sábado, 25 de fevereiro de 2017

Governo Temer tucanou? Artigo de Jasson de Oliveira Andrade


O grupo do presidente moralmente é muito criticado. Dora Kramer, em artigo na VEJA (antes a jornalista escrevia no Estadão), comenta essa situação: “Na visão do público, cuja opinião é crucial, contudo, nada [sobre a corrupção] está resolvido. Disso dão notícias quaisquer conversas entre pessoas comuns sobre os inúmeros inquéritos, citações e processos envolvendo o grupo do presidente. TURMA, DIGA-SE, DA PESADA (destaque meu)”. Em vista disto, Temer procura tucanizar seu governo. É o que vamos ver.

Eliane Cantanhêde, em artigo no Estadão (19/2), sob o título “Tucanizando Temer?”, escreve: “Quanto mais fracos ficam os homens fortes do PMDB, mais Michel Temer se aproxima dos caciques do PSDB e mais profundamente o PSDB mergulha no governo e no coração do poder. Isso vale para atravessar a “pinguela” (como Fernando Henrique Cardoso chama a transição com Temer), mas principalmente para chegar em terra firme a 2018. (...) Convencido de que a economia iria ao fundo do poço com Dilma, Serra foi o primeiro grão tucano a aderir ao impeachment e a posse “do Michel”, quando FHC ainda rejeitava a ideia, Aécio apresentava sérias restrições e Alckmin lavava as mãos. Depois, com o destino de Dilma traçado, Serra pôs o pé no Itamaraty de Temer, mas Aécio só aceitava apoiar o governo sem assumir protagonismo num projeto de futuro incerto. Alckmin? Já então partia para um voo solo, com alianças para além do PSDB e muito distantes do PMDB.” Sobre uma recente pesquisa a jornalista diz: “O PMDB é um grande ausente, o PSDB marca posição com Aécio, Meirelles não existe. Na avaliação dos grupos no poder, é preciso realinhar essas forças para 2018”. Adiante Cantanhêde afirma: “Temer patina numa popularidade equivalente à Dilma nos estertores e qualquer pessoa vê a olho nu que o PMDB mantém comando do Senado e tem expressiva bancada na Câmara, mas vive um processo de desmanche: Eduardo Cunha preso, Renan com seus problemas, o núcleo duro de Temer esfarelando. Jucá, Henrique Alves e Geddel caíram, Moreira Franco questionado e Eliseu Padilha na linha de fogo. Ok, Aécio e Serra são citados por delatores da Lava Jato e as da Odebrecht ameaçam invadir firmemente São Paulo, mas as dificuldades dos peemedebistas são muito mais diretas do que as relações tucanas com campanhas. Ao menos até agora”.

Pelo visto, só resta ao governo Temer tucanar. Se os candidatos do PSDB têm problemas, a situação do PMDB é ainda pior. Qual será a resposta para a pergunta da jornalista Eliane Cantanhêde: TUCANIZANDO TEMER? Como sempre digo: A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A história do sapo paneleiro


Aquela velha história que, penso eu, todos já devem ter escutado antes. 
Se você pegar um sapo e jogá-lo na panela com a água fervendo, ele se debaterá, tentando se salvar. Talvez até conseguirá.
Por outro lado, se colocá-lo na água em temperatura ambiente e ir gradativamente aquecendo esta água, ele não se manifestará, ficará paradinho e morrerá cozido.

E tem aquela do sapo paneleiro.

Ele saiu às ruas pedindo pra ser jogado na água. 
Ele mesmo acendeu o fogo.
E ele mesmo tampou a panela ( a mesma que ele antes usava pra bater ).

E ficou aguardando serenamente a morte em horrível agonia.

Mas não se deu por vencido não.

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Mau caráter como ele só, Dória diz que Lula "nunca trabalhou". Será mesmo, playboy herdeiro?



FONTE: Internet

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Trump é um agente da KGB



A imprensa norte-americana continua fazendo uma campanha contra o presidente Donald Trump que ao mesmo tempo atinge o governo da Rússia. Eleito contra o setor mais importante do imperialismo norte-americano, Trump expressa uma crise e alimenta essa crise no interior do regime político dos EUA. Enquanto estiver no governo, será pressionado até cair ou não se adaptar totalmente à política desse setor.

Parte importante dessa campanha contra Trump é a acusação de que ele seria “ligado aos russos”. Todos os dias os jornais de maior tiragem lembram seus leitores que homens ligados a Trump são investigados por supostas reuniões com os russos para organizar o vazamento de dados da campanha do Partido Democrático, derrotado por Trump nas eleições. É como se Trump fosse um agente de Vladimir Putin, presidente da Rússia, nos EUA. Uma fantasia segundo a qual um país atrasado, no caso a Rússia, teria descoberto uma forma de infiltrar um agente seu na presidência de um país imperialista de capitalismo desenvolvido.

Essa fantasia é uma inversão da realidade. São os EUA que colocam seus agentes para governar países em todo o planeta. Marionetes do imperialismo governam vários países depois de golpes impulsionados pelos EUA. No caso da Rússia, a política do imperialismo até agora foi cercar e minar o governo de Putin para pressioná-lo e precipitar sua queda. Trump prometeu durante sua campanha suspender as sanções econômicas contra a Rússia, medida que o principal setor do imperialismo tenta evitar.

No domingo (19), o New York Times publicou uma reportagem denunciando um plano secreto de homens ligados a Trump para propor um novo acordo de paz com a Rússia relativo à Ucrânia. País hoje governado por políticos colocados no poder graças a um golpe organizado pelo imperialismo durante o governo de Barack Obama.

Segundo o NYT, Michael D. Cohen, advogado de Trump, estaria tentando articular, junto com Felix H. Sater, homem de negócio russo-americano que trabalhou para Trump e Paul Manafort, gerente da campanha do presidente, um acordo de paz alternativo que permitiria suspender as sanções econômicas. O plano envolveria um deputado ucraniano, Andrii V. Artemenko. O jornal os trata como “diplomatas amadores”, tentando reverter a política anterior.

Trata-se de uma defesa da política anterior, em que um governo foi colocado na Ucrânia para opor-se à Rússia. O atual presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, realizará um referendo sobre a entrada da Ucrânia na OTAN, levando a Organização para as portas da Rússia. O esboço de mudança nessa política que Trump sinalizou de forma vaga já foi suficiente para que ele passasse a ser tratado como um agente de Putin na Casa Branca, reavivando o espantalho do perigo russo da chamada “Guerra Fria”, que também se tratava de um cerco imperialista contra uma política independente de países atrasados.


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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Celso de Mello brindou Moreira Franco. Artigo de Jasson de Oliveira Andrade

A criação de um Ministério só para brindar Moreira Franco repercutiu mal. O Estadão, em Editorial, afirma: “A ascensão do amigo a um cargo com foro privilegiado foi um erro (sic) não trivial de Michel Temer, voltando a expor de forma acintosa as graves fragilidades do primeiro escalão do governo”. A Folha, também em Editorial, critica: “Acumulam-se, nestes últimos dias, os sinais de que o governo do peemedebista Michel Temer – a exemplo do mundo político em geral – deixa de lado o compromisso com as aparências republicanas e adota como prioridade a sobrevivência de seu núcleo de poder. Em manobra incapaz de passar como mera providência administrativa, o presidente alçou a ministro de seu governo Wellington Moreira Franco, identificado como “Angorá” (sic) em delação da Lava Jato. O correligionário [e amigo pessoal] garantiu foro privilegiado”. O jornalista Valter Abrucez, após comentar a situação no Espírito Santo, com centenas de mortos, conclui: “Agrava o fato de que, enquanto as balas matam impiedosamente, o Congresso discute mesquinharias e o presidente da República se ocupa de proteger das garras da lei (sic) um ministro com prazo de validade vencido há milênios, ambos de costas para a trágica realidade do país. Não há nada mais a dizer”.

Apesar das restrições, o ministro do Supremo, Celso de Mello, manteve a brindagem do “Gato Angorá”. Essa decisão frustrou muita gente. Kennedy Alencar, em artigo (15/2), afirma: “Defensável juridicamente, decisão pró-Moreira deixa tribunal mal na foto”. O jornalista analisa: “Um dos principais efeitos da decisão do ministro Celso de Mello a favor de Moreira Franco será gerar mais dano de imagem ao Supremo Tribunal Federal. Mello assegurou a Moreira a cadeira de ministro da Secretaria Geral da Presidência, o que mantém o foro privilegiado no STF. O ministro é citado nas delações da Odebrecht. (…) Sem dúvida, Temer obteve uma vitória no Supremo. É mais um exemplo da maior capacidade política do peemedebista na comparação com Dilma. Tem melhor articulação política no Congresso e muito mais trânsito no Supremo. Da série ministros falastrões – Temer não gostou de mais uma declaração do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O jornal “O Estado de S. Paulo” revelou fala do ministro em evento da Caixa Econômica Federal na semana passada na qual ele deixou claro que Ricardo Barros foi nomeado para o Ministério da Saúde em troca de votos do PP. Padilha até fez graça, dizendo que a promessa de votos levou Temer a abandonar a ideia de indicar um médico “notável” para a pasta. (…) O presidente tem achado ruim a sequência de declarações desastradas do chefe da Casa Civil. Já pediu que ele falasse menos. Já pediu que se intrometesse menos na economia. Essa fala sobre o Ministério da Saúde mostra arrogância e escancara o mais puro fisiologismo, o chamado “toma lá, dá cá”. (…) Padilha já esteve mais forte no governo. Perdeu poder para Henrique Meirelles, da Fazenda, e para Moreira Franco (sic), da Secretaria Geral”. À respeito do assunto, Sonia Racy, no Estadão, diz: “Assessores de Temer já não escondem o desconforto com a manutenção de Moreira Franco e Eliseu Padilha no governo. (…) Avaliam que os ministros podem até sobreviver às delações da Lava Jato mas a imagem do governo sairá arranhada de qualquer maneira. “Como no caso de Geddel”, exemplifica fonte próxima ao presidente”. Será? Para a maioria absoluta dos analistas políticos, eles já deveriam ter saído do governo. A permanência deles apenas desgasta Temer!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu


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MAS O POVO MERECE Farmacêuticos flagram trambique de Alckmin e Dória para dar remédio quase vencido à população

Sindicato dos Farmacêuticos de São Paulo (Sinfar-SP) questiona a doação de medicamentos para a rede de saúde da cidade de São Paulo, anunciada no começo do mês pelo prefeito João Doria (PSDB).

O sindicato chama a atenção para a isenção do ICMS dos remédios doados, em articulação entre a prefeitura e o governo estadual de Geraldo Alckmin a isenção do ICMS dos remédios doados. Em outro ponto, o edital de chamamento para as doações, publicado na semana passada no Diário Oficial da cidade, “preferencialmente, validade superior a seis meses”.

O Sinfar pontua que o edital favorece as indústrias, já que, mesmo no caso de medicamentos com validade de seis meses, eles não são mais comercialmente viáveis para os laboratórios, nem para as farmácias e drogarias. “Há o risco de vencimento do medicamento antes da conclusão do tratamento”.

Além disso, os remédios vencidos ou próximos ao vencimento têm um custo de incineração para as indústrias, que, com as doações, será arcado pela Prefeitura, segundo o sindicato. (Do GGN)

Leia a íntegra da nota do Sinfar-SP abaixo:

Posicionamento oficial sobre edital publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da Cidade de São Paulo

O Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sinfar-SP), por meio desta nota, questiona alguns pontos acerca da publicação do Edital de Chamamento Público nº 002/2017 – SMS.G, publicado nesta quinta-feira (16), na página 45 do Diário Oficial da Cidade de São Paulo.

A atual gestão anunciou, no dia 08 de fevereiro, a parceria com 12 laboratórios farmacêuticos que efetuariam a doação de 380 milhões de comprimidos. Em coletiva de imprensa, prefeito e secretário de saúde de São Paulo, afirmaram não haver contrapartida para as doações. No entanto, na mesma coletiva foi anunciada a isenção de ICMS para estas indústrias pelo governo estadual. Ora, se é uma doação, por que há benefícios tributários para o doador?

Ainda no dia 08, foi citado o número de 12 empresas do ramo para a “doação”. Porém, em nenhum momento – pelo menos nas declarações à imprensa – foram reveladas quais são essas “empresas parceiras”. Qual critério para seleção e atração dessas empresas, levando em consideração que a administração pública está subordinada aos princípios de impessoalidade, legalidade e publicidade dos atos públicos?

Hoje, 16 de fevereiro, foi publicado o Edital de Chamamento Público pela Secretaria Municipal de Saúde informando que a empresa Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos LTDA protocolou uma proposta entregando as doações da indústria e, aí então, convocando demais interessados em participar do processo. A) Por que, então, o chamamento público não foi feito antes de anunciar as 12 empresas parceiras no dia 8 de fevereiro? B) Se o edital prevê a entrega de envelopes fechados e a confidencialidade – com base no princípio da impessoalidade dos atos públicos – com as propostas para participarem do projeto, por que a Cristália apresentou sua proposta antes da publicação do edital?

O edital prevê que os medicamentos tenham, “Preferencialmente, validade superior a seis meses”. A) Se houver propostas com doações de medicamentos cuja validade é inferior a este período, a Secretaria Municipal de Saúde irá recebê-los? É importante observar que a população corre o risco de receber medicamentos cujo prazo de validade não permitirá seu consumo. Isso favorece as indústrias, uma vez que os medicamentos vencidos ou próximos ao vencimento apresentam custo de incineração para as indústrias. Estes, por sua vez, serão transferidos para a Prefeitura de São Paulo – ou seja, mais custos para a população paulistana. B) Mesmo no caso de medicamentos cuja validade é de seis meses, ele não é mais comercialmente viável nem para a indústria, nem para as farmácias e drogarias. Há o risco de vencimento do medicamento antes da conclusão do tratamento. Por que terá, então, valor para a população que adquire esse medicamento via rede pública?


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domingo, 19 de fevereiro de 2017

De volta à Era FHC: Não há nenhum sinal de recuperação da economia no Brasil, diz ex-diretor do Ipea João Sicsú



Professor alerta que política econômica do país hoje é de "retorno ao passado"

"Cada dia se espera menos da economia brasileira", destaca Sicsú

Há poucos anos, quando se discutia sobre os obstáculos do Brasil para se desenvolver efetivamente, autoridades e especialistas indicavam que faltava uma coisa, planejamento de longo prazo. As políticas de curto e médio prazo, contudo, geravam resultados satisfatórios. Hoje, após o afastamento de Dilma Rousseff, temos uma "política velha", que deve garantir um retorno para a posição que o país estava há 15 anos ou mais, acredita o professor do Instituto de Economia da UFRJ João Sicsú. 

"Não há horizonte de otimismo para a economia brasileira", alerta Sicsú, que foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Ipea entre 2007 e 2011. Ele defende que uma nova recessão deve ser esperada para este ano, já que falta um plano de recuperação da economia e de combate ao desemprego. 

O Boletim Focus previa em outubro do ano passado uma alta no PIB de 1,3% para 2017. Em dezembro, a previsão caiu para 0,5%, e pode cair ainda mais. Como aponta Sicsú, o desemprego crescente e a crise nos estados afetam o consumo, empresários deixam de investir porque não há perspectiva de crescimento da economia, não há política de investimento do governo e as estatais também investem menos. 

"Estamos tendo políticas econômicas que não resolvem o desemprego. Milhares de famílias já voltam para o programa Bolsa Família. Temos dados bastante assustadores, 500 mil famílias que saíram do programa até 2011 retornaram só no ano de 2016. Esta é a política econômica que nós temos hoje, uma política velha que produz antigos resultados. Vamos retornar ao passado que tínhamos", alerta Sicsú.

Jornal do Brasil - Há um tempo, em 2013, início de 2014, se discutia que o Brasil não tinha planos econômicos de longo prazo, como teriam sido implementados na Índia e na China. O que podemos dizer agora sobre a política econômica brasileira?

João Sicsú - De fato, a gente não tinha um projeto de desenvolvimento nesses últimos anos, o que não quer dizer que não avançamos, no sentido de melhorar a infraestrutura do país e a qualidade de vida das pessoas. Mas eram políticas conjunturais, programas específicos, isolados. Porém, que deram excelentes resultados.

A política econômica de hoje é uma política regressiva, de volta ao passado. Além de ser velha, vai produzir resultados que nós vamos retornar a situações que tínhamos há 10, 15 anos, ou até mais.

Estamos tendo políticas econômicas que não resolvem o desemprego. Milhares de famílias já voltam para o programa Bolsa Família. Temos dados bastante assustadores, 500 mil famílias que saíram do programa até 2011 retornaram só no ano de 2016. 

Esta é a política econômica que nós temos hoje, uma política velha que produz antigos resultados. Vamos retornar ao passado que tínhamos. 

Jornal do Brasil - O senhor comentou nas redes sobre a revalorização das ideia do Consenso de Washington turbinadas por planos das experiências recentes europeias. No caso do Brics, só pra usar como exemplo, os debates sobre o assunto na época, 2013/2014, falavam sobre a importância dele justamente como um contraponto ao Consenso de Washington. Como você enxerga a força deste movimento?

João Sicsú - O Brasil tomou medidas no sentido correto a partir de 2003, que foi no sentido de fortalecimento dos Brics, e até de fazer um banco de financiamento para infraestrutura nesses países. Os Brics realmente tinham um sentido que levava os países para o desenvolvimento, em especial para construção de infraestrutura nesses países. E isto era extremamente positivo, tinha aspectos isolados importantes como no caso do Brasil, com um foco na política social muito forte, e também a ideia de construção física dos países, de infraestrutura. 

O que isso tem de oposto é que o Consenso de Washington pressupõe que os países podem até investir na infraestrutura, mas isto dependeria da iniciativa privada. Porém, por exemplo, no caso brasileiro, esta tem peso nulo para construção da infraestrutura [que dependeria mais do setor público]. Vale para a China a mesma coisa. 

A volta do Consenso de Washington, além de ser um retrocesso do ponto de vista de construção de infraestrutura dos países, traz consigo a extinção das políticas sociais, o que, no caso brasileiro, é muito significativo, com a Previdência Social, o SUS, o sistema federal de educação -- tudo que vem sendo debilitado pelo menos profundamente. Isto é extremamente negativo. Os Brics têm um sentido, o Consenso de Washington tem outro, com resultados opostos também. 

Jornal do Brasil - Você também comentou que uma nova recessão deve ser esperada para 2017, já que o governo Temer não teria um plano de recuperação da economia e de combate ao desemprego. PEC 55, China e Trump colocam novos impasses. O que podemos esperar para a economia do país nos próximos anos. Você vê algum horizonte capaz de gerar otimismo em relação à situação brasileira?

João Sicsú - Não há nenhum sinal de recuperação da economia. O consumo das famílias está extremamente debilitado, o investimento público também, e o investimento privado depende de expectativas em relação à economia do país, que hoje são cadentes. Cada dia se espera menos da economia brasileira, o investimento privado está parado. 

O canal das exportações poderia ser uma saída, mas ele é muito limitado, pois não depende do que acontece no Brasil. O Brasil não tem nenhum controle sobre o comportamento da China, ou sobre as medidas a serem adotadas pelos Estados Unidos, sobre a trajetória dos preços de commodities, Apostar no caminho da exportação em um país tão grande e com um mercado volumoso é apostar no nada. Podemos ter algum sinal positivo, mas não compensará o sinal negativo dos outros -- no consumo das famílias, no investimento público e privado. O ano de 2017 deve ser de recessão, não de estagnação. Será uma repetição de 2016.

Jornal do Brasil - O desemprego não para de subir no país. Ao mesmo tempo, se articulam movimentos de "reforma" da legislação trabalhista. A proporção de pessoas em situação de pobreza deve aumentar, como apontou o estudo do Banco Mundial. A crise é projeto?

João Sicsú - Não é um projeto. Se bem que já há muitos analistas que consideram a crise como algo positivo para 'higienizar' a economia, a sociedade, quando 'incompetentes' são tirados de cena. 

O projeto não é de crise, é de reduzir os custos empresariais, os custos trabalhistas -- o que no ponto de vista do trabalho é direito --, para aumentar a produtividade. Só que nenhum trabalhador aumenta produtividade quando está inseguro, vulnerável, do ponto de vista social. 

Na verdade, o governo e os empresários olham para o trabalhador como um custo. A reforma trabalhista, da previdência, as desonerações, são todas no sentido de aumentar o volume de recursos para empresários, para que eles resolvam investir. Mas eles não vão investir apenas se o dinheiro está disponível, eles vão investir se houver perspectiva de crescimento, sem direito trabalhista ou não. 

Em 2010, por exemplo, quando os direitos estavam mantidos, o investimento era alto, porque havia perspectiva de crescimento. O que mostra que, para haver investimento, precisa haver expectativa em relação ao futuro. Precisamos e não temos. 

Se busca aumentar os lucros empresariais em cenário de estagnação e recessão prolongada, com retirada de diretos de trabalhadores, para que os trabalhadores custem cada vez menos para a produção.


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IGNOMÍNIA: Roberto Freire ataca escritor pra não perder boquinha no governo golpista de Temer e PSDB



Freire agrediu Nassar para não ser demitido

Desde a fatídica sexta-feira em que cometeu a grosseria e protagonizou o vexame internacional de atacar o escritor Raduan Nassar que chamou o governo Temer de golpista durante a cerimônia de entrega do Prêmio Camões, a agenda principal do ministro da (in) Cultura, Roberto Freire tem sido justificar-se e reincidir nos ataques, em vez de reconhecer o erro e pedir desculpas ao escritor, ao menos por respeito aos mais velhos.
O mais recente, em que confirma seu estilo “bateu, levou”, consagrado, em 1992, pelo assessor de imprensa do presidente Collor está na “Folha” de hoje:
“Quem fala o que quer ouve o que não quer”.
Essa insistência em justificar o injustificável e tentar impor a sua versão ao repeti-la ad nauseum (e bota nauseum nisso) dá o que pensar.
A primeira conclusão é que chamar o governo Temer de golpista ainda incomoda. E, se incomoda, é porque a pecha está cada vez mais viva e atual. O governo nasceu de um golpe parlamentar, derrubando uma presidente que tinha maioria de votos no país, mas não no Congresso sob pretextos forjados e continuou nessa trilha ao impor ao país uma agenda de supressão de direitos trabalhistas e sociais que não fizeram parte da proposta da chapa Dilma-Temer durante a campanha eleitoral. O golpe não se esgotou. Está em marcha. Só não se sabe para onde.
A segunda é que o conceito de democracia vem se esgarçando a olhos vistos desde o golpe. Não fosse assim, uma opinião desagradável ao governo não precisaria ser contestada: críticas são absorvidas normalmente num regime democrático. Nem o ministro alegaria naquele momento que “permitimos que ele dissesse o que quisesse”. Numa democracia plena não é necessário pedir permissão para criticar.
A terceira conclusão só pode ser compreendida à luz da primeira reunião ministerial de Temer, na qual ele instruiu seus ministros a reagirem imediatamente a qualquer menção a governo golpista, viesse de onde viesse, e de que forma:
"Golpista é você, que está contra a Constituição".
"Não vamos levar desaforo para casa. Não podemos deixar uma palavra sem resposta". 
“Se é governo, tem que ser governo”.
Freire ainda não era ministro, mas não se esqueceu das instruções. Reagiu ao discurso civilizado de Nassar com uma voadora no peito por medo de contrariar as determinações de seu chefe.
É isso. Freire sentiu que, se as palavras de Nassar repercutissem mais que as suas o risco de perder o emprego seria enorme. Ele precisava deixar claro de que lado está. Do lado dos golpistas, é claro. 
Daí a necessidade de voltar ao tema todos os dias. Daí a necessidade de mostrar todos os dias que é um aluno obediente da Escolinha do Professor Temer. 
Freire sabe que este pode ser o último bom emprego de seu crepúsculo político. Daí o seu apego à cadeira.
Nas últimas eleições a deputado federal por São Paulo não conseguiu mais que a sétima suplência e só chegou à Câmara dos Deputados graças a manobras de seu santo protetor Geraldo Alckmin – como me alertou meu colega e seu ex-companheiro de PCB, Juca Kfouri. 
E bota “ex” nisso: atualmente, Juca nem atende seus telefonemas.


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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mais um partido politico?


Não dizem que tem "partido politico demais" no Brasil?


Tem gente que acha que não, e tá indo à luta pra formar mais um, conforme dois anuncios de emprego publicados num desses sites de classificados, em 15 de Fevereiro e 25 de Janeiro. Só não tenho condções de afirmar que estes anúncios guardam alguma relação entre si.

Não sei se esse tipo de informação é sigilosa, então não reproduzo os anuncios inteiramente. Só o suficiente pra demonstrar o agito em andamento:


Procurando emprego ???

Estamos com muitas vagas disponíveis para trabalho diário no centro de São Paulo e região.

Estamos em processo de formação de um novo partido político e precisamos de pessoas para abordar o público e preencher um abaixo assinado.

Trabalhamos todos os dias partindo da praça da República onde os colaboradores saem com pastas de 100 fichas para fechar e receber no mesmo dia.

Pagamento de RS 60,00 para cada pasta preenchida por completo.

Necessário ser maior de idade com título de eleitor


Esse foi um deles. Tem outro:



Captação de assinaturas cadastrais de pré-associação partidária. Ganhos de R$ 0,30 por assinatura. Portanto seus ganhos só dependerá de sua própria produtividade. Pagamento SEMANAL.


Finalmente, tem um terceiro, também pra captação de assinaturas, mas não informa se tem algo a ver com partido politico:


Precisamos de pessoas para colher assinaturas em São Paulo e Grande São Paulo.

-Pagamos R$ 0,40 centavos por assinaturas
-Exigimos no mínimo 750 assinaturas por semana
-Entregaremos 350 folhas de apoiamento por semana (sábado), são três assinaturas por formulários.
-Em cada sábado entregaremos e receberemos os formulários. 
-Pagaremos os valores em dinheiro ou em transferências online na hora (preferencialmente). o coletor entrega os formulários contamos os mesmos e o pagamento será feito.
-Às assinaturas serão auditadas para evitar fraudes.
- Na primeira semana daremos uma ajuda de custo de R$ 50,00 

Não há vinculo trabalhista. é um trabalho informal para quem está desempregado e precisando de dinheiro rápido é fácil de ganhar.

Entrar em contato via WhatsApp no número

Não responderei pelo chat nem SMS

Enfim, acho que trata-se de algo em primeira mão, que ofereço pro conhecimento dos raros e escassos leitores deste blog.


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Até tu, Deltan? Câmara suspeita de fraude nas 10 medidas contra a corrupção

Que tal essa? O Congresso Nacional suspeita que as duas milhões de assinaturas das 10 medidas contra a corrupção foram coletadas de forma fraudulenta, isto é, compradas em banquinhas de camelôs em São Paulo.

Quem primeiro levantou essa lebre foi o ministro do STF Gilmar Mendes na audiência no Senado em 1º de dezembro passado.

“Com todo o respeito, precisamos olhar com atenção também os projetos de iniciativa popular. Hoje, frequento muito São Paulo e aprendi que quem contrata o Sindicato dos Camelôs, em uma semana, consegue 300 mil assinaturas. Portanto, não vamos canonizar iniciativas populares”, disparou o magistrado da corte máxima fitando o juiz Sérgio Moro.

A suspeita de que houve cabritagem na proposição de Deltan Dallagnol, considerado ideólogo da Lava Jato, se confirma com a disposição da Câmara conferir cada uma das duas milhões de assinaturas na lei de iniciativa popular.

Será que até a Lava Jato falsificou assinaturas? Meu Deus do céu, seria o fim dos mundos!!

Vamos aguardar e conferir o desfecho dessa novela.

A Lava Jato contratou uma agência de propaganda, do Paraná, a OpusMútipla, para acelerar a tramitação da lei sobre abuso de autoridade.

Resumo da ópera: os deputados não dariam um “cheque em branco” para o procurador Dallagnol.


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A economia melhorou no Brasil?, por Jasson de Oliveira Andrade

Sou analista político. Pouco conheço de economia. Acompanho apenas nas páginas do Estadão e da Folha. Ultimamente tenho lido que a nossa economia melhorou. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) está otimista. Em artigo na Folha, ele afirma: “Sinais de melhora começam a despontar no Brasil”. Será? Já o Estadão, que também está otimista com a recuperação econômica, publicou em manchete de primeira página: “Comércio fechou 108 mil lojas e cortou 182 mil vagas em 2016”. Quem anda pela rua Chico de Paula, em Mogi Guaçu, percebe várias lojas para alugar. Concorrência do Burity? Ou reflexo da crise econômica? O desemprego é preocupante: temos mais de 12 milhões de desempregados! 

As medidas econômicas aprovadas pelo Congresso, colocadas em prática pelo ministro Meirelles, só começarão a dar resultado daqui a alguns anos. Temer -- tudo indica -- não vai ver essa melhora como presidente...

Segundo alguns economistas a situação começou a melhorar com a queda da inflação. Outros consideram que isto é bom, mas insuficiente. Com quem está a razão?

A situação mais preocupante, mais que o desemprego, é aquela que afeta os bancos. A CartaCapital dedicou um número para revelar como esse setor se encontra. Na capa, em 8/2/2017, a revista constata: “Os banqueiros e o Brasil – As principais instituições financeiras unem esforços para manter vivas empresas destruídas pela recessão galopante”. Na matéria, o jornalista Carlos Drummond faz essas revelações: “Todos os dias, não raro no fim da tarde, equipes dos quatro maiores bancos do País formam “juntas médicas” para avaliar a saúde econômico-financeira de centenas de empresas devedora de empréstimos no total aproximado de 90 bilhões de reais. A novidade em relação a situações anteriores de crise generalizada é a inclusão de firmas médias entre os pacientes dessas operações sindicalizadas, nome técnico das “juntas”, habituais em grandes concessões de crédito para companhias de porte. A explicação para a necessidade de atuação conjunta abrangente é que, depois de dois anos de recessão, juros altíssimos, crédito escasso e retração do mercado, o sistema todo de grandes, médios e pequenos estabelecimentos está em dificuldades”, concluindo: “O descompasso entre a entrada declinante de dinheiro e o custo ascendente da dívida bancária assumiu proporções alarmantes. (...) As devoluções de cheques por falta de fundos chegaram a 2,36% do total no ano passado, o maior porcentual desde 1991.” O economista Antônio Corrêa de Lacerda, da AC Lacerda Consultoria, analisa: “A situação é muito difícil e a saída da crise será lenta (sic). Basta resgatar a confiança e colocar a inflação (sic) na meta, apregoam alguns. Não é bem assim, infelizmente. Há inúmeras empresas e consumidores fortemente endividados e a inadimplência tem aumentado”.

Pelo visto, na análise dos entendidos, a crise, lamentavelmente, vai durar. A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

Crise pode apressar fim do projeto neoliberal no Brasil, acredita Requião


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Roberto Freire: de estrela em ascensão a capacho decadente



Estive com Roberto Freire uma ou duas vezes, décadas atrás, quando era da juventude do antigo PCB. Ele era uma estrela em ascensão, mas não deixava boa impressão - ruim no trato com as pessoas, vaidoso em excesso, algo grosseiro. Mas era reconhecidamente um cara inteligente. Pouco mais tarde ficaria claro que sua "flexibilidade" na prática política era só oportunismo e falta de princípios.
A estrela em ascensão se tornou um velho político decadente, pronto a encarar qualquer serviço sujo em troca de um cargo. Freire e o PPS vivem da desonestidade, vendendo uma desgastada chancela de "esquerda", que julgam que seu passado autoriza, a políticos de direita.
Não sei se a vaidade permanece - deve ser difícil sustentar a vaidade ganhando a vida como capacho. A inteligência certamente foi embora. Poucas coisas são mais estúpidas do que a nota que o Ministério da Cultura lançou hoje contra Raduan Nassar.
O corajoso discurso do escritor é apresentado como "prática do Partido dos Trabalhadores em aparelhar órgãos públicos". Protestos contra o golpe são "ataques para tentar desestabilizar o processo democrático". O fato de que o Ministério da Cultura é um dos patrocinadores do prêmio Camões é enfatizado na nota, dando a entender que se trata de um cala-boca, que deveria comprar o silêncio dos galardoados. A nota revela o mais absoluto desprezo pela democracia e pela cultura.
Já Helena Severo, que colabora com o governo golpista na condição de presidente da Biblioteca Nacional, refugiou-se na conversa de que "não era um momento de luta política, era a entrega de um prêmio literário". Não convence, mas é menos vexatório do que a nota de seu chefe. Ponto para Raduan Nassar, que sabe que a cultura não pode ficar alheia à luta pela democracia.


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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

AGRESSOR ANÔNIMO Filme da Lava Jato não passa de propaganda política contra o PT financiada por um investidor que não quer mostrar a cara

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Lava Jato, um filme para acabar de destruir...

"Operação Lava Jato, o filme" é uma campanha política produzida com uma propina de 15 milhões de reais. Além de se tratar de produto contra os interesses nacionais, o filme não conta a história da operação, terminando na condução coercitiva do presidente Lula.


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

BOTA O RETRATO DO BARBA OUTRA VEZ Pesquisa mostra: povão tem saudades do Lula


Lula e a pesquisa que a elite não entende: o “bota o retrato do velho outra vez”

A edição de hoje do Valor (aqui, para assinantes) tem um interessante relato sobre uma pesquisa qualitativa feita com eleitores de Lula – e não do PT – das
classes C e D de regiões periféricas de São Paulo, de 25 a 55 anos. O jornal contratou a empresa Ideia Inteligência para saber como, apesar de todo o bombardeio da mídia e do Judiciário, Lula segue cada vez mais favorito nas pesquisas.

E o próprio jornal escolheu a palavra que define o sentimento generalizado no grupo pesquisado: “saudades”.

”Eleitores não ideológicos que estariam dispostos a guiar a escolha baseados em boas lembranças daquele governo. Lembranças associadas, principalmente, a aspectos econômicos.(…) No grupo em que só um disse não ter apoiado o impeachment de Dilma, a
figura política de Lula foi reverenciada. A discussão em torno de seu nome, conforme assinalam os pesquisadores, é embalada por “forte apelo emocional”, movida por um sentimento de gratidão extrema, ligada à sensação de boa situação financeira (…) que marcou os governos Lula na memória dos entrevistados”.(…)Um dos aspectos mais destacados pelos participantes foi o do trabalho, realçado várias vezes durante a sessão. “Havia um equilíbrio entre as coisas, a taxa de desemprego era muito baixa. No governo dele eu arrumava emprego fácil, mesmo sendo menor de idade”, afirmou um dos participantes. “Antes eu escolhia a empresa que eu queria trabalhar”, completou outro. “Era um governo que todo mundo gostava, você não via ninguém fazer baderna”, resumiu mais um. “Só quem não gostou da administração dele foi o pessoal da classe A. Muita gente começou a ter opção e salário melhor e parou de se sujeitar para os patrões.”

No jornal, o diretor da Ideia Inteligência, Mauricio Moura, diz que a boa lembrança do governo Lula na área econômica será o numa disputa presidencial em 2018.

“As pessoas reconhecem que a vida era melhor quando ele era presidente”, diz. “E gratidão parece ser uma coisa muito forte nesse grupo.”

Ao contrário do que se revela em parte da classe média e, sobretudo na elite política, sempre disposta a mudar de lado às conveniências de momento.

Aos que são pretensiosos, que gostam de dizer ao povo como deve se comportar e fazer suas escolas políticas, aos que não conseguem entender como a marchinha do “Bota o retrato do velho outra vez/bota no mesmo lugar” refletia a a compreensão da massa de que Getúlio significava direitos, fica advertência para atendar ao processo de formação da consciência do povão.

Mesmo submetido a um massacre de mídia, mesmo doutrinado por um discurso moralista hipócrita, mesmo não podendo contar com uma esquerda que mergulhe em seu universo e o politize, ele sabe onde estão seus interesses, a sua defesa.

O terreno de Lula é a discussão dos direitos sociais, da retomada econômica, do emprego, da moradia, do consumo popular. E da autoridade que lhe dá ter governado com estas prioridades.

Se não atentarmos a isso, ficamos igual às eleições municipais, onde os votos do Freixo não atravessaram o túnel ou a São Paulo, onde Haddad não chegou a Parelheiros.


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domingo, 12 de fevereiro de 2017

BLOCK NOS CANALHAS! Indústria de trollagem coxinha tem que ser contida. Bloqueie sem dó!


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Bloqueie quem te agride!

Bloqueie quem te agride! Uma coisa é o debate de ideologias, outra é permitir agressões, calúnias e difamações sobre suas convicções políticas. Não pense que essas agressões acontecem por acaso, o Brasil conta hoje com grupos pagos para gerar medo no debate político.



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Hacker que divulgou áudio de conversa de Marisa Letícia devia ser preso também



Um juiz determinou que seja retirada da internet a reportagem da Folha com as conversas de Marcela Temer obtidas ilegalmente. Em nome da privacidade. Está certo.
Devia mandar retirar também os áudios obtidos ilegalmente de conversas de Marisa Letícia, com conteúdo ainda menos relevante ou suspeito.
Aliás, já que o hacker que obteve as conversas de Marcela está preso, condenado a pena de cinco anos, o mesmo poderia ser aplicado ao responsável pela gravação ilegal das conversas de dona Marisa.
Não deve ser difícil achá-lo. Ele mora em Curitiba. O nome é Sérgio, sobrenome Moro.


NOTA DO BLOG: Aproveitando o ensejo...




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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Podem tirar o cavalinho da chuva, pois Jesus NÃO VOLTARÁ nunca mais Oh Gloria Xerebenébias!!!



Jesus não volta porque ele, como perseguido político que foi, sabe que iriam acusá-lo de fazer tudo errado, nas redes sociais : transformar água em vinho seria apologia às drogas, curar leproso seria falso exercício da medicina, andar com ladrões e prostitutas obviamente seria formação de quadrilha; expulsar os vendilhões do templo, vandalismo; orar no monte das oliveiras, tentativa de obstrução da justiça ; pedir perdão aos seus algozes na cruz, populismo. E o sermão da montanha, fazer uso político da tragédia pra se auto promover. 
Porque definitivamente, a nova cruz do século XXI é um post do facebook 


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QUADRILHA DO MBL ATACA Assseclas e capangas do elemento Holidai armam cena e invadem gabinete de vereadora petista na Câmara Municipal

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INVASÃO E ATAQUE FASCISTA 
O ataque do vereador Holiday e sua equipe não foi só a mim, nem à liderança do PT, foi à DEMOCRACIA!

NOTA DE ESCLARECIMENTO
Hoje, dia 10 de fevereiro, enquanto fazíamos uma reunião com o Senador Lindbergh Farias, assessores do Vereador Fernando Holiday invadiram a sala, munidos de celulares e câmeras para gravar uma reunião particular do meu mandato com a presença do Senador, fazendo provocações chulas e agredindo verbalmente nossos assessores. 
A intenção final era escrachar o Senador Lindbergh, por isso o levamos em grupo até o seu carro para que ele pudesse sair em segurança. 
Não satisfeitos, os mesmos assessores de Holiday, horas depois, ligaram para a GCM da Câmara Municipal chamando-os para o 6º andar avisando que lá haveria uma “ocorrência”. Então, eles foram até o 6º andar e invadiram por três vezes uma reunião particular do mandato que estava ocorrendo na sala da Liderança do PT a portas fechadas, eles abriram a porta e começaram a gravar a reunião e agredir verbalmente nossos assessores com provocações.
Estes dois assessores, Arthur Moledo do Val e Weslley Viera já invadiram no ano passado o gabinete do ex-vereador Jamil Murad em ação muito similar, segundo a GCM da Câmara Municipal. 
Estamos extremamente indignados com esta situação que foi obviamente premeditada. Lembramos que este episódio não atinge só o meu mandato, trata-se de uma atitude premeditada de coação, constrangimento e agressão física. Trata-se de desrespeito claro a democracia e ao regimento da casa. Se não há resposta das instituições para uma ação clara de profunda agressão, não teremos qualquer liberdade para fazer oposição, o que é inerente ao regime democrático. Ou não estamos mais em um regime democrático?
Pedimos a todos que puderem que nos apoiem neste momento de ataque ao nosso direito de ocupar e resistir neste espaço que nos foi dado por 34.949 mil eleitores.


PROVA DA PREMEDITAÇÃO E ARMAÇÃO COMETIDA PELOS ESTELIONATÁRIOS DO MOVIMENTO BRASIL LIVRE, DE ONDE DESPONTOU O ELEMENTO FERNANDO HOLIDAI



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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A morte de Marisa e o ódio na internet (FACEBOOK), por Jasson de Oliveira Andrade



No dia 2 de fevereiro de 2017, o ex-presidente Lula publicou a seguinte mensagem em sua página no Facebook: “A família Lula da Silva agradece todas as manifestações de carinho e solidariedade recebidas nesses últimos 10 dias pela recuperação da ex-primeira dama [por oito anos] Dona Marisa Letícia. A família autorizou os procedimentos preparativos para a doação de órgãos”. Em resposta a essa boa ação, algumas pessoas, também no Facebook, divulgaram mensagens odiosas contra a falecida e seu marido. A revista CartaCapital constatou: “A notícia de seu AVC insuflou um ódio nas redes sociais como há muito não se via”. Como designar esses vermes, insensíveis à dor alheia? Velhacos, patifes, canalhas, vis, miseráveis, moleques, desprezíveis, pústulas, bandidos, ordinários, gentalhas, cafagestes, mau-caráter? Para mim, todas essas designações e ainda outras que esqueci. Adversários, como Temer, Fernando Henrique Cardoso, Serra, Sarney e outros estiveram no velório. Gesto bonito, decente. Discordar, sim: faz parte da democracia. Odiar, nunca!

Pior foi a atitude de médicos. Roberto Kalil Filho, em artigo à Folha, sob o título “Afronta à dignidade humana”, abordou esse assunto. No texto revela o que ocorreu com a falta de ética de alguns médicos: “Essa situação [falta de ética] ocorreu recentemente com a divulgação pelas redes sociais de exames e dados clínicos não autorizados [a médica foi exonerada], ALÉM DE COMENTÁRIOS DESAIROSOS SOBRE PACIENTES PÚBLICOS [Dona Marisa]. O CASO REVELA UM DOS LADOS PERVERSOS DO COMPORTAMENTO HUMANO, REPROVÁVEL E ABSOLUTAMENTE INADMISSÍVEL PARA QUEM SE APRESENTA COMO MÉDICO. (...) PIOR AINDA É TESTEMUNHAR ESSES PROFISSIONAIS SEREM MOVIDOS POR SENTIMENTO MENORES E IDEOLOGIAS POLÍTICO-PARTIDÁRIAS, FAZENDO APOLOGIA À MORTE, COMO LAMENTAVELMENTE OBSERVAMOS NA ÚLTIMA SEMANA (destaques meu).”. Adiante Dr. Kalil Filho acrescentou: “O texto da jornalista Cláudia Collucci publicado nesta Folha na quinta (2/2) acerta no ponto nevrálgico sobre o tema: atitudes como essa merecem punição (sic). Impossível tolerar que paciente corram o risco de virar motivo de escárnio (sic) entre médicos. (...) As direções de hospitais e unidade de saúde precisam ser firmes e punir (sic) esse tipo de comportamento antiético de forma exemplar, eliminando (sic) das instituições elementos que profanam (sic) o princípio do sigilo e DO RESPEITO DEVIDO A QUALQUER SER HUMANO (destaque meu)”. 

Na coroa de flores enviada pelo próprio Lula, lia-se a mensagem: “Minha galega: agora o céu ganha a estrela que iluminou minha vida”. Segundo o Estadão, ao discursar, ele homenageou a companheira, com quem foi casado por 43 anos. “Marisa foi mãe, foi pai, foi tia, foi tudo”, disse Lula. “Sou o resultado de uma menina que parecia frágil e que me deu garantia de que eu pudesse viajar para ajudar a criar o PT”, disse, emocionado, ao lado de um dos filhos. (...) O ex-presidente também afirmou que Marisa “morreu triste” pela “canalhice” e “maldade” que fizeram com ela. Sem nominar ninguém, cobrou o pedido de desculpas. “Quero que os facínoras que levantaram leviandades contra ela tenham um dia a humildade de pedir desculpas”. Segundo a CartaCapital, “O cerco ao marido e aos filhos em decorrência das diversas investigações em curso preocupavam a primeira-dama mais do que os próprios problemas”. Essas investigações não foram as responsáveis pelo seu AVC? Parece que sim!

Marisa foi muito mais do que uma primeira-dama. Foi uma grande lutadora em favor dos desfavorecidos. É por esse trabalho que ficará na História...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

[ Parte 8 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja



O jornalista Silvio Navarro produziu o livro sobre o assassinato de Celso Daniel com a premissa encalacradora de que se tratou de crime encomendado em conexão com os desvios de dinheiro da Administração petista em Santo André. Navarro não citou uma vez sequer o então deputado federal e empresário Duílio Pisaneschi, adversário petista dos anos 1990. No meu caso, ao longo de mais de uma centena de textos sobre o caso Celso Daniel, Duílio Pisaneschi aparece apenas uma vez. Não merecia mais que isso, porque não participou das investigações, pelo menos oficialmente. Entretanto, descobri uma joia nos arquivos que provocaria indigestão interpretativa àqueles que enquadram o crime no figurino rocambolesco de encomenda politico-administrativa.


O que chamaria de grande mancada da força-tarefa do Ministério Público Estadual para estrangular as investigações policiais que concluíram ter sido Celso Daniel assassinado por um bando de pés de chinelos foi a enfática argumentação inicial de que o titular do Paço Municipal de Santo André não sabia de absolutamente nada sobre o que chamaram de roubalheiras da administração petista.

Mais tarde, como se sabe, o MP abandonou a teoria de que Celso Daniel desconhecia completamente a ação dos chamados quadrilheiros no entorno do Paço Municipal e avançou em direção a um terreno menos nobre, de que o petista sabia o que estava acontecendo nos escaninhos do Paço Municipal mas flexibilizava o critério ético e moral em nome do partido, que necessitava de recursos financeiros para chegar à Presidência da República. Ainda mais tarde, diante de informações da diarista do apartamento de Celso Daniel, que disse ter encontrado sacos de dinheiro no local, o Ministério Público passou a admitir que o então prefeito de Santo André participaria arrecadação de recursos para o PT em nível estadual e federal, mas reiterava a argumentação inicial de que teria se rebelado contra desvios a bolsos particulares.

Ou seja: sempre que era colhido em flagrante escorregadela investigativa, a força-tarefa do MP dava um jeito de consertar, ou de tentar consertar o estrago. Beneficiados pelo cala-boca do governo do Estado aos comandados da Polícia Civil de São Paulo, proibidos de explicar as operações que constataram ter sido o crime algo fortuito, sem qualquer relação com a Administração Pública de Santo André, os promotores criminais tornaram as declarações seguidamente contestadas em verdades absolutas.

Lengalenga da virgindade
Só por esse conjunto conflitante de avaliações as investigações do Ministério Público Estadual, mais propriamente do Gaerco em Santo André, já mereceriam ressalvas que as colocariam no acostamento da credibilidade. A teoria de que o primeiro amigo de Celso Daniel, Sérgio Gomes da Silva, preparou a armadilha que culminaria no assassinato do prefeito, ruía a cada nova temporada de conclusões policiais. A lengalenga de virgindade administrativa de Celso Daniel sobretudo na área de transporte coletivo, foco de atuação do MP, perdera viscosidade. Os irmãos há muito tempo afastados do prefeito, Bruno Daniel Filho e João Francisco Daniel, trataram de sensibilizar a opinião pública na empreitada de fazer de um crime comum crime político-administrativo.

Aquelas milhares de peças de dominós que aparecem desmoronando no filme Beleza Oculta, que está em cartaz, poderiam ser rebocadas como simbologia das imprecisões do MP que as forças policiais, experientes e dedicadas a elucidar o crime, trataram de tipificar. Afinal de contas, perguntaria o leitor, onde entra o então deputado federal petebista Duílio Pisaneschi nessa história?

Na edição de 28 de junho de 2000, portanto um ano e meio antes do assassinato de Celso Daniel, Duílio Pisaneschi ocupou o alto da página interna de Política do Diário do Grande ABC. O título da matéria era instigante: “Duílio denuncia vereadores”. Na chamada linha fina, que é o complemento breve de uma manchete, qualquer que seja a manchete, o jornal destacava: “Deputado acusa parlamentares de receber benefícios escusos”.

A acusação de Pisaneschi
Vamos reproduzir integralmente aquela reportagem do Diário do Grande ABC, assinada pela jornalista Gislayne Jacinto:

O deputado federal Duílio Pisaneschi (PTB-Santo André) acusou alguns vereadores da coligação que o apoiou na última eleição municipal (1996) de ter recebido "benefícios escusos" para votar favoravelmente as contas do prefeito Celso Daniel rejeitadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). A acusação foi feita segunda à noite durante a inauguração do escritório político do candidato a prefeito de Santo André pelo PPB, Celso Russomanno. "Tive uma decepção muito grande na eleição que passou. Não escondo, não deixo de falar. A nossa coligação elegeu 13 vereadores. A primeira votação que teve apreciou as contas rejeitadas do prefeito Celso Daniel e esses caras votaram a favor porque tiveram benefícios escusos", disse o deputado para as cerca de 500 pessoas que lotaram o escritório de Russomanno.

Sem mencionar os nomes daqueles que, segundo ele, receberam benefícios escusos, o deputado livrou das acusações os vereadores Luiz Manssur (PPB), Luiz Zacarias (PTB), André Sanches (PPB), Dinah Zekcer (PTB), Joaquim dos Santos (PTB) e o Franco Masiero (PTB). "Vamos eleger vereadores que possamos cobrar e continuar cobrando. Não essa Câmara que estava aí, onde 70% votava contra o povo. Vamos ter de limpar esses daí", afirmou o deputado. O deputado também fez críticas à administração do prefeito Celso Daniel (PT) que tentará a reeleição neste ano. "O nosso adversário está no Paço Municipal. É como fala o caipira: aquela tiririca, onde dá, não nasce mais nada. Eles (os petistas) já deixaram um rastro muito triste na administração de 1988 a 1992, deixando uma dívida para esta cidade impagável", disse.

Pisaneschi acusou também a administração de endividar o Semasa. "Eles quebraram com o Semasa, uma empresa que nosso prefeito Brandão (Newton Brandão) e o Ajan (Ajan Marques, superintendente do Semasa na administração Brandão) deixaram com um caixa de R$ 28 milhões e deve hoje R$ 155 milhões. Se um de nós deixar de pagar a conta do Semasa por 30 dias cortam a água. Faz um ano que não pagam a Sabesp, para fazer plantação de coqueiro, que pagam como palmeira imperial -- mas é coqueiro --, e metade está bichada e não vai vingar", disse.

Maioria comprada
As declarações do então deputado federal Duílio Pisaneschi referiam-se claramente à maioria obtida pela Administração Celso Daniel no Legislativo de Santo André em 1997, ano seguinte à vitória eleitoral do petista em Santo André. E foi reiterada naquele 2000 durante a campanha eleitoral da qual Duílio Pisaneschi e muitos outros conservadores de Santo André apoiaram ostensivamente um “forasteiro” para disputar com Celso Daniel.

Tratou-se aquela estratégia eleitoral de oportunismo puro. Primeiro porque colidia frontalmente com os pressupostos do grupo “Frente Andreense”, que sempre chamei de “Frente Andreense do Atraso”, o qual dedicava total restrição a estrangeiros em Santo André. Entenda-se por estrangeiro todos que não tinham história concreta no Município.

Para a Frente Andreense, principalmente, quem houvesse nascido em Santo André teria vários metros de vantagem na corrida rumo a cargos importantes. Duílio Pisaneschi contou sempre e sempre com o apoio do Diário do Grande ABC, entre outros motivos porque era amigo particular do diretor de Redação Fausto Polesi, um dos membros da Frente Andreense.

Traduzindo tudo isso, o que quero dizer sem rodeios é que a Administração de Celso Daniel já estava estabelecida na praça de Santo André como beneficiária de esquema de corrupção mais que tolerado, porque histórico, envolvendo o setor de transporte coletivo. Duílio Pisaneschi tinha participação no mercado de transporte coletivo, entre outras atividades, e conhecia exatamente como funcionavam os mecanismos de financiamento eleitoral. Salvo exceções, empresas de transporte coletivo são espécies de empreiteiras nas campanhas eleitorais municipais.

Dinheiro tradicional
Qualquer dono de restaurante mais antigo e frequentado por políticos no passado – e também discretos garçons – sabe que as relações entre o Poder Público e magnatas do setor de transporte coletivo jamais tiveram como leitura e prática obrigatórias algum manual de conduta avalizado pela Igreja Católica.

Era comum – ouvi muitos relatos sobre isso – o passar de pacotes de dinheiro sob as mesas dos comensais. Em algumas situações não havia nem muita cerimônia em tentar disfarçar a operação compensatória que, mais tarde, a reboque do assassinato de Celso Daniel, foi denunciada como ações retaliatórias pela Família Gabrilli numa estranha posição tomada semanas depois do sepultamento do prefeito. Tudo isso muito bem concatenado para conduzir as investigações do Ministério Público Estadual de Santo André ao campo do assassinato por vingança.

Celso Daniel, segundo essa versão, fora vítima de uma conspiração porque, sempre segundo declarações dos promotores criminais, descobrira que estavam a transformar a Administração num escândalo de propinas.

A acusação do MP não só limpava a barra dos empresários do setor de transporte que durante anos e anos praticaram o delito de recompensar o Poder Público pelos contratos de concessões como também demonizava exclusivamente os então empresários do setor de forma seletiva.

Os vereadores de sustentação ao governo Celso Daniel viraram a casaca por motivos espúrios, segundo Duílio Pisaneschi. Só faltou dizer de onde saiu o dinheiro para financiar a mudança. Duílio Pisaneschi sabia o que estava a declarar, mas essa informação não foi levada em conta durante as investigações do Ministério Público Estadual em Santo André. Afinal, a versão confirmaria o que todos sabiam: o PT fazia da Prefeitura de Santo André algo apenas mais estruturalmente sofisticado que antecessores, de outras agremiações, consolidaram ao longo de décadas. E Celso Daniel tinha conhecimento do esquema. Duílio Pisaneschi reunia razões de sobre ao referir-se às operações escusas que levaram o petista a dar um drible nos resultados eleitorais. Quando venceu nas urnas em 1996, Celso Daniel defrontou-se com uma maioria de vereadores eleitos pela oposição.

Uma roda antiga
A narrativa do jornalista Silvio Navarro, editor do site da revista Veja, também peca porque ignora que não foi o PT a inventar a roda da corrupção no setor de transporte coletivo. Apenas a aperfeiçoou num sentido programático de reforço ao caixa geral em busca do desembarque em Brasília.

Transformar desvios administrativos em matéria-prima do assassinato de Celso Daniel é uma anedota que só não foi jogada na lata do lixo da história porque sempre existirão especulações em situações análogas, quando um politico de realce é morto e há fundas intenções de tornar o enredo cinematográfico.

Estava a esquecer o motivo que me levou a citar o ex-deputado federal Duílio Pisaneschi numa única matéria do caso Celso Daniel. A inclusão de Pisaneschi foi resultado da tentativa da força-tarefa do MP em Santo André desqualificar o depoimento confuso de Sérgio Gomes da Silva à Polícia, logo após o sequestro de Celso Daniel. Vejam o que escrevi na edição de agosto de 2006 (portanto há quase 11 anos) da revista LivreMercado:

Os depoimentos de Sérgio Gomes da Silva provavelmente tenham sido mesmo mais contraditórios do que pareçam quando vistos com a frieza da cronologia superada. Quem em sã consciência poderia imaginar que alguém em circunstância semelhante ou menos grave reagiria de forma emocional diferente? Estudos neurológicos traduzem o que se passa na mente de quem vive situação semelhante. Dispomos de depoimento do ex-deputado federal Duílio Pisaneschi ao jornal Diário do Grande ABC três horas depois da tentativa de roubo na qual foi envolvido. Pisaneschi confessou — três horas depois, vejam só! — que não conseguia explicar os desdobramentos que culminaram na morte de um dos assaltantes. Imagine-se então o bombardeio do qual foi vítima Sérgio Gomes quando os sequestradores decidiram abalroar o veículo que dirigia. Quantos relatos semelhantes não constariam de inquéritos policiais? Esperar de um homem vitimado pela surpresa e pelo arrebatamento de seu melhor amigo o sangue frio e a precisão de informações de um videoteipe editado é subestimar a psicanálise. Provavelmente se se comportasse de forma linear, fria e correta no depoimento, Sérgio Gomes despertaria o mesmo tipo de desconfiança do relato confuso de quem estava emocionalmente abalado. Por que teria sido calculista numa situação de pânico? Quem prepara uma cilada para o melhor amigo não estaria psicologicamente pronto para relato inquestionável, respostas certeiras, em vez de embrenhar-se em tropeços mentais e cognitivos? Sérgio Gomes da Silva estava tão abalado no depoimento prestado à Polícia Civil na madrugada de 18 de janeiro que até trocou a cor e o tipo da calça usada por Celso Daniel. Com isso, sugeriu a possibilidade de substituição de roupa entre o período que separou o arrebatamento do prefeito e a morte, pormenor que induziria à tese de crime de encomenda, não ocasional. Só mais tarde, depois de muita especulação, sofisticados exames laboratoriais da Universidade de São Paulo confirmaram que o Celso Daniel encontrado morto vestia a mesma calça jeans azul com que deixou seu apartamento horas antes de jantar em São Paulo, em cujo restaurante as imagens do encontro com Sérgio Gomes foram resgatadas por especialistas. Por que haveria Sérgio Gomes da Silva de criar uma confusão daquelas? Para, pateticamente, incriminar-se? A mente humana — basta ouvir especialistas, basta ouvir Duílio Pisaneschi, basta ouvir quem já foi vítima de assaltantes e sequestradores — entra em curto-circuito de lucidez, discernimento e sensatez quando colocada em xeque de forma traumática – escrevi em agosto de 2006.



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