sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A economia melhorou no Brasil?, por Jasson de Oliveira Andrade

Sou analista político. Pouco conheço de economia. Acompanho apenas nas páginas do Estadão e da Folha. Ultimamente tenho lido que a nossa economia melhorou. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) está otimista. Em artigo na Folha, ele afirma: “Sinais de melhora começam a despontar no Brasil”. Será? Já o Estadão, que também está otimista com a recuperação econômica, publicou em manchete de primeira página: “Comércio fechou 108 mil lojas e cortou 182 mil vagas em 2016”. Quem anda pela rua Chico de Paula, em Mogi Guaçu, percebe várias lojas para alugar. Concorrência do Burity? Ou reflexo da crise econômica? O desemprego é preocupante: temos mais de 12 milhões de desempregados! 

As medidas econômicas aprovadas pelo Congresso, colocadas em prática pelo ministro Meirelles, só começarão a dar resultado daqui a alguns anos. Temer -- tudo indica -- não vai ver essa melhora como presidente...

Segundo alguns economistas a situação começou a melhorar com a queda da inflação. Outros consideram que isto é bom, mas insuficiente. Com quem está a razão?

A situação mais preocupante, mais que o desemprego, é aquela que afeta os bancos. A CartaCapital dedicou um número para revelar como esse setor se encontra. Na capa, em 8/2/2017, a revista constata: “Os banqueiros e o Brasil – As principais instituições financeiras unem esforços para manter vivas empresas destruídas pela recessão galopante”. Na matéria, o jornalista Carlos Drummond faz essas revelações: “Todos os dias, não raro no fim da tarde, equipes dos quatro maiores bancos do País formam “juntas médicas” para avaliar a saúde econômico-financeira de centenas de empresas devedora de empréstimos no total aproximado de 90 bilhões de reais. A novidade em relação a situações anteriores de crise generalizada é a inclusão de firmas médias entre os pacientes dessas operações sindicalizadas, nome técnico das “juntas”, habituais em grandes concessões de crédito para companhias de porte. A explicação para a necessidade de atuação conjunta abrangente é que, depois de dois anos de recessão, juros altíssimos, crédito escasso e retração do mercado, o sistema todo de grandes, médios e pequenos estabelecimentos está em dificuldades”, concluindo: “O descompasso entre a entrada declinante de dinheiro e o custo ascendente da dívida bancária assumiu proporções alarmantes. (...) As devoluções de cheques por falta de fundos chegaram a 2,36% do total no ano passado, o maior porcentual desde 1991.” O economista Antônio Corrêa de Lacerda, da AC Lacerda Consultoria, analisa: “A situação é muito difícil e a saída da crise será lenta (sic). Basta resgatar a confiança e colocar a inflação (sic) na meta, apregoam alguns. Não é bem assim, infelizmente. Há inúmeras empresas e consumidores fortemente endividados e a inadimplência tem aumentado”.

Pelo visto, na análise dos entendidos, a crise, lamentavelmente, vai durar. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

Crise pode apressar fim do projeto neoliberal no Brasil, acredita Requião


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