segunda-feira, 12 de junho de 2017

Viagem da Família Temer em avião da JBS é ilegal. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Temer mentiu ao desmentir que não havia viajado em avião da JBS para a Bahia. Primeiro afirmou categoricamente que não viajou nesse avião e sim em uma nave da FAB. Joesley Batista o desmentiu. Ele voltou atrás, e disse que viajou sim em avião particular, mas desconhecia de quem era o seu proprietário. Mais uma vez foi desmentido: Joesley recebeu um telefonema do próprio Temer, pedindo flores para Marcela, sua esposa. Esse vai e vem foi uma amnésia do presidente ou ele, como jurista, sabia que a viagem era ilegal? É o que vamos ver a seguir.

Janio de Freitas, em artigo à FOLHA, escreveu: [investigação] requer o caso mais simples da viagem do casal Temer a Comandatuba, Bahia, [em 2011]. O uso de um avião de Joesley Batista foi negado pela assessoria de Temer, que disse haver viajado em avião da FAB. (...) Mentira (sic) que até impressiona mais pelo PRIMARISMO (destaque meu), sem prever o mais óbvio: a verificação na FAB. Então Temer se lembra (sic), ah, sim, era avião particular, mas nunca soube de quem. MENTIRA OUTRA VEZ (destaque meu): o dono delatou o telefonema de Temer para queixar-se de florida (sic) gentileza com sua mulher”.

No artigo, “Caso vença na corte [venceu por 4x3], Temer não terá tempo para abrir champanhe”, publicado na Folha em 8/6, Igor Gielow, comentou: “A mudança da versão de Temer, de uma negativa peremptória para um “não sei de quem era o avião”, fora as emendas no enredo tentadas no modo “conversa com aliados”, é o tipo de coisa que derrubaria político em nações mais civilizadas”. E no Brasil, vai derrubar Temer? A ver...

O jornalista Fernando Brito, no Tijolaço: “Temer se enrola tanto na mentira que tudo vira sórdido”.

O jornal Globo assim descreve o que ocorreu: “Ao entregar à Procuradoria-Geral da República (PGR) registro de diário de bordo da aeronave usada pelo então vice-presidente Michel Temer para viajar com Marcela Temer a Comandatuba, em janeiro de 2011, o empresário Joesley Batista contou aos procuradores ter recebido uma ligação do próprio Temer para perguntar sobre o envio de flores à aeronave e agradecer pelo agrado. (...) A versão de Joesley Batista contradiz (sic) a nova nota divulgada no início da tarde desta terça-feira [6/6] pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que informa que o “vice-presidente não sabia a quem pertencia a aeronave” usada para deslocamento até o interior da Bahia. Agenda oficial de Temer não registrou viagem a Comandatuba. (...) Em relato à PGR, Joesley contou ter enviado flores para enfeitar a aeronave que seria usada pela família Temer para retornar a São Paulo, O QUE TERIA DEIXADO O ENTÃO VICE-PRESIDENTE COM CIÚMES. (destaque meu). Segundo ele, para evitar o mal estar [ciúmes] com o vice-presidente, o comandante da aeronave teria dito que este era um presente da mãe de Joesley, e não do empresário. (...) O vice-presidente teria, então, telefonado ao empresário para dizer que gostaria de agradecer à matriarca da família pelo agrado. E, em seguida, ligado à mãe de Joesley, Flora Batista”.

O Estadão noticiou: “O Palácio do Planalto tentou minimizar o DESGASTE CAUSADO PELA MUDANÇA DE VERSÕES (destaque meu). No governo, o episódio foi classificado como “UM ERRO” (destaque meu), gerado pela pressa de fornecer uma resposta e, como não havia registro desse voo, a primeira reação foi negar, em nota oficial”.

Será que foi uma amnésia ou ele sabia que o fato é ilegal? É o que constata o Prof. Rubens Glezer, em texto ao Estadão (8/6), sob o título “O canhão da Lava Jato”: “Nenhum agente público da Presidência e da Vice-Presidência da República (sic) pode receber presente, hospedagem, favores e NEM TRANSPORTE POR PARTICULARES (destaque meu) interessados em receber benefícios e privilégios na Administração Pública. Porém, por uma questão de conjuntura, a eventual viagem do presidente Temer em avião particular de Joesley Batista (da JBS) possui consequências diretas para os rumos da Lava Jato no STF. (...) Caso existam indícios de que Michel Temer recebeu benefícios ilícitos enquanto era vice-presidente, mesmo assim ele não poderá ser investigado e processado por esses fatos enquanto estiver na Presidência da República. Isso porque, conforme a Constituição, o Presidente somente pode ser investigado e réu por ações tomadas em razão do cargo e durante o seu exercício. (...) Contudo, são fatos que fortalecem (sic) a investigação que já está aberta no STF em face do Presidente Temer. Provas da proximidade entre o Presidente Temer e o Joesley fragilizam (sic) a narrativa da defesa, de que Joesley era apenas um “falastrão” que se reunia com Temer quase que por acaso. (...) Se esses fatos se juntarem a eventuais outros, o PGR pode considerar que tem elementos suficientes para uma ação penal e oferecer denúncia contra o Presidente. Assim que isso ocorrer a Presidência fica em xeque, já que se houver autorização da Câmara dos Deputados e aceitação da denúncia pelo Supremo, o Presidente Temer fica automaticamente afastado do cargo por até seis meses”. Por aí se vê que a viagem da família Temer poderá lhe trazer graves consequências. Outra revelação feita pelo jornalista Mario Cesar Carvalho, em reportagem publicada pela FOLHA, complica ainda mais a situação de Temer: “A Polícia Federal encontrou documentos rasgados, com informações sobre a reforma da casa de uma filha (sic) do presidente Michel Temer, na operação de busca e apreensão que fez no apartamento do coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho. (...) Ele é um dos mais antigos e fiéis aliados do presidente, suspeito de ser laranja (sic) de Temer. Um dos delatores da JBS, Ricardo Saud, diz ter mandada entregar R$ 1 milhão para Lima Filho dos R$ 15 milhões que o grupo doara para o caixa 2 de Temer em 2014”. O jornalista informa ainda: “Destruição de provas é considerada um crime GRAVE (destaque meu) pela Justiça. É uma das justificativas previstas para a decretação de prisão. Foi com esse argumento, por exemplo, que a Justiça mandou prender outro aliado de Temer, o ex-ministro Henrique Alves, na terça (6/6)”. O presidente sairá dessas graves complicações? Muito difícil. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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