domingo, 21 de maio de 2017

A amante de Roberto Campos e a Odebrecht. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



Elio Gaspari é autor de cinco livros fundamentais para quem deseja conhecer o que foi o Golpe de 64: A Ditadura Envergonhada; A Ditadura Escancarada; A Ditadura Derrotada; A Ditadura Encurralada e A Ditadura Acabada. Agora, na Folha (19/4/2017), o historiador revela um fato histórico para mim desconhecido e com um final surpreendente, relacionado com a amante de Roberto Campos. É o que vamos ver a seguir.

No texto, sob o título “Os dois aniversários de Roberto Campos”, Elio Gaspari faz essa revelação: “Na segunda-feira, dia 17/4, completam-se cem anos do nascimento de Roberto Campos, o corifeu do liberalismo econômico brasileiro. Na sexta, dia 28/4, completam-se 36 anos da noite em que ele foi esfaqueado (sic) em São Paulo, num episódio que expõe as artes, conexões e malandragens (sic) do andar de cima. (…) As celebrações do centenário tratam do intelectual que ajudou a reformar a economia do país enquanto foi ministro do Planejamento, de 1964 a 1967, e iluminou-a com sua verve inigualável até 2001, quando morreu [Aos 84 anos]. A história das facadas é outra. (…) Na noite de 28 de abril de 1981, Roberto Campos encontrou-se num apart-hotel, na Vila Nova Conceição, em São Paulo, com sua namorada, Marisa Tupinambá.

Conheciam-se desde 1969, quando ele tinha 52 anos e ela, 23. À época Campos vivia sua única – e desastrosa – experiência de empresário privado como banqueiro [ Era dono do Banco Comercial, que faliu, observação minha.] Em 1975, ele foi nomeado embaixador em Londres e pendurou Marisa na folha da embaixada em Paris (sic). Ela xeretou o que não devia [o que será que ela xeretou? Gaspari não revelou!], foi demitida e desceu em Londres. Lá Roberto Campos conseguiu-lhe um apartamento, que usava também para suas festinhas (sic). Depois de muitas idas e vindas, a relação azedou e em 1981 ela foi ao apart-hotel para negociar o fim do caso. (…) Desentenderam-se, apareceu uma faca, e o embaixador teve abdômen e o tórax perfurados. (…) Amigos, parentes e protetores de Campos informaram que ele fora esfaqueado durante uma tentativa de assalto ao sair do edifício onde vivia, na avenida São Luís (a quilômetros de distância do apart-hotel da Vila Nova Conceição).

O presidente da República, general João Figueiredo, telegrafou ao embaixador, e o governador de São Paulo, Paulo Maluf, exigiu que a polícia prendesse os assaltantes em 48 horas e dezenas de pedestres foram detidos [ Era assim que se procedia na Ditadura Militar: inocentes presos! ]. O matutino carioca “O Dia” salvou a pátria e desmontou a operação abafa (sic) narrando, com exageros, a cena das facadas e identificando Marisa Tupinambá. A esta altura ela estava escondida e calada, sob orientação de um mandarim da indústria petroquímica”. 

Adiante Gaspari fez, então, a surpreendente revelação, muito atual: “Falando à Lava Jato, Emílio Odebrecht mostrou que tem razão e boa memória quando diz que “o que nós temos no Brasil não é um negócio de cinco ou dez anos. Estamos falando de 30 anos” Mais que isso. Quando Marisa Tupinambá estava em Londres, era a Odebrecht Overseas que lhe pagava (sic) uma mesada de 700 libras. (…) Os 36 anos das facadas de Marisa Tupinambá são uma oportunidade para se pensar como o Brasil melhorou. Se um juiz de primeira instância pudesse ter corrido atrás da história da senhora, a Lava Jato teria chegado muito antes, ao tempo em que o país era governado por generais.” 

Já escrevi um artigo afirmando que a Odebrecht se enriqueceu no tempo da Ditadura Militar. E tinha poder naquela época. Se alguém tivesse dúvida, aí está a prova: A Odebrecht pagava até a amante de um embaixador do regime militar, Roberto Campos! Até isto… E ainda tem gente (extrema direita) que não acredita que havia corrupção na Ditadura!


Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

( Publicado na Gazeta Guaçuana )

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