quarta-feira, 24 de maio de 2017

Denúncia contra Temer causa pânico e indignação no País. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A delação premiada de Joesley Batista, do JBS, atingiu vários políticos de todos os grandes partidos. A denúncia contra Temer, entretanto, causou pânico (principalmente na Bolsa) e indignação no País. Os analistas políticos independentes já o criticavam antes mesmo dessa “bomba atômica” política. É o caso, entre outros, do saudoso jornalista Valter Abrucez, falecido em 12/5. Em artigo, que transcrevi, ele escreveu: “O governo de Michel Temer custa a adquirir a credibilidade necessária (sic). E sem esse requisito não se governa. Muito contribuiria, sem dúvida, se o presidente da República melhorasse a qualidade de seus auxiliares. Não há perspectiva nesse sentido. Temer prefere se deixar rodear de gente de moral e caráter duvidosos. Muitos com várias denúncias penduradas nos tribunais”. Abrucez tinha razão: foi um de seus amigos (?) que o enterrou nesse escândalo. Refiro-me ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seu parceiro no impeachment de Dilma. Segundo a denúncia, Temer pediu ao Joesley que pagasse uma mesada para Cunha, que se encontra preso, para que ele não o denunciasse. Diziam que era “alpiste”! Temer estava e ainda está em más companhias. Oito de seus ministros estão encrencados na Lava Jato...

O jornalista Bernardo Mello Franco, em artigo na Folha (“O raio caiu sobre Temer”), escreveu: “O ato falho do apresentador William Bonner, que chamou Michel Temer de ex-presidente na abertura do “Jornal Nacional”, reflete a gravidade da nova crise que se instalou sobre o Planalto. (...) A notícia de que Temer deu aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha iniciou conversas sobre o que parecia quase impossível: a segunda queda de governo em um ano”.. Apesar da gravidade da acusação, Temer, na televisão, declarou: “Eu não renunciarei” e repetiu enfático: “EU NÃO RENUNCIAREI”. O mesmo jornalista, em outro artigo, analisou esse “FICO”: “Michel Temer, o presidente sem votos, agora quer ser presidente sem governo. Flagrado numa trama de corrupção e obstrução da Justiça, ele vê sua autoridade se esfarelar em praça pública. Mesmo assim, insiste em se agarrar à cadeira. (...) Seguiu o conselho de aliados que dependem do foro privilegiado [Padilha, Moreira Franco e outros] para não embarcar no próximo voo da Polícia Federal para Curitiba. (...) Em vez de demonstrar força, o discurso do “fico” forneceu um atestado de fraqueza política. Em tom irritadiço, o presidente esbravejou e elevou a voz, mas não esclareceu nenhuma das suspeitas que o cercam. (...) Ao prolongar a agonia de um governo cambaleante, o presidente mostrou que está menos preocupado com o país do que com o próprio destino. Talvez não tenha entendido que este pode ser o caminho mais curto para a lata de lixo”. Já o jornalista João Domingos, em artigo no Estadão, sob o título “A encruzilhada de Temer”, afirmou: “Um presidente da República investigado é sempre um problema. Para ele e para o País”. No tempo de Dilma, Temer se queixava por ser um vice decorativo. Agora ele se tornou um presidente decorativo (zumbi)!

Para se ter uma ideia da situação de Temer, o Estadão (20/5) noticiou em manchete: “Presidente será investigado por três crimes no STF [Supremo] – Temer vai responder por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa; para Janot houve “anuência” para compra de silêncio de Cunha”. Em novo pronunciamento, Temer atacou delator. Para o presidente, a gravação é fraudulenta. Com quem está a razão? Se o delator é tudo isto que ele disse nesse pronunciamento por que o recebeu no Jaburu na calada da noite? Quem está dizendo a verdade ou mentindo? Agora é esperar o julgamento do Supremo!

Se a situação de Temer é ruim, a de Aécio Neves (PSDB-MG) é pior. Além da prisão da irmã e do primo, ele teve o cargo de senador suspenso pelo Supremo. O tucano também entregou o cargo de Presidente do PSDB ao também senador Tasso, do Ceará. A FOLHA, em Editorial, portanto opinião do jornal, sob o título “A DERROCADA DE AÉCIO”, constatou: “Se o futuro de Michel Temer (PMDB) na Presidência tornou-se motivo de incerteza (sic), delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS, produziu impacto mais imediato e devastador (sic) sobre Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do cargo de senador por determinação do Supremo Tribunal Federal”. A reputação de Aécio ficou mais arranhada com a declaração de seu tio, desembargador aposentado Lauro Pacheco de Medeiros Filho, pai de Frederico Pacheco, o Fred, primo do senador. Ele declarou (Estado, 23/5): “Aécio, meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo. Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar, não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, “um mínimo de cerimônia com os escrúpulos”. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o cargo que disputou de presidente da República. Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada”. O desembargador aposentado disse ao Estado que a família está chocada com a forma com que Aécio referia-se ao primo nas gravações.

Ainda teremos desdobramento imprevisível, tanto para o presidente Michel Temer como para Aécio Neves. Vamos esperar. E os outros acusados? Por enquanto, fica-se apenas na acusação. Serão também investigados? A CONFERIR...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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