terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Folha elogia Cavaleiro do Apocalipse



A Folha de S. Paulo publica hoje um perfil de Ives Gandra Martins Filho, descrito como culto, trabalhador e com "sólida formação jurídica" - o fato de que seja desprovido de qualquer senso de justiça parece não importar.
Em seguida, apresenta sua posição contrária aos direitos dos trabalhadores. A legislação trabalhista seria "paternalismo"; o adequado é deixar capital e trabalho se enfrentarem num ringue de vale-tudo. O trabalho sairia prejudicado? Bobagem, diz o candidato ao STF: se Lula chegou a presidente, isso prova que os sindicatos são fortes. É um argumento tão desonesto, tão capcioso, que imagino que, depois de expressá-lo, Gandrinha deve apertar mais o cilício, como penitência.
Mas o que me chamou a atenção no texto foi o seguinte trecho: "O que pode dificultar sua indicação são as reações à visão ultraconservadora sobre questões morais, exposta em reportagem da Folha". (É mentira; dias antes da Folha, saiu artigo no Justificando, que foi amplamente repercutido. Mas não é esse o ponto.)
O texto está dizendo que o reacionarismo em relação aos direitos trabalhistas não prejudica a candidatura dele, só o reacionarismo em relação aos direitos das mulheres e de gays e lésbicas. Infelizmente, parece que é isso mesmo. A reação feminista à possibilidade de nomeação de Gandra Filho tem sido bonita. É bom ver tanta gente dizendo que não admite um sexista e homofóbico no STF.
Mas as posições dele contra os direitos trabalhistas justificariam reação similar - e essa não se vê. Magistrados do trabalho condenam, aqui e ali, o comportamento dele no TST, mas pouco mais do que isso. Onde estão os sindicatos? Vamos mesmo esperar passivamente a revogação de todos os nossos direitos, da aposentadoria à jornada de oito horas e às férias remuneradas?


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