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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Um golpe midiático-2.0 contra o Brasil



Um golpe planejado com requintes e nas barbas das autoridades, desde 2013.


Observação: Comecei a escrever este texto durante as manifestações de julho de 2013 e concluí em novembro de 2014. Para mim, ali naquele momento estava sendo gestado um golpe contra o Brasil. Não apoiei as manifestações, aliás fui contra desde o primeiro momento. Lutei no facebook e no twitter contra todos que defendiam e apoiavam “às ruas”. Essa “câmara baixa”, como chamam os portugueses, que se expressou no domingo naquele circo de horrores da votação do pedido de impeachment, é o retrato daquelas manifestações – fechando o círculo. Inicialmente, o texto era um decálago e depois foi crescendo, indo até às eleições de 2014. Mais exatamente quando a Gestapo de Curitiba, em parceria com a revista Veja, pariu seu primeiro golpe. Dilma foi forte, ocupou a TV e atacou bravamente os golpistas. Quando tiver um tempo, continuarei com os tópicos pontuais do golpe que prosseguiu – logo após as eleições, entrando 2015 e virando 2016. Temos aqui um pré-roteiro de um golpe dos novos tempos. A primeira investida, a preparação para o que estamos vivendo hoje no país. Sem bombardeios, sem mariners, mas com a mesma violência e agressividade.

PS – lendo hoje, me surpreendo com termos como “golpistas” e “mídia golpista”, entre outros, hoje tão familiares aos nossos ouvidos.

Um golpe midiático-2.0 contra o Brasil

(julho/2013 – novembro/2014)

Onde tem petróleo e gás, tem guerra imperialista, como todos sabem. Não é diferente no Brasil, país detentor da maior reserva descoberta de petróleo do mundo moderno – o Pré-Sal. No Oriente Médio, especialmente, a tática utilizada é simples e direta ao ponto. Criminalização das lideranças políticas, desmoralização internacional do país e do povo, bombardeios aéreos e ocupação territorial.

No Brasil, isso torna-se impossível diante da dimensão continental do país e da quantidade de capitais populosas. Então, a guerra é virtual, tecnológica, política, no momento eleitoral, com uso de todas as ferramentas modernas. Portando, estamos guerra desde o ano passado, especialmente, enfrentando e derrotando uma aliança que inclui a mídia golpista nacional e setores políticos internos. (2014)

Um passo a passo

01 – No dia 13 de junho de 2013, a Polícia Militar de São Paulo -lembram de Carandiru? -, reprime de forma brutal a manifestação pacífica de estudantes, jovens e povo em geral por redução de tarifas, como já havia ocorrido em Porto Alegre, de forma até certo ponto pacífica, em ação desmedida, com evidente espírito provocador.

02 – Na quinta-feira, dia 14, quando ocorreria nova manifestação, logo após a brutal repressão da Polícia Militar de São Paulo, IMEDIATAMENTE é postado no Youtube vídeo de Thismr Maia, pseudônimo de Silvio Roberto Maia Junior, porta-voz do movimento Change Brazil, com o objetivo, segundo ele, de “sujar o governo brasileiro no mundo”.

03 – “Por coincidência’, no mesmo dia 14, os Estados Unidos anunciam a nova embaixadora no país, senhora Liliana Ayalde, vinda do Paraguai, onde recentemente havia sido dado um golpe derrubou Fernando Lugo, com características parecidas ao que acontece aqui, que aliás tem o mesmo perfil em todos os países latinos, maiores ou menores.

04 – Nesse meio tempo, depois de igualar o movimento organizado pelo MPL ao “PCC”, a Rede Globo, por meio de seu porta-voz, Arnaldo Jabor, “pede desculpas” aos manifestantes, demarcando o início da estratégia golpista da mídia, sob o comando da Família Marinho, alinhando a partir dali as demais redes de comunicação, que passaram a reproduzir a linha central do golpismo.

05 – Na mesma direção, entra em campo o fake Anonymus, em versão tucano-golpista, ao mesmo tempo em que, de forma visivelmente orquestrada, espalham-se pela rede informações, incluindo declarações de IR, ditas hackeadas, de políticos brasileiros, com ênfase o filho de Lula e outros petistas, tentando criar um clima de “queda da bastilha”.

06 – No campo da manipulação da informação na Internet, os golpistas 2.0 promovem o hackeamento do MPL (Movimento do Passe Livre), já no início das manifestações, para convocar, em nomes dele, manifestações diferentes das originais, em São Paulo, e postando bandeiras distintas daquelas do movimento (como a MP dos procuradores, por exemplo).

07 – A partir de então, de forma totalmente inédita na história política do país, manifestações são marcadas para ocorrerem durante a noite, estendendo-se em sua maioria até por volta de meia-noite, ou mais, quando, já esvaziadas, são tomadas por bandidos de toda ordem que depredam e criam um clima de terror.

08 – Em acordo, ou não, com a mídia golpista, e com os bandidos, os organizadores das manifestações abandonam a ideia de angariar adeptos às suas idéias à luz do dia, e refugiam-se na noite com o evidente e único objetivo de gerar imagens de caos para as televisões e jornais golpistas.

09 – Também contrariando a tradição da história de manifestações populares no Brasil, “alvos” são criteriosamente selecionados, com o Itamaraty, o aeroporto de Cumbica, grandes rodovias, estádios de futebol, pequenos estabelecimentos comerciais, prédios públicos, bancos públicos, pontes como a Rio-Niterói e a de Uruguaiana (no RS com Argentina).

10 – Também de forma inédita em manifestações políticas no Brasil, manifestantes, muitos aliás, mascarados, “vestidos para a guerra”, como nos clássicos filmes de seriados, tomam se assalto às marchas, de forma planejada e organizada, com a clara intenção de promover a desordem e criar clima de desordem e destruição por onde passavam.

11 – Durante os primeiros dias das manifestações, agindo de forma articulada, a mídia golpista distribui nacionalmente, por meio de suas agências, matérias, opiniões de articulistas, coberturas de televisão, etc, tudo em perfeito alinhamento editorial, estimulando a manifestação, e fortalecendo a PAUTA DO GOLPE, especialmente voltadas para o “combate à corrupção”.

12 – Ainda a mídia golpista aposta claramente na “mobilização”, tratando os arruaceiros, em cada vez maior número, de “minorias”, contrariando sua prática histórica de acusar os movimentos sociais e sindicais organizados de “baderneiros” quando eles vão às ruas das grandes cidades lutar por melhores salários e condições de vida.

13 – Amparados na experiência, e provavelmente no mesmo aparato utilizado na campanha eleitoral passada (2010), explode na Internet uma articulação em rede, com presença de “centros emanadores” de informações, e personagens amplificados o policial que convoca uma Greve Geral, ou alguém que diz que “Dilma vai fechar a Internet”, entre outras atividades que se multiplicam sem qualquer questionamento.

14 – Na sexta-feira, 17, a Rede Globo insere na novela das 8, cena em que o personagem praticamente cita o ex-ministro José Dirceu, vinculando-o ao tema da corrupção, para preparar o terreno da mudança da pauta das manifestações do final de semana, especialmente no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, que passariam a ser “dar um basta na corrupção”.

15 – Absolutamente contrária a prática política brasileira, é inserida no coração do movimento a tese da exclusão das forças políticas organizadas, ou seja, partidos, centrais sindicais, sindicatos, entidades de classe, inclusive as estudantis, das manifestações sob o argumento de que o “povo não quer bandeiras” – com o objetivo de fortalecer a ideia de “rede”, ou da Rede.

16 – Em manifestação de Brasília, é preso um dos responsáveis pelo ataque ao Itamaraty, que se encontrava em situação de PRISÃO DOMICILIAR, mas estava no local, “vestido para o crime”, munido de COQUETÉIS MOLOTOV, ou seja, claramente organizado, municiado e orientado para dizer que agiu por conta própria, como de fato fez quando foi preso.

17 – Uso de inocentes úteis, adeptos da “revolução 2.0”, que por esquerdismo, ilusão de classe ou influenciados por parcerias externas – muitas delas atuam no Brasil, especialmente entre a juventude -, acabam dando cobertura inclusive e, por vezes, principalmente, à baderna nos finais de noite, assim amplificando o clima de “desordem revolucionária”.

18 – Furada a greve geral marcada por Facebook, e vitoriosa a GREVE GERAL verdadeira, dos TRABALHADORES, a mídia golpista passa a investir contra a legitimidade do Movimento Sindical, questionando rancorosamente, com apoio de setores esquerdistas, a representatividade dos dirigentes e entidades mais combativas, ao mesmo tempo em que atuam para cooptar outros segmentos mais tradicionais e/ou oportunistas.

19 – Em regiões, não por acaso referências políticas para o país, como Porto Alegre e Rio de Janeiro, na seqüência das manifestações, movimentos de natureza esquerdista-anarquista passam a agir de forma agressiva, invadindo instituições democráticas, como na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Natal e Salvador, buscando criar “jurisprudência” para a inexistência do Estado de Direito.

20 – No pós-manifestações, a mídia golpista insiste em atacar 1) as instituições democráticas, os partidos, a política 2) o movimento social, o movimento sindical, os sindicatos, as centrais sindicais, com o objetivo de fortalecer a aliança Mídia + Justiça como “alternativa” de poder para o futuro, que se traduziria na candidatura de Joaquim Barbosa, o probo da República, que não vingou.

21 – Superada essa primeira onda, a operação do “golpe 2.0” prossegue com uma brutal campanha contra a realização da Copa do Mundo e/ou qualquer possibilidade de sucesso, alinhando-se praticamente a totalidade da grande mídia e os setores políticos organizados da oposição, incluindo segmentos da sociedade civil.

22 – A campanha vai até a realização da Copa, incluindo a “vaia” ofensiva na Presidenta do Brasil na abertura do evento, antecedida de toda sorte de matérias questionando prazos de obras, qualidade dos equipamentos, eficiência dos serviços como aeroportos, hotéis etc.

23 – Sob a hashtag ‪#‎nãovaitercopa‬, a mobilização da mídia e da oposição golpista explora informações “terroristas” como “alertar” os turistas sobre riscos de “epidemia de dengue” no período da Copa, risco de assaltos, estupros e outras violências nas ruas, entre outras ameaças menores.

24 – Em meio ao insucesso das suas ações, e diante de uma Copa do Mundo vitoriosa, em Belo Horizonte, Minas Gerais, sob governos do PSB e do PSDB, em plena Copa, cai um viaduto, matando pessoas, por sorte não resultando em uma tragédia ainda maior, com evidente repercussão negativa para o evento.

25 – Frustrado o registro do “partido” da Rede, Marina Silva assume o papel de vice na chapa de Eduardo Campos, do PSB, com a expectativa de alavancar a candidatura do ex-governador pernambucano, o que não acontece.

26 – No auge da primeira fase da campanha, travados nas pesquisas, sem qualquer evidência de um possível crescimento, o avião de Eduardo Campos cai em acidente, inexplicavelmente sem caixa-preta, e sem qualquer apuração das causas até o momento (2014).

27 – A mídia golpista transforma a morte do ex-candidato do PSB em um ritual quase religioso, e elege Marina Silva sucessora, realizando e divulgando pesquisa eleitoral antes mesmo de enterro, com números superfaturados ao sabor do momento emocional.

28 – Diante da fragilidade e da decadência da campanha de Marina Silva, que apresenta um programa explicitamente neoliberal, a mídia golpista e seus mandantes externos voltam a apostar em Aécio Neves com alternativa para implementação de seus planos.

29 – No período eleitoral, ficam evidentes a manipulação das pesquisas eleitorais e o uso dos resultados como instrumento de indução dos eleitores, especialmente em São Paulo, de uma maneira ainda mais radical do que tradiconalmente ocorrera na história política do país.

30 – Os golpistas, aliados com setores da Polícia Federal e da “Justiça” brasileira, e a mídia, vazam trechos editados de depoimentos da Operação Lava Jato, para incriminar o PT e atingir sua candidatura, mas têm uma forte reação da candidata Dilma Rousseff, que termina derrotando Aécio Neves.

(...)

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