sábado, 15 de abril de 2017

Delações da Odebrecht: Confirmou-se o tsunami político. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

No meu artigo “Vem aí um tsunami político”, escrevi: “A delação da Odebrecht é considerada um tsunami político, que irá atingir a quase todos partidos, menos os da esquerda (PSOL e outros)”. Foi o que realmente ocorreu. Com a autorização da abertura de inquéritos pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, contra 98 pessoas, cuja lista foi divulgada em primeira mão pelo jornal Estado (12/4), repercutiu intensamente não só nos meios políticos como também na opinião pública.

Para se ter uma ideia do tsunami político, foram relacionados cinco ex-presidentes: Sarney, Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. Três ex-candidatos à Presidência da República: José Serra, Alckmin e Aécio Neves. O governo Temer foi fortemente atingido: oito de seus ministros. O Estadão revelou: “Citado em 2 inquéritos, Temer não é investigado”: ele tem “imunidade temporária” (até 2019). Nem mesmo o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se salvaram! Em vista dessa situação Eliane Cantanhêde, em artigo no Estadão, comenta: “Com tantas e tão variadas “Genis” na “lista de Fachin”, é impossível o PSDB atirar pedras no PT, o PT atirar pedras no PSDB ou qualquer partido atirar qualquer coisa contra os outros. A lista atinge todo o mundo político, inclusive o PMDB do presidente Michel Temer e o coração do seu governo [oito ministros]”. Já Vera Magalhães, no mesmo jornal, afirma: “Temer – que só não será ele próprio indiciado por prerrogativa constitucional, como fica claro no despacho de Fachin – tem de afastar imediatamente (sic) todos os investigados e nomear para seu lugar pessoas que não estejam na Lava Jato”. Isto jamais acontecerá. O Estadão noticiou: “Presidente não afastará ninguém neste momento”! Deve se ressaltar que dois políticos da Região constam da Lista: Dr. Paulinho, ex-prefeito de Mogi Guaçu e o deputado estadual Barros Munhoz, que deram suas explicações à imprensa local.

O Estadão noticiou com destaque: “Tucano Aécio é alvo de cinco inquéritos – Fachin autorizou a abertura de inquérito contra 6 senadores do PSDB”. Entre eles, dois de São Paulo: José Serra e Aloysio Nunes. À respeito comenta professor Cláudio Gonçalves Couto, em análise no Estadão: “Destacam-se entre os indiciados membros ilustres da oposição, que obraram diligentemente pelo impeachment (sic): estão lá PSDB, DEM e PPS. O ex-candidato presidencial tucano Aécio Neves lidera o número de inquéritos, com cinco, postando-se ombro a ombro com um indefectível governista congênito, o peemedebista Romero Jucá. Mas não estão sozinhos: fazem-se acompanhar de políticos de todos os principais partidos e de quase todos os Estados da federação, evidenciando se tratar de um problema sistêmico que unifica aliados e adversários”. 

Após pedido de abertura de inquérito contra 8 ministros, Temer diz que “governo não pode parar”. Segundo Vera Rosa, no Estadão”: “O discurso do presidente Michel Temer para mostrar que não há paralisia da máquina administrativa não condiz com a tensão no Palácio do Planalto. Um dia após o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Edson Fachin, ter autorizado a abertura de inquéritos contra ministros, senadores, deputados e governadores, aliados de Temer avaliavam, nos bastidores, que o novo escândalo tem todos os ingredientes para contaminar as votações de interesse do Planalto”. Vera Rosa conclui seu texto com essa observação: “Ninguém no governo acha que Temer será DEPOSTO (destaque meu), como Dilma, mas há receio de que o desgaste continuado, com ministro sangrando em praça pública, desestabilize a gestão do PMDB”. Será? Na opinião de Kennedy Alencar existe uma tábua de salvação: “A avaliação do presidente é que o governo precisa se agarrar à agenda econômica para enfrentar o dano político [tsunami político] causado pela Lava Jato”. Conseguirá? A CONFERIR!

Para terminar, um fato que não foi comentado: a Odebrecht derramou dinheiro em vários países, principalmente na América do Sul. Nesses países, alguns dirigentes foram presos. Já comentei que até na Ditadura Militar a empresa era poderosa e tinha influência no Poder! Como explicar esse poderio todo? Merece um estudo mais aprofundado. Precisa-se estudar não só o presente como também o passado da Odebrecht. Como se explica tanto dinheiro para a corrupção? Isto também precisa ser investigado...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu




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