quarta-feira, 1 de março de 2017

Trapalhadas governistas: uma semana frustrante para Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


A semana que passou foi, direta ou indiretamente, frustrante para Temer, graças às trapalhadas dos governistas. É o que vamos ver.

O Estadão (23/2) deu essa notícia: “Moreira Franco e Jucá fazem confronto público – Discussão entre os dois articuladores políticos do Planalto começou com a reforma da Previdência e chegou ao gabinete de Michel Temer”. Outro fato: Serra pede demissão por motivos de saúde (dor na coluna). Até aí normal. No entanto, o mesmo jornal publica: “O nome de Serra foi citado por executivos da Odebrecht em delação à força-tarefa da Operação Lava Jato. De acordo com a delação, a campanha do tucano à Presidência da República, em 2010, teria recebido R$ 23 milhões da empreiteira VIA CAIXA DOIS NA SUÍÇA (destaque meu). O tucano nega qualquer irregularidade”. O UOL constata: “Com a saída de José Serra (PSDB-SP) do Ministério das Relações Exteriores, o governo Temer perde seu oitavo ministro em menos de um ano de mandato”. Um recorde!

O senador Jucá é líder do governo no Senado, além de Presidente do PMDB. Tem, portanto, responsabilidade com o que diz. O Estadão noticiou: “Um dia depois de dizer que restringir o foro privilegiado de parlamentares seria uma “suruba selecionada” (sic), o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), pediu desculpas a quem tenha se sentido ofendido com as declarações . Ele disse [só agora] que citou a música Vira-vira, do grupo Mamonas Assassinas, para fazer referência ao termo “suruba”. O mesmo jornal, em Editorial sobre o título “A falta de compostura de Jucá”, comenta: “O destemperado senador ajudou a piorar a já combalida (sic) imagem política do governo”. 

Outra polêmica foi a escolha do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para ministro da Justiça, substituindo Moraes, que foi indicado e aprovado Ministro do STF. Comentando essa nomeação, Bernardo Mello Franco, em artigo à Folha, sob o título “O novo senhor Justiça”, afirmou: “Na semana em que a Câmara abriu o processo de impeachment, um grupo de deputados lançou a ideia de anistiar Eduardo Cunha. Os parlamentares diziam que o peemedebista teria prestado um bom serviço ao dinamitar o governo Dilma. Por isso, deveria ser perdoado pelas acusações de receber propina e mentir sobre as contas milionárias no exterior. (...) “Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado", declarou um dos porta-vozes do movimento, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O ruralista não se limitou às palavras em defesa do correntista suíço. Como presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, patrocinou uma série de manobras para protelar o processo de cassação do aliado. Numa delas, encerrou a sessão antes da hora marcada, ignorando protestos de colegas. Teve que deixar o plenário à pressas, sob gritos de “Vergonha!”. (...) A prudência aconselharia Michel Temer a entregar a pasta a um jurista respeitado, independente e sem ligação com os réus da Lava Jato. O presidente fez o contrário: nomeou um deputado do PMDB que tentou anistiar o alvo mais notório da operação. (...) Ao indicar o novo senhor Justiça, Temer deixa claro que desistiu de simular (sic) indiferença sobre a condução da Lava Jato. Ele também parece não se importar em ser cobrado pelo que diz. Na semana passada, o presidente afirmou que a escolha do ministro seria “PESSOAL, SEM CONOTAÇÕES PARTIDÁRIAS” (destaque meu). Nove dias depois, entregou o galinheiro a um amigo das raposas”. 

Outro fato muito estranho foi a declaração do advogado José Yunes sobre o dinheiro recebido em seu escritório para a campanha de Temer. Tal declaração compromete o ministro Padilha. Josias de Souza, em artigo, diz: “Amigo Yunes tenta tirar Temer da cena enlameada das delações da Odebrecht” Como a declaração de Yunes é gravíssima e o comentário de Josias longo, a denúncia fica para outro artigo.

CARNAVAL ”FORA TEMER” – O JORNAL NACIONAL, da Globo, SURPRRENDENTEMENTE noticiou terça-feira (28/2) que em diversas Capitais os foliõe se manifestaram com: “FORA TEMER”. Até tu, JN? Já Vinicius Torres Freire, em artigo à FOLHA (1/3), escreveu: “Não é muito difícil puxar um coro de “Fora, Temer” no Carnaval de um país esfolado pela recessão, rachado por ódios (sic) variados e com um presidente tão popular quanto a Dilma Rousseff dos últimos dias. (...) Houve protestos NOTÁVEIS (destaque meu), além de São Paulo, em Salvador, Rio, Belo Horizonte e Recife”.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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