terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Celso de Mello brindou Moreira Franco. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A criação de um Ministério só para brindar Moreira Franco repercutiu mal. O Estadão, em Editorial, afirma: “A ascensão do amigo a um cargo com foro privilegiado foi um erro (sic) não trivial de Michel Temer, voltando a expor de forma acintosa as graves fragilidades do primeiro escalão do governo”. A Folha, também em Editorial, critica: “Acumulam-se, nestes últimos dias, os sinais de que o governo do peemedebista Michel Temer – a exemplo do mundo político em geral – deixa de lado o compromisso com as aparências republicanas e adota como prioridade a sobrevivência de seu núcleo de poder. Em manobra incapaz de passar como mera providência administrativa, o presidente alçou a ministro de seu governo Wellington Moreira Franco, identificado como “Angorá” (sic) em delação da Lava Jato. O correligionário [e amigo pessoal] garantiu foro privilegiado”. O jornalista Valter Abrucez, após comentar a situação no Espírito Santo, com centenas de mortos, conclui: “Agrava o fato de que, enquanto as balas matam impiedosamente, o Congresso discute mesquinharias e o presidente da República se ocupa de proteger das garras da lei (sic) um ministro com prazo de validade vencido há milênios, ambos de costas para a trágica realidade do país. Não há nada mais a dizer”.

Apesar das restrições, o ministro do Supremo, Celso de Mello, manteve a brindagem do “Gato Angorá”. Essa decisão frustrou muita gente. Kennedy Alencar, em artigo (15/2), afirma: “Defensável juridicamente, decisão pró-Moreira deixa tribunal mal na foto”. O jornalista analisa: “Um dos principais efeitos da decisão do ministro Celso de Mello a favor de Moreira Franco será gerar mais dano de imagem ao Supremo Tribunal Federal. Mello assegurou a Moreira a cadeira de ministro da Secretaria Geral da Presidência, o que mantém o foro privilegiado no STF. O ministro é citado nas delações da Odebrecht. (…) Sem dúvida, Temer obteve uma vitória no Supremo. É mais um exemplo da maior capacidade política do peemedebista na comparação com Dilma. Tem melhor articulação política no Congresso e muito mais trânsito no Supremo. Da série ministros falastrões – Temer não gostou de mais uma declaração do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou fala do ministro em evento da Caixa Econômica Federal na semana passada na qual ele deixou claro que Ricardo Barros foi nomeado para o Ministério da Saúde em troca de votos do PP. Padilha até fez graça, dizendo que a promessa de votos levou Temer a abandonar a ideia de indicar um médico “notável” para a pasta. (…) O presidente tem achado ruim a sequência de declarações desastradas do chefe da Casa Civil. Já pediu que ele falasse menos. Já pediu que se intrometesse menos na economia. Essa fala sobre o Ministério da Saúde mostra arrogância e escancara o mais puro fisiologismo, o chamado “toma lá, dá cá”. (…) Padilha já esteve mais forte no governo. Perdeu poder para Henrique Meirelles, da Fazenda, e para Moreira Franco (sic), da Secretaria Geral”. À respeito do assunto, Sonia Racy, no Estadão, diz: “Assessores de Temer já não escondem o desconforto com a manutenção de Moreira Franco e Eliseu Padilha no governo. (…) Avaliam que os ministros podem até sobreviver às delações da Lava Jato mas a imagem do governo sairá arranhada de qualquer maneira. “Como no caso de Geddel”, exemplifica fonte próxima ao presidente”. Será? Para a maioria absoluta dos analistas políticos, eles já deveriam ter saído do governo. A permanência deles apenas desgasta Temer!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu


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