativa, cheia de intriga e perfídia. Tem todos os ingredientes de uma boa ficção. O único inconveniente é o convívio com o presidente que fala como se presidisse uma nação de bobos (sic)”.

Bernardo Mello Franco, em artigo publicado na FOLHA, sob o título “A ficção de Temer”, comenta: “Michel Temer recorreu a um truque antigo para reagir à denúncia por suposta prática de corrupção. Em vez de se defender, o presidente atacou o acusador. Ele subiu o tom contra o procurador-geral da República e classificou a peça entregue ao Supremo como “uma ficção”. (...) O presidente apresentou duas versões distintas para a encrenca em que se meteu. Primeiro insinuou, sem apresentar provas, que o procurador Rodrigo Janot teria recebido propina para denunciá-lo. Depois disse que o dono da JBS o acusou no “desespero de se safar da cadeia”. (...) Temer cometeu erros surpreendentes para quem se gaba de conhecer as leis. Chamou o áudio de Joesley Batista de “prova ilícita”, apesar de o STF já ter autorizado o uso de conversas gravadas por um dos participantes. E acusou um ex-assessor de Janot de violar a quarentena, regra que inexiste para procuradores. (...) O presidente pareceu indeciso [para mim, Jasson, contraditório] sobre o que pensa do empresário que o acusou. Ao justificar o encontro noturno [depois das 23 horas!] no Jaburu, exaltou Joesley como o “maior produtor de proteína animal do país” [senão do mundo, do mundo!]. Ao rebater a delação, voltou a chamá-lo de “bandido”. (...) Numa tentativa de demonstrar que terá apoio para barrar a denúncia na Câmara, o presidente se cercou de deputados ao discursar. Pode ter sido uma ideia razoável, mas ele cochilou na seleção do elenco. (...) Do seu lado direito estava André Moura, réu (sic) em três processos penais e investigado por suspeita de homicídio. Do esquerdo, Raquel Muniz, mulher de um ex-prefeito preso sob acusação de corrupção. Logo atrás dela despontava Júlio Lopes, delatado na Lava Jato e citado nas investigações do esquema de Sérgio Moro”. Esses parlamentares que vão INOCENTAR Temer na Câmara dos Deputados!

Marina Silva (Rede), ex-candidata à Presidência da República, em declaração ao Blog UOL, ironizou a argumentação do presidente de que a denúncia é uma ficção. “Como se seu assessor [Loures] com a mala de propina não fosse suficiente para atestar o contrário”, afirmou. Ela disse ainda que a saída de Temer do cargo é “indispensável”. Em sua defesa na TV Estatal, Temer não citou Loures. A jornalista Eliane Cantanhêde, no Estadão, aborda esse “esquecimento”: “DÚVIDA ATROZ – Por que Temer não diz que a mala de R$ 500 mil era de Rocha Loures e ele não tinha nada a ver com ele e com ela? Teme ser desmentido, ou que o ex-assessor conte segredos inconfessáveis?” Realmente uma “DÚVIDA ATROZ”!

O Estadão noticiou que “Procuradores atacam discurso de Temer”. O procurado Carlos Fernando dos Santos Lima, em seu perfil no Facebook, disse que Temer foi “leviano inconsequente e calunioso ao insinuar recebimento de valores por parte do PGR no pronunciamento para se defender da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Já vi muitas vezes a tática de “acusar o acusador”. Entretanto, nunca vi falta de coragem tamanha, usando de subterfúgios para dizer que não queria dizer o que quis dizer efetivamente. Isso é covardia e só mostra que não tem qualificação para continuar no cargo”. Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Lava Jato, citou que o presidente não falou sobre o recebimento do dinheiro em uma mala por parte do seu ex-assessor e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. (...) Além disso, o procurador afirmou que a denúncia apresentada por Rodrigo Janot é “suficiente” para acusar Temer e que o País precisa de um presidente com condições de governar”.

Agora é aguardar o pronunciamento da Câmara dos Deputados. Segundo Temer, ele tem o número necessário de deputados para arquivar a denúncia. Será? Parece que sim! A ver...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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