terça-feira, 21 de março de 2017

O escândalo da carne. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O brasileiro ainda não estava refeito da gravíssima lista de Janot, um tsunami político, quando agora tivemos o escândalo da carne, que poderá trazer graves consequências para o Brasil, maior exportador do produto. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PMDB), reconhece: “Reputação do País como fornecedor está em jogo”. Ele criticou a Polícia Federal, afirmando ainda que a operação da carne vai mudar. O ministro vê “fantasias” e “idiotice” em conclusões sobre carne! Outra providência do governo: Temer convidou embaixadores para um churrasco. Segundo o Estadão, “a estratégia montada pelo Planalto, no entanto, foi recebida com cautela pelos ouvintes. Os embaixadores da União Europeia, João Gomes Cravinho, e da China, Li Jinzhang, deixaram claro ao sair da reunião que as explicações não foram suficientes. Ambos disseram que ainda aguardam uma “explicação” técnica detalhada” do governo. Cravinho não descarta a possibilidade da suspensão da compra de carne”. Só o churrasco, não convenceu! Pior foi a informação do jornalista Fernando Brito: “A tal churrascaria só serve carne bovina importada da Argentina, Uruguai e Austrália.” Se for verdade, Temer enganou os embaixadores! Planalto desmentiu. Outro fato merece destaque: o ministro Serraglio nem sequer foi convidado. Mau sinal para o ministro... Para o “New York Times”, o escândalo “lança dúvidas sobre a indústria do agronegócio no Brasil, um pilar relativamente firme da fraca (sic) economia do país”. 

A manchete do Estadão de 18 de março: “Operação da PF [Polícia Federal] desmonta esquema de corrupção em empresas de carne – Batizada de “Carne Fraca”, maior operação já feita pela Polícia Federal apontou que fiscais do Ministério da Agricultura recebiam propina de empresas para fazerem “vista grossa” a irregularidades”. A COLUNA DO ESTADÃO revela: “PMDB E PP comandam Agricultura há 18 anos – No centro do escândalo desvendado pela Operação Carne Fraca, o Ministério da Agricultura é um condomínio do PP e do PMDB há 18 anos. Desde 1999, os dois partidos indicaram 10 dos 11 ministros nomeados por FHC, Lula e Dilma. De 2007 para cá, seis eram filiados ao PMDB. A dobradinha foi retomada no ano passado, quando Michel Temer nomeou Blairo Maggi. O atual ministro era do PR (sic), mas migrou para o PP a fim de assumir a Agricultura. Os investigadores dizem que PP e PMDB receberam propina do esquema que vendia carne podre”. 

O jornalista Bernardo Mello Franco, em artigo à FOLHA, comenta: “Não é só a carne que está podre. A nova ofensiva da PF expôs o grau de decomposição avançada das relações entre o dinheiro, a política e os órgãos que deveriam proteger o consumidor no Brasil. (...) A operação Carne Fraca flagrou práticas de embrulhar o estômago: reembalagem de comida estragada, uso de substâncias cancerígenas para maquiar produtos vencidos, mistura de papelão nas salsichas. (...) Um dos grampos fisgou a intimidade entre o novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e o fiscal apontado como “líder da organização criminosa”. Na ligação, o peemedebista chama o funcionário suspeito de corrupção de “grande chefe”. (...) Há poucos meses, ele prestava a mesma reverência a Eduardo Cunha. Chegou a defender que o amigo fosse anistiado pelas acusações que o levaram à cadeia em Curitiba”. Segundo o jornalista Josias de Souza, “Serraglia era o protetor do fiscal da “Carne Fraca”, concluindo: “Serraglio não percebeu, mas parece estar em apuros.” Será? Duvido... Adiante Bernardo Mello afirma: “O escândalo deve produzir mais um forte abalo na economia. Os frigoríficos empregam milhares e o Brasil se tornou o maior exportador do mundo no setor. Nada disso, é claro, pode servir como desculpa para evitar punições. Além de identificar os culpados, é preciso reforçar os controles para que o caso não se repita. Afinal, a carne continuará fraca”. 

MUDANÇAS NA PREVIDÊNCIA SOCIAL – O melhor comentário sobre as mudanças na Previdência Social foi feito por José Simão. Em uma frase, ele diz tudo: “Uau! Saiu aposentadoria póstuma!” Realmente, caso sejam aprovadas tais mudanças na Previdência, propostas por Temer, não teremos mais aposentadoria, a não ser póstuma! Principalmente a integral: 49 anos! 

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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