quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O governo Temer derrete, por Jasson de Oliveira Andrade



Politicamente o governo Temer vai mal. Muito mal. No entanto, a grande esperança dele, juntamente com Meirelles, era a Economia. Mas a política econômica está muito pior do que a política. O que era a tábua de salvação, está contribuindo, como diz André Barrocal na CartaCapital, para o governo Temer “derreter”. É o que vamos ver a seguir. 

Vinicius Torres Freire, em artigo à Folha, sob o título “Falido, fedido e com juros altos”, constata: “O governo Temer e os fugitivos da polícia no Congresso decidiram manter as taxas de juros no alto, baixando ainda mais o nível da política. Contribuem para prolongar a recessão.” Adiante ele acrescenta: “Temer corre o risco de se tornar inoperante. Que não consiga nem ao menos estabilizar um país em estado crítico. (...) Note-se que nem está em discussão o teor das lambanças (sic), mas apenas o seu preço. Observe-se ainda que “pinguela” foi o apelido dado por Fernando Henrique Cardoso ao governo, corruptela do nome do programa ultraliberal lançado por Michel Temer faz mais de um ano, o “Ponte [“pinguela”, segundo FHC] para o Futuro”. (...) O sistema político está “falido” e “fedido” (sic), como disse ontem [29/11] Renan Calheiros, expert no assunto. Mas, caso a fedentina não leve o povo para as ruas, o sistema talvez seja tolerado em sua forma zumbi operante, aprovando as reformas de consenso na elite. (...) O sucesso desse acordo tácito entre elite econômica e zumbis fedidos (sic) depende também, ora vejam, da realidade. A economia não embicou para baixo de novo, mas ainda não sai do lodo do fundo do poço (francamente, não dá para dizer se sobe ou se desce). Mas o desemprego cresce ainda cada vez mais rápido. (...) O déficit desesperador e juros muito altos levam até economistas “liberais” respeitáveis e em geral fleumáticos a SUGERIR ALTAS DE IMPOSTOS (destaque meu) para apressar o ajuste fiscal e o desaperto monetário.” Em outro artigo, publicado em 4/12, Vinicius revela: “Recaída foi o assunto da semana. A recaída da economia em ritmo acelerado de recessão (sic). A recaída na crise política aguda. A recaída de um presidente, pois se discute de modo aberto se Temer resistirá no cargo (sic)”. A conferir!

Preocupante, para dizer o mínimo, é essa informação do Painel (FOLHA), de 4/12: “Cresce no setor privado o temor de que Michel Temer não dê conta da crise política e econômica. Mesmo entre figurões do mercado financeiro, reduto que rendeu maior entusiasmo ao presidente até aqui, diz-se que o “inferno astral” está em curso. Os cálculos embutem o risco de Temer perder ministros próximos para a Lava Jato. (...) Caso uma tempestade perfeita se forme, todos – o PSDB à frente – pularão no barco da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE”. 

A reportagem de capa da revista CartaCapital (7/12) é ainda mais alarmante: “O Governo derrete – Economia em queda livre; confronto com a Justiça e a Lava Jato; protestos em alta; novas denúncias de corrupção... Até quando Temer resiste?” Segundo o jornalista André Barrocal, autor desta reportagem da revista (“BECO SEM SAÍDA”): “Os apoiadores do impeachment começam a ficar impacientes”. Até mesmo Hélio Bicudo, um dos que assinaram o pedido de impeachment de Dilma, como vimos no meu artigo anterior. Ele também aderiu à campanha “Fora Temer”!

Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau, no Estadão (4/12), comentam: “Tratada com reservas e incredulidade até duas semanas atrás, a possibilidade de que o presidente Michel Temer não chegue ao final do mandato em 2018 agora é discutida abertamente nos meios políticos. (...) No Congresso, o cenário de interrupção do mandato de Temer e realizações de eleições indiretas já é debatido abertamente. (...) Partidos avaliam que está se formando a “tempestade perfeita” para Temer com a economia patinando, quedas sucessivas de ministros sob acusações de corrupção, a delação da Odebrecht e manifestações de rua tanto à esquerda, que já pede explicitamente “Fora, Temer”, quanto à direita que, por enquanto, mantém o foco no Congresso e poupam o presidente”. 

Com toda essa gravíssima situação, em que seu governo “derrete” ou se “resistirá no cargo”, Temer pede “serenidade e paciência”. Sem comentário!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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