sexta-feira, 19 de maio de 2017

A política indígena do Governo. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A demissão do pastor Toninho Costa da presidência da FUNAI causou mais um problema para o governo Temer e demonstra que a política indígena é falha. É o que vamos ver.


O Estadão (6/5), sob o título “Presidente da Funai é demitido e ataca governo”, noticiou: “Antonio Fernandes Toninha Costa foi demitido ontem [5/5] do cargo de presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Ao saber da medida pelo Diário Oficial da União, embora sua saída já fosse dada como certa, Toninho Costa tratou de convocar a imprensa para justificar a demissão. (...) Durante 12 minutos, o pastor Toninho Costa criticou duramente o governo e atribuiu sua demissão após três meses de trabalho a “ingerências políticas” que sofreu no período pela bancada ruralista liderada pelo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, além da “incompetência do governo , que abandonou (sic) a Funai e as causas indígenas”. (...) Toninho Costa afirmou que as interferências políticas partiram inicialmente do líder do governo no Congresso, o deputado André Moura (PSC-SE) que, segundo ele, queria nomear pessoas sem nenhuma ligação com temas indígenas para ocupar cargos na instituição. “Eu não atendi e jamais atenderia, porque o meu compromisso é com as políticas indígenas e com o servidor”. André Moura informou que não comentaria o assunto. (...) O ex-presidente da Funai disse que espera retaliações por causa de seu posicionamento. “Hoje o próprio governo afirmou que estou saindo por incompetência. Incompetência é desse governo, que quebrou o Páis”, afirmou”.

A demissão e as declarações do pastor causaram enorme repercussão. A FOLHA, em Editorial, sob o título “Cerco à Funai”, comentou o assunto: “A rumorosa demissão de Antonio Fernandes Costa do comando da Fundação Nacional do Índio (Funai), na sexta-feira (5/5), escancarou o conflito que se desenrola no órgão encarregado de zelar pela minoria mais vulnerável do país. (...) Indicado pelo minúsculo PSC e subordinado ao ministro da Justiça – o deputado Osmar Serraglio (PMDB) --, Costa afirmou que, além da falta de verbas orçamentárias, ingerências políticas vinham cercando sua gestão. (...) Mais diretamente, acusou Serraglio de ser “ministro de uma causa”, a do agronegócio. (...) O arroubo retórico não deixa de ter fundamento (sic). Se é verdade que o governo Michel Temer (PMDB) promove uma revisão ideológica das políticas públicas, esse movimento mostra-se particularmente intenso – chegando às raias do excessivo (sic) – quando se trata de interesses do setor agrícola. (...) Fora seu viés pró-mercado, a administração ancora-se nas relações com o Congresso, onde a bancada ruralista talvez seja a força mais organizada (sic). Sob Temer, recrudesceram as pressões contra a demarcação de terras indígenas, enquanto a escassez geral de recursos não poupou, obviamente, a Funai. (...) Nesse contexto, episódios como o covarde ataques a índios gamelas no Maranhão serão debitados na conta do governo (sic). Este deve pacificar a Funai não apenas por questões de imagem, mas para ter condições de arbitrar o choque inevitável de interesses conflitantes”.

O jornalista Bernardo Mello Franco, no artigo “O trator avança”, constatou: “O agronegócio é vital para a economia brasileira e pode ajudar o país a sair da crise. Para isso, não precisa tratorar índios, devastar florestas ou ser representado por gente que defende ideias retrógradas, derrotadas pelo movimento abolicionista”.

O governo Temer deve se voltar para o futuro e não para o passado. Vamos ver se com o novo presidente da Funai agora o governo vai se preocupar com os índios e não apenas com o líder ruralista Osmar Serraglio, que teve uma atuação duvidosa no escândalo da carne. Pensou-se mesmo, na época, que ele seria demitido. No entanto foi prestigiado, como ocorre também com Padilha e o Moreira Franco, o Gato Angorá, ambos enredados na Lava Jato...

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo, quando estourou uma bomba política, assim noticiada pelo Estadão de 18/5: “O presidente Michel Temer foi GRAVADO (destaque meu) por um dos donos da JBS, Joesley Batista, dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”. O jornal ainda noticiou: “Tem que manter isso, viu?” Michel Temer, Presidente da República ao empresário Joesley Batista, sobre mesada (sic) em troca do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha. Essa história gravíssima, GRAVADA, cujo desfecho é imprevisível, fica para outro artigo.

( Publicado no TRIBUNA DO GUAÇU, 20 de Maio de 2017 )

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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