terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Prisão televisionada de Eike Batista é uma farsa?



Essa é para todos aqueles a quem os logaritmos do Zuckerberg me permitirem chegar. Mas é só para registrar um palpite sobre o que está acontecendo neste país tão bizarrro. Gente, por trás do "linchamento" do Eike me parece haver uma operação muito bem montada. Os longos minutos no jornal nacional mostrando o homem, contrito, assumindo seus pecados, dizendo que "é verdade, o Brasil está sendo passado a limpo", "o MP está fazendo o seu trabalho". Enfim, o "cidadão de bem" expiando seus pecados e ao mesmo tempo fazendo simpáticas selfies no aeroporto. Acompanhado "real time" no avião por um repórter da Blogo. O texto da reportagem, eu vi, ninguém me falou, chegou ao cúmulo de descrever que o "avião chegava, naquele Rio de Janeiro que ele tanto amou", e por aí vai. APOSTO O QUE VOCÊS QUISEREM que vem aí a "delação do Eike", que vai falar do Lula, da Dilma, do PT um monte de baboseiras que podem ou não ser verdade mas que vão cumprir uma só missão simbólica, fazer uma cortina de fumaça que vai permitir que as 70 delações da Odebrecht passem despercebidas e sejam empurradas para baixo do tapete. Aposto meu diploma de doutorado em ciência política nesta hipótese, o Brasil é realmente um país surreal.


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Guido Mantega: após o seu linchamento pelos canalhas, a inocência comprovada



Após o linchamento, a inocência.

Vejo agora no UOL, 31/01, que a PF NÃO indiciou o ex-ministro Guido Mantegna no caso conhecido como Operação Zelotes, por não conseguir na investigação apurar nenhum elemento objetivo que apontasse para a participação de Mantegna no referido esquema.

O criminalista José Roberto Batochio, defensor do ex-ministro afirmou em nota que a decisão da autoridade policial "realiza Justiça no caso". "De fato, o ex-ministro Guido Mantega jamais teve, nem mesmo de longe, qualquer relação ou envolvimento nas supostas irregularidades que teriam envolvido o Carf."

Só relembrando, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi alvo de um mandado de condução coercitiva no dia 09/05/2016, concedido pela Justiça para a força-tarefa da Operação Zelotes. Mantega foi ouvido por cerca de duas horas na sede da Polícia Federal, em São Paulo, e deixou o prédio por volta do meio-dia.

A exposição publica do ex-ministro foi um verdadeiro linchamento, objetivando atingir o PT e os ex-presidentes Dilma e Lula, a quem serviu.

Era só armação, grotesca. Visando objetivos políticos denegriram um homem inocente.

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LAVA JATO APELA PRO BUMBA-MEU-BOI DESCARADO Prenderam Eike para forçá-lo a delatar o Lula



Só vão soltar Eike quando ele delatar Lula

Eu sei que estou dando murro em ponta de faca porque a maioria dos brasileiros ficou contentíssima com a prisão de Eike Batista e se tem alguma coisa a lamentar é o “privilégio” de ele ser enjaulado num presídio de periculosidade menor e a maioria dos jornalistas mais inteligentes, mais influentes e mais bem remunerados do que eu (Datena, por exemplo, está na faixa dos 500 mil mensais) já decretou que a prisão do Eike “coloca o Brasil num novo patamar”, “calou a boca dos que diziam que só petista era preso”, “os poderosos não escapam aa império da lei”, “agora começa um novo Brasil” etc etc etc.
Mas embora eu esteja certo de que minhas palavras vãs não irão mudar uma opinião sequer dos que pensam assim eu tenho que dizer alguma coisaa porque não consigo dormir direito atormentado por perguntas que insistem perturbar meu sono e minha vigília.
Vamos aos fatos. Eike foi direto para o presídio com todos os requintes de crueldade porque dois doleiros disseram que ele deu propina de 16,5 milhões para Sérgio Cabral. Se apresentaram provas, ninguém as viu. Bastou essa delação para ele ir para Bangu 8 (ou 9, não importa).
No entanto, Michel Temer foi delatado por Marcelo Odebrecht, o comandante supremo do propinoduto da Odebrecht e isso foi publicado pela Veja, que é a porta-voz oficial da Lava Jato e continua presidente da República; Rodrigo Maia, também segundo a Veja, é o “Botafogo” do propinoduto da Odebrecht e será eleito presidente da Câmara apesar de infringir o regimento; Eliseu Padilhoa é o “Primo” da mesma lista e é o ministro mais importante do governo Temerio; Moreira Franco é o “Angorá” e é o segundo ministro mais importante do governo Temer; Eunício de Oliveira é o “Índio” e será o próximo presidente do Senado.
Ou seja, uma só delação contra Eike o levou à prisão e as delações em série dos aliados de Temer (Romero Jucá ou “Caju”, Renan Calheiros ou “Justiça” e tantos outros) não foram levadas em conta, “são apenas delações”, “delatores mentem”, “delação não é prova”.
É paradoxal: somente os delatores de Eike não mentiram.
Mas vamos em frente. Por que resolveram prender Eike justamente agora? Essa história de que foi porque ele deu propina a Cabral é uma cortina de fumaça, pois Cabral já está preso, não precisa de mais acusações.
Eu, nas minhas noites maldormidas cheguei a uma dedução sem ter nenhuma vocação para Sherlock: prenderam Eike para ele delatar Lula. Para ele dizer que ficou bilionário porque Lula lhe deu dinheiro através do BNDES.
E digo mais: prenderam Cabral para ele delatar Lula. Para ele dizer que ficou rico e comprou todfas aqueles joias para a mulher porque Lula lhe deu a chaves dos cofres públicos.
Por que cheguei a essa dedução?
Porque a Lava Jato obedece a duas diretrizes, a saber: 1) prender o máximo de gente possível para aplacar a sede de “justiça” da sociedade civil (rsrsrs) e 2) soltar somente se o preso delatar Lula.
Senão, vejamos:
Por que Marcelo Odebrecht continua preso? Porque não delatou Lula. (Delatar Michel Temer e sua turma não vale.)
Por que Zé Dirceu continua preso? Porque não delatou Lula. 
Por que o coitado do tesoureiro do PT continua preso? Porque não delatou Lula.
Por que a delação do presidente da OAS não foi aceita? Porque não delatou Lula. 
Por que Delcídio do Amaral foi solto? Porque delatou Lula. (Mas era uma delação muito mequetrefe, não serviu para prender Lula). 
Cabral só vai sair de Bangu 8 (ou 9?) se delatar Lula.
Eike só vai sair de Bangu 9 (ou 8?) se delatar Lula.
É só o que falta para prenderem Lula.
Algum peixe graúdo dizer: “Lula me deu a chave do cofre em troca de propina”.
Alea jacta est.


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Procurador do Trabalho: "Em todos os países onde ocorreu a flexibilização, houve a precarização do trabalho"



ALTERAÇÕES NA LEI TRABALHISTA SÃO CRITICADAS POR MINISTÉRIO

Um grupo será criado para debater e aprimorar projeto de lei que prevê a modernização das leis trabalhistas.

Análise realizada pelo Ministério Público do Trabalho aponta que as alterações das leis trabalhistas propostas no Projeto de Lei 6787/2016 contrariam a Constituição e convenções internacionais firmadas pelo Brasil, geram insegurança jurídica e têm impacto negativo na geração de empregos. 

O PL 6787 prevê a negociação entre os sindicatos e as empresas de alguns pontos como o parcelamento das férias em até três vezes; estabelecimento do limite de 220 horas para jornada mensal; o direito à participação nos lucros da empresa; a formação de um banco de horas ( sendo garantida a conversão da hora que exceder a jornada normal com um acréscimo mínimo de 50% ); e o estabelecimento de um intervalo de no mínimo 30 minutos na jornada de trabalho.

De acordo com o procurador-geral do Trabalho Ronaldo Fleury, o argumento de que a flexibilização das leis incentivaria a criação de empregos é enganoso. “Essas propostas já existiam antes da crise. Eram defendidas pelos mesmos grupos econômicos e políticos quando o Brasil tinha uma economia pujante.” Segundo Fleury, para superar a crise, é preciso proteger os trabalhadores. ”Em todos os países onde ocorreu a flexibilização fundamentada na crise, houve a precarização do trabalho”, diz. 

Debate 
Um grupo será criado para aprimorar o PL 6787, que prevê a modernização das leis trabalhistas. Esta foi uma das decisões tomadas no último dia 20, em reunião com a participação do ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira, de seis centrais sindicais e o DIEESE.

Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), acredita que a proposta não retira os direitos trabalhistas já consolidados. "Essa lei permite que um direito seja negociado, mas não extinto. Com relação às férias, é dada a possibilidade de discutir como elas serão usadas. Já o horário intrajornada pode ser de meia hora, mas reduzindo também o horário de saída do trabalhador", exemplifica.


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Folha elogia Cavaleiro do Apocalipse



A Folha de S. Paulo publica hoje um perfil de Ives Gandra Martins Filho, descrito como culto, trabalhador e com "sólida formação jurídica" - o fato de que seja desprovido de qualquer senso de justiça parece não importar.
Em seguida, apresenta sua posição contrária aos direitos dos trabalhadores. A legislação trabalhista seria "paternalismo"; o adequado é deixar capital e trabalho se enfrentarem num ringue de vale-tudo. O trabalho sairia prejudicado? Bobagem, diz o candidato ao STF: se Lula chegou a presidente, isso prova que os sindicatos são fortes. É um argumento tão desonesto, tão capcioso, que imagino que, depois de expressá-lo, Gandrinha deve apertar mais o cilício, como penitência.
Mas o que me chamou a atenção no texto foi o seguinte trecho: "O que pode dificultar sua indicação são as reações à visão ultraconservadora sobre questões morais, exposta em reportagem da Folha". (É mentira; dias antes da Folha, saiu artigo no Justificando, que foi amplamente repercutido. Mas não é esse o ponto.)
O texto está dizendo que o reacionarismo em relação aos direitos trabalhistas não prejudica a candidatura dele, só o reacionarismo em relação aos direitos das mulheres e de gays e lésbicas. Infelizmente, parece que é isso mesmo. A reação feminista à possibilidade de nomeação de Gandra Filho tem sido bonita. É bom ver tanta gente dizendo que não admite um sexista e homofóbico no STF.
Mas as posições dele contra os direitos trabalhistas justificariam reação similar - e essa não se vê. Magistrados do trabalho condenam, aqui e ali, o comportamento dele no TST, mas pouco mais do que isso. Onde estão os sindicatos? Vamos mesmo esperar passivamente a revogação de todos os nossos direitos, da aposentadoria à jornada de oito horas e às férias remuneradas?


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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"Trump, você não pode banir os muçulmanos!!"





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[ Parte 7 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja



A fragilidade informativa, argumentativa e também induzidamente conclusiva do livro sobre o assassinato do prefeito Celso Daniel, escrito recentemente pelo jornalista Silvio Navarro, editor do site da revista Veja, é estonteante ao tratar as investigações da delegada da Polícia Civil Elisabete Sato.


Enquanto Navarro reservou três míseros fragmentos de três páginas, dedicando-se a suposta ocorrência especulativa e mais que periférica no conjunto dos acontecimentos que vitimaram o então prefeito de Santo André, dediquei espaço à delegada em 22 textos entre mais de uma centena que produzi ao longo dos anos. Elisabete Sato não é quase nada para o jornalista da Veja -- embora tenha sido protagonista central das investigações finais.

A melhor explicação é que, diferentemente do que imaginava a mídia integralmente favorável à vinculação do crime à gestão petista, a doutora Elisabete Sato desempenhou trabalho correto. Como as forças policiais que a antecederam e que, igualmente, não viram fundamento na associação de uma coisa (corrupção no governo petista de Santo André) e assassinato (do prefeito).

Transcrevo trechos da inserção de Elisabete Sato no livro-reportagem. Silvio Navarro escolheu reportagens já publicadas sempre segundo a versão de crime de encomenda e deu ao material, em determinadas situações, verniz próprio que pretenderia caracterizar afastamento da dependência das fontes consultadas. É uma obra com imensa capacidade de levar os leitores à conclusão de que os relatos são incontestáveis. Desde que, claro, dispense-se o contraditório.

Na página 195 do livro que assina, Silvio Navarro cita pela primeira vez o nome da delegada da Polícia Civil. Leiam:

- No dia 7 de outubro de 2005, a delegada Elisabeth Sato, então chefe do 78º DP, tomou o depoimento de Rocha Mattos na sede do Batalhão da Cavalaria da Polícia Militar Nove de Julho. Queria saber mais sobre o conteúdo da entrevista que dera à Rede Record a respeito do que as fitas continham. No dia 18 de setembro, ele havia conversado com a repórter Leandro Cipoloni, do programa Domingo Especular. Afirmara, referindo-se ao PT, que “pessoas no governo e no partido tinham as mãos sujas de sangue, até por omissão”. À delegada, Rocha Mattos passou os nomes de presos que conhecera no cárcere e que, segundo dizia, seriam capazes de detalhar informações ocultadas nas gravações. Um deles era Derney Luiz Gasparino, com o qual a administração penitenciária do presídio de Tremembé, no interior paulista, teria apreendido um aparelho celular e uma agenda com os telefones de Klinger Oliveira Souza, e, “salvo engano”, nas palavras de Rocha Mattos, Ronan Maria Pinto.

Baixa credibilidade
Seguimos com mais trechos do livro de Silvio Romero, sempre levando em conta, como é esse o caso, o baixíssimo grau de segurança das informações repassadas:

- Derney não era o único detento que sabia das fitas. O estelionatário Marcelo Tadeu Borrozine também tentou negociar com as autoridades uma vida melhor na cadeia em troca de informações sobre a morte de Celso Daniel. Cumpria pena em Itapetininga, no interior paulista, e disse ter participado de conversas na prisão com Rocha Mattos e Roberto Eleotério, apelidado de Lobão, um dos maiores contrabandistas do país. Ouvido pela delegada Elisabete Sato no 9º DP do Carandiru, em 1º de dezembro de 2005, Borrozine contou que, antes de editadas as fitas continham diálogos ainda mais comprometedores entre os quais um em que Ronan Maria Pinto teria dito a Sombra que, mesmo debaixo de tortura, Celso Daniel não entregara um “dossiê”. Mais: haveria uma conversa entre Sombra e um homem chamado Ivan, na qual o amigo do prefeito teria falado para “os meninos não fazerem nada porque não se sabe onde está a papelada”. Em outro telefone, que jamais alguém provou existir, Sombra teria dito a Ronan que “fizemos merda e o negócio iria complicar”. O empresário teria respondido: “Não dá para voltar atrás” – escreveu Silvio Navarro.

Ficção e realidade
Repararam os leitores o quanto o autor do livro-reportagem faz da ficção realidade? Antes de prosseguir, convém retroceder algumas páginas para que se entenda de que fitas se tratam as investigações. A narrativa de Silvio Navarro:

- O melhor serviço que a Polícia Federal prestou às investigações da morte de Celso Daniel deu-se muito antes de Lula chegar ao Palácio do Planalto, mais especificamente nos dias subsequentes ao assassinato do prefeito. A PF montou escutas telefônicas reveladoras de como se comportavam alguns dos principais personagens do caso, enredados numa gigantesca trama de corrupção – quase um prólogo do que o PT faria uma vez no comando da República. Oficialmente, os grampos – que rastrearam 41 linhas fixas e de aparelhos celulares – teriam sido engatilhadas para apurar a ação de uma quadrilha de traficantes de drogas no ABC. (...) Nas mãos do juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, inicialmente a ordem consistia em que o material interceptado fosse transcrito. Dias depois, ele voltaria atrás. Concordara com um pedido do renomado advogado José Carlos Dias, defensor do petista Klinger de Oliveira Souza. E ao mudar de ideia, determinou, em 2003, que os áudios fossem destruídos – narrou Silvio Navarro.

Mais Rocha Mattos
Vamos em frente com o relato sobre a participação do delegado federal Rocha Mattos:

- Para rever a decisão inicial, o magistrado argumentou entender que a Polícia Federal usara o narcotráfico como pretexto para monitorar pessoas próximas ao prefeito morto – o que faz sentido para quem ouviu as gravações. Os áudios são sobre o crime de Santo André. E são reveladores. (...) Apesar de ter ordenado a destruição das 42 fitas cassetes em 2003, Rocha Mattos disse que cópias foram feitas durante o trajeto judicial até a eliminação dos originais. Diz também que uma caixa de papelão com as cópias foi levada da casa de sua ex-mulher, Norma Regina Emílio Cunha, ex-auditora da Receita Federal, numa diligência da Operação Anaconda, da Polícia Federal, em 30 de outubro. Na ocasião, ela seria presa por suspeita de integrar uma quadrilha envolvida com venda de sentenças judiciais e falsificação de documentos. No apartamento, foram encontrados U$$ 500 mil. (...) No dia 7 de setembro ele também seria preso pela Operação Anaconda, acusado de liderar a referida quadrilha. (...) Ao sair da cadeia, afirmou “que a conduta da Polícia Federal mudara abruptamente com Lula no poder e que, durante o governo petista, o conteúdo das gravações havia sido manipulado (...)”. De fato, o processo de edição nos áudios das 42 fitas é evidente – algumas passagens foram claramente apagadas e outras parecem encobertas por chiados bruscos que tornam as falas inaudíveis. São inequivocadamente distinguíveis, contudo, as vozes de figuras centrais da administração de Santo André, então em intensa mobilização para tentar blindar, naquele promissor ano de 2002, a candidatura de Lula à Presidência das investigações do crime de homicídio e do que mais pudesse ser achado ali – escreveu Silvio Navarro.

Conclusão equivocada
Trata-se de conclusão completamente despropositada. Todos os diálogos gravados pela Polícia Federal foram conclusivos numa direção ressaltada em entrevista que fiz com o delegado federal José Pinto de Luna, sobre a qual já escrevi nesta série: a preocupação do PT era com o esquema de corrupção na gestão de Celso Daniel. Sem qualquer vínculo com o assassinato O que o autor do livro e suas fontes mais próximas, caso principalmente do delegado Romeu Tuminha, procuram o tempo todo no livro-reportagem é juntar uma coisa à outra para dar consistência ao enredo paralelo orquestrado pelo governo paulista.

Agora retomamos a história envolvendo o bandido Borrozine e seu suposto envolvimento com as fitas. Eis o que escreveu Silvio Navarro no livro do caso Celso Daniel: 


- Borrozine admitiu que, em posse dessas gravações, tentara extorquir de Ronan, inicialmente, R$ 20 mil, a serem depositados em pequenas fatias em agências do Bradesco e da Caixa Econômica Federal, ambas no bairro de Vila Matilde, na Zona Leste. Oferecia-lhe uma cópia do material. De acordo com ele, quem intermediou o suposto pagamento foi a advogada Maura Marques, a mesma de Dionísio. Borrozine disse que, em seguida, chegara a negociar com o empresário a destruição das demais cópias por R$ 1 milhão – a operação, contudo, não iria adiante. A delegada Elisabete Sato então lhe perguntou sobre o paradeiro desse material e o detento respondeu que ainda o guardava, escondido dentro de uma Bíblia, em sua cela, no presídio de Franco da Rocha. O depoimento de Borrozine seria descartado pela polícia, que o entendeu como fantasioso. Os trechos narrados pelo preso nunca foram encontrados nas cópias de gravações em posse do Ministério Público nem nas obtidas por jornalistas. Como, porém, as fitas foram alteradas, é impossível saber se o versão dele é procedente ou se apenas mais uma mentira de estelionatário interessado em negociar alguma transferência ou regalia – escreveu Navarro.

Desconfiança e frustração
Na página 226 do livro-reportagem, Silvio Navarro faz a última e breve incursão sobre Elisabete Sato. Vejam: ele mais que sugere que as conclusões da delegada de polícia não tiveram o desenlace esperado pelos supostos defensores da verdade, no caso os manipuladores oficiais e oficiosos do caso Celso Daniel:

- A competente delegada Elisabete Sato, hoje chefe do DHPP, teve a chance a avançar quando da reabertura do caso, em 2005, mas isso implicaria descontruir o trabalho de muita gente também competente. Pior: cutucaria uma ferida curada na polícia. Tecnicamente, ela não cometeu erros em seu relatório, mas não teve o ímpeto de mergulhar a fundo no caso – escreveu Navarro.

Trata-se de inconformismo ditado pela premissa unilateral de que só haveria sentido de conferir às investigações da delegada Elisabete Sato a credencial de competente e certeira se a versão do Ministério Público prevalecesse, descolada portanto das conclusões da força-tarefa de policiais civis e federais.

Agora, aos fatos
Leiam, agora, alguns dos principais trechos da matéria que publiquei originalmente na revista LivreMercado de dezembro de 2006. Leiam e comparem com o texto de Silvio Navarro:

- A delegada Elisabete Sato, titular do 78º Distrito Policial de São Paulo, confirmou em novo inquérito da Polícia Civil o que LivreMercado antecipou em intensas e profundas reportagens-análises, iniciadas em outubro do ano passado: o empresário e professor Sérgio Gomes da Silva é inocente no caso Celso Daniel. Isso significa que a Polícia Civil paulista repete a conclusão do inquérito realizado entre janeiro e abril de 2002 e, logo depois, completado com novas investigações que se encerraram em agosto daquele mesmo ano. Da mesma forma, o resultado está em sintonia com a operação da Polícia Federal que, também naquele período inicial de 2002, constatou que a morte do prefeito de Santo André, sequestrado e assassinado por quadrilha de sete bandidos, não tem qualquer relação com sequelas derivadas de suposto e provável caixa dois na Prefeitura petista de Santo André. O caso Celso Daniel, entretanto, parece estar longe de terminar. A reação do Ministério Público de Santo André, como era de se esperar, foi de reprovação ao relatório de Elisabete Sato. Situação diversa do relacionamento dos dias seguintes à divulgação do reinício das investigações de mesuras trocadas entre os membros do Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) de Santo André, Amaro José Thomé Filho, Roberto Wider Filho e Adriana Ribeiro Soares de Morais e a charmosa doutora que a Imprensa sempre colocou muito próximo da divindade policial, responsável pelos Jardins, espaço da classe média formadora de opinião entre os paulistanos.

Mais trechos da matéria que produzi naquele dezembro de 2006:
- Durante a tão barulhenta quanto partidária e inútil CPI dos Bingos, Elisabete Sato e os promotores trocaram amabilidades que poderiam sugerir proximidade investigatória na direção da tese de crime político-administrativo. Uma semana antes de a Imprensa paulistana receber a newsletter Capital Social Online que antecipava o conteúdo do relatório da doutora Elisabete Sato, LivreMercado manteve contatos com a comandante do novo inquérito, solicitado no segundo semestre do ano passado à Polícia Civil pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo de Castro Abreu. Também promotor público, Saulo atendia a pedido do Gaerco de Santo André e dos irmãos João Francisco Daniel e Bruno Daniel Filho, incansáveis defensores da versão de crime político-administrativo. Tudo no embalo na CPI dos Bingos, estúpida perda de tempo e de dinheiro que, de fato, serviu apenas de avant-première da campanha eleitoral dos oposicionistas.

Mais trechos daquela reportagem que escrevi:
- Elisabete Sato respondeu à indagação sobre a veracidade do relatório com voz pausada mas preocupação confessa. A informação sobre a remessa do relatório às autoridades do Judiciário e do MP vinha de fontes mais que confiáveis, mas a delegada não se dispunha a prestar declaração que confirmasse o que se imaginava fim de novas investigações. Sugeriu que se ouvisse o juiz da 1ª Vara de Itapecerica da Serra, Luiz Fernando Migliori, ou os promotores criminais. Justificou a decisão de transferir o assunto para o Judiciário e o MP porque não queria enfrentar “polêmica” com a Imprensa. “Polêmica” foi a senha involuntária para Elisabete Sato fornecer a pista conceitual do relatório que preparou depois de 15 meses de investigações. Só poderia ser “polêmica” uma avaliação que contrariasse a mídia maciçamente condenatória de Sérgio Gomes da Silva.

Mais trechos da reportagem que preparei há mais de 10 anos:
Confirmada a informação de que a doutora Elisabete Sato remetera o relatório para as autoridades do MP e do Judiciário, descobriu-se em seguida o principal motivo de tanto silêncio. A conclusão de que o caso Celso Daniel é um crime comum poderia mudar os rumos das eleições presidenciais no primeiro turno e possivelmente alargar a diferença do candidato petista Lula da Silva em relação a Geraldo Alckmin no segundo turno. (...) Elisabete Sato encaminhou o documento em 26 de setembro; portanto, antes do primeiro turno. No dia seguinte, para se ter ideia do ambiente político que cercava a disputa presidencial, a mídia inteira deu destaque à fotografia com a montanha de dinheiro que petistas arrecadaram para a compra do dossiê contra o candidato José Serra, eleito governador. (...) Essa evidente operação-abafa contrasta com a velocidade que se deu no caso da denúncia que o Ministério Público de Santo André preparou contra Sérgio Gomes da Silva em dezembro de 2003. Uma semana depois do encaminhamento, o juiz de Itapecerica da Serra mandou prender o primeiro-amigo de Celso Daniel entre outros motivos por entender que havia “clamor popular” por Justiça. Uma operação delicadíssima porque a própria denúncia contra Sérgio Gomes foi exaustivamente divulgada antes de formalizar-se à Justiça.

Mais trechos da matéria sobre o relatório de Elisabete Sato que publiquei em dezembro de 2006:
A possibilidade de Sérgio Gomes ter sido identificado como um dos mandantes do crime no relatório de Elisabete Sato foi excluída exatamente porque as primeiras informações garantiam que o documento fora remetido antes do segundo turno presidencial. Fosse condenatório a Sérgio Gomes, o inquérito do caso Celso Daniel seria o prato preferido dos oposicionistas. A delegada Elisabete Sato produziu relatório ao mesmo tempo contundente e ambíguo ao sintetizar o 17º volume do inquérito policial do caso Celso Daniel. Contundente porque é peremptória ao afirmar que não houve crime político, como se caracterizou ao longo do processo a definição do Ministério Público para determinar a origem do assassinato e, inclusive, entre outros pontos, para sustentar a versão de que o prefeito de Santo André foi torturado. A diferença entre tortura criminal e tortura política é a mesma entre o desenlace de um sequestro meramente para obtenção de resgate financeiro e de um sequestro cuja vítima é forçada a confessar eventuais segredos. O relatório é ambíguo porque alimenta incursões subjetivas que podem sim conduzir a interpretações tanto para fortalecer a argumentação de crime comum como para dar margem a crime político. A experiente delegada não desqualifica a possibilidade de interpretações variadas do relatório, mas se justifica com fundamentação ao dizer que, exatamente por ser relatório, o documento tem padrão textual breve, sucinto.

Seguindo a reportagem que preparei há mais de 10 anos para os leitores de LivreMercado:
Elisabete Sato narra nos primeiros parágrafos: “Com a participação dos promotores requisitantes, após autorização judicial correspondente, foram reinterrogados todos os indivíduos já presos preventivamente, responsabilizados pela execução do crime, quer seja com o deslocamento desta autoridade policial até os presídios onde aguardam julgamento, quer seja durante os atos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Senado Federal dos Bingos, nas oportunidades em que veio a São Paulo, visto que no interesse desta última surgiram informações que geraram um braço investigativo do caso Celso Daniel”. No parágrafo seguinte, a delegada afirma: “Em apertada síntese, os presos ratificaram suas confissões anteriores, gerando um ou outro detalhe que em nada alterou a dinâmica do evento, a não ser o estabelecimento convicto de que o à época adolescente Laércio dos Santos Nunes, vulgo Lalo, não foi o executor da vítima, tendo assumido a autoria por mando e coação de José Edson da Silva, o Zé Edson. (...). “Ficou implícito nas diligências adicionais que o grupo agiu em uma ação compartilhada, ou seja, cada indiciado teve a sua fração de participação, logicamente todos contribuindo para o resultado final; todavia, durante a abordagem alguns tinham dúvidas de quem efetivamente seria a vítima, bem como a remoção de Celso Daniel do local do arrebatamento, popularmente conhecido como Três Tombos, até a Favela Pantanal e posteriormente ao sítio de Juquitiba, onde permaneceu em cativeiro sendo conduzido dali para a morte. Nem todos detinham o conhecimento da sequência lógica”.

Agora o complemento do relatório de Elisabete Sato:
(...). “Registra-se também que talvez o elemento principal para o deslinde completo do caso, Dionísio de Aquino Severo, tenha levado consigo informações preciosas que poderiam efetivamente dirimir quaisquer dúvidas quanto à motivação do crime, visto que a grande maioria do grupo dos sete nem mesmo admite tê-lo visto durante o início da execução do arrebatamento. Coincidência ou não, Dionísio foi morto no interior da Casa de Detenção Provisória Belém II, mesmo presídio onde estava recluso José Edson da Silva”. Dionísio de Aquino Severo é o bandido que, no dia anterior ao sequestro de Celso Daniel, fugiu da penitenciária de Guarulhos de helicóptero. A Polícia Civil de São Paulo investigou a fundo todos os rastros de Dionísio, ouviu familiares, sequestradores, e não encontrou nada que o colocasse de fato como participante do sequestro de Celso Daniel. Recapturado, ele foi morto 10 dias depois, segundo a polícia, porque integrava uma organização criminosa adversária do PCC (Primeiro Comando da Capital). Os sequestradores de Celso Daniel são do PCC. Ainda segundo a polícia, ele utilizou o caso Celso Daniel para tentar escapar da morte previamente preparada pelo PCC. De qualquer forma, o relatório de Elisabete Sato é dúbio. Pode tanto sugerir que Dionísio mudaria os rumos das investigações como também eliminaria de vez qualquer dúvida sobre a motivação do crime. Pelo conjunto do texto do relatório, é provável que Elisabete Sato tenha sido levemente sarcástica, porque afirmou: “A grande maioria do grupo dos sete nem mesmo admite tê-lo visto durante o início da execução do arrebatamento” — referindo-se a Dionísio de Aquino Severo. (...). Entretanto, foi no antepenúltimo trecho do relatório que Elisabete Sato sugere a inocência de Sérgio Gomes da Silva: “Assim, decorrido um ano desde a reabertura das investigações em torno do sequestro e morte violenta do, à época, prefeito Celso Daniel, passado o período da efervescência investigativa que suspeitava de crime político, tese defendida pelo Ministério Público de Santo André e os irmãos da vítima, certo é que estes dois últimos não apresentaram, quer seja na CPMI dos Bingos, quer seja em sede de Inquérito Policial, qualquer indício que redundasse em prova que pudesse dar sustentação à suspeita, bem como a voracidade do Gaerco de Santo André sucumbiu diante da não-demonstração de outras provas” — afirmou a delegada.

DANIEL LIMA - Capital Social


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domingo, 29 de janeiro de 2017

APERTEM OS CINTOS, O ASSUNTO SUMIU Quem acidentou Teori?



A palavra "acidente" será usada conforme o significado atribuído por Temer ao massacre no presídio de Manaus. O doutor Michel é um homem culto, que escolhe bem os vocábulos e, portanto, deve ser uma referência semântica muito confiável.

Ontem, por acidente, o ministro Gilmar Mendes passou a tarde no Palácio do Jaburu com Michel Temer e Moreira Franco, dois políticos citados na delação da Odebrecht.

A assessoria de Temer informou que foi apenas um encontro entre velhos amigos, que se conhecem há 30 anos. Por acidente, um dos amigos julgará os outros dois.

Por acidente, o terceiro amigo também julgará a ação no TSE que pede a cassação da chapa que levou Temer à presidência.

Por acidente, o encontro aconteceu no dia seguinte ao enterro do juiz responsável pela lava jato, cuja morte em um acidente atrasará a homologação das delações da Odebrecht, beneficiando, por acidente, Temer e seus ministros.

Por acidente, Michel Temer é mencionado 43 vezes nessa delação.

Por acidente, o senador Romero Jucá disse que Teori era um cara fechado naquela gravação feita pelo Sergio Machado, quando foi perguntado se poderia achar alguém para interferir na lava jato.

Por acidente, previsto na constituição, quem indica o substituto de Teori é Michel Temer.

Por acidente, é o senado que homologa a indicação.

Por acidente, um terço dos senadores está sob investigação e/ou responde a processos no STF. A maioria é do PMDB, que, por acidente, é o partido de Temer.

Por acidente, a bancada do PMDB defende que o novo ministro do STF seja contrário à prisão imediata de condenados em segunda instância.

Por acidente, um dos beneficiados dessa decisão seria Eduardo Cunha, cuja delação, por acidente, envolve Temer, Jucá, Padilha, Moreira e quase todo primeiro escalão do governo.

Por acidente, o ministro Teori Zavascki, relator da lava jato, entrou em um avião de pequeno porte, durante uma tempestade, com destino a um aeroporto precário.

Por acidente, o avião caiu e o ministro morreu.

Ainda não sabemos o que ou quem acidentou Teori.

Mas temos a certeza de que esse acidente todo é muito PAVOROSO.

* Felipe Pena é jornalista, psicólogo e professor da UFF. Doutor em literatura pela PUC-Rio, com pós-doutorado pela Sorbonne III, foi visiting scholar da NYU e é autor de 15 livros, entre eles o ensaio "No jornalismo não há fibrose", finalista do prêmio Jabuti.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

SE NÃO TEM "TIMING" A GENTE INVENTA UM Delegado tucano da PFSDB que fez campanha para Aécio diz que Lula pode ser preso "em 30 ou 60 dias"


Sem ter como prender Lula, delegado apela para tortura emocional


Depois do delegado Mauricio Moscardi ter protagonizado, nas páginas amarelas da Veja, um espetáculo de falta de decoro policial, alguns dias atrás, que o repórter Marcelo Auler demoliu até virar poeira, outro delegado da lava jato, Igor Romário de Paula, sobe ao picadeiro para rugir sua ferocidade.

Moscardi faz uma confissão prática de que prender Lula não era uma questão de lei, mas de timing político-policial, dentro daquela já famosa linha do “não tínhamos provas, mas temos as convicções”.

Já Igor diz que não se perdeu o timing, e que a prisão de Lula pode acontecer em “30 ou 60 dias”.

Como prisão sem julgamento no Brasil só existe em caso de ocultação de provas, tentativas de obstruir investigações por expedientes ilegais ou manifesto risco à sociedade, o delegado Igor mostra – como se ainda fosse preciso – que não se trata de um expediente legal, mas da legalização da obsessão lavajatiana de prender o ex-presidente, por algum e qualquer motivo.

Num país minimamente cioso da isenção de seu sistema policial-judicial, toda esta turma já teria sido afastada, há muito tempo, por transformar o seu poder em perseguição política e na realização de seus desejos pessoais.

Agora, porém, a atitude do delegado, que já é absurda em qualquer tempo, assume ares de uma tortura emocional contra alguém que está aos pés de um leito de UTI, com a companheira de décadas entre a vida e a morte, depois de um gravíssimo acidente vascular cerebral.

Um homem que age assim é pior, muito pior, do que as duas ou três sociopatas que foram fazer provocações à porta do Hospital Sírio Libanês. Porque é o Estado quem lhe confiou uma missão, de agir com isenção e prudência. Em uma palavra, todos nós lhe confiamos um poder, que não pode ser exercido para a crueldade e a morbidez.

Com Lula, ou com qualquer outro dos que investigam (ou que não investigam, como Aécio Neves) isso é vergonhoso, indigno, desumano e ilegal.

Mas é, sobretudo, revelador da desumanidade, do caráter cruel e insensível de um cidadão que, em lugar de cumprir suas obrigações funcionais, vai à mídia agredir as pessoas em situação de fragilidade.

O Doutor Igor não consegue nem ser um Javert e atirar-se ao Sena, num único gesto de humanidade.

Atira-se à lama, quando se presta ao papel de promover-se no momento de um drama pessoal.



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A Conspiração Cinza



Há cerca de uma década, no QG secreto da Conspiração Cinza, uma reunião tinha seguimento:

- E é isso, caros colegas. Esse slogan "O melhor do Brasil é o brasileiro", que tem o evidente propósito de alimentar a auto-estima, engrandecer, empoderar, celebrar a - URGH! - alegria de viver dessa ralé, é um ultraje inaceitável, diz o Membro Alfa.

- Tenha calma, distinto irmão. Depois que terminarmos nosso serviço, isso aqui irá ficar parecendo o Antigo Testamento, responde o Membro Ômega.

- Sim. Nem pessoas doentes eles respeitarão mais, treplica o Membro Gamma.

- E também faremos uso dessas novas tecnologias, que permitirão explorarmos ao máximo a maldade que incutiremos nessa gente. Tem um site chamado Orkut e...

- SIM!, dizem em coro alguns dos presentes.

- O ódio que sentirão pelo semelhante será irremediável. A ruindade sairá por seus poros.

- Imagino-os desejando a morte de alguém e, em seguida, postando foto de Jesus com mensagem de auto-ajuda.

- Faremos isso ministrando doses cavalares e intermitentes de ódio, rancor, inveja, mágoa, ressentimento, despeito.

- Vamos dizer que tem comunista por todo lado!

- Se fizermos direito o serviço, vai chegar a hora em que nossas criaturas acusarão até o Olavo de Carvalho de ser comunista.

HUA HAR HAR!!!, ecoa a sinistra risada coletiva.

- A campanha tem que durar anos a fio, 24 horas por dia. Até programa matinal de receita a gente tem que usar.

- As pessoas dirão e pensarão coisas flagrantemente contraditórias e não se darão conta disso.

- Ou melhor: se darão sim. Mas escolherão sempre usar a versão que for mais conveniente.

- Quando tivermos chegado nesse ponto, é porque o Plano foi bem sucedido.

- Perfeito. É um sonho meu de criança que se concretiza. Snifs!

A emoção do Membro Alfa enternece os demais.

FIM


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

COMANDO CENTRAL: Quem estará puxando as cordinhas de dementes como as que foram hostilizar Marisa Letícia?

As sociopatas do hospital são só loucas e cruéis?
Desculpem-me os crédulos.

Eu não acredito em tudo.

Não acho que 60 ou 70 alucinados tenham, por acaso, se encontrado na Câmara dos Deputados e, “de repente”, resolvido invadir o plenário, subir na mesa e pedir “um general, um general” para impor uma ditadura militar.

Assim como não acredito que as quatro patéticas figuras que se dispõem a agredir verbalmente a mulher de Lula, Marisa, em coma numa UTI, como a Veja fez-lhes questão de dar palco, possam ser apenas loucas macabras “espontâneas”.

Sim, eu sei que são os frutos envenenados do fascismo que a mídia inoculou em boa parte da classe média, mas para caírem assim estes frutos, tem alguém sacudindo a árvore.

Existe um núcleo clandestino de comando que se serve destas pessoas indispostas ao convívio social civilizado.

São os “gestores de sociopatas”, gente tão bem articulada quanto avessa à democracia. Seu objetivo é envenenar a sociedade e manter acesa a chama da agressão, permanentemente.

Os transeuntes que as mandavam procurar algo de útil o que fazer estavam enganados.

Elas estavam fazendo algo que, embora abjeto, era útil para alguém que não estava ali.




NOTA DESTE BLOG: Sempre achamos isso. Espontâneo o escambau!

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Trump: o 11 de Setembro, já basta!, por Thierry Meyssan


VÃO OS NORTE-AMERICANOS RECONQUISTAR A SUA LIBERDADE?

Donald Trump recusou-se a endossar os tiques presidenciais dos seus antecessores e consagrou o seu discurso de investidura a ridicularizar o Sistema, e a anunciar uma mudança de paradigma. Ele constituiu a sua equipe de Segurança baseado em dois temas: a erradicação do Daesh(E.I.) e a oposição ao 11-de-Setembro; duas características que visam pôr um termo ao processo de globalização.

REDE VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA) | 25 DE JANEIRO DE 2017 


O Presidente Donald Trump foi investido, a 20 de Janeiro de 2017. No preciso momento em que acabava de prestar juramento e, portanto, não tinha podido fazer fosse o que fosse de bom ou de mau, os patrocinadores de Hillary Clinton organizavam uma gigantesca manifestação contra ele em Washington no dia seguinte.

Provando que aquilo que está em jogo não envolve unicamente os Estados Unidos, manifestações idênticas tiveram lugar em numerosos países, nomeadamente no Reino Unido. É claro, os manifestantes não protestam por qualquer acção em particular, limitam-se apenas a exprimir a sua angústia. Muitos carregam cartazes : «Eu estou apavorado».

Donald Trump, que os seus oponentes apresentam como um personagem lunático, desprovido de linha de conduta, indicou desde há muito tempo o que conta fazer. Primeiro ele mostrou-o, e depois afirmou-o, tanto de forma alusiva como clara : entende restituir ao Povo norte-americano o Poder que lhe foi confiscado no 11 de Setembro de 2001 [1].

Antes mesmo de se lançar na disputa eleitoral, Donald Trump tentou abrir o dossiê deste Poder usurpado patrocinando para isso o movimento pela verdade sobre o nascimento do Presidente Barack Obama [2]. Ele mostrou, com base no testemunho da avó do Presidente, depois na ausência de inscrição nos Registos do Havai, e depois ainda nas irregularidades do certificado oficial, que este nascera como súbdito da Coroa Britânica, no Quénia.

Ora, no decurso da campanha eleitoral, quando ele teve a impressão que a podia ganhar, fechou este dossiê e absteve-se de qualquer provocação em relação ao Presidente. Cessou toda e qualquer alusão à diarquia do Poder. Pelo contrário ele concentrou a sua mensagem na usurpação do Poder real por um círculo do qual Hillary Clinton é o visível porta-voz.

As suas tomadas de posição que não fazem o menor sentido sentido à luz das divisões tradicionais, seja em matéria de política externa —será ele intervencionista ou isolacionista ?— ou de economia —será pelo livre-comércio ou protecionista ?—, são, pelo contrário, límpidas para aqueles que sofrem com a usurpação do Poder [3]. Ele não parou de repetir, de maneira bastante clara para ser apoiado pelos seus concidadãos, mas de maneira bastante alusiva para evitar o choque frontal, que todas as decisões tomadas depois do atentado do 11-de-Setembro eram ilegítimas. O que não tem nada a ver com o antagonismo entre Republicanos e Democratas, uma vez que estas decisões foram avalizadas tanto pelo Republicano Bush Jr. e pelo Democrata Obama. Pelo contrário, isto tem a ver com uma clivagem civilizacional antiga entre a casta que fechou os olhos ao 11-de-Setembro e aqueles que se viram esmagados por ele, entre os seguidores do Puritanismo do Mayflower e os da Liberdade [4].

Contrariamente aos seus predecessores, ele próprio escreveu o seu discurso de tomada de posse centrou-o sobre isso : «A cerimónia de hoje tem um significado muito especial, porque não se trata apenas de transferir o Poder de uma administração para outra ou de um Partido para outro. (...) Aquilo que realmente conta não é quem detêm o Poder no governo, mas, sim o facto que o governo está nas mãos do povo americano» [5].
 

Desde o primeiro dia, e contrariamente à tradição dos Estados Unidos, ele montou uma equipe de Segurança Nacional composta por grandes soldados: os Generais James Mattis, John Kelly e Michael Flynn. Enquanto a imprensa a apresenta como um bando incoerente de personalidades escolhidas sem relação umas com as outras, ele formou-a, muito pelo contrário, para retomar o Poder confiscado por uma facção do complexo militar-industrial.

O novo Secretário da Defesa, o General James Mattis, foi confirmado pelo Senado e prestou juramento. Ele é considerado pelos seus pares como um erudito e um dos melhores estrategas da sua geração. Durante a campanha eleitoral, tinha sido convidado para se apresentar em nome do Partido Republicano contra Trump. Ele hesitara por um instante, percebera os jogos de bastidores da política em Washington, e depois retirara-se da competição sem dar explicações [6]. O seu regresso foi calorosamente recebido no seio das Forças Armadas, especialmente porque em cerca de dois terços os militares votaram por Donald Trump. Durante os últimos dois anos, Mattis foi pesquisador na Hoover Institution (um “think-tank” Republicano, sediado na Universidade de Stanford). Aí, ele prosseguiu um estudo sobre a relação entre civis e militares, o que atesta a sua vontade de colocar as Forças Armadas ao serviço do Povo.

À sua chegada ao Pentágono, Mattis emitiu um curto Memorandum no qual afirma que «os militares e as agências de Inteligência são as sentinelas e os guardiões da Nação»; uma frase que visa ao mesmo tempo apaziguar o conflito que opôs Trump a propósito da Rússia ao director cessante da CIA, John O. Brennan, e a reorientar o trabalho das forças de segurança para a defesa da Nação, mais do que no prosseguimento da quimera imperial, ou na protecção dos interesses das multinacionais [7].

Estando o director da CIA, Mike Pompeo, ainda à espera da sua confirmação pelo Congresso, o Presidente Trump deslocou-se em pessoa à CIA. Enquanto foi falando sobre isto e aquilo, ele fixou claramente o rumo : «erradicar o terrorismo islâmico da face da Terra» [8]. Ele parecia estar a par dos debates que agitaram a Agência nos últimos quatro anos sobre a loucura de apoiar o Daesh (E.I.); debates que custaram ao seu Conselheiro de Segurança Nacional, o General Michael Flynn, o seu posto de Director da Inteligência Militar. Trump não fez menção sobre a polémica quanto a uma eventual ingerência russa na campanha eleitoral norte-americana e ainda menos sobre o papel de «agentes russos» que a imprensa tem atribuído ao seu antigo director de campanha, Paul Manafort, e a dois outros dos seus conselheiros, Carter Page e Roger Stone. Na ausência de Pompeo, o Presidente não abordou a questão da reforma estrutural da CIA. O Memorandum do General Mattis, a presença do General Flynn ao lado de Trump e a maneira como este ultimo elogiou Pompeo —brilhante aluno da Academia Militar de West Point—, dão a impressão que esta nova equipa pretende colocar a CIA na órbita do Pentágono mais do que na da Secretaria de Estado; uma opção que visa cortar os meios de intervenção de Hillary Clinton, ainda influente no seu antigo secretariado.

Donald Trump pediu a cerca de cinquenta membros da Administração Obama para permanecerem nos seus postos. Entre eles :

Brett McGurk, o enviado especial junto à Coligação anti-Daesh ;

Adam Szubin, o Sub-secretário do Tesouro encarregado de lutar contra o financiamento do terrorismo ;

Nicholas J. Rasmussen, o director do Centro nacional anti-terrorista ;

Dab Kern, chefe do Estado-maior particular da Casa Branca. Parece portanto que a Casa Branca conseguirá dispôr de imediato de uma equipe com capacidade para lutar contra o Daesh.

O Chefe do Estado-Maior Conjunto, o General Joe Dunford, anunciou que estava pronto para apresentar ao Presidente Trump diversas opções de ataque ao Daesh (E.I.). Uma dentre elas consiste em tomar Rakka com 23.000 mercenários árabes, já treinados pelo Pentágono. Dunford estava em Paris, a 16 de Janeiro, onde presidiu a uma reunião dos chefes do Estado-Maior da Coligação (Coalizão-br).

Seja o que for o que Donald Trump decida, ele deverá levar em conta o facto que o Califado foi fortemente armado pela administração Obama. O Daesh (EI) dispõe, entre outras coisas, de uma experiência de combate da qual são desprovidos os novos mercenários do Pentágono. Além disso, antes de atacar Rakka, ele deverá decidir que futuro tenciona promover no Iraque e na Síria.

O Presidente Trump nomeou o seu Secretário para a Segurança da Pátria, o General John Kelly, que foi confirmado pelo Senado e tomou conta do cargo. Segundo a imprensa dos EU —uma fonte num conjunto pouco fiável e a tomar com grande precaução— este antigo patrão do SouthCom teria sido escolhido em razão do seu grande conhecimento da fronteira mexicana e dos desafios que aí se apresentam. Talvez seja.

No entanto poderá haver uma outra razão : Kelly era o adjunto de Mattis no Iraque. Em 2003, ambos entraram em confronto com Paul Bremer III, o chefe da Autoridade Provisória da Coligação —o qual, contrariamente ao que deixa supor o seu nome, não dependia da Coligação, mas dos homens que organizaram o 11-de-Setembro [9]—. Eles também se opuseram à guerra civil que John Negroponte tinha decido montar para desviar a Resistência iraquiana da luta contra o Ocupante, ao criar para tal o Emirado Islâmico no Iraque (futuro Daesh). Em vez disso, Mattis & Kelly tentaram cativar os chefes das tribos do centro do Iraque afim de não mais serem encarados como ocupantes. Eles apoiaram-se, então, no chefe da Inteligência Militar dos E.U. no Iraque, Michael Flynn. No fim, os três homens foram forçados a inclinar-se perante as ordens da Casa Branca.

O General Michael Flynn foi nomeado Conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump. Não tendo este posto de ser aprovado pelo Senado, ele entrou de imediato em funções. Nós já o havíamos apresentado aos nossos leitores como o defensor dos Estados Unidos, enquanto Nação, e tal título como o principal opositor à utilização do terrorismo islâmico pela CIA. [10].

Buscando, por todos os meios, diminuir a sua autoridade, Hillary Clinton e o seu chefe de campanha, John Podesta, espalharam rumores que ele, ou seu filho, Michael Flynn Jr., não saberiam segurar a língua e nos teriam ajudado a redigir um artigo sobre a reforma da Inteligência [11]. Para o caso desta imputação gratuita não ser suficiente eles usaram um tweet de Michael Jr. que reenviava para um dos nossos artigos, afim de acusar os dois homens de «conspiracionismo» —quer dizer de quererem tentar lançar luz sobre os acontecimentos do 11-de-Setembro— [12].

Contrariamente ao que alega a imprensa norte-americana, os Generais Flynn, Mattis & Kelly conhecem-se desde há longo tempo e servem o mesmo propósito —o que não quer dizer que as relações entre eles sejam sempre fáceis—. Apenas oficiais superiores desta envergadura são capazes de ajudar o Presidente Donald Trump a retomar o Poder usurpado desde o 11 de Setembro de 2001. Para vencer, eles terão de limpar o Pentágono e as instituições internacionais que foram infiltradas, a OTAN, a União Europeia e a ONU.

Os milhões de pessoas que se manifestaram contra o Presidente Donald Trump tinham razão em confessar o seu receio. Não porque o novo anfitrião da Casa Branca seja misógino, racista e homófobo —o que ele não é—, mas, porque nós chegamos ao momento do desenlace. É mais que provável que o Poder usurpador não se deixe abater sem reagir.

Desta vez, este confronto não terá lugar no Médio-Oriente Alargado, mas, antes no Ocidente, e particularmente nos Estados Unidos.


Tradução

[1] L’Effroyable Imposture suivi de Le Pentagate («A Terrível Impostura seguida do Pentagate»- ndT), par Thierry Meyssan, Editions Demi-Lune, première édition 2003.

[2] « La Cour suprême appelée à suspendre l’élection de Barack Obama » («O Supremo Tribunal chamado a suspender a eleição de Barack Obama»- ndT), « En 1979, l’administration US considérait Obama comme étranger » («Em 1979, a administração dos EU considerava Obama como estrangeiro»- ndT), Réseau Voltaire, 9 décembre 2008, 16 février 2010. “Barack Obama publica uma falsa certidão de nascimento no site da Casa-Branca”, Tradução David Lopes, Rede Voltaire, 8 de Maio de 2011.

[3] “15 anos de crimes”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 12 de Setembro de 2016

[4] “Os Estados Unidos vão reformar-se, ou dilacerar-se?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 26 de Outubro de 2016.

[5] “Donald Trump Inauguration Speech” («Discurso de Investidura de Donald Trump»- ndT), by Donald Trump, Voltaire Network, 21 January 2017.

[6] “Mattis contra Trump”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria) , Rede Voltaire, 4 de Maio de 2016.

[7] “James Mattis Memo”, by James Mattis, Voltaire Network, 21 January 2017.

[8] “Donald Trump at CIA Headquaters”, by Donald Trump, Voltaire Network, 21 January 2017.

[9] « Qui gouverne l’Irak ? » (Quem governa o Iraque ?»- ndT), por Thierry Meyssan, intervenção na Conferência Internacional de solidariedade com a Resistência iraquiana, Réseau Voltaire, 13 mai 2004.

[10] “Michael T. Flynn e o islão”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria) , Rede Voltaire, 23 de Novembro de 2016.

[11] « La réforme du Renseignement selon le général Flynn », par Thierry Meyssan, Contralínea (Mexique) , Réseau Voltaire, 27 novembre 2016.

[12] “Podesta & Clinton contra Flynn”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 19 de Janeiro de 2017. 


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A morte do ministro Teori Zavascki: Acidente ou sabotagem?, por Jasson de Oliveira Andrade



O ministro do Supremo Teori Zavascki morreu tragicamente em 19 de janeiro de 2017, no acidente aéreo em Paraty. O Estadão o descreveu: “Discreto, Teori atraiu os holofotes na Lava Jato – Em apenas 5 anos no STF, conduziu com rigor a principal investigação política do País, mas sem deixar o humor de lado”.

Bernardo Mello Franco, em artigo publicado na Folha (20/1), revelou: “Teori era visto como uma esfinge, como mostra o célebre diálogo entre Sérgio Machado e Romero Jucá. Afobados para “estancar a sangria” (sic) provocada pela Lava Jato, os dois reconheciam, em privado [gravação], a impossibilidade de cooptar o ministro. (...) “Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori, mas parece que não tem ninguém”, disse o ex-presidente da Transpetro na gravação. “Não tem. É um cara fechado”, concordou o senador [Jucá]” Adiante o jornalista disse: “Nos últimos meses, o ministro contrariou todas as facções que disputam o comando do Estado brasileiro. Foi ele quem mandou prender o senador Delcídio do Amaral, então líder do governo Dilma. Também foi ele quem afastou Eduardo Cunha, o capitão do impeachment, do trono de presidente da Câmara. Teori ainda enquadrou Sergio Moro quando considerou que o juiz cometeu excessos (sic) e invadiu a área do Supremo”, concluindo assim o seu artigo: “O choque causado pela morte do ministro exige uma investigação rápida e transparente sobre a queda do avião. Com tantos interesses em jogo, é fundamental que não reste, no futuro, nenhum ponto de interrogação sobre os motivos da tragédia”. Já Eliane Cantanhêde, no artigo “Um ano de tragédias” (Estadão, 20/1), escreveu: “Se 2016 foi o ano do impeachment da primeira presidente mulher do Brasil e da maior crise econômica da história brasileira, este 2017 está sendo o ano das tragédias. Começou com os assassinatos bárbaros (sic) em presídios do Norte e Nordeste e chega à morte do ministro Teori Zavascki, que não era apenas um a mais no Supremo Tribunal Federal, mas justamente o relator da Lava Jato, a mais explosiva investigação sobre a corrupção no País. O clima em Brasília é de absoluta perplexidade”. Segundo Rubens Glezer, “Talvez 2017 reserva ainda mais tragédias políticas”. Será? A ver...

O Blog do Ig pergunta: “Acidente ou sabotagem?” A pergunta se justifica com a declaração do filho do ministro Teori. Em junho de 2016, o Estadão noticiou, sob o título “Filho de Teori fala em ameaça à sua família”: Francisco Prehn Zavascki – É óbvio que há momentos dos mais variados tipos para frear (sic) a Lava Jato. Penso que é até infantil imaginar que não há, isto é, que criminosos do pior tipo (conforme o MPF afirma) simplesmente resolveram se submeter à lei! Acredito que a Lei e as instituições vão vencer. Porém, alerto: se algo acontecer com alguém da minha família, vocês sabem onde procurar... Fica o recado!” Depois da morte do pai, ele declarou à imprensa: “Seria muito ruim para o País ter um ministro do Supremo assassinado, acrescentando: “É preciso investigar a fundo e saber se foi acidente ou não, que a verdade venha à tona seja ela qual for”. Já a irmã de Teori afirmou: “Tenho medo de que possa ter muita coisa por trás. Quero que façam uma boa investigação”. Apesar das suspeitas, um fato histórico poderá explicar a tragédia. Em 12 de outubro de 1992, o acidente com Ulysses Guimarães foi na mesma região! O corpo dele foi o único entre as vítimas (Mora Guimarães, esposa, e o ex-senador Severo Gomes) que não foi encontrado. Sinal que a região, com chuva, é realmente perigosa. O Estadão noticiou: “Viagem poderia ter sido adiada pelas condições do clima”: “O mapa do clima indicava chuva intermitente, nuvens baixas e visibilidade reduzida no litoral sul do Rio, região de Paraty. (...) Nada fora dos limites, mas a viagem, nessas condições, talvez devesse ter sido adiada”.

Acidente ou sabotagem? As investigações, provavelmente, vão responder a essa pergunta do IG. A CONFERIR!

Manchete de Primeira Página da FOLHA (22/1): “Morte de Teori atrasa delações [Odebrecht] e investigação sobre Temer (sic)”. O presidente é citado 43 vezes na Lava Jato. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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BRASIL DOENTE O ódio ao PT como sintoma de esquizofrenia



O BRASILEIRO ESTÁ DOENTE
(Fobia, uma manifestação da esquizofrenia)

Conversei com meu filho, o que dirige a escola, ontem à tarde, e ele me cobrou calma e paciência, afirmando que estou muito agressivo no Face.
E entabulamos conversa sobre política, quando fiquei sabendo das barbaridades que ele tem ouvido, coisas do tipo “tem que vender as estatais todas mesmo, só servem para enriquecer políticos”.
Quando cheguei em casa, debaixo de uma tremenda chuva, li que Dona Marisa Letícia, esposa do Lula, tinha sofrido um AVC, mais especificamente um aneurisma, e estava na UTI.
Corri para blogs e sites, agências de notícias, em busca de mais detalhes, passando pelas páginas coxinhas, fascistas, neoliberais e afins.
Os adjetivos usados em relação a um ser humano muito próximo da morte: vaca, vagabunda, puta... Desejando que morra ou que fique aleijada...
E você imagina: monstros, não são humanos, e vai às páginas deles, em seus perfis.
Compadecem-se de cachorrinhos abandonados nas ruas, postam versículos bíblicos, mensagens cristãs, fotos de flores, desejando bom dia ou boa noite, têm fotos com a família, orgulhosos dela... São iguais a nós.
Mas padecem de uma estranha doença, o ódio, e fiquei procurando entender ou pelo menos justificar isso.
Minha primeira conclusão foi que é um distúrbio mental, faltando definir de que tipo.
Concluí que a psicopatia mais próxima capaz de justificá-los é a fobia.
O fóbico é uma pessoa absolutamente normal, até o momento em que se depara como a situação que teme, quando se desequilibra completamente, tornando-se irracional. 
Por exemplo: imagine alguém que seja acrófobo (também chamado de acrofóbico, o que tem medo de altura). No dia a dia você jamais irá imaginar que esta pessoa tem este problema, não há o menor sintoma, o menor indício, até ela se deparar com o motivo do seu medo, quando entra em processo histérico.
Um caso real: vínhamos, numa viatura do IBGE, cinco pessoas, o motorista, o carona e três no banco de trás. Vínhamos da Delegacia do IBGE, no Humaitá, zona sul carioca, para o centro da cidade, e no percurso, para evitar passar pela orla, trajeto mais longo, corta-se caminho passando por dois túneis.
Uma companheira, no dia a dia muito educada, amável, tranquilíssima, pediu para que não passássemos pelo túnel porque ela tinha medo, confessou que nunca tinha entrado num túnel (claustrofobia, medo de lugar fechado, de confinamento), e não levamos a sério.
Conforme o veículo foi se aproximando do túnel ela foi se desfigurando, entrando em pânico, e como não sabíamos do problema, achamos que era exagero, faniquito.
Quando o carro entrou no túnel, tivemos que contê-la, três homens, e quase não conseguindo, com ela querendo se agarrar com o motorista, implorando para ele voltar, chorando muito, nos mordendo, para soltá-la, e gritando, histérica, um horror.
Quando saímos do túnel, ao invés de alívio o que havia nela era ódio de nós, e foi um custo acalmá-la, conosco pedindo perdão, prometendo que isso não se repetiria (a minha irmã mais velha nunca andou de elevador, medo mortal).
Mas voltando ao caso do acrofóbico: num lugar alto, a reação dele seria a mesma da minha colega do IBGE.
Imagine que ele estivesse sobre uma ponte, por exemplo: não adiantaria explicar que antes dele milhões já passaram por ali e ninguém caiu, que por ali passam veículos pesados e a ponte não cai, que é segura, que a pessoa está amparada... Nada adiantará, está no subconsciente, é irracional.
As fobias podem ter três causas: desconhecida, traumática e induzida.
A fobia traumática é resultado de ter passado por situação semelhante (quando bebê, caiu do colo da mãe ou do berço; maior, caiu de uma escada ou de uma árvore... No caso dos acrofóbicos).
A induzida acontece como condicionamento (as chantagens emocionais, dos pais, por exemplo, colocando filhos de castigo no escuro ou ameaçando com fantasmas, espíritos, bicho papão... Mais tarde isso vai se revelar como nictofobia – medo do escuro, ou espectrofobia – medo de fantasmas, espíritos, mortos... Normalmente associados).
Às de origem desconhecida, os místicos afirmam terem as mesmas causas anteriores, só que ocorridas em encarnação passada. 
Voltando aos coxinhas: são normais, como nós, até o momento em que se fale na esquerda, tendo como resposta comunista, socialista, bolivariano, petisla, lulopetista, luladrão, dilmanta, todo petista é ladrão, arrasaram o país... Tudo dito com ódio, como se tivessem levado um soco.
Se insistirmos piora, e não há argumentos que os demova da fobia.
Sabem que não há nenhuma prova contra Lula, que são 43 acusações contra Temer, que Aécio é cheirador... À Destruição das obras de arte, em São Paulo, diante das reclamações dizem que é mimimi das viúvas do Hadad, quando não gritam “chora, petistas”, felizes com a destruição...
Transporte público é de responsabilidade dos municípios, o prefeito é do PMDB, o ônibus atrasa ou vem cheio, culpa do PT; educação fundamental é de responsabilidade do estado, faltam professores, não há merenda, o prefeito é tucano, culpa do PT; a avó do infeliz, com 100 anos, morre por falência múltipla dos órgãos, senilidade, mas o médico foi negligente por culpa do PT.
Têm consciência que são doentes, mas como os fóbicos, a consciência do problema não os redime.
O prefixo com significado de esquerda é levo, o que quer dizer que são levófobos, ou levofóbicos, quiçá PTófobos, uma manifestação de esquizofrenia, de rompimento da unidade cerebral, retalhando-os em dois.
É uma fobia induzida pela mídia e pelos atualmente investigados, fazendo-os irracionais, capazes de, diante de uma mulher em agonia, chamá-la de vaca, vagabunda, puta... Desejando que morra ou fique aleijada, simplesmente por ser petista.

Rio, 25/01/2017.

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