sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

E daí que é "teoria da conspiração"?



As mal-denominadas "teorias da conspiração" existem há muito tempo. Acho que é coisa de neófito achar ou sugerir que foi a Internet que as inventou.

Mal-denominadas porque a própria expressão parece ter sido cunhada com o propósito de desqualificar explicações alternativas e DÚVIDAS SAUDÁVEIS.

Dúvidas que as pessoas, cuja imaginação ainda não foi embotada, têm ou desenvolvem a respeito de acontecimentos, diante de supostos fatos e justificativas fáceis.

Assim, a rubrica "teoria da conspiração" fica parecendo um recurso de automática desqualificação: 
- Ah, espalha por aí que essa história é "teoria da conspiração", pra tentar fazer ele ficar quieto...

Um dia eu vi um programa na TV em que o cara falava sobre "industria" de algo que não lembro agora, se era das teorias da conspiração ou se de ufologia ou paranormalidade. Provavelmente era um cético.

Claro, as pessoas que têm interesses costumam se juntar, fazer feiras, encontros, lançar livros, canecas, miniaturas, camisetas, posters etc. Isso é normal. Fãs de automóveis fazem isso. Fãs de futebol fazem isso. Fãs de disco voador também. Isso faz girar dinheiro.

O problema é que o próprio sujeito não falou do mercado do ceticismo. Isso existe também.

Será que caberia a pergunta "O que seria dos céticos se não fossem os crentes"?

E há cético de todo tipo: por exemplo, os céticos do aquecimento global versus os crentes do aquecimento global. Os céticos que acreditam na verão de que o Lee Harvey Oswald matou sozinho o Kennedy, versus os teóricos da conspiração, que se dividem em várias tendências: os que acham que foi a CIA, os que acham que foram os russos, outros acham que foi a Máfia, ou os cubanos.
Alguns céticos do aquecimento global recorrem às verdades científicas, exibem estudos e pesquisas feitas por renomados cientistas. Só que, de vez em quando, alguns teóricos da conspiração acabam denunciando que as pesquisas e estudos apresentados foram patrocinados por lobbies ligados à indústria petrolífera.

Por outro lado, às vezes os "teóricos da conspiração" é que são os céticos e, na verdade, talvez a pecha de "teóricos..." seja justamente para que não seja reconhecido que eles são OS céticos em alguns assuntos.

Pegue o caso dos trangênicos. Os contrários, os adeptos da cautela, ou que simplesmente não querem saber desse tipo de planta, são também às vezes rotulados de "teóricos...".

Mas se olhar com uma visão menos envenenada, ELES é que são os céticos, quer não acreditem na segurança para o meio ambiente, quer não acreditem no bom samaritanismo das multinacionais monopolistas, quer não acreditem na necessidade desse tipo de produção. ISSO é ceticismo também. A questão também passa por ter mais e maior acesso aos meios de comunicação para contar sua versão.

Isso tudo não exclui o fato de que muitas das "teorias..." são realmente malucas.

Mas a existência de maluquices - que, em tese, seriam a nata das "teorias..." -, também serve muito a quem deseja desqualificar teorias melhor elaboradas ou dúvidas pertinentes.

A versão de que Saddam não tinha armas de destruição em massa também foi tratada como "teoria da conspiração" pela imprensa ocidental, mera transmissora das informações conforme determinadas pelo Departamento de Estado dos EUA.

MAIS INFORMAÇÕES:

O termo "teorias da conspiração" foi inventado pela CIA:

Paul Craig Roberts: Tu és um pateta mentalmente controlado pela CIA?

Faz você um sorriso escarninho quando ouve alguém questionar as narrativas oficiais de Orlando, San Bernardino, Paris ou Nice? Sente-se você superior a 2.500 arquitetos e engenheiros, bombeiros, pilotos comerciais e militares, físicos e químicos, assim como a antigos altos responsáveis do governo que levantaram dúvidas acerca do 11 de Setembro? Se assim é, você reflete o perfil de um pateta com mentalidade controlada pela CIA.


A expressão “teoria da conspiração” foi inventada e posta a circular no discurso público pela CIA, em 1964, a fim de desacreditar os muitos céticos que contestavam a conclusão da Comissão Warren de que o presidente John F. Kennedy fora assassinado por um pistoleiro solitário chamado Lee Harvey Oswald, o qual por sua vez foi assassinado enquanto sob a custódia da polícia antes que pudesse ser interrogado. A CIA utilizou seus amigos nos media para lançar uma campanha a fim de tornar suspeições do relatório da Comissão Warren alvo de ridículo e hostilidade. Esta campanha foi “uma das iniciativas de propaganda de maior êxito de todos os tempos”.

Assim escreve o professor de ciência política Lance deHaven-Smith, o qual no seu livro revisto por especialistas (peer-reviewed) Conspiracy Theory in America , publicado pela University of Texas Press, conta como a CIA teve êxito ao criar na mente do público a estigmatização reflexiva e automática daqueles que contestavam explicações do governo. Este é um livro extremamente importante e fácil de ler, um daqueles raros livros com o poder de arrancá-lo de The Matrix.

O professor deHaven-Smith pôde escrever este livro porque o original do CIA Dispatch #1035-960, o qual estabelece a trama da CIA, foi obtido através de um requerimento ao Freedom of Information Act. Aparentemente, a burocracia não encarou um documento tão velho como sendo de qualquer importância. O documento está marcado “Destruir quando não for mais necessário”, mas por alguma razão não o foi. O Despacho #1035-960 da CIA é reproduzido no livro.

O êxito que a CIA teve ao estigmatizar o ceticismo a explicações do governo tornou difícil investigar Crimes de Estado Contra a Democracia (State Crimes Against Democracy, SCAD) tais como o 11 de Setembro. Com a mente do público programada para ridicularizar “lunáticos da conspiração”, mesmo no caso de eventos suspeitos como o 11 de Setembro o governo pode destruir provas, ignorar procedimentos prescritos, atrasar uma investigação e a seguir formar um comitê político para colocar o seu imprimatur sobre a narrativa oficial. O professor deHaven-Smith nota que em eventos tais como o assassinato de Kennedy e o 11 de Setembro na investigação nunca são empregues os procedimentos oficiais da polícia.

O livro do professor deHaven-Smith’s apoia o que tenho contado aos meus leitores: o governo controla a narrativa desde o princípio ao ter a explicação oficial pronta no momento em que ocorre o SCAD. Isto faz de qualquer outra explicação uma “teoria da conspiração”. Isto é o modo como coloca o professor deHaven-Smith:

“Uma abordagem SCAD para memes [1] supõe mais uma vez que a CIA e outras possíveis agências participantes estejam a formular memes bem antes das operações e, portanto, memes SCAD aparecem e são popularizados muito rapidamente antes que quaisquer conceitos competidores entrem em cena”.

O êxito da CIA no controle da percepção pública quanto ao que os nossos Pais Fundadores teriam encarado como eventos suspeitosos envolvendo o governo permite àqueles em posições de poder dentro do governo orquestrarem eventos que servem agendas ocultas. Os eventos do 11 de Setembro criaram um novo paradigma de guerra sem fim em prol de um mundo dominado por Washington. O êxito da CIA no controle das percepções públicas tornou impossível investigar crimes da elite política. Consequentemente, agora é possível ser responsável da política do governo dos EUA para a traição.

O livro do professor deHaven-Smith contar-lhe-á a narrativa do assassinato do presidente Kennedy por elementos militares dos EUA, da CIA e do Serviço Secreto. Assim como a Comissão Warren encobriu o Crime de Estado Contra a Democracia, o professor deHaven-Smith mostra porque deveríamos duvidar da narrativa oficial do 11 de Setembro. E de outras coisas que o governo nos conta.

Leia este livro. É curto. É barato. É preparação para a realidade. Ele o preservará de ser um americano idiota, indiferente e com o cérebro lavado. Estou surpreendido por a CIA não ter comprado toda a edição e queimado os livros. Talvez a CIA se sinta segura com o seu êxito em lavar os cérebros do público e não acredite que a democracia americana e um governo responsável possam ser restaurados.

[1] Memes: ideia, prática social, conceito ou ação que se torna norma e é conscientemente repetido numa sociedade (termo cunhado por Richard Dawkins no livro “The Selfish Gene”, 1976)

Fonte: Resistir.info, do original em www.paulcraigroberts.org

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