terça-feira, 2 de maio de 2017

O maior escândalo do governo Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

O tsunami político que foram as delações da Odebrecht, embora atingindo o governo Temer, não se iniciou em sua administração. Já o maior escândalo do governo dele se refere a uma licitação do Banco do Brasil, cujo resultado foi publicado pela Folha com antecipação: já se sabia quem iria ganha-la!

A jornalista Daniela Lima, editora do “Painel” da FOLHA, revelou, em reportagem nesse jornal em 25/4/2017: “Folha antecipou resultado de licitação de publicidade do Banco do Brasil”. Eis o que ela noticiou: “O nome da primeira colocada na licitação para a conta de publicidade do Bando do Brasil foi antecipado à FOLHA na última quinta (20/4), quatro dias antes da abertura oficial dos envelopes que trariam o resultado, que só ocorreu na manhã desta segunda (24/4) em Brasília. (...) A CONCORRÊNCIA É A DE MAIOR VALOR JÁ REALIZADA NO GOVERNO MICHEL TEMER (destaque meu).” Adiante a jornalista revelou: “A Multi Solution (sic) ficou com o primeiro lugar no certame que elegeu três empresas de propaganda para gerenciar a publicidade do banco pelos próximos 12 meses. Elas dividirão um contrato de até R$ 500 milhões por ano, prorrogável por até 60 meses, segundo o edital. Isso totalizaria R$ 2,5 bilhões (sic), sem calcular eventuais reajustes. (...) A informação de que a Multi Solution estaria entre as vencedoras foi registrada pelo jornal EM CARTÓRIO (destaque meu) na própria quinta-feira (20/4) e publicada em anúncio cifrado (sic) na seção de classificados do caderno Sobre Tudo da FOLHA deste domingo (23/4). O informe trazia o nome da empresa e o número da concorrência que ela venceria (sic) nesta segunda. Segundo a informação obtida pelo jornal, houve DIRECIONAMENTO (destaque meu) dentro da estatal para garantir que a Multi Solution estivesse entre as contratadas pelo Banco do Brasil”. Adiante Daniela Lima disse: “Houve disputa acirrada entre ao menos quatro agências pela segunda e terceira colocações – uma firma estava no páreo e foi desqualificada após recontagem. A MULTI SOLUTION, PORÉM, FOI A ÚNICA ENTRE AS QUALIFICADAS QUE NÃO TEVE A LIDERANÇA [PRIMEIRO LUGAR] NA DISPUTA AMEAÇADA (destaque meu)”. No dia 26 de abril, a FOLHA noticiou: “Intervenção do governo suspende a licitação do BB”. O Banco do Brasil decidiu não homologar o resultado da licitação de publicidade até que auditoria interna apure indícios (sic) de direcionamento. (...) O vazamento da licitação irritou (sic) o Planalto, que pediu solução rápida”. Até o JORNAL NACIONAL, da Globo, também noticiou essa reportagem da FOLHA! 

Trocando em miúdo. Se não fosse essa gravíssima denúncia da FOLHA, haveria o direcionamento da licitação. Como houve essa denúncia, não se consumou o escândalo. Mesmo assim fica a dúvida. Por que houve esse direcionamento? Caberá ao governo descobrir e punir os responsáveis. A conferir!

Outro fato que está preocupando Temer: a aprovação da Reforma da Previdência. Não está fácil. Mesmo com vários recuos do governo, a sua aprovação ainda é duvidosa. É o que afirma José Roberto de Toledo, em artigo ao Estadão sob o título “Temer em base movediça”: “O núcleo duro do governo ainda tem maioria relativa para aprovar, com maior ou menor dificuldade, mudanças infraconstitucionais e aplacar tentativas de impeachment contra o presidente. (...) O custo, todavia, é cada vez mais alto (sic). Para virar apenas um voto na Câmara e conseguir aprovar o regime de urgência na reforma trabalhista, Temer cedeu a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas para um indicado do deputado Kaio Maniçoba (PMDB-PE) – segundo relato do repórter Igor Gadelha. (...) Cargos públicos não são o único preço a pagar (sic) à base movediça no Congresso. O governo liberou mais verbas para executar emendas parlamentares ao orçamento e passou a destinar dinheiro de propaganda oficial a rádios e TVs indicadas por parlamentares”. O jornalista finaliza assim seu texto: “Como consequência, para chegar aos 308 votos e aprovar a reforma da Previdência, o governo cede ao limite de torna-la inócua (sic) a olhos empresariais. Se virar um desgaste sem contrapartida será um chute nos dois pés que ainda o sustentam.” A ver...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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