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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Xico Graziano imita juiza que liberou tortura contra alunos, e prega a volta de FHC


Chega a ser engraçado o artigo que Xico Graziano publicou hoje na Folha - já a partir do título, "Volta, FHC". Está ele lá, dando vida à ideia de dar um mandato-tampão ao príncipe dos sociólogos.

Graziano diz que vai expor uma opinião "com total desprendimento e isenção". Em seguida, explica que serve FHC com dedicação (o verbo "servir" é dele) há mais de 30 anos.

Prossegue com uma puxação tão deslavada que deve colocar sob prova até mesmo o ego de Fernando Henrique: "Sigo sua liderança e me espelho no exemplo do homem que tem sido capaz de se reinventar a cada instante, tendo se tornado o ponto de equilíbrio dessa nação esfacelada pela crise econômica, social e política".

Fim da apresentação de nosso salvador. Começa a explicação sobre a realidade. É um verdadeiro mostruário das platitudes do discurso conservador:

"Para entender a política contemporânea, precisamos escapar da antiga dicotomia entre esquerda e direita". (Como afirmam dez entre dez direitistas.)

"Na sociedade pós-industrial, velhas ideologias pouco importam". (Essa "novidade", que Daniel Bell anunciou já em 1960, tem sido refutada pela realidade todos os dias, desde então.)

"Escasseiam operários, abundam autônomos e empreendedores no mundo tecnológico." (O esforço, como sempre, é travestir o trabalhador precarizado com a roupa do empreendedor autônomo, sem mudar em nada sua situação social, mas rompendo sua solidariedade de classe.)

"Causas sociais, organizadas via internet, substituem a luta de classes". (Já aqui a originalidade do autor precisa ser reconhecida: fala-se muita bobagem sobre o fim da luta de classes e sobre os efeitos da internet, mas a determinação direta de que uma ocasionou o fim da outra é inédita.)

Segue-se uma "profunda" análise do resultado da eleições: derrota da velha política, equiparada ao PT e sua roubalheira; vitória do novo, representado pelo PSDB, por Doria, por Crivella, por Kalil, por ACM Neto, todos citados nominalmente.

Por meio de um raciocínio cuja complexidade deve ser tão grande que eu não consegui alcançar, a festejada renovação política leva à conclusão de que é preciso entronizar na presidência a "vasta experiência, sensatez e sabedoria [de FHC], para nos conduzir nessa difícil travessia". FHC, afinal, "representa a decência na vida pública", afirmação que exige ou uma dose cavalar de memória seletiva ou uma completa reconceituação de "decência", a fim de incluir coisas como privataria ou compra de votos parlamentares.

Se bem que isso, na verdade, é colocado na conta da "maledicência lulopetista". Agora, diz Graziano, "a história resgata sua dignidade". História, já se vê, é o codinome da mídia empresarial. Ou ele está se referindo ao Villa?


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