sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Entre juiz ditador megalômano e politico corrupto, melhor ficar com o politico. Pelo menos esse último dá pra trocar de vez em quando.



Não se está mais escolhendo entre um país mais ou menos justo. Não se está escolhendo entre um país com maior ou menor grau de crescimento. O golpe e a direita levaram esta discussão ao solo. Com a famigerada PEC 55/241 já sabemos que por 20 anos será um país injusto e que pouco crescerá. Dado tal contexto, o golpe nos levou à pequena escolha entre renan's e dallagnois. Entre geddeis e moros. Nesta situação apresento cinco argumentos do porquê fico dolorosamente com renans e geddeis.

1) como lembrou a Rita Zanon, entre o autoritarismo judiciário e a corrupção legislativa fico com a corrupção porque já temos conhecimento desta moléstia. Historicamente lidamos há muito com o político corrupto e diria que diante das circunstâncias fazemos com certa taxa de sucesso.

2) um político argentário e corrupto é um mal cujo preço eu posso pagar. Dinheiro enfim é quantificável. Já o que moros e dallagnois querem é obscuro. O preço deles me parece um autoritarismo conservador religioso, uma luta moral atávica contra um "mal" que só eles veem, o tal comunismo de "Marx e Hegel".

3) entre duas desgraças de porte semelhante escolha sempre aquela contra a qual você possua as melhores armas, ainda que não vença é reconfortante a luta. Contra um legislativo corrupto temos o voto. Contra o hermetismo pseudo-intelectual do judiciário não se tem nada.

4) a mera possibilidade da eleição de novos corruptos configura, de certa forma, distribuição de renda. Trocando-se, sazonalmente, o político que rouba temos a possibilidade de inverter recursos em outros ciclos de desonestidade. No judiciário não há escolha alguma, eles passam em um concurso e se tornam divindades que sustentamos, nos submetemos e nada lhes podemos exigir ou impor. É a glória e vida. Formam-se verdadeiros feudos jurídicos com pais e filhos por décadas dominando o judiciário de estados inteiros. Procure sobre a dinastia zveiter no rj, por exemplo.

5) ingenuamente acreditamos que estas duas categorias são estanques: políticos corruptos não são autoritários e o judiciário autoritário não é corrupto. A verdade, porém, é mais desesperadora. Um judiciário em que a imensa maioria de seus membros ganha mordomias imorais, vencimentos acima do teto e ainda decide em causa própria não pode ser um exemplo de lisura. Isto que não falamos na venda de sentenças, liminares e no tráfico de influências, nomeações de filhos e parentes e etc. Assim a verdade é que nosso judiciário é corrupto também. O legislativo portanto é "apenas" corrupto, porque o autoritarismo se dissolve dentro da própria lógica legislativa e não se impõe. Ademais políticos não tem o poder cogente do judiciário.

Levados, como estamos, a decidir entre dois males eu fico com a corrupção legislativa. Prefiro alguém que me roube e me deixe em paz, do que alguém que me roube, ameace me prender, me grampeie ilegalmente, me humilhe e me exponha publicamente apenas com "convicções" e etc. Mais ainda, dá um certo sentido de movimento eu saber que posso escolher quem vai me roubar. A cada quatro anos um grupo novo de ladrões pode tomar posse, quem sabe um dia elegemos ladrões menores... E vamos minorando até o limite do suportável. Escolher é sempre melhor do que ser forçado. O ativismo do judiciário que estamos presenciando não tem absolutamente nada a oferecer para a sociedade. Juízes e promotores incontidos, tagarelas, pedantes e autoritários deixaram há muito de serem juízes e promotores.



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