domingo, 30 de outubro de 2016

Delator entrega: "Era dez conto pro Lula"



Essa aqui é atual. Na verdade, não é verdadeira, mas poderia ser. Ou é verdadeira e eu que não quero apavorar ninguém. Enfim.

O federal entra todo animadão na sala do superior dele. E relata que a equipe descolou uma testemunha delatora da mais alta confiabilidade. Dessa vez o Lula tava lascado, sem volta. O superior ficou todo entusiasmado, diante da possibilidade de se tornar uma celebridade. E manda trazer a tal testemunha.

Os meganhas fazem o serviço e levam o delator diante do bacana.

- Um papagaio?! Que merda é essa? Uma brincadeira?

Um dos agentes tentou argumentar, dizendo que outros menos qualificados serviram antes e, por isso, não havia motivo para não escutar o que psitacídeo tinha a dizer. O superior concordou.

- Diz aí, passarinho, qual que é a do Lula?

- Croac! Polly quer biscoito.

- O QUÊ!!!!?

O chefe bate na mesa e assusta o bicho:

- Que é que você falou? Repete, se for ave!

- Er..."Pro Lula era dez contos! Pro Lula era dez contos!"

Ah!!!! Era isso que todos queriam escutar. Agora a casa, ou melhor, o duplex do Lula ia cair.

- Onde vocês arrumaram esse bicho?

- Ah, chefe, a história é longa. Ele pertence a um sujeito que é tipo uma enciclopédia de história do Santos Futebol Clube.

- Uai, mas que bizarro.

- Pode ser bizarro, mas olha só o que ele disse.

- Onde será que ele ouviu essa história?

- Vamos perguntar mais coisas, ver que mais ele sabe.

- Diz aí, ô Zé Carioca, que mais você sabe?

- Croac! O Santos ganhou jogo!

- E daí? Que isso tem a ver com o Lula?

- Croac! Loro! O bicho pela vitória era 50 conto pro Pelé! Era 40 conto pro Pepe. Pro Lula era dez conto! Croc! Loro!

O Lula a que o papagaio se referia era o técnico do Santos nos anos 50 e 60.

Mas os federais resolveram apresentar o papagaio como testemunha confiável mesmo assim. Vai que colasse.

Naquela semana, saiu até reportagem de 50 páginas na Veja, sobre a "delação" do papagaio, e os leitores da revista acharam normal. A delação foi aceita na Lava Jato. O Lula estava com os dias contados.

FIM


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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O brasileiro não é apaixonado por carros, é apaixonado por status



Ao longo dos anos nos acostumamos com a afirmação de que nós brasileiros somos apaixonados por carros.

Por conta de meu trabalho, como educador financeiro, me acostumei a fazer uma análise mais fria sobre o assunto. Levo em conta alguns aspectos que acabam escapando do senso comum.

Cheguei a uma conclusão um pouco diferente sobre o tema. Aprendi que o brasileiro, mais do que ser apaixonado por carros, é apaixonado pelo status que o carro confere.

Quem efetivamente gosta de carros, leva em consideração muitos aspectos na hora de escolher um bom modelo. Entre eles está a segurança, a confiabilidade da marca, o projeto mecânico. Também o histórico de vendas e o relacionamento do fabricante e distribuidores com os clientes.

O brasileiro, via de regra, define o carro pelo valor. Já cansei de ouvir alguns amigos se gabando de comprar veículos de valor expressivo a acabarem se frustrando em pouco tempo.

Ferramenta gratuita recomendada: Super planinha para seu controle financeiro

A crise é reveladora

Com a crise, o mercado se contraiu. A indústria automobilística foi um dos setores que mais sentiu o golpe.

O brasileiro, louco por carros (ou melhor, louco pelo glamour que o carro confere), passou a não ter mais a opção de financiá-los com a mesma facilidade de antes. Conclusão: a venda dos novos despencou.

Com isso passamos a discutir de forma mais séria qual é a melhor opção em relação ao automóvel, levando agora em conta o perfil do usuário.
A palavra do especialista

Dentro desse cenário de dúvidas (e muita especulação de palpiteiros), tive a honra de conhecer um profissional diferenciado, que é muito mais do que um simples apaixonado por automóveis.

Ele fez de sua verdadeira paixão por carros, uma carreira única de muito sucesso! E foi pela internet que comecei a ler e admirar o trabalho do Leandro Mattera, consultor automotivo pessoal.

O Leandro, é um dos sócios de um dos projetos mais bacanas na internet sobre carros, o AutoVídeos, sem contar as inúmeras contribuições como fonte para portais e revistas de relevância.

Leitura recomendada: Como escolher o seu Carro Ideal?

Tudo Sobre Seu Dinheiro

Meu amigo Conrado Navarro, que também é louco por carros (e sócio do Leandro no AutoVídeos), recebeu-o no programa TSSD (Tudo Sobre Seu Dinheiro), promovido pela Rico.com.vc.

Eles fizeram um debate imperdível, justamente sobre os carros e as escolhas que precisamos fazer em relação ao dinheiro que separamos para comprar (e manter) o “possante”.

O papo está repleto de dicas importantes para quem de fato gosta de carros, e se preocupa em fazer boas escolhas. O programa foi também interativo, contando com as dúvidas dos participantes pelo chat, que certamente são muito parecidas com as suas.

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POSTAGEM COMPLETA NO BLOG DINHEIRAMA 


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ODEBRECHT DELATA "CARECA" Lava Jato JÁ SABE que José Serra teria recebido 23 milhões na Suíça pro seu caixa dois eleitoral



Dinheiro de caixa dois para Serra foi pago em conta na Suíça, afirma Odebrecht

Segundo a empreiteira, tucano recebeu R$ 23 milhões via caixa dois na campanha presidencial de 2010; ele seria identificado nos documentos internos da empresa pelos codinomes “careca” e “vizinho”

De acordo com informações da Odebrecht, repassadas à Operação Lava-Jato [ grifo do blog ], a empreiteira deu à campanha presidencial de José Serra, em 2010, cerca de R$ 23 milhões via caixa dois. Segundo a empresa, parte do dinheiro foi tranferida por meio de uma conta na Suíça.

Essa etapa teria sido mediada pelo ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho, então do PSDB, que estava na coordenação política da campanha de Serra. Já no Brasil, a negociação teria sido realizada com o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ).

As revelações foram feitas por dois executivos da Odebrecht em delação premiada nas cidades de Brasília e Curitiba. Um deles é Pedro Novis, presidente do conglomerado de 2002 a 2009 e o outro é o diretor Carlos Armando Paschoal.

Oficialmente, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empreiteira doou R$ 2,4 milhões para o Comitê Financeiro Nacional da campanha do tucano à presidência, quando o atual ministro das Relações Exteriores perdeu a disputa para a petista Dilma Rousseff.

Nos documentos internos da Odebrecht, Serra era identificado com os codinomes “careca” e “vizinho”, por já ter morado próximo ao executivo Pedro Novis.

* Com informações da Folha de S. Paulo


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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

As pesquisas e o futuro de Lula, por Jasson de Oliveira Andrade

Em artigo anterior, constatei: “O PT foi o partido derrotado em 2016. Isto é inegável”. Alguns analistas consideram que o partido está agonizante. Por isso mesmo, as pesquisas divulgadas neste mês de outubro foram surpreendentes e desmentem tal afirmativa. É o que veremos a seguir.

Pesquisa Vox Populi divulgada em 18/10, portanto após o primeiro turno das eleições municipais (2/10), traz o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em primeiro lugar nas intenções de voto para a Presidência da Republica em 2018, se as eleições fossem hoje. Nas respostas estimuladas, Lula aparece com 34% das preferências quando os principais adversários são Marina Silva (REDE): 11% e Aécio Neves (PSDB): 15%. Com Geraldo Alckmin (PSDB): 12%, Lula vai a 35% e Marina a 13%. O surpreendente é que Lula obteve o dobro dos principais adversários. Isto nem os mais fanáticos petistas esperavam!

Já a pesquisa CNT/MDA também é surpreendente. Embora menor do que aquela da Vox Populi, mesmo assim dá uma vitória folgada para o Lula. Deve-se ressaltar que a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) é dirigida por Clésio Andrade, ligado ao tucano Aécio. Portanto, uma pesquisa insuspeita. No Cenário 1, Lula em junho/2016: 22,0% e em Outubro/2016: 24,8%; Aécio Neves em junho de 2016: 15,9 e outubro de 2016: 15,7, Marina Silva em junho de 2016: 14,8% e outubro de 2016: 13,3%. O curioso é que Lula em outubro, já com os resultados das eleições municipais, subiu e Aécio e Marina caíram!

Um fato deve ser avaliado. Se o Lula não for condenado ou preso, ele será, por essas pesquisas, um forte candidato à Presidência da República em 2018, inclusive com chance de se eleger. Essas duas hipóteses (condenado e preso) não podem ser descartadas, embora Eduardo Guimarães as consideram agora pouco provável. Ele comentou em seu Blog: “O crescimento da popularidade de Lula frustra (sic) a percepção de que este seria um “bom momento” para prendê-lo, pois está claro que, apesar do linchamento midiático, a opinião pública está achando que estão querendo impedi-lo de ser presidente de novo”. Será? Como sempre digo: A CONFERIR!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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Chanceler de Aço José Serra lidera tropas contra invasão russa no Brasil




Primeiro na fila para repelir a aventura de Putin em nossa Pátria. Se o russo sabe o que é bom pra ele, é melhor ficar esperto, pois aqui a chapa é quente e o bicho pega. 
Skavurska, aqui, não!


Foto: CÔMICAS POLÍTICAS, no Facebook

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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Toda a verdade sobre o estádio de Lula. O que não querem que você saiba.





Lula foi presenteado por uma empreiteira, na forma de um estádio pra botar em seu sítio em Atibaia. A construção acabaria invadindo a plantação de hortaliças da dona Marisa, que exigiu que o Barba tirasse aquele trambolho dali, pois estava prejudicando as salsinhas [ acima, foto de um maço de salsinhas ].
Assim, ele doou o estádio pro Corinthians, que teve apenas que custear o transporte até Itaquera, assumindo então uma dívida de centenas de milhões de reais.

Repassem. O Brasil precisa conhecer a verdade!

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EVIDÊNCIAS INCONTESTÁVEIS Dez provas de que o Itaquerão é do Lula



1 - Tem o símbolo do time dele na entrada.

2 - Lula foi assistir vários jogos lá.

3 - Lula ia assistir os jogos junto com dezenas de milhares de amigos, todos torcendo pelo mesmo time.

4 - Os documentos de propriedade estão em nome do clube (sinal de que estão acobertando).

5 - Ele não mora lá (sinal de que está disfarçando).

6 - Quer coisa mais útil para alguém possuir do que um estádio no nome dos outros?
Ruy Aquaviva.

7 - O plantador de grama disse que ouviu dizer que o estádio era do Lula.

8 - Já foram vistas faixas lá com o nome do Lula.

9 - Lula não movimentou dinheiro para comprar o estádio, prova de troca de favores.

10 - O Lula diz que o estádio não é dele, mas como é mentiroso, é dele.

Emilio Galhardo  Filho, no FACEBOOK



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[ Parte 3 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja



O jornalista Silvio Navarro, editor do site da revista Veja, fez do livro “Celso Daniel – Política, Corrupção e Morte no Coração do PT” um experimento de improvisação e buracos negros na tentativa de juntar peças inconciliáveis entre o assassinato e os denunciados desvios de dinheiro público da administração do petista. O saldo da operação é uma tremenda furada. Entretanto, contempla largamente o senso comum industrializado ao longo dos anos. Contou-se uma lorota e todos acreditaram porque se montou um tabuleiro estratégico para abortar a realidade dos fatos.

Possivelmente a personagem Maria Amaro Leite seja o símbolo mais grotesco dos descuidos e desconhecimento do jornalista na abordagem de um assunto que vai muito além da mesmice de procurar nos arquivos dos grandes jornais informações distorcidas. Ela ocupa duas míseras páginas da reportagem transformada em literatura. Maria Louca, como se tornou conhecida, revela sem retoque a dimensão e a profundidade do esgarçamento investigativo da força-tarefa de três promotores criminais do Ministério Público Estadual deslocado a Santo André e que atuou em conflito permanente, quando não sistemático, contra 10 delegados estaduais e federais e 32 investigadores.

Maria Louca valorizada
Uma leitura atenta sobre o que está nas duas páginas do livro e também dos muitos parágrafos da atuação de fato de Maria Louca sufoca a incipiente argumentação do jornalista de Veja. O trecho relativo à ação anedótica, quando não trágica, de Maria Amaro Leite está no capítulo 8 do livro de Navarro (“A fuga da favela”), que reproduzo até onde é necessário: 


Nas semanas seguintes ao assassinato de Celso Daniel, já com algum dinheiro no bolso, a quadrilha da favela Pantanal dispersou-se em células. O plano em comum consistia em fugir para o Nordeste, especialmente para o interior da Bahia, onde se reorganizariam. Àquela altura, não era mais mistério que a polícia os procurava, graças às denúncias de moradores da favela e às pistas que eles mesmos deixaram pelo caminho. Àquela altura, uma mulher chamada Maria Amaro Leite já relatara ao DHPP ter sido ameaçada de morte depois de presenciar, por volta das 20h do dia 29 de janeiro de 2002, a conversa de um grupo de jovens num telefone público próximo à Pantanal, instalado na Rua José Ramos Teixeira, ao lado da escola municipal Monteiro Lobato. Segundo ela, eram três meninos e uma menina, que se revezavam ao telefone. O assunto era o sequestro por encomenda do prefeito. Os rapazes eram Mauro Sérgio Santos de Souza, o Serginho, e Manoel Dantas de Santana Filho, o Cabeção. A testemunha também contou que fora abordada na rua mais de uma vez por um homem que lhe oferecia dinheiro para não contar à policial diálogo ouvido no telefone público. O homem, de acordo com ela, era o mesmo que aparecera no Jornal da Record, apresentado por Boris Casoy. A reportagem exibia a imagem do empresário Sérgio Sombra. A defesa do empresário e os delegados de Polícia Civil desclassificariam o depoimento e repetiriam que a testemunha era conhecida na Polícia como “Maria Louca”. Os promotores, no entanto, a levaram a sério. Ela ainda seria ouvida mais uma vez, no dia 20 de abril, pelo delegado Hermes Rubens Saviero Junior, da Polícia Federal. Foi retirada da favela e incluída, durante meses, no Provita, o serviço federal de proteção a testemunha.

Maria Louca descartada
Esses são os trechos completos da narrativa do jornalista Silvio Navarro sobre a participação do Ministério Público de Santo André no episódio envolvendo Maria Louca. São informações que não deixam dúvidas: Sergio Gomes da Silva, a quem aquele jornalista trata discricionariamente como Sergio Sombra, teria tido participação ativa e deliberada no sequestro e morte de Celso Daniel.

Agora, a verdade dos fatos omitidos por Silvio Navarro, cujos elementos estão fartamente documentados no meu acervo profissional. Silvio Navarro poderia ter escrito que o Ministério Público de Santo André desistiu de uma testemunha apontada como importante no processo de investigação que determinou a prisão preventiva de Sergio Gomes. O que teria levado os promotores criminais de Santo André a deixarem de lado uma testemunha que consideravam importantíssima para a elucidação do caso a ponto de reservar a ela, uma mulher então com identidade sob segredo de justiça, para suas duas filhas e uma neta, programas de proteção a testemunhas?

Os advogados de Sérgio Gomes arrolaram a testemunha de acusação desprezada pelo MP como testemunha de defesa. Isso mesmo: a mesma mulher que o MP sobrevalorizou e em seguida descartou constava da relação de defensores preparada pelo escritório de advocacia de Roberto Podval. A explicação é simples: ela mentiu todo o tempo nos depoimentos à Polícia Civil, à Polícia Federal e ao MP na sequência dos acontecimentos em 2002.

Delegado não deu espaço
A mulher que conquistou a confiança do Ministério Público e que passou mais de um ano sob cuidados especiais de programas de proteção de testemunhas ameaçadas é a Maria Louca incompletamente abordada no livro de Silvio Navarro.

Maria Louca driblou a vigilância investigativa dos promotores públicos de Santo André. Entretanto, não passou pelo crivo de experiência do delegado Armando de Oliveira, do DHPP, na Capital. Na semana seguinte ao assassinato de Celso Daniel, “Maria Louca” procurou um delegado de polícia de Diadema para relatar testemunho de supostos fatos que colaborariam para a elucidação do crime. O delegado Mitiaki Yamamoto a encaminhou ao DHPP, onde o experiente Armando de Oliveira comandava as investigações.

Em documento de 12 de junho de 2002 encaminhado ao promotor de Justiça de Itapecerica da Serra, Salmo Mohmari dos Santos Júnior, que requereu o material do inquérito policial para encaminhamento ao juiz de Direito da 1ª Vara daquele Município da Grande São Paulo, o delegado do DHPP, respondeu da seguinte forma: “Conforme solicitação de Vossa Senhoria, encaminho cópia do Termo de Depoimento de (menciona o nome completo de “Maria Louca”) que não foi juntado aos autos originais por não guardar relação de veracidade, sendo que a referida testemunha costumeiramente comparece na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa relatando fatos desconexos” – escreveu Armando de Oliveira.

“Maria Louca” compareceu ao DHPP exatamente no dia 30 de janeiro de 2002, 10 dias após a morte do prefeito Celso Daniel. O depoimento ao delegado do DHPP foi prestado num contexto em que toda a mídia divulgava detalhes do assassinato de Celso Daniel, mas não se tinha a identidade de possíveis suspeitos. Por isso, “Maria Louca” não mencionou o nome de qualquer um dos bandidos. Mais que isso: colocou claramente Sérgio Gomes na situação de possível vítima dos sequestradores, traduzindo o diálogo que afirma ter ouvido.

Narrativas contraditórias
A narrativa do final de janeiro de “Maria Louca” foi completamente alterada três meses e meio depois, em 20 de abril de 2002, quando, também a pedido do MP de Itapecerica da Serra, a testemunha alardeada como preciosa prestou depoimento ao delegado Hermes Rubens Siviero Júnior, da Polícia Federal de São Paulo, um dos homens destacados pelo governo Fernando Henrique Cardoso para proceder às investigações solicitadas pelo PT.

O caso Celso Daniel já estava praticamente apurado pelas forças policiais, tanto estaduais quanto federais, os nomes dos sequestradores já detidos eram de conhecimento público e as primeiras versões do Ministério Público Estadual de que Sérgio Gomes poderia ser o mandante começou a invadir jornais e programas de televisão. O depoimento de “Maria Louca” desta feita colocou Sérgio Gomes na condição de mandante do crime. Ele teria pagado para assassinar o prefeito porque teria desviado dinheiro da Prefeitura e fora descoberto por Celso Daniel.

O documento que coloca “Maria Louca” mais próxima ainda da acusação a Sérgio Gomes data de 17 de setembro de 2002, quando foi ouvida pelos promotores criminais José Carlos Blat, Amaro José Thomé Filho, Roberto Wider Filho e José Reinaldo Guimarães Carneiro. “Maria Louca” foi encaminhada ao Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção ao Crime Organizado) pelo delegado de Polícia Federal Hermes Rubens Siviero Júnior, um dos policiais que, mais tarde, acabou arrolado como testemunha de defesa de Sérgio Gomes.

Vigilância constante
“Maria Louca” colocou mais tempero no vatapá de especulações sobre a motivação de o Ministério Público ter desistido de incluí-la na ação penal. Tratou-se de um apanhado de contradições e incongruências. Somente se admitiria o histórico de perseguição se Sérgio Gomes fosse uma associação perfeita de idiotice e patetice.

Afinal, ninguém foi mais vigiado e investigado pela Polícia Civil de São Paulo após o assassinato. Durante mais de dois meses, a pretexto de lhe dar segurança, uma equipe de policiais chefiada pela delegada Elisabete Sato, acompanhou todos os passos de Sérgio Gomes.

Sérgio Gomes seria extraordinariamente desastrado se cometesse a imprudência de se dirigir em três datas diferentes e sequenciais (conforme as fantasias informativas de Maria Louca) à favela onde residia a depoente, na tentativa de cooptá-la num primeiro instante e ameaçá-la de morte depois.

Quando abril de 2002 chegou e tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Federal concluíram que o crime não fugia do enredo que dominava a Grande São Paulo naquele período de sequestros incontroláveis, a constatação de que Sérgio Gomes também fora vítima de bandidos aparentemente encerrava o caso. Nada mais equivocado: o Ministério Público resolveu reabrir as investigações tendo por base, entre supostos indícios, o depoimento de “Maria Louca”.

Precariedade informativa
Quatorze anos após a morte de Celso Daniel o que menos se esperava era um livro-reportagem tão precariamente informativo. Mas quem ao menos sugerir que o buraco negro em que se meteu o jornalista de Veja se esgota no caso de “Maria Louca” não imagina o que mostraremos na sequência desta série.

Aos incautos ou espertos demais que se derreteram em elogios ao livro de Silvio Navarro, uma sugestão cautelar: contenham o ímpeto para não se tornarem igualmente ridículos. O politicamente correto de cruzar os caminhos do assassinato do prefeito Celso Daniel com a administração nebulosa do mesmo Celso Daniel é uma tremenda roubada a manchar a biografia de quem se mete nessa enrascada sem conhecimento profundo. O assassinato do prefeito de Santo André é um campo minado aos noviciados em investigações policiais e mata-burros a quem, mesmo experiente, caiu na gandaia de uma cobertura historicamente enviesada e completamente fora do foco da realidade.

DANIEL LIMA




silvio navarro

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sábado, 22 de outubro de 2016

[ Parte 2 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


Ainda não será neste capítulo que vou entrar na etapa de análise propriamente dita do livro de Silvio Navarro que retrata com a segurança de um cego em meio a um tiroteio os supostos principais pontos do assassinato do prefeito Celso Daniel. 

A obra editada pela Record é um precipício como fonte de consulta, exceto se ganhasse um carimbo na capa com gigantesca e inescapável advertência de que se trata de uma mistura de realidade (principalmente em pontos pouco influentes) e ficção (nos pontos conclusivos), além de omissões às pencas. 

Realidade onde interessava ao autor destilar juízo de valor estruturado para transformar ficção em enganação. Quanto às omissões, é melhor imaginar que se tratou de deficiência de planejamento e organização do produto vendido impunemente como suprassumo de competência esclarecedora. 

Vou dizer com todas as letras e numa frase contundente o que sugiro ao autor do livro que trata mal e porcamente da morte de Celso Daniel: vá se preparando para levar uma surra de informações, de dados, de provas, de tudo que jogou na lata do lixo quando pretendeu, com o apoio de coleguinhas de imprensa igualmente enviesados, transformar um crime comum exaustivamente investigado por uma força-tarefa gigantesca da Polícia Civil do Estado de São Paulo (sob as ordens do governador tucano Geraldo Alckmin) em crime político-administrativo. 

Respeito ao jornalismo

O que me move a preparar série de capítulos sobre o livro de Silvio Navarro é o respeito ao jornalismo e aos leitores. Todos sabem que não tenho ligação alguma (e jamais tive) com o Partido dos Trabalhadores. Tampouco com qualquer outra agremiação político-partidária. Por isso, quem tentar me carimbar com a pecha de petralha vai cair do cavalo da ignorância e da apelação vadia. 

A maioria dos petistas me detesta porque sou crítico rigoroso não só das bobagens que deixou como legado após 13 anos de administração do governo federal (da mesma forma que não se pode negar a sensibilidade social demonstrada antes que a vaca da inflação e do desgarramento fiscal fizessem os estragos conhecidos) mas também porque conta com algumas ramificações com as quais não convivo, principalmente um sindicalismo cutista fora de moda que impera na Província do Grande ABC. 

Feito esse breve esclarecimento para que não percam tempo na tentativa de me desclassificar (os petistas não me apreciam muito, como já disse, mas me respeitam porque sabem que não faço o jogo que eventual ou sistematicamente sensibilizaria o outro lado da moeda ideológica e partidária), o melhor mesmo é Silvio Navarro preparar-se para apanhar. No sentido figurado da expressão, claro.

Afinal, ninguém deve ficar impune diante de tantas barbaridades impressas e, ainda mais, enaltecidas por coleguinhas de diferentes mídias, a maioria de grande porte. Formou-se um cordão de bajuladores mais que autoexplicativo, além de condenatório no sentido de que mandaram às favas as investigações policiais. Preferiram a versão fantasiosa do Ministério Público, cujo desfecho não passou da homologação formal de pauta pré-definida. 

Prepare-se para a surra 

Aviso cautelarmente ao jornalista autor do livro de Celso Daniel que vou lhe dar uma surra informativa e interpretativa porque, definitivamente, não existem termos de comparação em qualquer sentido que se coloque, entre o que sei, o que já escrevi e o que ainda vou escrever sobre o caso Celso Daniel e tudo aquilo que ele, Silvio Navarro, copiou de terceiros igualmente doutrinados à condenação de um inocente chamado Sérgio Gomes da Silva. 

Sei que Silvio Navarro vai tomar a mesma decisão dos três promotores criminais que apuraram o caso Celso Daniel com a destreza de um comediante metido a esgrimista: fugirá da raia ao convite que lhe proporei. Que convite? Que escolha local, horário e o que mais entender para um debate sobre tudo o que escreveu tendo como sparring este jornalista e seus inúmeros textos. 

Se tiver juízo Silvio Navarro jamais vai atender à provocação. Os promotores criminais não caíram na armadilha que lhes propus porque sabiam que não teriam respostas às inúmeras contraposições que lhes faria e, mais que isso, não segurariam a barra de declarações que fizeram ao longo das investigações previamente determinadas a criar um enredo de culpabilidade de um inocente que precisava ser transformado em bode expiatório. 

Tudo fazia parte de uma medição de forças de um jogo que começou no Paço Municipal de Santo André com a revolta misturada de campanha eleitoral do PT naquele ano de eleições presidenciais e o maquiavelismo tucano que nasceu no Palácio dos Bandeirantes com a nomeação da força-tarefa do Ministério Público. 

Mais um a correr 

Se os promotores criminais fugiram da raia (e continuarão a fugir porque não são bobos nem nada) o que dizer então de um jornalista que se meteu numa seara senão de forma oportunista, no mínimo afoita? Silvio Navarro não fugiria, portanto, do enredo firmado pelos promotores. Dará certamente uma corridinha dissimulatória a qualquer questionamento que lhe fizerem sobre o que pretendo lhe aplicar de corretivo para que jamais e em tempo algum repita a estupidez de se fiar em remendos informativos que beiraram o ridículo, transformando-os em matéria-prima de uma obra supostamente literária. Nenhum produto editorial, por mais bem acabado graficamente que seja, resiste à materialidade irrefutável da verdade dos fatos. 

A dúvida que tenho à abordagem dos capítulos que vão dinamitar grande parte dos argumentos expostos por Silvio Navarro (há um volume de informações corretas que na verdade foram utilizadas como plataforma à conexão com pecados capitais) é se vou me restringir exclusivamente aos pontos centrais daquele livro. 

Existe grau de inconsistência informativa, ou seja, sem determinismo explicativo, que não merecerá atenção alguma, porque não acrescenta absolutamente nada à proposta de trazer fatos novos do caso Celso Daniel, como pretensiosamente se vendeu o produto hoje nas livrarias. 

Imaginem no cinema

Se o que Silvio Navarro narrou no livro monitoradíssimo pelo delegado Romeu Tuminha (raivoso adversário do petismo,) for levado mesmo ao cinema, juro que sentirei uma dor no coração como jornalista e amante da nobre arte. Terei, por dever de ofício, de acompanhar o thriller mesmo sabendo que se trataria de uma aberração. Exceto claro, se os diretores responsáveis pela produção tiverem o bom senso e a honestidade profissional de advertirem os espectadores sobre o caráter fantasioso da atração. 

De qualquer forma, mesmo sabendo que Silvio Navarro vai fazer de conta que não sabe do desafio que lhe fiz (assim como reagiram os promotores criminais) reitero o convite para que marque hora e local a um debate franco e aberto sobre a obra que acaba de produzir. Pode levar os promotores à tiracolo. Com todo o respeito, vou derrotar a todos.  

Conto com uma vantagem estratosférica e que diz respeito ao sagrado dever de homenagear, também pós-morte alguém a quem jamais neguei testemunho jornalístico quando em vida: a verdade dos fatos sobre a inocência violentada de Sérgio Gomes da Silva.

DANIEL LIMA




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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O que eu acho do jornalismo brasileiro e dos jornalistas brasileiros - ou melhor, da maioria deles.



Eu sempre menciono o jornalista americano investigativo Greg Palast. Talvez tenha gente que nunca ouviu falar do cara. Mas eu não farei a apresentação. O interessado ou curioso pode simplesmente usar o Google.

Palast não é exemplo do jornalismo americano. Ao contrário, por seus escritos você percebe que é uma exceção entre seus pares. 
Mas deixa eu dar um exemplo. Antes de tudo, uma das coisas mais sedutoras em seus textos é o estilo livre, quase literário. Às vezes ele emula um daqueles personagens de livros de detetive particular, tipo Dashiel Hammet: "Eu estava no meu escritório, quando ela entrou..." sabe, esse tipo de coisa.

Só que quando Palast está em seu escritório, não são vamps sedutoras que entram pela porta. São documentos secretos sem remetente, que surgem no fax, memorandos confidenciais do FMI ou do Banco Mundial que vêm voando, entram pela janela e acabam em sua mesa.

Uma ocasião, ele estava "parado na frente do Hotel Hilton de NY, durante a grande conferência do G7 em 2000 (...) quando a limusine que transportava o diretor do FMI aproximou-se e bateu num obstáculo. Da janela voou um relatório intitulado 'Estratégia de Assistência Interina para o Equador'. Continha a rubrica 'Confidencial. Não deve ser distribuido'. Você pode até achar que o documento não chegou às minhas mãos exatamente assim..."

De acordo com Palast, ele procurou nas "Estratégias para o Equador" um capítulo sobre conectar as escolas do país à Internet. Mas o que encontrou foi um plano secreto que, segundo ele, lembrava um golpe de estado financeiro. Coisas como obrigar o governo do país a aumentar o preço do gás de cozinha em 80%, eliminar 26 mil empregos e reduzir o salário dos funcionários remanescentes em 50%, transferir o controle de seu maior sistema de água para operadoras internacionais e conceder à British Petroleum o direito de construir seu proprio oleoduto nos Andes, entre outras obrigações constantes num calendário de quatro estágios, predeterminado pelo FMI, num total de 167 condições impostas pelo órgão, em troca de acesso a empréstimos.

Pois bem. Imaginem esse memorando secreto caindo em mãos de algum jornalista da Veja, da Folha, do Estadão, ou do Globo.

Voltaria rapidinho às mãos do FMI, com o envio pago pelas próprias empresas jornalísticas e jamais nenhuma informação dessas se tornaria do conhecimento da população, até o momento em que as medidas estivessem sendo implementadas.

É isso.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

TEATRÃO DO CUNHA Moro e Lava Lava Jato "imparciais"? Me avisem quando eles prenderem um tucano de alta plumagem



AGORA OS PETISTAS NÃO VÃO PODER DIZER QUE...

O jornalista não cabia em si de contentamento, quando, com carinha de astuto, pergunta: "Então, professor, não foi enterrado o ontem o argumento de que a Lava Jato é uma operação politicamente seletiva, orientada para caçar e prender petistas?".

"Isto tudo por causa da prisão de Cunha, o que até as pedras do Pelourinho sabiam que iria acontecer assim que ele fosse expulso do mandato?".

"Mas mandar prender Cunha não prova que o pau que dá em Chico também vai ao lombo de Francisco, como bem disse a mocinha da Globo News, de forma que os petistas ficaram sem argumento e vão ter que arrumar outra desculpa para desqualificar a Operação?".

"Vem cá, você não acha estranha a reiteração do 'agora os petistas não podem dizer que...`? Quando se dizia que impeachment sem crime de responsabilidade seria golpe, a tensão só se dissipava quando aparecia um ministro do STF ou um site estrangeiro que dizia que 'impeachment é previsto na Constituição` - o que supostamente 'provava' que 'agora os petistas não podem dizer que...houve golpe'. Quando o PT levou uma merecida bordoada eleitoral nas eleições municipais, os jornalativistas da Globo News pararam tudo o que estavam fazendo para celebrar que 'agora os petistas não podem dizer que houve golpe porque as eleições ratificaram o impeachment'. Agora, prendem o Cunha e temos uma nova versão do 'agora os petistas não podem dizer que...'. Não é um estranho sintoma essa necessidade de negar os argumentos de petistas? Não é sintoma de que, no fundo, há uns remorsos continuamente revisitando o antipetismo?"

"Bem, pensando assim... Mas o fato de prender Cunha não demonstra a imparcialidade da Operação?".

"Será? Sem mandato e espoliado do seu poder político, Cunha estava sem rebanho e era um moribundo político, à espera de uma sentença ou de um mandado. Não há audácia, coragem ou ousadia em chutar e mandar prender cachorro morto. Ou há?".

"Quer dizer que este fato não basta para provar a isenção de Moro e sua gente?". A voz já era de desilusão.

"Faz assim, me liga no dia em que Moro mandar prender um tucano de alta plumagem e falaremos que 'agora os petistas não vão poder dizer que...' a Lava Jato já pode ser comparada com a Mãos Limpas e que, de fato, a agenda de juízes e procuradores da Lava Jato é indiscriminadamente contra a corrupção público-privada e não em favor de uma posição política e moral e contra outra. Enquanto isso não acontecer, eu e uma porção de brasileiros continuaremos a olhar para a Lava Jato com ceticismo. Mas, na boa, se não for para ver um tucanão sendo tratado do mesmo jeito que cachorros mortos e petistas, nem me acorde para me perguntar essas coisas. Valeu?".

"Tá bom, professor", respondeu uma voz melancólica. Isso me destruiu gente. Detesto decepcionar as pessoas.

WILSON GOMES, no Facebook

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

[ Parte 1 ] Versão farsesca da morte de Celso Daniel vira livro, cometido por jornalista ( sic ) da Veja


Acaba de sair o primeiro livro voltado exclusivamente ao assassinato do prefeito Celso Daniel. Poderia ser meu, mas ninguém topa enfrentar a opinião pública que consolidou a versão farsesca exaustivamente martelada por integrantes do Ministério Público de Santo André. Azar da verdade. Ovação à ficção.

O jornalista Silvio Navarro, editor do site da revista Veja, provavelmente terá portas abertas para dar continuidade a uma carreira de 12 anos, depois de formar-se na Universidade Metodista de São Bernardo. Ele ressuscitou o caso Celso Daniel após 14 anos de muita baboseira. Reproduziu exatamente o que a demanda de ignorantes tanto anseia. Agora o que temos é uma besteiragem pronta a ganhar espaço nas estantes e bibliotecas. Somos uma sociedade condenada às estripulias também literárias.

Silvio Navarro seguiu rigorosamente o roteiro de quem prefere o conforto e o horizonte promissor a enfrentar obstáculos de quem ousa contrariar a manada, respaldado por minuciosas investigações policiais. O jornalista transformou quase 250 páginas em repetição pasteurizada de muitas (mas nem todas) as barbeiragens dos grandes veículos de comunicação do País (e nos desdobramentos, da mídia em geral) sobre o caso.

Silvio Navarro foi aos arquivos e requentou o material jornalístico com o caradurismo de quem sugere ao leitor que investigou detalhadamente o caso durante todo o processo de acertos e desacertos. Só poderia mesmo se dar mal.

Verniz intelectual
É fato que Silvio Navarro deu ao caso certo verniz intelectual, mas faltaram ingredientes para fazer de uma maçaroca de suposta literatura algo palatável como ferramenta de pesquisa séria. Acautelem-se curiosos de boa alma. O diabo não mora apenas nos detalhes do livro de Silvio Navarro. Está escancaradamente em muitas páginas.

A dúvida que perpassa quem leu o livro num único folego (como o autor, também sou obcecado pelo caso Celso Daniel) é se Silvio Navarro agiu com desonestidade intelectual. Não faltam condimentos do vatapá de desconfiança que embrulha o estômago de quem leva jornalismo a sério, mas uma acusação como essa não é pouca coisa. Há elementos que recomendam essa avaliação porque não são equívocos pontuais. Desenvolveu-se uma cadeia de suprimentos escorregadios do ponto de vista da informação.

É possível, entretanto, que o autor não tenha tido suficiente preparo técnico e organizativo para escrever sobre assunto tão candente e controverso. Também pode ter sido movido pelo combustível ideológico, de antipetismo politicamente alvissareiro nestes tempos, mas repugnante a quem preza a verdade dos fatos.

Silvio Navarro possivelmente se lançou à empreitada considerando ao considerar o quanto fortaleceria os laços com coleguinhas da mídia que pensam como ele e que, claro. O mundo do jornalismo também é feito de alinhamentos diversos. É possível que Silvio Navarro nem precise disso, levando-se em conta o nível da produção jornalística do País. Ele escreve corretamente no sentido jornalístico.

Quem sabe Silvio Navarro ao escrever sobre o caso Celso Daniel tenha sido levado pela multiplicação de todos os vetores expostos acima?

Depuramento crítico
Tudo é passível de especulação em torno do livro que une dois polos inconciliáveis do caso Celso Daniel. O autor não teve depuramento crítico para indicar que se embrenhou numa seara com o compromisso de contemplar todas as fontes necessárias. Traduzindo: Silvio Navarro comportou-se com tamanho improviso estratégico a ponto de exalar, a cada página, vocação quase descontrolável ao engajamento compulsório com figurinhas carimbadas nas artimanhas de criminalizar uma das vítimas do sequestro -- Sérgio Gomes da Silva, vilão preferido dos ignorantes, dos desinformados e também dos deformados.

Não sei quantos capítulos vou contrapor a página de “Celso Daniel, política, corrupção e morte no coração do PT”. Quando comprei o livro na tarde de domingo na Livraria Saraiva do Shopping Metrópole, em São Bernardo, imaginava que até a noite de ontem teria consumido páginas suficientes para emitir, neste texto, juízos de valor preliminares e, portanto, passíveis de remanejamentos.

Como terminei a leitura no começo da tarde de ontem, e tive o cuidado de sempre de fazer anotações no próprio volume impresso, não tenho dúvidas sobre o que alinhavar de forma definitiva. Por isso, talvez uns 10 capítulos, em datas erráticas, serão suficientes para escarafunchar as deficiências do livro.

Para que os leitores tenham ideia mais precisa do que está a esperar pelo jornalista Jaime Navarro, reproduzo alguns tópicos que listei à parte das anotações nos espaços em branco do livro, na medida em que mergulhava na obra. Reparem com atenção nos núcleos conceituais que reservei:

Contradições interpretativas.

Omissões protetivas às fontes.

Incidência exagerada de tangenciamento temático.

Indução deliberada à criminalização de um inocente.

Manipulação de informações.

Improvisação ou incompetência na hierarquização e focalização das informações.

Detalhismo romanceado sem riqueza técnica.

Tentativa inútil de esconder as fontes viciadas.

Pasteurização da narrativa para compensar buracos negros.

Industrialização de dúvidas em contradição com as certezas inescapáveis.

Industrializando fantasias
Se a intenção de Silvio Navarro (todas as resenhas do final de semana levam a esse desenlace) é transformar o livro de Celso Daniel em filme, provavelmente teremos mais uma etapa de conluios ao ajuntamento de duas peças de mosaicos diferentes que as investigações policiais, ou seja, especialistas na matéria, cansaram de provar e comprovar serem incompatíveis. O assassinato do prefeito Celso Daniel não correu jamais na mesma raia do esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André.

Mas essa verdade irrebatível para quem entende alguma coisa de investigação séria não foi levada em conta (muito pelo contrário, serviu de plataforma de embarque ao sensacionalismo da vertente de crime conjunto) pelo jornalista Silvio Navarro.

Como se explica tamanho descuido? Simples, muito simples: o jornalista que comanda o site de Veja preferiu a conexão de fatos mal-apurados pela grande mídia e um ficcionismo ditado pela associação mais que esperta, embora também ingênua, de verdades e bobagens.

Talvez o único sinal de sensatez (é possível que tenha sido obra do acaso) que o livro destila é a indução de levar o leitor a acreditar em cada página impressa. Trata-se de uma mistureba de fatos e abstrações com força suficiente para cristalizar a confiança de que foram rigorosamente obedecidos critérios de pluralidade e veracidade e, portanto, de responsabilidade informativa.

Com as costas largas
Quando se tem as costas largas da mídia para oferecer ao público algo tão grosseiramente frágil, tudo é possível. Não foi assim, afinal, que o Ministério Público de Santo André, mais precisamente os homens que o governador Geraldo Alckmin escalou na região para melar as investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal, chegou ao que tanto queria, menos à prisão de Sérgio Gomes da Silva, exceto durante sete meses?

O que queriam, afinal? Retirar o crime da esfera exclusivamente policial, de desmilinguamento do setor de Segurança Pública na metrópole paulista naquele começo de novo século (essa é uma verdade que o livro aponta, mas sem considerações indispensáveis) e deslocá-lo à esfera da administração pública na forma de inacreditável e inverossímil assassinato da galinha dos ovos de ouro. Tudo como retaliação à politização do assassinato por um PT obcecado pela presidência da República e que, por isso mesmo, conhecia e compartilhava todos os passos republicanos e não-republicanos do grupo que controlava a gestão de Celso Daniel.

No espaço de “Agradecimentos” de “Celso Daniel, política, corrupção e morte no coração do PT”, o autor entrega a rapadura da agenda traçada para produzir o livro. Salvo um ou outro nome possivelmente citado para despistar, numa verdadeira Operação Tabajara, está identificada uma leva de profissionais de comunicação que, faça chuva de verdade ou faça sol de mentiras, não dá sossego ao Partido dos Trabalhadores.

Quem apontar que tamanho descuido tem vigoroso parentesco com deduragem involuntária não merece castigo. O autor do livro poderia livrar-se do desmascaramento público. Afinal, aqueles nomes de jornalistas na página de agradecimentos são a expressão comprobatória de parte das fontes a quem recorreu para requentar com tempero razoavelmente sofisticado um assassinato sem qualquer vínculo com a gestão pública de Santo André.

Os membros do Ministério Público e o atrapalhadíssimo delegado Romeu Tuminha completam a lista de prioridades consultadas pelo jornalista de uma nota só – a nota da criminalização de um inocente a quem identifica em todas as intervenções pelo codinome forjado pela força-tarefa do Ministério Público de Santo André. Sérgio Gomes da Silva era “Sombra” para alguns poucos da cúpula petista em Santo André. Não havia conotação pejorativa alguma. Sérgio Gomes da Silva era espécie de irmão siamês de Celso Daniel.

silvio navarro

celso daniel 

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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

PT não morreu, por Jasson de Oliveira Andrade



O PT foi o partido derrotado em 2016. Isto é inegável. No entanto, não morreu como desejam os antipetistas fanáticos, desejosos da prisão de Lula. É o que vamos ver a seguir.

Guilherme Boulos constatou que, apesar do resultado eleitoral, o PT não está morto. Na opinião dele, embora tenha havido inegável vitória dos setores conservadores, é preciso considerar o massacre sofrido pelo PT no último ano e meio. “Um massacre midiático, jurídico. Poucos partidos não seriam destruídos com uma campanha dessas. Era esperado que o PT sofresse com isso, o antipetismo foi disseminado no país. (...) O PT sai enfraquecido, mas não foi dizimado”. Maurício Dias, na CartaCapital, diz: “São muitos os pregoeiros do fim do PT. (...) Os partidos com mais solidez, no entanto, só morrem por decreto. Quem duvidar basta olhar a história partidária nos últimos 70 anos”. Eduardo Guimarães afirma: “Note bem leitor: petistas foram presos sem julgamento [na semana das eleições municipais. Coincidência?], sempre petistas, quase exclusivamente petistas. Há pessoas que ameaçaram atrapalhar investigações e que não são presas, como Eduardo Cunha, porque agiram mancomunadas com a Lava Jato para causar para o PT o resultado eleitoral que se viu no último domingo [2/10]”. O autor ainda opina: “Lula deve exigir que a Justiça o trate como trata Azeredo [mensalão tucano].”.

O jornalista Valdo Cruz, em artigo à Folha (10/10), analisa o motivo dessa derrocada do PT: “A ex-presidente [Dilma] herdou de seu criador, Lula, um país arrumadinho, crescendo, tirando milhões da pobreza, gerando emprego, com as contas no azul. Aí, em vez de persistir no caminho, partiu para o experimentalismo econômico. (...) Bem, Dilma caiu, afundou o PT e arrastou o país junto. E não foi a Lava Jato a principal algoz dos petistas. Foi a economia”. Tarso Genro, petista histórico, alerta: “Não acho que o PT vá definhar ou desaparecer. Mas precisamos fazer uma revolução democrática. Estamos numa curva histórica (...) Não vamos sobreviver com dignidade se voltarmos a contar com aliados como o PMDB”. André Singer comenta: “Derrotas fazem parte do jogo democrático. Não se pode ganhar sempre. O problema é saber se houve um afastamento temporário ou um verdadeiro divórcio litigioso entre lulismo e os mais pobres. Talvez Lula, ele mesmo, ainda detenha um capital haurido nos bons tempos da prosperidade. Resta ver se a Lava Jato deixará que ele o teste”. Não precisa ser uma mãe Dinah para responder. Julia Duialibi, na reportagem “Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam o PT na rede”, publicada no Estadão em 13/11/2014, esclarece essa dúvida. Esses delegados tucanos vão condenar ou mesmo prender Lula? Em artigo sob o título “Moro aceitou denúncia contra Lula”, previ que o ex-presidente será condenado na Lava Jato. Escrevi: “Não descarto a prisão dele. Para mim, esse final já está tramado!” É o que eu penso. Como sempre digo: A CONFERIR...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Um golpe midiático-2.0 contra o Brasil



Um golpe planejado com requintes e nas barbas das autoridades, desde 2013.


Observação: Comecei a escrever este texto durante as manifestações de julho de 2013 e concluí em novembro de 2014. Para mim, ali naquele momento estava sendo gestado um golpe contra o Brasil. Não apoiei as manifestações, aliás fui contra desde o primeiro momento. Lutei no facebook e no twitter contra todos que defendiam e apoiavam “às ruas”. Essa “câmara baixa”, como chamam os portugueses, que se expressou no domingo naquele circo de horrores da votação do pedido de impeachment, é o retrato daquelas manifestações – fechando o círculo. Inicialmente, o texto era um decálago e depois foi crescendo, indo até às eleições de 2014. Mais exatamente quando a Gestapo de Curitiba, em parceria com a revista Veja, pariu seu primeiro golpe. Dilma foi forte, ocupou a TV e atacou bravamente os golpistas. Quando tiver um tempo, continuarei com os tópicos pontuais do golpe que prosseguiu – logo após as eleições, entrando 2015 e virando 2016. Temos aqui um pré-roteiro de um golpe dos novos tempos. A primeira investida, a preparação para o que estamos vivendo hoje no país. Sem bombardeios, sem mariners, mas com a mesma violência e agressividade.

PS – lendo hoje, me surpreendo com termos como “golpistas” e “mídia golpista”, entre outros, hoje tão familiares aos nossos ouvidos.

Um golpe midiático-2.0 contra o Brasil

(julho/2013 – novembro/2014)

Onde tem petróleo e gás, tem guerra imperialista, como todos sabem. Não é diferente no Brasil, país detentor da maior reserva descoberta de petróleo do mundo moderno – o Pré-Sal. No Oriente Médio, especialmente, a tática utilizada é simples e direta ao ponto. Criminalização das lideranças políticas, desmoralização internacional do país e do povo, bombardeios aéreos e ocupação territorial.

No Brasil, isso torna-se impossível diante da dimensão continental do país e da quantidade de capitais populosas. Então, a guerra é virtual, tecnológica, política, no momento eleitoral, com uso de todas as ferramentas modernas. Portando, estamos guerra desde o ano passado, especialmente, enfrentando e derrotando uma aliança que inclui a mídia golpista nacional e setores políticos internos. (2014)

Um passo a passo

01 – No dia 13 de junho de 2013, a Polícia Militar de São Paulo -lembram de Carandiru? -, reprime de forma brutal a manifestação pacífica de estudantes, jovens e povo em geral por redução de tarifas, como já havia ocorrido em Porto Alegre, de forma até certo ponto pacífica, em ação desmedida, com evidente espírito provocador.

02 – Na quinta-feira, dia 14, quando ocorreria nova manifestação, logo após a brutal repressão da Polícia Militar de São Paulo, IMEDIATAMENTE é postado no Youtube vídeo de Thismr Maia, pseudônimo de Silvio Roberto Maia Junior, porta-voz do movimento Change Brazil, com o objetivo, segundo ele, de “sujar o governo brasileiro no mundo”.

03 – “Por coincidência’, no mesmo dia 14, os Estados Unidos anunciam a nova embaixadora no país, senhora Liliana Ayalde, vinda do Paraguai, onde recentemente havia sido dado um golpe derrubou Fernando Lugo, com características parecidas ao que acontece aqui, que aliás tem o mesmo perfil em todos os países latinos, maiores ou menores.

04 – Nesse meio tempo, depois de igualar o movimento organizado pelo MPL ao “PCC”, a Rede Globo, por meio de seu porta-voz, Arnaldo Jabor, “pede desculpas” aos manifestantes, demarcando o início da estratégia golpista da mídia, sob o comando da Família Marinho, alinhando a partir dali as demais redes de comunicação, que passaram a reproduzir a linha central do golpismo.

05 – Na mesma direção, entra em campo o fake Anonymus, em versão tucano-golpista, ao mesmo tempo em que, de forma visivelmente orquestrada, espalham-se pela rede informações, incluindo declarações de IR, ditas hackeadas, de políticos brasileiros, com ênfase o filho de Lula e outros petistas, tentando criar um clima de “queda da bastilha”.

06 – No campo da manipulação da informação na Internet, os golpistas 2.0 promovem o hackeamento do MPL (Movimento do Passe Livre), já no início das manifestações, para convocar, em nomes dele, manifestações diferentes das originais, em São Paulo, e postando bandeiras distintas daquelas do movimento (como a MP dos procuradores, por exemplo).

07 – A partir de então, de forma totalmente inédita na história política do país, manifestações são marcadas para ocorrerem durante a noite, estendendo-se em sua maioria até por volta de meia-noite, ou mais, quando, já esvaziadas, são tomadas por bandidos de toda ordem que depredam e criam um clima de terror.

08 – Em acordo, ou não, com a mídia golpista, e com os bandidos, os organizadores das manifestações abandonam a ideia de angariar adeptos às suas idéias à luz do dia, e refugiam-se na noite com o evidente e único objetivo de gerar imagens de caos para as televisões e jornais golpistas.

09 – Também contrariando a tradição da história de manifestações populares no Brasil, “alvos” são criteriosamente selecionados, com o Itamaraty, o aeroporto de Cumbica, grandes rodovias, estádios de futebol, pequenos estabelecimentos comerciais, prédios públicos, bancos públicos, pontes como a Rio-Niterói e a de Uruguaiana (no RS com Argentina).

10 – Também de forma inédita em manifestações políticas no Brasil, manifestantes, muitos aliás, mascarados, “vestidos para a guerra”, como nos clássicos filmes de seriados, tomam se assalto às marchas, de forma planejada e organizada, com a clara intenção de promover a desordem e criar clima de desordem e destruição por onde passavam.

11 – Durante os primeiros dias das manifestações, agindo de forma articulada, a mídia golpista distribui nacionalmente, por meio de suas agências, matérias, opiniões de articulistas, coberturas de televisão, etc, tudo em perfeito alinhamento editorial, estimulando a manifestação, e fortalecendo a PAUTA DO GOLPE, especialmente voltadas para o “combate à corrupção”.

12 – Ainda a mídia golpista aposta claramente na “mobilização”, tratando os arruaceiros, em cada vez maior número, de “minorias”, contrariando sua prática histórica de acusar os movimentos sociais e sindicais organizados de “baderneiros” quando eles vão às ruas das grandes cidades lutar por melhores salários e condições de vida.

13 – Amparados na experiência, e provavelmente no mesmo aparato utilizado na campanha eleitoral passada (2010), explode na Internet uma articulação em rede, com presença de “centros emanadores” de informações, e personagens amplificados o policial que convoca uma Greve Geral, ou alguém que diz que “Dilma vai fechar a Internet”, entre outras atividades que se multiplicam sem qualquer questionamento.

14 – Na sexta-feira, 17, a Rede Globo insere na novela das 8, cena em que o personagem praticamente cita o ex-ministro José Dirceu, vinculando-o ao tema da corrupção, para preparar o terreno da mudança da pauta das manifestações do final de semana, especialmente no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, que passariam a ser “dar um basta na corrupção”.

15 – Absolutamente contrária a prática política brasileira, é inserida no coração do movimento a tese da exclusão das forças políticas organizadas, ou seja, partidos, centrais sindicais, sindicatos, entidades de classe, inclusive as estudantis, das manifestações sob o argumento de que o “povo não quer bandeiras” – com o objetivo de fortalecer a ideia de “rede”, ou da Rede.

16 – Em manifestação de Brasília, é preso um dos responsáveis pelo ataque ao Itamaraty, que se encontrava em situação de PRISÃO DOMICILIAR, mas estava no local, “vestido para o crime”, munido de COQUETÉIS MOLOTOV, ou seja, claramente organizado, municiado e orientado para dizer que agiu por conta própria, como de fato fez quando foi preso.

17 – Uso de inocentes úteis, adeptos da “revolução 2.0”, que por esquerdismo, ilusão de classe ou influenciados por parcerias externas – muitas delas atuam no Brasil, especialmente entre a juventude -, acabam dando cobertura inclusive e, por vezes, principalmente, à baderna nos finais de noite, assim amplificando o clima de “desordem revolucionária”.

18 – Furada a greve geral marcada por Facebook, e vitoriosa a GREVE GERAL verdadeira, dos TRABALHADORES, a mídia golpista passa a investir contra a legitimidade do Movimento Sindical, questionando rancorosamente, com apoio de setores esquerdistas, a representatividade dos dirigentes e entidades mais combativas, ao mesmo tempo em que atuam para cooptar outros segmentos mais tradicionais e/ou oportunistas.

19 – Em regiões, não por acaso referências políticas para o país, como Porto Alegre e Rio de Janeiro, na seqüência das manifestações, movimentos de natureza esquerdista-anarquista passam a agir de forma agressiva, invadindo instituições democráticas, como na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Natal e Salvador, buscando criar “jurisprudência” para a inexistência do Estado de Direito.

20 – No pós-manifestações, a mídia golpista insiste em atacar 1) as instituições democráticas, os partidos, a política 2) o movimento social, o movimento sindical, os sindicatos, as centrais sindicais, com o objetivo de fortalecer a aliança Mídia + Justiça como “alternativa” de poder para o futuro, que se traduziria na candidatura de Joaquim Barbosa, o probo da República, que não vingou.

21 – Superada essa primeira onda, a operação do “golpe 2.0” prossegue com uma brutal campanha contra a realização da Copa do Mundo e/ou qualquer possibilidade de sucesso, alinhando-se praticamente a totalidade da grande mídia e os setores políticos organizados da oposição, incluindo segmentos da sociedade civil.

22 – A campanha vai até a realização da Copa, incluindo a “vaia” ofensiva na Presidenta do Brasil na abertura do evento, antecedida de toda sorte de matérias questionando prazos de obras, qualidade dos equipamentos, eficiência dos serviços como aeroportos, hotéis etc.

23 – Sob a hashtag ‪#‎nãovaitercopa‬, a mobilização da mídia e da oposição golpista explora informações “terroristas” como “alertar” os turistas sobre riscos de “epidemia de dengue” no período da Copa, risco de assaltos, estupros e outras violências nas ruas, entre outras ameaças menores.

24 – Em meio ao insucesso das suas ações, e diante de uma Copa do Mundo vitoriosa, em Belo Horizonte, Minas Gerais, sob governos do PSB e do PSDB, em plena Copa, cai um viaduto, matando pessoas, por sorte não resultando em uma tragédia ainda maior, com evidente repercussão negativa para o evento.

25 – Frustrado o registro do “partido” da Rede, Marina Silva assume o papel de vice na chapa de Eduardo Campos, do PSB, com a expectativa de alavancar a candidatura do ex-governador pernambucano, o que não acontece.

26 – No auge da primeira fase da campanha, travados nas pesquisas, sem qualquer evidência de um possível crescimento, o avião de Eduardo Campos cai em acidente, inexplicavelmente sem caixa-preta, e sem qualquer apuração das causas até o momento (2014).

27 – A mídia golpista transforma a morte do ex-candidato do PSB em um ritual quase religioso, e elege Marina Silva sucessora, realizando e divulgando pesquisa eleitoral antes mesmo de enterro, com números superfaturados ao sabor do momento emocional.

28 – Diante da fragilidade e da decadência da campanha de Marina Silva, que apresenta um programa explicitamente neoliberal, a mídia golpista e seus mandantes externos voltam a apostar em Aécio Neves com alternativa para implementação de seus planos.

29 – No período eleitoral, ficam evidentes a manipulação das pesquisas eleitorais e o uso dos resultados como instrumento de indução dos eleitores, especialmente em São Paulo, de uma maneira ainda mais radical do que tradiconalmente ocorrera na história política do país.

30 – Os golpistas, aliados com setores da Polícia Federal e da “Justiça” brasileira, e a mídia, vazam trechos editados de depoimentos da Operação Lava Jato, para incriminar o PT e atingir sua candidatura, mas têm uma forte reação da candidata Dilma Rousseff, que termina derrotando Aécio Neves.

(...)

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