quarta-feira, 22 de março de 2017

A história do povo que era feliz, ficou triste e voltou a ficar feliz



Era uma vez um povo.

Até aí, nada demais.

Esse povo vivia em uma terra tropical chamada Bananestown. Nome dado em homenagem à fruta banana e a Bananestown, local onde ocorreu um famoso suicídio em massa por razões de crença cega.

Existiam, basicamente, duas classes sociais em Bananestown: os patrão bonzinho e os peão.

Havia, claro, graduações nessas classes. Na classe dos patrão figurava a subclasse dos panelas. Na dos peão também. 
A classe mais alta de todas era a dos patrão TOP.

Desde tempos imemoriais - imemoriais porque esqueci a droga do roteiro e terei que improvisar - os ricos e patrões TOP de Bananestown atingiram esse patamar trabalhando duro. Árdua e honestamente. Bastava trabalhar sem preguiça que, rapidamente, o sujeito se tornava dono de um latifúndio.

Como havia poucos ricos e patrões TOP em Bananestown e, considerando que era só o caso de se trabalhar que se ficava rico, logo conclui-se que a maioria da população de Bananestown não era chegada num batente. Por isso eram pobres.

Eram pobres, sim. Mas não eram infelizes.

Muito pelo contrário.

Eram MUITO felizes.

Ao contrário do que as mentes poluídas possam pensar, os pobres de Bananestown - os peão - não viviam mal.

Viviam era muito bem, pois apesar de serem preguiçosos e malandros, eles recebiam salários altíssimos dos patrão bonzinho. Viviam tão bem quanto seus antepassados, especialmente os imigrantes africanos.

Sim.

Os patrões, fossem TOP ou não, desconsideravam a preguiça atávica dos peão e lhes pagavam salários nababescos.

Faziam isso porque eram bonzinhos, generosos e se preocupavam com o bem-estar dos peão.

Isso durou séculos.

Assim, pode-se dizer que aquele era o povo mais feliz do mundo.

Mas essa felicidade toda estava com os dias contados.

Havia a classe dirigente conhecida como "us pulíticus". Eles, aos contrário dos patrões, eram muito maus.

"Us pulíticus" se incomodavam com a felicidade do povo, felicidade essa garantida pelos patrão bonzinho. A felicidade dos peão lhes causava muita infelicidade.

Profundamente infelizes com aquele estado de coisas, "us puliticus" passaram a maquinar uma forma de cessar toda aquela felicidade insuportável.

Aí criaram um troço chamado "direitos trabalhistas".

Claro que houve revolta e oposição a essa ousadia.

Mas quem se revoltou não foram os peão. Foram os patrão bonzinho.

Estes alegavam que por causa dos tais "direitos trabalhistas" ( toc,toc,toc... ) eles teriam que pagar muito menos pros queridos peão.

Mas não teve jeito. A idéia foi adotada e isso causou uma reviravolta no humor e estado de ânimo do país. Os peão, que eram o povo mais feliz e bem-tratado de todo o globo, viu-se diante de uma situação desconhecida. E ficou triste. Muito triste.

E a tristeza dos peão comoveu os ricos, patrões TOP e outros abaixo na escala dos patrão. E todos ficaram tristes pelo triste destino dos queridos peão. Os patrão bonzinho choraram muito. "Pobres peão! Fizemos o que pudemos para lhes proteger!"

Passou o tempo.

TIC-TAC! TIC-TAC!

Os peão se tornaram o povo mais triste do mundo, e isso perdurou por décadas. Os patrão, os ricos TOP e os outros não esqueceram e jamais perdoaram "us puliticus", especialmente aquele gaúcho baixinho. "Esse teve o que mereceu", diziam.

Mas os "direitos trabalhistas" resistiram, não obstante a resistência e oposição dos ricos e patrões TOP e dos seus herdeiros TOP. A alegria de nosso povo haveria de voltar, pensavam os patrão bonzinho.

Enquanto isso, revoltavam-se com as condições miseráveis dos peão, miséria cuja culpa era dos "direitos trabalhistas" ( toc,toc,toc...). Sem os "direitos trabalhistas" ( toc, toc, toc...) os salários seriam quadruplicados.

TIC-TAC! TIC-TAC!

Um dia, "us puliticus" resolveram consertar o estrago cometido por seus antecessores e devolveram a felicidade a seu povo, aos peão: acabaram de vez com os "direitos trabalhistas" ( toc,toc,toc... ).

A Nação estremeceu. De felicidade e concórdia. De pura euforia. Como quando caiu o Muro de Berlin. Os peão estavam finalmente livres para ganharem excelentes salários, como ocorria com seus antepassados.

Instantaneamente, os patrão bonzinho reajustaram os salários dos peão em 400%. E em 500%. E em 600%. E daí por diante.

E todos dançaram ciranda pelas ruas das cidades daquela terra.

A felicidade voltou aos lares e às famílias. E aos locais de trabalho.

Só alegria.

E Bananestown recebeu o título de "País do povo mais feliz do mundo".

FIM



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