quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A morte de Marisa e o ódio na internet (FACEBOOK), por Jasson de Oliveira Andrade



No dia 2 de fevereiro de 2017, o ex-presidente Lula publicou a seguinte mensagem em sua página no Facebook: “A família Lula da Silva agradece todas as manifestações de carinho e solidariedade recebidas nesses últimos 10 dias pela recuperação da ex-primeira dama [por oito anos] Dona Marisa Letícia. A família autorizou os procedimentos preparativos para a doação de órgãos”. Em resposta a essa boa ação, algumas pessoas, também no Facebook, divulgaram mensagens odiosas contra a falecida e seu marido. A revista CartaCapital constatou: “A notícia de seu AVC insuflou um ódio nas redes sociais como há muito não se via”. Como designar esses vermes, insensíveis à dor alheia? Velhacos, patifes, canalhas, vis, miseráveis, moleques, desprezíveis, pústulas, bandidos, ordinários, gentalhas, cafagestes, mau-caráter? Para mim, todas essas designações e ainda outras que esqueci. Adversários, como Temer, Fernando Henrique Cardoso, Serra, Sarney e outros estiveram no velório. Gesto bonito, decente. Discordar, sim: faz parte da democracia. Odiar, nunca!

Pior foi a atitude de médicos. Roberto Kalil Filho, em artigo à Folha, sob o título “Afronta à dignidade humana”, abordou esse assunto. No texto revela o que ocorreu com a falta de ética de alguns médicos: “Essa situação [falta de ética] ocorreu recentemente com a divulgação pelas redes sociais de exames e dados clínicos não autorizados [a médica foi exonerada], ALÉM DE COMENTÁRIOS DESAIROSOS SOBRE PACIENTES PÚBLICOS [Dona Marisa]. O CASO REVELA UM DOS LADOS PERVERSOS DO COMPORTAMENTO HUMANO, REPROVÁVEL E ABSOLUTAMENTE INADMISSÍVEL PARA QUEM SE APRESENTA COMO MÉDICO. (...) PIOR AINDA É TESTEMUNHAR ESSES PROFISSIONAIS SEREM MOVIDOS POR SENTIMENTO MENORES E IDEOLOGIAS POLÍTICO-PARTIDÁRIAS, FAZENDO APOLOGIA À MORTE, COMO LAMENTAVELMENTE OBSERVAMOS NA ÚLTIMA SEMANA (destaques meu).”. Adiante Dr. Kalil Filho acrescentou: “O texto da jornalista Cláudia Collucci publicado nesta Folha na quinta (2/2) acerta no ponto nevrálgico sobre o tema: atitudes como essa merecem punição (sic). Impossível tolerar que paciente corram o risco de virar motivo de escárnio (sic) entre médicos. (...) As direções de hospitais e unidade de saúde precisam ser firmes e punir (sic) esse tipo de comportamento antiético de forma exemplar, eliminando (sic) das instituições elementos que profanam (sic) o princípio do sigilo e DO RESPEITO DEVIDO A QUALQUER SER HUMANO (destaque meu)”. 

Na coroa de flores enviada pelo próprio Lula, lia-se a mensagem: “Minha galega: agora o céu ganha a estrela que iluminou minha vida”. Segundo o Estadão, ao discursar, ele homenageou a companheira, com quem foi casado por 43 anos. “Marisa foi mãe, foi pai, foi tia, foi tudo”, disse Lula. “Sou o resultado de uma menina que parecia frágil e que me deu garantia de que eu pudesse viajar para ajudar a criar o PT”, disse, emocionado, ao lado de um dos filhos. (...) O ex-presidente também afirmou que Marisa “morreu triste” pela “canalhice” e “maldade” que fizeram com ela. Sem nominar ninguém, cobrou o pedido de desculpas. “Quero que os facínoras que levantaram leviandades contra ela tenham um dia a humildade de pedir desculpas”. Segundo a CartaCapital, “O cerco ao marido e aos filhos em decorrência das diversas investigações em curso preocupavam a primeira-dama mais do que os próprios problemas”. Essas investigações não foram as responsáveis pelo seu AVC? Parece que sim!

Marisa foi muito mais do que uma primeira-dama. Foi uma grande lutadora em favor dos desfavorecidos. É por esse trabalho que ficará na História...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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