quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ataque americano à Síria foi uma encenação?


E se Trump não tivesse virado a casaca ?

As chancelarias e a imprensa garantem que o Presidente Trump mudou a sua política e traiu os seus eleitores ao aceitar a demissão do General Flynn, depois ao ter bombardeado Shairat. Thierry Meyssan, no entanto, destaca incoerências que sugerem o contrário : a agressão militar norte-americana contra a Síria poderá na realidade ser dirigida, em última análise, contra os aliados de Washington.

REDE VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA) | 12 DE ABRIL DE 2017

Donald Trump, que fora eleito graças ao seu programa destinado a colocar um fim ao imperialismo e a prestar serviço aos interesses do seu povo, terá de repente mudado de campo, três meses apenas depois da sua chegada à Casa Branca?

Esta é a interpretação maioritária quanto ao bombardeio da base de Shairat, a 6 de Abril de 2017. A totalidade dos aliados dos Estados Unidos aprovou esta acção em nome de princípios humanitários. A totalidade dos aliados da Síria condenou-o em nome do Direito Internacional.

No entanto, aquando do debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o argumento de um ataque químico perpetrado por Damasco não foi apoiado pelo representante do Secretário-Geral. Pelo contrário, este sublinhou a impossibilidade nesta fase de se saber como este ataque teria ocorrido. A Bolívia colocou mesmo em dúvida a própria ocorrência deste ataque, que só é verificado pelos Capacetes Brancos, quer dizer um grupo da Alcaida que o MI6 enquadra para fins da sua propaganda. Além disso, todos os peritos militares sublinham que gás para fins militares deve ser disperso através de tiros de obus e nunca, jamais em absoluto, por bombardeamentos aéreos.

Seja como for, o ataque norte-americano contra a base de Shairat foi caracterizado pela sua aparente brutalidade: os 59 misseis BGM-109 Tomahawk tinham uma potência de fogo combinada quase duas vezes equivalente ao da bomba atómica largada em Hiroshima. Portanto, a agressão caracterizou-se também pela sua ineficácia: muito embora houvesse vítimas tentando extinguir os incêndios, os danos são tão pouco relevantes que a Base Aérea estava de novo em funcionamento no dia seguinte.

É forçoso constatar que ou a Marinha USA é um «tigre de papel», ou esta operação não foi senão uma encenação.

Neste caso, percebe-se melhor porque a defesa aérea russa não reagiu. O que implica que os mísseis anti-míssil S-400, cujo funcionamento é automático, tenham sido desactivados previamente.

Tudo se desenrolou como se a Casa Branca tivesse imaginado um ardil visando levar os seus aliados para uma guerra contra os utilizadores de armas químicas, isto é contra os jiadistas. Com efeito, até à data, de acordo com as Nações Unidas, os únicos casos documentados de uso destas armas na Síria e no Iraque foram-lhes atribuídos.

No decurso dos últimos três meses, os Estados Unidos romperam com a política do Republicano George Bush Jr. (que assinou a declaração de guerra da Syrian Accountability Act) e Barack Obama (que apoiou as «Primaveras Árabes», quer dizer a reedição da «Grande revolta árabe de 1916», organizada pelos Britânicos). No entanto, Donald Trump não tinha conseguido convencer os seus aliados, especialmente alemães, britânicos e franceses.

Saltando sobre o que parecia ser uma mudança radical da política dos EUA, Londres multiplicou as declarações contra a Síria, a Rússia e o Irão. O seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, cancelou a sua visita a Moscovo.

Excepto que : se Washington mudou de política, porque é que o Secretário de Estado Rex Tillerson confirmou, pelo contrário, a sua visita a Moscovo? E porque é que o Presidente Xi Jinping, que se encontrava de visita ao seu homólogo norte-americano durante o bombardeamento de Shairat, reagiu tão suavemente quando, ao mesmo tempo, o seu país usava o seu veto pela 6ª vez para proteger a Síria no Conselho de Segurança da ONU?

No meio deste unanimismo oratório e destas inconsistências factuais, o Conselheiro-adjunto do Presidente Trump, Sebastian Gorka, multiplica as mensagens a contra-senso.

Ele garante que a Casa Branca continua a considerar o Presidente al-Assad como legítimo e os jiadistas como o inimigo. Gorka é um amigo muito próximo do General Michael T. Flynn, o qual tinha concebido o plano de Trump contra os jiadistas em geral e o Daesh (EI) em particular.

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Fonte

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