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domingo, 5 de fevereiro de 2017

A crise NÃO está passando. O pior talvez ainda nem tenha chegado

Manual do perfeito midiota – 60: O que aconteceu com a economia brasileira?

O dileto midiota deveria estar se perguntando: “o que aconteceu com a economia brasileira nos últimos dias?”

Acontece que nove entre dez daqueles sábios que pontificam nas emissoras de rádio e TV vendem a ideia de que a crise econômica está passando.

Se não se pode ainda afirmar que aconteceu um milagre, o que esses “especialistas em tudo” estão fazendo é uma coleta seletiva de indicadores, para demonstrar que a coisa não é assim tão feia.

Curiosamente, alguns desses indicadores foram usados no ano passado para convencer você de que o mundo estava acabando. Por exemplo, naquela ocasião a queda de preços era uma notícia ruim: dizia-se que o fato era provocado pela redução da atividade econômica, “comprovando” agravamento da recessão.

Nesta semana, a queda de preços, aliás prevista pelo mercado desde meados de 2015, passa a ser um elemento de otimismo, um “ajuste do mercado à nova realidade”.

Mas no meio dessas conjecturas explodem os juros do cartão de crédito, sobe a taxa de administração das contas bancárias – não de todas, apenas daquelas comuns, onde os assalariados e os pequenos empresários tentam se resguardar – e o dólar retoma trajetória de subida, o que pode anular o efeito da recessão sobre os preços.

E olha só que interessante: alguns analistas que condenavam as políticas econômicas vigentes no Brasil e em outros países latino-americanos até muito recentemente, chamando-as de “populistas”, usam a mesma expressão para condenar as medidas econômicas anunciadas pelo novo governo dos Estados Unidos.

Assim, Donald Trump, Dilma Rousseff e, digamos, Cristina Kirschner são igualmente chamados de “populistas” e anti-mercado.

A pesquisa Bank of America – Merryl Linch sobre economia global, publicada no dia 7 de dezembro, aparece em artigos nesta semana, e ajuda a entender como as grandes fortunas se movimentam: seu pressuposto é de que a política protecionista anunciada por Trump, e sinais de “populismo” na Europa, exigem mais flexibilidade do capital financeiro.

E adivinhe qual é uma das recomendações? – a compra de ativos em países emergentes.

Mas essa é apenas uma das muitas possibilidades que o estudo oferece aos investidores. Evidentemente, uma pesquisa como essa contém uma enorme complexidade, suas indicações são destinadas a quem administra dinheiro realmente grande e são recebidas como uma orientação geral de estratégias de investimento.

Acontece que os analistas que pontificam na mídia brasileira, principalmente aqueles que dominam a cena da chamada grande imprensa, pegam esses dados e fazem uma digestão rápida, usando-os seletivamente para justificar certas propostas do governo interino.

Por exemplo, o trecho da pesquisa que fala no provável interesse do capital internacional por ativos, é usado pelo jornalista para defender a privatização do patrimônio público, considerando que o governo precisa fazer caixa muito rapidamente para – digamos – reformar ou construir presídios.

Entende como funciona? – Primeiro deixamos explodir os presídios, depois vamos vender o patrimônio público para construir presídios.

Na verdade, nenhum desses especialistas em generalidades tem tempo sequer para ler o resumo executivo de uma pesquisa como essa, porque eles têm que estar o tempo todo produzindo – estão onipresentes no rádio, na TV, na internet e nas folhas de jornais.

O que eles fazem é catar aqui e ali argumentos supostamente bem fundamentados para defender a ideia de que um bom governo é aquele que direciona as políticas públicas no sentido do interesse do sistema financeiro.

Quem disse?



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