sexta-feira, 26 de maio de 2017

Doria demolidor, Führer de São Paulo



João Doria, prefeito de São Paulo, já se vestiu de gari, de pedreiro, de marronzinho e até já andou de cadeira de rodas. Domingo (21), o prefeito superou todos esses disfarces com uma nova fantasia: Führer. Domingo foi o dia em que Doria liderou a conquista de novos territórios para o mercado imobiliário, na guerra do empresariado paulistano por seu Lebensraum (espaço vital).

Cerca de 900 policiais, entre civis e militares, lançaram um ataque contra os dependentes químicos que vivem em uma região do centro da cidade conhecida como “Cracolândia”. As pessoas que vivem na “Cracolândia” foram alvo de bombas de gás e prisões indiscriminadas, outras reclamaram de terem perdido seus documentos, levados por caminhões como lixo. Para fins de propaganda, o governo do Estado e a prefeitura afirmaram tratar-se de uma operação de combate ao tráfico de drogas.

No dia seguinte à operação, o Führer João Doria anunciou o fim da “Cracolândia”: “a Cracolândia acabou”. Os jornais, entretanto, apontavam que a eficácia da Blitzkrieg doriana tinha sido relativa. A “Cracolândia” se espalhou para outras regiões do centro, bem próximas da “Cracolândia” original. A operação militar do prefeito não solucionou o problema de saúde pública das drogas no centro de São Paulo. O Führer da Alemanha nazista anunciou que o Reich duraria mil anos, durou 12. O Führer de São Paulo anunciou o fim da “Cracolândia” para sempre, o que não chegou a acontecer sequer por meio segundo.

João Doria não é apenas prefeito de São Paulo e Führer da casta empresarial, é também um eterno candidato, em permanente campanha. A imprensa burguesa faz parte de sua campanha, anunciando-o frequentemente como “presidenciável”. Não é notícia, é divulgação e torcida. A propaganda em torno de Doria é contínua.

O lema dessa propaganda preparada por profissionais do marketing consiste em dizer que Doria seria um “trabalhador”. É por isso que o Führer se veste de assalariado para ser fotografado tentando imitar os gestos de servidores públicos que realizam trabalhos braçais em sua atividade cotidiana. Doria não é trabalhador e nem um assalariado. É um capitalista.

É conhecida a inscrição que ficava acima dos portões de entrada dos campos de concentração nazistas, como o de Auschwitz, na Polônia: “Arbeit macht frei”, “o trabalho liberta”. Nesse caso o trabalho era real, a liberdade é que era a mentira elaborada pelo marketing nazista.

Doria, o capitalista que se veste de trabalhador, criou sua própria versão improvisada de campo de concentração durante essa semana. Vendido como “gestor”, o Führer provocou com sua política a seguinte situação: segundo reportagem da Folha de S. Paulo, cerca de 20 pessoas estavam dormindo no chão frio de concreto em um abrigo provisório da prefeitura (Acolhidos da cracolândia dormem no chão em espaço da gestão Doria, 23/05/17). Antes funcionava no local uma AMA (Assistência Médica Ambulatorial), que funcionava 24 horas por dia, e agora funciona apenas metade do dia. Outras pessoas estavam dormindo em beliches colocadas em uma quadra.

O concreto como cama não foi a única atrocidade cometida pela prefeitura ao longo da semana. Na noite de quinta-feira (25), pessoas que estavam acolhidas no Centro Emergencial Prates jantaram um macarrão com molho que fez um monte de gente passar mal. É o que mostrou uma reportagem do sítio G1 (Centro Emergencial para a Cracolândia serve comida estragada e acolhidos passam mal, 26/05/2017).

O jantar estragado foi armado por uma empresa privada terceirizada. Doria é um entusiasta de empresas privadas nos serviços públicos. Nos campos de concentração da Alemanha nazista a parceria com a iniciativa privada também vigorava. A IG Farben, por exemplo, fornecia o Zyklon B para as câmaras de gás onde os prisioneiros eram assassinados em massa. Hitler também era um entusiasta da iniciativa privada, e foi um pioneiro do que viria a ser o chamado “neoliberalismo”, privatizando os bancos que tinham sido estatizados depois da crise de 1929 e colocando um banqueiro, Hjalmar Schacht, no comando da economia durante o período anterior à guerra.

Dormir no concreto duro e frio e comer comida estragada ainda não é tudo. Uma ação da prefeitura do Führer foi mais longe, e serve como um símbolo da “gestão” Doria. A prefeitura demoliu a fachada de um prédio derrubando-a em cima de uma pensão próxima, conforme conta uma reportagem da revista Carta Capital (Demolição na Cracolândia deixa feridos e expõe autoritarismo de Doria, 25/05/2017). Antes da demolição não houve nenhum aviso, e três pessoas ficaram feridas, tendo que ser levadas ao hospital.

Doria é uma catástrofe. São Paulo precisa ser libertada de tal desastre que recai sobre o município. Com apenas cinco meses de “gestão”, o Führer já demonstrou que pode afogar a cidade no caos. O prefeito é um perigo para os paulistanos. Hitler passava horas planejando monumentos megalomaníacos com seu arquiteto preferido, Albert Speer. Os dois imaginavam como seriam as ruínas de tais realizações, milhares de anos depois. O Führer de São Paulo, gerente de destroços, é mais prático e objetivo, está construindo uma cidade em ruínas desde já, com gente dentro.


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