terça-feira, 28 de março de 2017

Brasil de Temer: Carne Fraca e mudança na reforma da Previdência. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade



O programa do PMDB, “modestamente” diz: “Brasil de Temer, o homem certo, na hora certa”. Nesse País, o que o presidente anuncia, pode ser mudado. Não se pode fiar na sua palavra. É o que afirma o economista Celso Ming. No artigo “Aperta que ele afrouxa” (Estadão), ao comentar a mudança na reforma da Previdência, ele afirma: “O presidente Temer capitulou (sic) às pressões e excluiu do projeto de reforma da Previdência a revisão das regras de aposentadoria dos servidores públicos dos Estados e dos municípios. (...) É UMA CONCESSÃO GRAVE E PERIGOSA, POIS MOSTRA QUE O GOVERNO ESTÁ VULNERÁVEL. BASTA APERTA ALGUMA COISA QUE ELE CEDE (destaque meu)”. Trocando em miúdo: Brasil de Temer é FRACO! Portanto, não é homem certo, na hora certa...

Outra prova de que o Brasil de Temer é fraco se refere ao escândalo da “Carne Fraca”. Verissimo, em artigo no Estadão, ironiza: “Essa de chamar de Carne Fraca a operação contra a corrupção (sic) nos frigoríficos e o escândalo dos fiscais da indústria de alimentos, que recebiam propinas (sic) para não fiscalizar nada, é genial. A ação poderia se chamar Carne Podre, ou Nome aos Bois, mas aí não teria o mesmo valor literário e irônico. Carne Fraca é perfeito. (...) A corrupção existe, afinal, porque a carne é fraca. (...) Rouba-se tanto porque a carne não se satisfaz com pouco, é incapaz de se contentar com o que já tem. Porque a carne é insaciável”.

A Polícia Federal é culpada pela crise da carne fraca? O jornalista Bernardo Mello Franco, no artigo “Os vilões (sic) da história”, publicado na Folha (22/3), responde a esta pergunta. Depois de transcrever críticas de senadores e deputados à Polícia Federal, o jornalista comenta: “A Polícia Federal não está imune a criticas, e há fortes indícios de exageros na divulgação da Carne Fraca. Mesmo assim, é difícil sustentar que os vilões da história são os investigadores, e não os frigoríficos investigados. Foram eles que compraram (sic) fiscais, enganaram consumidores e, claro, FINANCIARAM CAMPANHAS (destaque meu)”. No entanto, é a Polícia Federal quem está pagando o pato!

Na ligação ao fiscal líder da organização criminosa, que está preso, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, chama o funcionário suspeito de corrupção de “GRANDE CHEFE”. Entretanto, o “Brasil de Temer” não demitiu o ministro, como se esperava. Como não exonerou o ministro Padilha depois que o José Yunes declarou que foi “mula involuntária” para receber um pacote de dinheiro, que seria para a campanha de Temer. Ele se licenciou para operar da próstata. Esperava-se que ele seria demitido depois da licença, o que não ocorreu. Será que aí tem? Que é estranha a manutenção dele, isto é!

Outro recuo do Brasil de Temer, o homem certo, na hora certa: Meirelles prometeu que não iria ter aumento de impostos. Agora já fala que provavelmente haverá. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em matéria paga aos jornais (Estadão, 24/3), sob o título “O que é isso, Ministro?”, critica: “Causa total indignação a fala do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que preanuncia aumento de impostos. A ideia é descabida (sic) e vai na contramão do momento brasileiro. A sociedade jamais aceitará iniciativas neste sentido”. A FIESP termina assim a matéria paga (uma página!): “Chega de pagar o pato. Diga não ao aumento de impostos!” Será que o Brasil de Temer, o homem certo, na hora certa, vai recuar do recuo? Vamos esperar!

Fernando Henrique Cardoso publicou “Diários da Presidência 1999-2000 (Volume 3). O Estadão revela alguns (poucos) trechos do livro: “Hoje senador, Serra foi acusado de não ajudar o partido é “só pedir, pedir, pedir, mas não vestir a camisa do governo”. (...) Criticado nos dois primeiros volumes, o PMDB é alvo novamente, e de forma mais intensa (sic). Há uma passagem do início do ano que sintetiza o clima pesado. “O PSDB e o PMDB às turras por causa de nomeações. O PMDB cada vez mais descarado (sic), querendo colocar gente sem condições para exercer cargos (sic). E o PSDB reclamando”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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