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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O que eu acho do jornalismo brasileiro e dos jornalistas brasileiros - ou melhor, da maioria deles.



Eu sempre menciono o jornalista americano investigativo Greg Palast. Talvez tenha gente que nunca ouviu falar do cara. Mas eu não farei a apresentação. O interessado ou curioso pode simplesmente usar o Google.

Palast não é exemplo do jornalismo americano. Ao contrário, por seus escritos você percebe que é uma exceção entre seus pares. 
Mas deixa eu dar um exemplo. Antes de tudo, uma das coisas mais sedutoras em seus textos é o estilo livre, quase literário. Às vezes ele emula um daqueles personagens de livros de detetive particular, tipo Dashiel Hammet: "Eu estava no meu escritório, quando ela entrou..." sabe, esse tipo de coisa.

Só que quando Palast está em seu escritório, não são vamps sedutoras que entram pela porta. São documentos secretos sem remetente, que surgem no fax, memorandos confidenciais do FMI ou do Banco Mundial que vêm voando, entram pela janela e acabam em sua mesa.

Uma ocasião, ele estava "parado na frente do Hotel Hilton de NY, durante a grande conferência do G7 em 2000 (...) quando a limusine que transportava o diretor do FMI aproximou-se e bateu num obstáculo. Da janela voou um relatório intitulado 'Estratégia de Assistência Interina para o Equador'. Continha a rubrica 'Confidencial. Não deve ser distribuido'. Você pode até achar que o documento não chegou às minhas mãos exatamente assim..."

De acordo com Palast, ele procurou nas "Estratégias para o Equador" um capítulo sobre conectar as escolas do país à Internet. Mas o que encontrou foi um plano secreto que, segundo ele, lembrava um golpe de estado financeiro. Coisas como obrigar o governo do país a aumentar o preço do gás de cozinha em 80%, eliminar 26 mil empregos e reduzir o salário dos funcionários remanescentes em 50%, transferir o controle de seu maior sistema de água para operadoras internacionais e conceder à British Petroleum o direito de construir seu proprio oleoduto nos Andes, entre outras obrigações constantes num calendário de quatro estágios, predeterminado pelo FMI, num total de 167 condições impostas pelo órgão, em troca de acesso a empréstimos.

Pois bem. Imaginem esse memorando secreto caindo em mãos de algum jornalista da Veja, da Folha, do Estadão, ou do Globo.

Voltaria rapidinho às mãos do FMI, com o envio pago pelas próprias empresas jornalísticas e jamais nenhuma informação dessas se tornaria do conhecimento da população, até o momento em que as medidas estivessem sendo implementadas.

É isso.

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