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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Itamar Franco e Michel Temer, por Jasson de Oliveira Andrade



Tivemos dois impeachments no Brasil. Um, em 30 de dezembro de 1992, quando Fernando Collor foi cassado no Senado por 73 votos a 3. Antes, ele fez um apelo patético: NÃO ME DEIXEM SÓ. Collor ficou só! Outro em 31 de agosto de 2016, quando a Dilma foi cassada por 61 votos contra 20. Só que desta vez a Ex presidenta não ficou só. A maioria ficou contra ela, mas ela teve muita gente a seu favor. Tanto assim que dizem: Temer 61 votos e Dilma mais de 54 milhões de votos.

Em 1992, Collor foi substituído por Itamar Franco, seu vice. Ele foi bem recebido. Não houve ninguém contra a sua posse e também nunca foi chamado de GOLPISTA ou TRAIDOR. Já Michel Temer não teve a mesma sorte. Ele é considerado golpista e traidor. Em todo lugar onde aparece é recebido com protesto. O mesmo ocorre com os senadores que aprovaram o impeachment. O novo velho presidente diz que esses protestos, inclusive nas ruas, são de um número pequeno de participantes. Mas existem, diferentemente do que aconteceu em 1992, quando Itamar foi aclamado.

A situação econômica no tempo de Collor era muito difícil, agravada com o confisco da Poupança. Itamar tomou medida econômica que foi bem recebida: a criação do real. Quem se beneficiou foi Fernando Henrique, que se elegeu presidente da República e se reelegeu. Na época, ele era Ministro da Fazenda de Itamar. Agora Temer, ao contrário de Itamar, vai tomar medidas amargas, ou, como ele mesmo diz, impopulares. Não teremos um Plano Real. O ajuste fiscal que pretende não deu certo com o ministro da Fazenda, Levy, que tornou o governo Dilma impopular. Dará certo com o Meirelles? Acho muito difícil, mas tomara que sim!

Se o impeachment de Collor foi uma unanimidade, o de Dilma se tornou polêmico. Se um foi recebido com aplausos, o de 2016 foi considerado um “golpe”. Golpe tramado por Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e Michel Temer, vice de Dilma. Graças a essa traição conseguiu-se o número necessário para a deposição da presidenta. Hoje, como reconheceu o escritor e jornalista Ricardo Soares, em artigo publicado neste jornal em 3/9, sob o título “A antidemocrática dor de dente pós golpe (sic)”, “os vencedores já começam quase a proibir a palavra GOLPE”. Outras observações do jornalista merecem ser recordadas: “Tiramos o país das mãos de uma mulher de governo titubeante, cheio de erros (sic), mas não há de se negar sua fibra na defesa daquilo no qual acreditava. Tiramos o país das mãos de uma mulher sem bússola e o jogamos na mão de ratos (sic). É um destino que nem Dilma e nenhum de nós merecia. (...) Mas o dia 31 de agosto (outro 31, como o de março do golpe de 64) vai sim ficar marcado como um dia de infâmia, um dia que pessoalmente me deixou anestesiado pela estupefação e literalmente pela extração de um dente que me doeu menos que a perda da democracia levada de roldão por uma súcia de delinquentes que apontou as falhas alheias com os dedos imundos (sic)”. É o roto falando do rasgado!

Outra diferença. Não houve movimento contra Itamar. Já contra Temer, existe. Em São Paulo, na Avenida Paulista, o movimento FORA TEMER reuniu 100 mil pessoas. Bernardo Mello Franco, em artigo na Folha, comenta: “Nesta quarta (7/9), Temer foi alvo de vaias e gritos de “Fora” no desfile militar em Brasília. Protegidos por um forte esquema de segurança (sic), seus ministros voltaram a zombar dos manifestantes. “Que protesto? Quinze pessoas?”, perguntou Geddel Vieira Lima. “Não havia mais de 18”, provocou Eliseu Padilha. À noite, o presidente ouviria outra vaia no Maracanã. E não foi míni (sic)”. O Estadão, na página “Esportes”, revelou: “Ao declarar abertos os Jogos Paralímpicos, o presidente Michel Temer (PMDB) foi bastante (sic) vaiado”. Em resumo: Itamar saiu do governo maior do que entrou!

Torcemos para que o Temer tenha o mesmo sucesso que teve o Itamar. O Brasil merece!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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