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sábado, 22 de outubro de 2016

[ Parte 2 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


Ainda não será neste capítulo que vou entrar na etapa de análise propriamente dita do livro de Silvio Navarro que retrata com a segurança de um cego em meio a um tiroteio os supostos principais pontos do assassinato do prefeito Celso Daniel. 

A obra editada pela Record é um precipício como fonte de consulta, exceto se ganhasse um carimbo na capa com gigantesca e inescapável advertência de que se trata de uma mistura de realidade (principalmente em pontos pouco influentes) e ficção (nos pontos conclusivos), além de omissões às pencas. 

Realidade onde interessava ao autor destilar juízo de valor estruturado para transformar ficção em enganação. Quanto às omissões, é melhor imaginar que se tratou de deficiência de planejamento e organização do produto vendido impunemente como suprassumo de competência esclarecedora. 

Vou dizer com todas as letras e numa frase contundente o que sugiro ao autor do livro que trata mal e porcamente da morte de Celso Daniel: vá se preparando para levar uma surra de informações, de dados, de provas, de tudo que jogou na lata do lixo quando pretendeu, com o apoio de coleguinhas de imprensa igualmente enviesados, transformar um crime comum exaustivamente investigado por uma força-tarefa gigantesca da Polícia Civil do Estado de São Paulo (sob as ordens do governador tucano Geraldo Alckmin) em crime político-administrativo. 

Respeito ao jornalismo

O que me move a preparar série de capítulos sobre o livro de Silvio Navarro é o respeito ao jornalismo e aos leitores. Todos sabem que não tenho ligação alguma (e jamais tive) com o Partido dos Trabalhadores. Tampouco com qualquer outra agremiação político-partidária. Por isso, quem tentar me carimbar com a pecha de petralha vai cair do cavalo da ignorância e da apelação vadia. 

A maioria dos petistas me detesta porque sou crítico rigoroso não só das bobagens que deixou como legado após 13 anos de administração do governo federal (da mesma forma que não se pode negar a sensibilidade social demonstrada antes que a vaca da inflação e do desgarramento fiscal fizessem os estragos conhecidos) mas também porque conta com algumas ramificações com as quais não convivo, principalmente um sindicalismo cutista fora de moda que impera na Província do Grande ABC. 

Feito esse breve esclarecimento para que não percam tempo na tentativa de me desclassificar (os petistas não me apreciam muito, como já disse, mas me respeitam porque sabem que não faço o jogo que eventual ou sistematicamente sensibilizaria o outro lado da moeda ideológica e partidária), o melhor mesmo é Silvio Navarro preparar-se para apanhar. No sentido figurado da expressão, claro.

Afinal, ninguém deve ficar impune diante de tantas barbaridades impressas e, ainda mais, enaltecidas por coleguinhas de diferentes mídias, a maioria de grande porte. Formou-se um cordão de bajuladores mais que autoexplicativo, além de condenatório no sentido de que mandaram às favas as investigações policiais. Preferiram a versão fantasiosa do Ministério Público, cujo desfecho não passou da homologação formal de pauta pré-definida. 

Prepare-se para a surra 

Aviso cautelarmente ao jornalista autor do livro de Celso Daniel que vou lhe dar uma surra informativa e interpretativa porque, definitivamente, não existem termos de comparação em qualquer sentido que se coloque, entre o que sei, o que já escrevi e o que ainda vou escrever sobre o caso Celso Daniel e tudo aquilo que ele, Silvio Navarro, copiou de terceiros igualmente doutrinados à condenação de um inocente chamado Sérgio Gomes da Silva. 

Sei que Silvio Navarro vai tomar a mesma decisão dos três promotores criminais que apuraram o caso Celso Daniel com a destreza de um comediante metido a esgrimista: fugirá da raia ao convite que lhe proporei. Que convite? Que escolha local, horário e o que mais entender para um debate sobre tudo o que escreveu tendo como sparring este jornalista e seus inúmeros textos. 

Se tiver juízo Silvio Navarro jamais vai atender à provocação. Os promotores criminais não caíram na armadilha que lhes propus porque sabiam que não teriam respostas às inúmeras contraposições que lhes faria e, mais que isso, não segurariam a barra de declarações que fizeram ao longo das investigações previamente determinadas a criar um enredo de culpabilidade de um inocente que precisava ser transformado em bode expiatório. 

Tudo fazia parte de uma medição de forças de um jogo que começou no Paço Municipal de Santo André com a revolta misturada de campanha eleitoral do PT naquele ano de eleições presidenciais e o maquiavelismo tucano que nasceu no Palácio dos Bandeirantes com a nomeação da força-tarefa do Ministério Público. 

Mais um a correr 

Se os promotores criminais fugiram da raia (e continuarão a fugir porque não são bobos nem nada) o que dizer então de um jornalista que se meteu numa seara senão de forma oportunista, no mínimo afoita? Silvio Navarro não fugiria, portanto, do enredo firmado pelos promotores. Dará certamente uma corridinha dissimulatória a qualquer questionamento que lhe fizerem sobre o que pretendo lhe aplicar de corretivo para que jamais e em tempo algum repita a estupidez de se fiar em remendos informativos que beiraram o ridículo, transformando-os em matéria-prima de uma obra supostamente literária. Nenhum produto editorial, por mais bem acabado graficamente que seja, resiste à materialidade irrefutável da verdade dos fatos. 

A dúvida que tenho à abordagem dos capítulos que vão dinamitar grande parte dos argumentos expostos por Silvio Navarro (há um volume de informações corretas que na verdade foram utilizadas como plataforma à conexão com pecados capitais) é se vou me restringir exclusivamente aos pontos centrais daquele livro. 

Existe grau de inconsistência informativa, ou seja, sem determinismo explicativo, que não merecerá atenção alguma, porque não acrescenta absolutamente nada à proposta de trazer fatos novos do caso Celso Daniel, como pretensiosamente se vendeu o produto hoje nas livrarias. 

Imaginem no cinema

Se o que Silvio Navarro narrou no livro monitoradíssimo pelo delegado Romeu Tuminha (raivoso adversário do petismo,) for levado mesmo ao cinema, juro que sentirei uma dor no coração como jornalista e amante da nobre arte. Terei, por dever de ofício, de acompanhar o thriller mesmo sabendo que se trataria de uma aberração. Exceto claro, se os diretores responsáveis pela produção tiverem o bom senso e a honestidade profissional de advertirem os espectadores sobre o caráter fantasioso da atração. 

De qualquer forma, mesmo sabendo que Silvio Navarro vai fazer de conta que não sabe do desafio que lhe fiz (assim como reagiram os promotores criminais) reitero o convite para que marque hora e local a um debate franco e aberto sobre a obra que acaba de produzir. Pode levar os promotores à tiracolo. Com todo o respeito, vou derrotar a todos.  

Conto com uma vantagem estratosférica e que diz respeito ao sagrado dever de homenagear, também pós-morte alguém a quem jamais neguei testemunho jornalístico quando em vida: a verdade dos fatos sobre a inocência violentada de Sérgio Gomes da Silva.


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