terça-feira, 14 de março de 2017

Vem aí um tsunami político. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



A delação da Odebrecht é considerada um tsunami político, que irá atingir a quase todos os partidos, menos os da esquerda (PSOL e outros). Antes mesmo dela, já está causando seus efeitos e, no caso do PSDB, o feitiço virou contra o feiticeiro. É o que veremos a seguir.

Bernardo Mello Franco, no artigo sob o título “Tiro pela culatra”, revelou: “Uma investigação aberta a pedido do PSDB virou motivo de dor de cabeça para o PSDB. O partido terminou a semana na mira do processo que ele mesmo moveu para tentar cassar a chapa Dilma-Temer, que o derrotou em 2014. (...) Na quinta (2/3), o delator Benedicto Junior disse ao TSE que a Odebrecht repassou R$ 9 milhões em caixa dois (sic) aos tucanos. Segundo o executivo, a dinheirama foi entregue ao marqueteiro de Aécio Neves e a três protegidos dele: Antonio Anastasia, Pimenta da Veiga e Dimas Fabiano. (...) Na véspera, Marcelo Odebrecht fez outra revelação embaraçosa para o PSDB. Ele disse que Aécio o procurou pessoalmente para pedir um socorro de R$ 15 milhões. A abordagem ocorreu quando o senador corria risco de ficar fora do segundo turno. (...) Ao se ver atingido por um tiro que disparou, o partido apelou à esperteza. Alegou que não é alvo do processo e pediu ao ministro Herman Benjamin que suprima as citações que o comprometem. Pode ser que cole, mas as acusações voltarão à tona assim que o Supremo retirar o sigilo das 77 delações da Odebrecht.” Adiante o jornalista faz outras revelações: “Dois executivos da Odebrecht já ligaram Aécio, o “Mineirinho”, a fraudes na construção da Cidade Administrativa de Minas. Os tucanos paulistas José Serra e Geraldo Alckmin, que se revezam no governo de São Paulo há 16 anos, também ganharam apelidos na planilha da empreiteira. (...) Na sexta (3/3), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu Aécio e disse que palavra de delator não é prova. É verdade, mas poucos tucanos se lembraram disso quando viram os rivais na fogueira. Na nota, FHC também reclamou da imprensa. Nada como um dia após o outro". Segundo o Painel da Folha (9/3), Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da DERSA, estatal paulista, foi aconselhado a fazer delação. Se isso realmente acontecer haverá um tsunami para governador e ex-governador de São Paulo, todos tucanos! A ver.

Eliane Cantanhêde, no artigo “Ninguém é bobo” (Estadão, 5/3), comenta o tsunami político que vem aí: “O estresse do mundo político é tal que PT, PSDB, PMDB, PDT, PP e a maioria dos partidos, com raras exceções à esquerda, começam a fazer uma torcida inacreditável (sic), ao contrário do que seria natural. É a torcida pelo “quanto mais, melhor”, ou “quanto pior, melhor”, todos no mesmo saco e ninguém é bobo. (...) São tantas empresas, diretores, delatores, frentes, partidos, nomes, candidatos a presidente, a governos, ao Congresso e principalmente tantos milhões e milhões de dólares e reais que a opinião pública, sem fôlego, já não consegue acompanhar o relatos e separar quem é quem. O tsunami (sic) embola tudo e todos e, quanto mais a sociedade se escandaliza, mais os personagens políticos se calam. (...) Se Lula, Aécio e Dilma têm muito a perder, Temer tem muito mais: o mandato”. Cantanhêde encerra assim seu texto: “O presidente precisa tomar três providências: parar de acreditar que a economia fará milagres políticos; evitar que mídia escorra pelos seus dedos; CERCAR-SE DE REAIS NOTÁVEIS EM QUEM POSSA CONFIAR (destaque meu). O isolamento é uma péssima companhia. Principalmente com um tsunami assustador, ou demolidor”.

Agora é esperar o tsunami político “assustador’ e “demolidor” que se espera com as delações da Odebrecht, que serão divulgados! Segundo José Simão: “Ueba! Agora é Michel Treme!”. Será? A conferir!

REFORMA DA PREVIDÊNCIA: Bernardo Mello Franco revela: “O presidente Michel Temer [ou TREME, segundo José Simão, pensando nas delações da Odebrecht] declarou que quem reclama da reforma da Previdência é “quem ganha mais”. Em janeiro, o procurador aposentado (sic) recebeu R$ 45 mil brutos (R$ 22 mil líquidos) dos cofres públicos de São Paulo. Não consta que tenha reclamado”. Sem comentário...

EM TEMPO: Realmente a nova lista de Janot foi um tsunami. Para Bernardo Mello Franco: "A bomba que caiu em Brasília". Ele ainda afirma: "A megadelação da Odebrecht atinge em cheio o governo Temer [cinco ministros]". Bernardo diz também: "Apesar da artilharia contra o Planalto, o PT não tem motivos para festejar. Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff e os ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega também entraram na mira de Janot e serão investigados na primeira instância". Outra informação do jornalista: "A procuradoria também pediu a abertura de inquéritos contra dois ministros do PSDB: Aloysio Nunes e Bruno Araujo. Os senadores José Serra e Aécio Neves, que ainda sonham em disputar a Presidência, reforçam o grupo de tucanos na berlinda". Como se previa, nenhum dos grandes partidos escapou, inclusive o DEM (Maia, presidente da Câmara)! Agora é esperar que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, levantar o sigilo dos documentos.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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