segunda-feira, 3 de abril de 2017

EQUADOR Esquerda radical parece preferir vitória de banqueiro direitista



Da arte de governar e fazer alianças
Lenín Moreno, atual vice-presidente do Equador, ganhou o primeiro turno com 39,36% dos votos contra 28,09% de Guillermo Lasso e lidera a apuração no segundo turno, com 96,94% dos votos apurados, com 51,12% dos votos contra 48,88% de Guillermo Lasso. Rafael Correa, que para a direita é a encarnação do esquerdismo autoritário, para a esquerda é justo o contrário, direitista e conservador. O que unifica a esquerda e a direita é a definição do governo de Correa e de Moreno como corrupto. Como se a esquerda e a direita fossem santos e não tivessem nenhuma vinculação a práticas de corrupção porque, como sabemos, corruptos são apenas os outros. O caso da esquerda no Equador é a comprovação de que, muitas vezes, uma certa esquerda, na prática, o que faz é viabilizar a vitória da direita. Como se em estando ruim com Correa e Lenín, houvesse alguma possibilidade de que com Guillermo Lasso ficasse melhor. Mais ou menos como aconteceu com Doria na disputa com Haddad em São Paulo e com Temer no lugar de Dilma.
Como vimos, nem a corrupção diminuiu e estão se perdendo os avanços conquistados ao longo de mais de 50 anos de lutas.O mais interessante é que o candidato da esquerda - Acuerdo Nacional por el cambio - Paco Moncayo, que unificou a Esquerda Democrática, Movimento Unidad Popular, Movimento Unidad e Plurinacional Pachakutik, e que obteve 6,71% dos votos no primeiro turno, não apenas declarou que jamais votaria em Lenín Moreno porque este representava um governo corrupto e corruptor, mas convidou Guillermo Lasso para dialogar e construir uma alternativa a Lenín Moreno. Unidad Popular foi ainda mais longe, declarou apoio a Guillermo Lasso, ex-banqueiro que esteve entre os maiores beneficiados pelo feriado bancário de 1999 que levou o Equador a falência e que se comprometeu a revogar todas leis aprovadas por Correa como a de impostos sobre a renda dos mais ricos, impostos sobre heranças, impostos para repatriamento de capitais, salvaguardas para entrada de capitais e, por suposto, a Lei de Comunicação, o controle do Judiciário e o Conselho Eleitoral, além de reduzir o tamanho do Estado e facilitar as privatizações.

ELIAS MACHADO, no Facebook

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