quinta-feira, 11 de maio de 2017

"Embate": Lula saiu fortalecido e Moro foi colocado em seu devido lugar



Depois de assistir ao depoimento de Lula, fica mais do que claro que ele saiu fortalecido e que Moro foi recolocado em seu devido lugar, de um reles juizinho parcial de primeira instância, que se sustenta apenas pela pauta da mídia.

A artificialidade das acusações foi notória. Lula respondeu com altivez às perguntas, boa parte delas sem relação com o processo, mostrando segurança sem passar a impressão de estar mentindo ou ocultando algo. Quando Moro perguntava sobre assuntos do cotidiano de um presidente da República, era como se um experiente professor ensinasse o beabá a um aluno de primeiro ano. Até a Dilma tomou um cutucão dele, quando explicou que se reunia periodicamente com os congressistas aliados, e que se ela fizesse isto, talvez não fosse derrubada.

Pra completar, a mobilização organizada de 50 mil pessoas idas de todo o Brasil pra Curitiba em apoio ao ex-presidente, ao mesmo tempo em que ocorreu um patético ato com meia dúzia em apoio ao juiz, revelou que a balança popular virou completamente em favor de Lula.

Agora Moro encontra-se num paradoxo: a) depois do teatro da condução coercitiva, do espetáculo do PowerPoint e de tudo o que fizeram na vida de Lula, se ele não condenar o ex-presidente ficará desmoralizado perante a mídia e seus amiguinhos dos States; b) mas se condenar sem provas, terá que enfrentar o desgaste nacional e internacional e carregará a pecha de juiz parcial e partidário, logo no começo de sua carreira. A eventual condenação pode ter o efeito de canonizar Lula como herói em vida, assim como a não condenação dará a ele o trunfo político de ter sido perseguido e nada encontrado. Preso ou livre, candidato ou não, Lula é hoje o principal pivô do processo eleitoral de 2018. Mas no cenário de golpe e Estado de exceção, sequer eleições estão garantidas.

A Lava Jato foi criada para derrubar Dilma, prender Lula, destruir o PT e todas as forças progressistas que sustentaram seu governo, mas acabou por mostrar que os maiores corruptos são os do PMDB, PSDB, DEM, PP, etc. Os mesmos que agora são governo e implantam uma agenda derrotada em 4 eleições. A operação Lava Jato começa a derreter e até mesmo setores da elite econômica tradicional, representados por Gilmar Mendes, agem abertamente contra os desmandos da República dos moleques de Curitiba. No fundo, o lema sempre foi: "primeiro tiramos a Dilma e depois voltamos tudo como era antes do Lula".

Após o desastre do governo Dilma, Lula quer voltar para recolocar o Brasil no patamar em que deixou e que sua sucessora fracassou em manter. Lula sempre teve uma limitação ideológica quando comparada a outros líderes latino-americanos. Apesar de nunca ter proposto uma transformação mais profunda da sociedade, ele revela-se um dos mais hábeis políticos da história brasileira, um estadista nato e uma grande liderança popular de massas.

O fato é que os atos contra as reformas reacionárias do governo golpista e ilegítimo de Temer, seguem numa fase de ascenso, especialmente depois da Greve Geral de 28 de abril. Quanto mais batem em Lula, mais ele cresce em pesquisas de simulação eleitoral e quanto mais o golpe revela sua verdadeira face, mais o povo reage. Há muito o que ser feito até 2018, mas uma coisa é certa: a maré começa a virar.


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