quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

NO IMAGINÁRIO DEMENTE DA CLASSE MÉDIA INSEGURA Lula, o gênio do crime/ladrão de galinhas



Lula é um personagem engraçado. No imaginário da classe média despreparada — aquela que lê um ou dois livros por ano, que se informa pela superficialidade das revistas, da TV e de livros de autoajuda de negócios — ele concentra a imagem de tudo que há de ruim, aquilo que ela não quer ser: Lula cheira a pobre, a trabalhador braçal. Ainda que seja político há incontáveis anos, esta imagem (muito por seu próprio marketing) não desgrudou dele, de sua barba mal aparada e de seu corpo robusto onde os ternos não caem bem.

Fruto de seu problema crônico de identidade (alguém que não é miserável, mas também não é parte da elite) a classe média passa a vida tentando correr em direção à imagem da riqueza e rechaçando tudo que lhe lembre o que é miserável, exceto no espírito, e, sobretudo, no seu próprio espírito.

Ao modo de toda e qualquer pessoa insegura sobre o que se é, a vida da classe é media é tentar autoafirmar uma identidade nobre. Ela nem sabe ao certo porque repele Lula, mas o motivo é evidente: ele é a parte dela que ela própria detesta. Por ser, em seu imaginário, a pior parte, é fácil aceitar que em Lula se aglutinem todas as características negativas, ainda que sejam auto-excludentes. Não importa que não faça sentido, não importa que não tenha lógica. Ele leem Veja, nunca estudaram as falácias, “Aristóteles” é o nome de um grego que fez alguma coisa importante e “silogismo” é um palavrão. Por isso, cabe em Lula a imagem de um ignorante que nunca fez faculdade, alguém burro, mas inteligente o suficiente para ser presidente do Brasil, comandar um esquema bilionário e ocultar as provas. Lula, o presidente ignorante, é capaz de ocultar seu patrimônio em uma investigação de três anos, com dezenas de delatores, conduzida por centenas de pessoas que fizeram faculdade, pós-graduação e passaram em primeiro lugar em concursos públicos conhecidos pelo seu nível de exigência (pelo menos no aspecto da memória). Como Lula, o ignorante, é, ele próprio, capaz disso? Pela safadeza, obviamente. A “safadeza” é um atributo que, no imaginário da classe média, é capaz de oferecer poderes especiais, superpoderes, a qualquer pessoa. No imaginário da classe média, basta você ser safado que as coisas darão certo para você: a safadeza comanda o mundo. Por essa razão eles subornam os guardas, furam fila, sonegam impostos e falsificam a carteirinha do cinema. E se, por acaso, eles ascenderem socialmente, num abrir e fechar de olhos, se esquecerão que foi por obra da safadeza (ou da ajuda de um pai, ou das facilidades de um programa de governo) mas, muito pelo contrário, acreditarão com sincera e profunda convicção, que foi por mérito próprio, por certa nobreza que sempre tiveram. Mérito é características dos que triunfam; a não ser, é claro, que esta pessoa tenha um ar pobre, aí, naturalmente, seu sucesso será obra da safadeza. Ela nunca possuiu nobreza!

Por meio do que Orwell chamou “duplipensar” (a capacidade de crer em duas ideias opostas ao mesmo tempo) o indivíduo de classe média consegue crer que Lula desviou bilhões do governo e, ao mesmo tempo, roubou o faqueiro de ouro do palácio da Planalto. Afinal, de tão safado que é, Lula seria incapaz de resistir ao ver faqueiros de ouro. Ele que passou parte da vida como pobre, não conseguiria conter os movimentos dos próprios dedinhos ao ver o brilho cintilante e amarelo, e já como presidente da república, juntaria todos os talheres e meteria de uma vez dentro da pasta, indo descarregar no apartamento, junto da Dona Marisa, que acharia lindo aquele souvenir de cozinha. Ele tendo passado parte da vida como pobre, não resistiria, mas já com setenta anos continuaria morando em um apartamento de quinhentos mil reais em São Bernardo e frequentando um sítio mequetrefe de final de semana. Nada de milhões na Suíça, de aeroporto na fazenda do tio, de apartamento de milhões de euros na Avenue Foch em Paris. A tipificação de sua corrupção, de sua posição como líder máximo de um esquema de corrupção bilionário, é um apartamentozinho jeca em São Bernardo. Afinal, ele é tão safado que só lhe interessa roubar, é incapaz de saber o que fazer com o dinheiro. Se ele não fosse um pobre safado, saberia bem como empregar o dinheiro, se ele fosse, por exemplo, de classe média. Daquela mesma classe média que desconfia que a diarista que hoje, graças aos programas do PT, ganha mais de mil reais por mês, roubaria sua aliança de ouro de menos de mil reais (que não dá nem um mês de salário), unicamente pelo impulso de roubar, e se põe a fuxicar nas coisas dela, para depois perceber que se esqueceu da aliança no motel com o/a amante. Não me parece estranho que também desconfie que um presidente roube um faqueiro de ouro.


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