terça-feira, 7 de março de 2017

A revista VEJA e o governo Temer. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


Relembrando. A revista VEJA até 2016 era uma crítica ferrenha do PT, principalmente de Lula. Em 21/9/2016, ela publicou na capa uma foto de Lula se derretendo. A revista foi uma das grandes incentivadoras do impeachment (quem realmente foram os responsáveis pela queda de Dilma: Cunha e Temer). Agora, VEJA é uma crítica do governo Temer. O número da revista de 22/2/2017 contem críticas contundentes, que nem o PT faz. Na capa, essa manchete: “Eles não estão nem aí – Por que os políticos resistem tanto às demandas éticas da sociedade”. Depois a revista publica três fotos: uma, de Moraes com a mão nos olhos e essa legenda: “A cegueira moral de Alexandre de Moraes”; a segunda é uma foto de Temer com as mãos nas orelhas, com essa legenda: “A surdez oportuna de Michel Temer” e a terceira é a foto de Padilha com as mãos na boca e com essa legenda: “O silêncio cúmplice de Eliseu Padilha”.

Na matéria interna dos jornalistas Daniel Pereira e Thiago Bronzatto, sob o título “Eles estão se lixando”, novamente com as três fotos da Capa, a reportagem é demolidora, expondo os casos de corrupção no governo Temer. Entre outras coisas, os jornalistas disseram: “Na segunda-feira [6/2] passada, o presidente Michel Temer deu uma larga contribuição à liberdade de seus auxiliares. Pressionado pelas denúncias de que seu governo vem manobrando para sabotar a Lava-Jato, Temer fez um pronunciamento no qual garantiu seus bons propósitos. Ele anunciou que, de agora em diante, qualquer auxiliar denunciado pelo Ministério Público será afastado do cargo temporariamente e qualquer auxiliar tornado réu será sumariamente demitido. (…) Os analistas logo perceberam o truque (sic) presidencial. Afinal, a regra anunciada praticamente elimina a possibilidade de demissão dos atuais ministros citados na megadelação da Odebrecht. São eles: Eliseu Padilha, Moreira Franco, José Serra e Gilberto Kassab. A regra lhes proporciona uma serena sobrevida porque, mantido o atual ritmo de tramitação no Supremo, não existe nem a mais remota possibilidade de algum desses ministros seja denunciado antes do fim do mandato do presidente Temer, em dezembro de 2018. Ou seja, a turma Padilha, Moreira, Serra e Kassab está com tudo azul até 2019.” Pois é, o “truque’ de Temer não pegou: foi desmascarado… Em Tempo: José Serra pediu demissão (ministro das Relações Exteriores), alegando motivos de saúde (Dores na coluna).

Na mesma VEJA, Ulisses Campbell revelou, na reportagem “A conversa que não se pode ouvir”, a proibição, a pedido do presidente, que se publicasse notícia sobre a tentativa de extorsão contra sua mulher, Marcela Temer. O jornalista afirma: “A troca de mensagens entre Marcela e o hacker estava na parte pública, mas o áudio (a conversa que jogaria o nome de Temer “na lama”) não foi divulgado”. Adiante Ulisses Campbell fez essa revelação: “Segundo pessoas que tiveram acesso às mensagens de voz, Marcela dava dicas ao irmão [então candidato a vereador em Paulínia], com base na experiência do marido, de como usar assessores para lidar com os diversos pedidos que candidatos costumam receber em campanha. Sem que a íntegra da conversa venha à tona, é impossível saber se é inócua ou se compromete Temer. Como o governo está convicto de que nada o compromete, bem faria se brigasse (sic) pela divulgação, e não pela censura”. Li que depois dessa conversa o irmão de Marcela desistiu da candidatura a vereador. Por que? Enquanto não se divulgar a conversa, é segredo… Na coluna Carta ao Leitor (página 10), a VEJA observou sobre essa medida: “Com esse episódio lamentável (sic), Temer tornou-se o primeiro presidente a tentar censurar a imprensa desde o fim da ditadura militar, em 1985”. Sem comentário!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu


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