quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A prisão de Palocci e a fala inacreditável do ministro da Justiça, por Jasson de Oliveira Andrade



A prisão de Palocci, em 26 de setembro, seria mais uma ação da Lava Jato se não fosse um pronunciamento do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Antes de comentar a fala dele, uma explicação. Com o impeachment de Dilma, o PSDB foi agraciado pelo governo Temer com três Ministérios. Um dos nomeados foi Alexandre Morais, que era secretário de Alckmin.


A fala de Morais foi assim relatada por Kennedy Alencar: “O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, anunciou ontem [25/9] em evento em Ribeirão Preto (SP), onde participava da campanha eleitoral de um tucano (sic), que haveria nova fase da Lava Jato nesta semana. Depois, em nota, o Ministério da Justiça divulgou que não se tratou de informação privilegiada, mas de “força de expressão”, já que estariam ocorrendo novas fases todas as semanas. (...) No melhor cenário para o ministro da Justiça, ele elevou o boquirrotismo dos ministros do governo Temer ao seu mais alto grau de irresponsabilidade (sic). Se for verdade que não tinha informação privilegiada, falou o que não devia e o que não podia por ser ministro da Justiça e chefe administrativo da Polícia Federal. (...) FAZER ISSO EM PLENA CAMPANHA ELEITORAL É FALTA GRAVE PARA UM MINISTRO DE ESTADO, PORQUE PERMITIRÁ A SUSPEITA DE USO DA POLÍCIA FEDERAL COMO POLÍCIA POLÍTICA E NÃO UMA FORÇA JUDICIÁRIA OU DE ESTADO (destaque meu). No pior cenário para o ministro da Justiça, ele tinha uma informação privilegiada sobre um adversário político. Usou num dia de campanha para um colega do PSDB (sic), Duarte Nogueira, candidato a prefeito de Ribeirão Preto, terra onde Palocci fez carreira política (sic). E depois deu uma desculpa esfarrapada. (...) ASSIM, ELE DEIXA MAL O PRESIDENTE MICHEL TEMER, QUE TEM DE ADMINISTRAR MAIS UMA TRAPALHADA, NUM CENÁRIO, OU UMA INFRAÇÃO DA LEI, NOUTRO CENÁRIO (destaque meu). Foi grave a atitude do ministro da Justiça. Não vai acontecer nada? O governo vai sustentar que foram coincidência e força de expressão? Difícil. (...) Nos dois cenários, o melhor e o pior para Moraes, ele presta um desserviço à Lava Jato e mostra despreparo para o cargo (sic). É importante reiterar: O PROBLEMA DE TEMER NÃO É A COMUNICAÇÃO. O PROBLEMA SÃO OS MINISTROS (destaque meu)”.

O Estadão, que apoia Temer, em Editorial, sob o título “Um ministro insustentável”, pede a demissão do ministro: “O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, não tem mais condições de permanecer no cargo, se é que algum dia as teve. Seu despreparo para tão importante função já estava claro havia algum tempo, mas o episódio em que ele antecipou a realização de operações da Polícia Federal (PF) no âmbito da Lava Jato, justamente na véspera da prisão do ex-ministro petista Antonio Palocci, teria de servir de gota d´água para sua dispensa, em razão de tão gritante imprudência”.

Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania, afirma: “Lava Jato se desmoralizou por só investigar e prender petistas”. A afirmação poderá ser considerada facciosa, exagerada. No entanto, essa fala do ministro da Justiça, lamentavelmente, a confirma!

Valdo Cruz, da Folha, noticiou: “Após prisão de Palocci: Temer cobrará explicação de ministro da Justiça”, informando ainda: “O episódio envolvendo Alexandre de Moraes é mais um de uma coleção de declarações consideradas “desastradas” pela equipe de Michel Temer, que tem gerado desgaste precoce no governo do peemedebista”.

Perguntar não ofende: o ministro Alexandre de Moraes será exonerado? Duvido: Temer não vai contrariar os tucanos! Outra pergunta: por que a prisão de Palocci na semana das eleições municipais? Não poderia ter sido antes ou depois? No mínimo muito estranho!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu


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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A Comunicação no governo Temer, por Jasson de Oliveira Andrade



Chacrinha tinha uma frase que serve para todos os governos: “Quem não se comunica, se trumbica”. É o que acontece com o governo Temer.


O Estadão (16/9), no editorial sob o título “Quem desinforma é o governo”, comenta a falta de comunicação. O jornal constata: “Se o presidente Michel Temer quer mesmo combater a desinformação, neutralizar boatos e preservar o governo de suspeitas e acusações sem fundamento, deve começar melhorando a comunicação do Executivo. Nenhum rumor sobre a redução de gastos em saúde e educação ou sobre conspiração contra os direitos do trabalhador surgiu do nada ou foi meramente inventado por detratores. Todos os mal-entendidos surgiram de confusões criadas pela equipe governamental (sic). Ministros falam na hora errada, contam histórias perigosamente incompletas, tratam de assuntos fora de sua área e agem, perante a imprensa, como se a sua primeira e maior preocupação fosse aparecer e ocupar espaço e tempo nos meios informativos. Em resumo, o governo se comunica de forma desorganizada e amadora e irresponsável (sic), mas o presidente parece desconhecer esse fato”. Após apontar os “foras” de ministros do governo Temer, o jornal diz: “Confusões semelhantes ocorreram a partir de comentários ineptos e mal planejados sobre a mudanças no regime de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Gente do governo foi igualmente infeliz ao tratar publicamente da reforma da Previdência’. O Estadão falou sobre a nova comunicação do governo: “A nova estratégia seria muito mais eficiente se incluísse uma redução do falatório ocioso, maior cuidado na transmissão de informações, menos ligeireza na divulgação de balões de ensaio. O governo e o País ganhariam se os ministros se empenhassem menos em aparecer (sic) e fossem mais contidos ao falar em nome do Executivo. Mas, além de tudo, é um tanto exagerado falar em nova estratégia de comunicação quando o governo ainda carece, como se vê no dia a dia, de uma política de informação conduzida profissionalmente”.

Deu na Folha (18/9): “Em entrevista à revista VEJA, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) criticou a estratégia de comunicação do governo. (...) Ele [governo Temer] ESTÁ SE COMUNICANDO MUITO MAL, DE FORMA ANTIQUADA, MOFADA, INEFICAZ” (destaque meu), afirmou Maia, eleito presidente da Câmara em julho com o apoio do Palácio do Planalto”. Maia voltou ao assunto. Segundo o Estadão (22/9): “O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que ocupa a presidência da República (sic) enquanto Michel Temer está em viagem a Nova York, “deu um pito público” no ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, por ter se manifestado de forma indevida “por duas vezes” sobre a reforma trabalhista. (...) “Hoje (21/9) o ministro do Trabalho disse que a reforma trabalhista vai ficar para o segundo semestre de 2017. Não deveria ter tratado da reforma trabalhista, porque foram duas notícias ruins: a forma como ele comunicou (sic) antes e o anúncio hoje de que deixou tudo para o segundo semestre do ano que vem. Às vezes, É MELHOR FALAR POUCO E PRODUZIR MAIS (destaque meu)”. O Estadão (22/9) também noticia: “Temer critica defesa de Geddel de anistia a caixa 2”. Na reportagem o jornal revela: “O presidente Michel Temer desautorizou ontem (21/9), em Nova York, o chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que disse que o Congresso deve fazer “sem medo” a discussão sobre a anistia a políticos que tenham praticado caixa 2. A afirmação do ministro foi considerada “surpreendente” por Temer e EXPLICOU MAIS UMA VEZ A DIFICULDADE DO GOVERNO DE AFINAR SUA COMUNICAÇÃO (destaque meu)”. Sem comentário...

O governo deveria se atentar para a frase, sábia, de Chacrinha. Sua comunicação é criticada por um jornal que apoia Temer e também pelo presidente da Câmara, eleito pelo Palácio do Planalto. Dois aliados. O Estadão está certo: “Quem desinforma é o governo”! Quando, na verdade, deveria informar...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Itamar Franco e Michel Temer, por Jasson de Oliveira Andrade



Tivemos dois impeachments no Brasil. Um, em 30 de dezembro de 1992, quando Fernando Collor foi cassado no Senado por 73 votos a 3. Antes, ele fez um apelo patético: NÃO ME DEIXEM SÓ. Collor ficou só! Outro em 31 de agosto de 2016, quando a Dilma foi cassada por 61 votos contra 20. Só que desta vez a Ex presidenta não ficou só. A maioria ficou contra ela, mas ela teve muita gente a seu favor. Tanto assim que dizem: Temer 61 votos e Dilma mais de 54 milhões de votos.

Em 1992, Collor foi substituído por Itamar Franco, seu vice. Ele foi bem recebido. Não houve ninguém contra a sua posse e também nunca foi chamado de GOLPISTA ou TRAIDOR. Já Michel Temer não teve a mesma sorte. Ele é considerado golpista e traidor. Em todo lugar onde aparece é recebido com protesto. O mesmo ocorre com os senadores que aprovaram o impeachment. O novo velho presidente diz que esses protestos, inclusive nas ruas, são de um número pequeno de participantes. Mas existem, diferentemente do que aconteceu em 1992, quando Itamar foi aclamado.

A situação econômica no tempo de Collor era muito difícil, agravada com o confisco da Poupança. Itamar tomou medida econômica que foi bem recebida: a criação do real. Quem se beneficiou foi Fernando Henrique, que se elegeu presidente da República e se reelegeu. Na época, ele era Ministro da Fazenda de Itamar. Agora Temer, ao contrário de Itamar, vai tomar medidas amargas, ou, como ele mesmo diz, impopulares. Não teremos um Plano Real. O ajuste fiscal que pretende não deu certo com o ministro da Fazenda, Levy, que tornou o governo Dilma impopular. Dará certo com o Meirelles? Acho muito difícil, mas tomara que sim!

Se o impeachment de Collor foi uma unanimidade, o de Dilma se tornou polêmico. Se um foi recebido com aplausos, o de 2016 foi considerado um “golpe”. Golpe tramado por Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e Michel Temer, vice de Dilma. Graças a essa traição conseguiu-se o número necessário para a deposição da presidenta. Hoje, como reconheceu o escritor e jornalista Ricardo Soares, em artigo publicado neste jornal em 3/9, sob o título “A antidemocrática dor de dente pós golpe (sic)”, “os vencedores já começam quase a proibir a palavra GOLPE”. Outras observações do jornalista merecem ser recordadas: “Tiramos o país das mãos de uma mulher de governo titubeante, cheio de erros (sic), mas não há de se negar sua fibra na defesa daquilo no qual acreditava. Tiramos o país das mãos de uma mulher sem bússola e o jogamos na mão de ratos (sic). É um destino que nem Dilma e nenhum de nós merecia. (...) Mas o dia 31 de agosto (outro 31, como o de março do golpe de 64) vai sim ficar marcado como um dia de infâmia, um dia que pessoalmente me deixou anestesiado pela estupefação e literalmente pela extração de um dente que me doeu menos que a perda da democracia levada de roldão por uma súcia de delinquentes que apontou as falhas alheias com os dedos imundos (sic)”. É o roto falando do rasgado!

Outra diferença. Não houve movimento contra Itamar. Já contra Temer, existe. Em São Paulo, na Avenida Paulista, o movimento FORA TEMER reuniu 100 mil pessoas. Bernardo Mello Franco, em artigo na Folha, comenta: “Nesta quarta (7/9), Temer foi alvo de vaias e gritos de “Fora” no desfile militar em Brasília. Protegidos por um forte esquema de segurança (sic), seus ministros voltaram a zombar dos manifestantes. “Que protesto? Quinze pessoas?”, perguntou Geddel Vieira Lima. “Não havia mais de 18”, provocou Eliseu Padilha. À noite, o presidente ouviria outra vaia no Maracanã. E não foi míni (sic)”. O Estadão, na página “Esportes”, revelou: “Ao declarar abertos os Jogos Paralímpicos, o presidente Michel Temer (PMDB) foi bastante (sic) vaiado”. Em resumo: Itamar saiu do governo maior do que entrou!

Torcemos para que o Temer tenha o mesmo sucesso que teve o Itamar. O Brasil merece!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

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Golpe